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Jamais vi o justo desamparado

Salmo 37:25

Este Salmo de Davi começa com exortações para o povo de Deus confiar no Senhor e entregar o seu caminho a Ele, e nos traz lindas promessas da fidelidade de Deus em satisfazer os desejos dos corações daqueles que assim o fazem (versículos 3 a 5).

Evidentemente, Davi tinha experiências pessoais da provisão do seu Deus em tempos de grande necessidade, pois escreveu também: O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará. Foi nessas experiências e apertos que Davi provou o poder de Deus. Também, desde a sua juventude até sua velhice, Davi não viu um justo morrer de fome ou até chegar a ponto de mendigar o pão.

Isto não quer dizer que o povo de Deus nunca passava pela fome. Em Dt. 8:3 vemos que Israel passava pela fome no deserto, mas há uma grande diferença entre passar fome e morrer de fome! O Senhor Jesus passou fome aqui na terra, e numa ocasião por 40 dias! Moisés explicou para aquele povo porque Deus permitia a fome: foi para te provar e saber que estava no teu coração, se guardarias ou não os Seus mandamentos (v. 2). É quando estamos sem recursos que manifestamos onde está depositada a nossa confiança, nos homens ou no Senhor.

Elias era outro desses justos que passava pela provação e pela fome. Em 1Rs. 17:1-6 vemos outro exemplo de onisciência e onipotência de Deus em cuidar dos Seus servos. É importante notar, nos versículos 4 e 9 desse trecho, como Deus disse a Elias que Ele já tinha ordenado aos corvos e à viúva para providenciarem a provisão do Seu servo. O que aconteceu depois disto foi simplesmente o cumprimento do plano divino e tinha que acontecer independentemente dos sentimentos naturais dos corvos (para comer aquela carne) ou da viúva (em não compartilhar a sua última bocada).

Notamos que Elias não pediu alimento à viúva pensando nele, mas nela, e também garantiu a bênção que ela receberia em confiar no Senhor nesta provação. Podemos imaginar o prazer no coração de Elias, e da viúva, em ver estas promessas sendo realizadas em cada necessidade pessoal. Certamente foi uma experiência inesquecível que fortaleceu muito a sua fé em Deus e o preparou para as batalhas mais à frente.

Os mesmos princípios funcionaram nos tempos do Novo Testamento e vemos como o Senhor Jesus Cristo treinava os Seus discípulos a confiar somente NELE para seu sustento material (Lc. 12:22-31).

É natural estar-se preocupado sobre estas coisas e o mundo vive assim, mas os salvos não devem viver assim e, especialmente, aqueles que confessam viver PELA FÉ. Depois da Sua missão, o Senhor enfatizou este assunto para chamar à atenção e estabelecer o princípio nos seus corações que QUANDO ELE MANDA, ELE SUSTENTA: quando vos mandei sem bolsa, sem alforje e sem sandálias, faltou vos porventura alguma coisa? NADA, disseram eles (Lc. 22:35). Eles concordaram com Davi: O Senhor é o meu Pastor, NADA me faltará.

Mais tarde vemos o grande exemplo do apóstolo Paulo: Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação… tanto de fartura, como de fome, assim de abundância como de escassez (Fp. 4:11-12). Neste trecho ele estava agradecendo uma oferta NÃO SOLICITADA que tinha recebido daquela igreja e podia ver nisto a provisão de Deus. É verdade que noutra ocasião ele pediu a cooperação financeira dos Coríntios a favor dos irmãos pobres em Jerusalém, mas NUNCA LEMOS DELE PEDINDO PARA ELE MESMO (2Co. 8 e 9).

De fato, ele escreveu para eles na sua segunda carta, lembrando-os da sua maneira de trabalhar quando estava entre eles, sem pedir nada deles. Naquele tempo ele foi sustentado por ofertas - NÃO SOLICITADAS - de outras igrejas (2Co. 11:7-9).

Precisamos lembrar, em nossos dias, destes princípios e exemplos, quando muitos “servos do Senhor” publicam as suas necessidades pessoais. Tal prática indica uma falta de confiança no Senhor. Se Ele podia dominar os corvos imundos, será que Ele não pode tocar nos corações do Seu povo sem a nossa propaganda?

Os que usam tal prática perdem a maior bênção de ver como o nosso Deus é onisciente e onipotente, que sabe o que precisamos, e usa o Seu povo, muitas vezes estranho para nós, para providenciar esta necessidade. É a maior confirmação possível que estamos fazendo a vontade do Senhor!

Pense na alegria de Pedro quando ele achou a moeda na boca do peixe que servia exatamente para a sua necessidade daquele dia! Será que o Senhor mudou? NÃO! Ele ainda é Deus que sustenta os Seus servos.

autor: R David Jones.