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Chamado para Obra Missionária: Jaime D Crawford

Relatado por Jaime D. Crawford


Quando eu tinha seis anos de idade meus pais se mudaram da cidade de Glasgow para um sítio em Newton Mearns, onde fui criado. Nós assistíamos às reuniões na igreja na aldeia de Newton Mearns, a 7 km do sítio. Para chegar lá, andávamos 2 km a pé e depois 5 km de ônibus, mesmo assim era difícil o meu pai perder uma reunião. Não havia “obreiro em tempo integral” na nossa igreja, mas cada irmão e irmã contribuía para o bem estar de todos.

O meu pai iniciava os hinos na reunião da Ceia e gostava muito de trabalhar com crianças, o que eu também gosto de fazer até o dia de hoje. Anualmente a igreja convidava um evangelista para realizar uma campanha de evangelização e, de quando em quando, recebíamos ensinadores para ministrar a Palavra.

Na casa dos meus pais sempre havia visitas, alguns por motivo de saúde e outros missionários de várias partes do mundo: Índia, África e América do Sul. Tive a oportunidade de conhecer muitos dos “pioneiros” na Obra do Senhor em várias partes e vibrávamos quando davam os seus relatórios na nossa igreja.

Eu me converti na adolescência e, terminando os anos escolares, comecei a trabalhar com o meu pai no sítio. A juventude foi passada à sombra da 2a Guerra Mundial (1939–1945), durante a mesma o lema foi “economia em tudo!”. Sem dúvida durante aqueles anos aprendi muitas lições que serviram bem na obra missionária.

Durante a guerra fui batizado e comecei a namorar uma moça chamada Jenny Allan, cujos pais reuniam-se na mesma igreja. Já estávamos começando a nos envolver com os trabalhos da igreja e em 1946 recomeçaram as reuniões ou conferências (semelhantes as da “IDE”), duas vezes por ano, na cidade de Glasgow. Nós queríamos assistir às reuniões em um local, mas estava completamente lotado e aqueles que não cabiam no salão foram encaminhados para um outro lugar onde conseguimos assistir à uma das conferências, não onde tínhamos a intenção de ir, mas o pregador Sr. Archie Naismith nos desafiou de tal maneira que resolvemos entregar as nossas vidas ao Senhor.

Após a reunião fiquei com medo de comentar algo com a Jenny (do fato) que Deus havia falado comigo e pensei: “ela pode não ter sentido Deus falando com ela e dizer que termina por aqui o nosso namoro”. No outro fim de semana quando nos encontramos, tomei coragem e falei com ela, e ela disse: “mas eu pensei que ele estava falando só comigo e já decidi, vou fazer enfermagem”. A Jenny deixou o seu emprego como secretária em um escritório e ingressou na Victoria Infermary para um curso de cinco anos aprendendo enfermagem. Os irmãos da igreja me ajudaram muito e me animaram a estudar os cursos por correspondência da Escola Bíblica Emaús, e envolver-me mais no trabalho da igreja.

A Obra do Senhor no Brasil estava sempre perante nós, porque a minha irmã Leila estava no Brasil junto com o seu marido William Maxwell, servindo ao Senhor desde 1938. Quando voltaram para Escócia em 1946 ficaram uns meses no sítio dos meus pais.

Em 1950 e 1951 passei as férias ajudando o irmão Willie Scott, um evangelista no sul da Escócia, e aprendi muito com ele. Mais tarde ele abriu o primeiro lar para crentes idosos entre os irmãos no Reino Unido. Quando faleceu o jovem missionário Alex Simpson, que servia na Escócia e no Brasil, os irmãos em Greenview Hall, Pollokshaws, realizaram uma reunião especial e um dos pregadores foi o irmão Leonard Nye, de Sacramento-MG, Brasil, e novamente senti o desejo de ir preencher as “brechas nas fileiras”.

Casamos em dezembro de 1951 e recebendo a recomendação da igreja partimos para o Brasil em abril de 1952. Durante os anos de preparação para servir o Senhor no Brasil, juntamos das nossas economias o suficiente para pagar a viagem da Escócia para o Brasil e também nos sustentar no período de transição.

Após esse período, o Senhor assumiu a responsabilidade de suprir TODAS AS NOSSAS NECESSIDADES: espirituais, emocionais e materiais, e depois de 51 anos o nosso testemunho é que DEUS É FIEL apesar da nossa INFIDELIDADE.

Chegamos a Santos no dia 20/04/1952, domingo, depois de uma viagem marítima de dezoito dias. Os irmãos William Maxwell, Harry Ruston e George Orr estavam ali para nos recepcionar e ajudar-nos a passar pela alfândega, uma tarefa sempre traumática! Depois subimos para São Paulo onde ficamos com Sr. Ricardo e D. Maria Jones até segunda-feira à noite, quando iniciamos a viagem para Uberaba, onde chegamos na tarde de terça-feira. Guilherme e Leila haviam preparado um quarto espaçoso para nós, ficamos e nos reunimos com eles na casa de oração local até janeiro de 1953. Eles foram os nossos professores na língua portuguesa e ao mesmo tempo nos ensinaram coisas importantes acerca da cultura brasileira.

No mês de julho daquele ano surgiu um problema grande na igreja em São Joaquim da Barra com a chegada de duas senhoras que tentaram desviar os crentes novos dos ensinos bíblicos, o que causou uma grande preocupação aos irmãos Guilherme e Leila, sendo eles os pioneiros do trabalho naquela cidade.

Em dezembro de 1952 eles sugeriram que nos mudássemos para aquela cidade a fim de dar apoio aos irmãos ali residentes. Julgamos que eles sabiam as necessidades da Obra muito mais do que nós e nos mudamos para São Joaquim da Barra em janeiro de 1953, que se tornou a nossa “Jerusalém” onde começamos a trabalhar na região.

Não somos “especialistas” em nada, mas aprendemos a fazer com toda a nossa energia TUDO que o Senhor coloca perante nós e para Ele “só o melhor serve”.

Desde a mocidade tem sido o nosso privilégio conhecer muitos servos do Senhor. Um deles, saindo da casa dos meus pais pela última vez, colocou sua mão na minha cabeça e disse: “Jaime, tenha um alvo alto e mantenha a cabeça baixa”; outro disse: “Sempre procure construir e manter unido o povo do Senhor”. Um outro que foi amigo íntimo até o seu falecimento disse: “Jaime, mantenha-se no meio do caminho, mesmo quando lhe borrifarem lama dos dois lados!”.

O mesmo Deus que nos chamou continua a chamar, basta colocar-nos em posição para ouvi-Lo, e, ouvindo-O, que estejamos dispostos a OBEDECER (Atos 26:19).

Jesus, Senhor e Mestre, quero entregar-me a Ti,
Pois sobre cruz sangrenta, por mim morreste ali.
Meu coração Te oferto por trono Teu Senhor,
Vem ocupar, sim, dominar meu ser, por Teu amor.

Cânticos de Sião No. 92

Adendo

O querido irmão Jaime Crawford, com sua esposa D. Jenny (recentemente chamada à presença de Deus)  há muitos anos tem perseverado na Obra do Senhor em São Joaquim da Barra-SP e arredores, além de ter contribuído com seus talentos para a 16a. Edição do hinário Hinos e Cânticos, e a fundação da Associação Cristã Editora que assumiu os direitos desse hinário.

17.7.2012

autor: R David Jones.