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Barnabé, o "filho da consolação"

O apóstolo Paulo escreveu: “Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros” (Filipenses 2:4). É uma exortação que tem como alvo o de fazer a vida e o ministério mais frutífero e com um alcance maior. Deixemos a vida egoísta para ser altruísta, sempre pensando no bem-estar e proveito espiritual dos outros, especialmente no ministério cristão. No livro dos Atos dos Apóstolos encontra-se Barnabé como um exemplo desse sentimento.

Ele se chama José, um nome muito comum entre os judeus no tempo dos apóstolos, como também em outros países. Para os judeus o nome de alguém deve denotar o seu caráter e a sua vida. Os apóstolos achavam que o nome de José não indicava corretamente o caráter singular de um homem fora do comum. Acrescentaram-lhe o nome Barnabé, significando “filho de consolação” ou “filho de exortação”. A palavra grega dá os dois sentidos. “José, a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé, que quer dizer filho de exortação” (Atos 4:36). Veremos como ele merecia este nome. Em sete ocasiões lemos como ele ajudava aos outros.

  1. BARNABÉ ajudando aos necessitados (Atos 4:37). Ele vendeu o seu campo; trouxe o preço e o depositou aos pés dos apóstolos, para a distribuição aos crentes necessitados em Jerusalém.
  2. BARNABÉ ajudou Saulo de Tarso em Jerusalém a provar que ele foi verdadeiramente convertido (Atos 9:26-30). Saulo escapou uma cilada em Damasco e fugiu para Jerusalém onde os crentes ficaram com medo dele, não acreditando que ele fosse discípulo. Foi desprezado e achou difícil juntar-se com os discípulos. Foram nessas circunstâncias que Barnabé resolveu o problema. Ele tomou Saulo e o levou aos apóstolos e contou-lhes como ele se converteu no caminho para Damasco e como em Damasco pregou com toda a ousadia em nome de Jesus. Quando Paulo pregou em Jerusalém os judeus procuraram tirar-lhe a vida. Para salvar a sua vida os irmãos levaram-no a Cesaréia e dali o enviaram para Tarso, a cidade onde foi criado e onde ficou abandonado.
  3. BARNABÉ foi escolhido para uma missão à igreja em Antioquia (Atos 11:22). A igreja não podia ter escolhido alguém melhor. Mesmo sendo levita e a igreja em Jerusalém só pregava aos judeus, ele amava todas as raças. A sua paixão era unir os irmãos e se alegrar pelo progresso do Evangelho e o desenvolvimento no ministério. Ele possuía as três qualidades essenciais para o serviço de Deus. “Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor” (Atos 11:24). “Era homem bom”: a bondade é a atitude cristã para com o homem. Barnabé não prejudicava ninguém, mas somente fazia o bem. “Cheio do Espírito Santo”: significa que ele estava sob o controle do Espírito Santo. Não havia nada na sua vida para impedir a atuação do Espírito Santo e a sua atitude para com Deus. “Cheio de fé”: a fé e a atitude para com a Palavra de Deus. Lucas descreve a chegada de Barnabé à igreja em Antioquia: “Tendo ele chegado e vendo a graça de Deus, alegrou-se e exortava a todos a que, com firmeza de coração permanecessem no Senhor” (Atos 11:23). Tudo foi melhor do que ele esperava. Ele viu gregos, judeus e povos de outras raças, todos unidos formando uma igreja, cumprindo a ordem de Cristo de pregar o Evangelho a todos os povos. Portanto, o que mais alegrou Barnabé foi a graça de Deus manifestada na igreja. “Tendo ele chegado e vendo a graça de Deus, alegrou-se” (Atos 11:23). Ele viu a graça de Deus em ação pela transformação de vidas pelo Evangelho, fazendo a reconciliação do pagão com Deus e a comunhão não somente com Deus, mas também uns com os outros.
  4. BARNABÉ procura Paulo em Tarso (Atos 11:25). Em Antioquia o ministério de Barnabé foi muito abençoado, ainda assim ele não ficou satisfeito porque o ministério de Paulo não estava sendo aproveitado. “E partiu Barnabé para Tarso à procura de Paulo; tendo-o encontrado, levou-o para Antioquia. E por todo um ano, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão” (Atos 11:26).
  5. BARNABÉ foi escolhido para levar ajuda aos necessitados em Jerusalém (Atos 11:27-30). Durante a sua estadia em Antioquia chegou mais uma oportunidade para ajudar aos necessitados. Souberam por profecia que haveria uma grande fome em todo o mundo. A igreja em Antioquia preveniu da necessidade de socorrer os flagelados em Jerusalém. Junto com Paulo, Barnabé foi escolhido para levar a contribuição da igreja para Jerusalém.
  6. BARNABÉ e Paulo levaram João Marcos para Antioquia. Ao sair de Jerusalém eles levaram João Marcos, primo de Barnabé, junto com eles, porque acharam que ele tinha um ministério para contribuir com a edificação da igreja, e não porque era primo de Barnabé. João é o nome hebraico e Marcos no latim. Ele como o seu primo era levita instruído na Lei e conhecedor do Velho Testamento. A casa de sua mãe Maria foi um dos lugares, talvez o lugar principal, onde a igreja se reunia em Jerusalém (Atos 12:12). Foi privilegiado porque ele recebia o ensino dos apóstolos e dos melhores ensinadores de Jerusalém. Era homem culto e o escritor do Evangelho segundo Marcos, amigo e filho na fé do apóstolo Pedro (1Pedro 5:13). Paulo e Barnabé concordaram em levar Marcos para Antioquia a fim dele ganhar experiência na Obra de Deus e exercer o seu dom num ambiente mais amplo do que em Jerusalém.
  7. Na sua primeira viagem missionária BARNABÉ e Paulo levaram Marcos com Eles, mas em Perge ele os abandonou e voltou para Jerusalém (Atos 13:13). Ele, que foi criado em Jerusalém, achou a obra missionária muito rigorosa e até Perge não havia grandes resultados. Somente depois de Perge as igrejas na Galácia foram formadas. Marcos voltou de Jerusalém para Antioquia e estava ali quando Barnabé e Paulo resolveram fazer a segunda viagem missionária. Agora arrependido da sua falha ele está disposto a enfrentar mais uma viagem com Barnabé e Paulo. Portanto, Paulo não queria que Marcos fosse com eles. “Mas Paulo não achava justo levarem aquele que se afastara desde a Panfilia, não acompanhando no trabalho. Houve entre eles tal desavença, que vieram a separar-se. Então, Barnabé, levando consigo Marcos, navegou para Chipre” (Atos 15:38,39). Barnabé não somente queria dar a Marcos a segunda oportunidade, mas também ele conhecia o valor do seu ministério que precisava ser aproveitado. Depois da separação não lemos mais de Barnabé no livro de Atos, porém sabemos o resultado da sua bondade e interesse no serviço e ministério de Marcos.

A decisão de Barnabé foi justificada. Nas cartas do apóstolo Paulo, por ocasião da sua prisão em Roma, encontramos os nomes de alguns dos cooperadores de Paulo, homens de grande coragem, dispostos a fazer sacrifícios em prol do Evangelho. O nome de Marcos foi um deles. Paulo escreveu: “Saudam-te Epafras, prisioneiro comigo, em Cristo Jesus, Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus cooperadores” (Filemon 1:24). Demas foi quem trabalhou muitos anos com o apóstolo, mas ao fim da vida de Paulo achou o serviço difícil e o abandonou. Marcos, no princípio, abandonou Barnabé e Paulo, mas no fim ele estava ao lado do apóstolo no lugar mais difícil e perigoso. Na mesma ocasião da carta a Filemon, Paulo escreveu aos Colossenses: “Saúda-vos Aristarco, prisioneiro comigo, e Marcos, primo de Barnabé sobre quem recebestes instruções; se ele for ter convosco, acolhei-o” (Colossenses 4:10).

Nos últimos dias de Paulo, um pouco antes do seu martírio, da sua prisão ele escreveu: “Somente Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério” (2 Timóteo 4:11). A bondade de Barnabé deu resultados. É justo quando um obreiro cuida do seu dom e ministério, mas os resultados se multiplicarão e o seu campo ampliará quando ele procura ajudar aos outros no seu serviço e ministério.

autor: Kenneth Jones.