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O teste dos espíritos

Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus

1 João 4:1

Amados, não creiais em todo espírito”, é uma tradução fiel do original grego. Os seis primeiros versículos do capítulo 4 da primeira epístola de João são um farol de aviso: o amor deve ser exercido com julgamento e sabedoria. Devemos amar aos crentes, mas precisamos ter a certeza de que os que se dizem cristãos não são falsos ensinadores ou mestres. Aqueles que negam a encarnação de Cristo são destes, e se revelam mediante o teste.

Essa advertência é feita aos “amados”: não que os leitores fossem necessariamente amigos pessoais de João, mas são os amados pelo Senhor Jesus Cristo que deu a Sua vida por eles, e que se amam entre si porque “quem não ama permanece na morte” (1 João 3:14).

Crer, ou deixar de crer, envolve aqui o sentido de uma credulidade ingênua: hoje em dia, como nos dias em que a carta foi escrita por João, existe muito engano camuflado de cristianismo que absolutamente nada tem de espiritual, mas que pode enganar aos mal informados; também encontramos hoje uma preocupação anormal com o ocultismo por parte de muitos cristãos que é muito perigosa; existe ainda um fanatismo com relação a ideias e interpretações pessoais, que separam os crentes.

Com relação aos espíritos, a Bíblia diz, entre outras coisas: “... quanto aos anjos, diz: ‘O que de seus anjos faz ventos e de seus ministros, labareda de fogo’” (Hebreus 1:7, citando o Salmo 104:4), e, “Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” (Hebreus 1:14). Acima do ministério dos anjos, agora temos o ministério do Espírito Santo em nossos corações e em nossas vidas.

Em contrapartida a esses anjos bons que servem a Deus existem os anjos caídos, também chamados de espíritos nas Escrituras. Os Evangelhos falam muito sobre os “espíritos imundos” no tempo de Cristo. Também se admite a sua realidade hoje, e dentre eles o principal, conhecido como diabo ou satanás, é adorado abertamente pelos seus devotados sacerdotes e sacerdotisas. Como crentes remidos pelo Filho de Deus, Jesus Cristo, somos exortados pelo Espírito Santo a nos proteger com toda a armadura de Deus porque estamos numa batalha espiritual gigantesca (Efésios 6:12). Nossos inimigos são bem organizados, como se fossem um exército poderoso.

João endereçou esta sua carta aos seus “filhinhos”, maneira afetuosa de chamar os que nasceram de novo espiritualmente ao ouvir e receber para si o Evangelho de Cristo, de quem ele era um apóstolo. Como tais, somos instruídos a amar e ajudar uns aos outros, mas precisamos de cautela: “E peço isto: que o vosso amor aumente mais e mais em ciência e em todo o conhecimento” (Filipenses 1:9). Ciência e conhecimento nos dão discernimento. É maravilhoso amar, mas estamos num grande mundo vil e maldoso, e ele vai nos enganar se o deixarmos.

Sempre houve os falsos “mestres”. O Senhor Jesus havia prevenido o povo contra eles (Mateus 7:15), mesmo contra os falsos “cristos” com seus sinais milagrosos (Mateus 24:11,24; Marcos 13:22). É uma história antiga (Lucas 6:26) e aparece vez por outra nas Escrituras (por exemplo, Atos 13:6; Apocalipse 16:13; 19:20; 20:10). Agora são os líderes e ensinadores falsos, como havia falsos profetas entre os israelitas (2 Pedro 2:1). Há muitos ensinadores hoje em dia contra quem nos devemos precaver porque estão deixando de lado o que as Escrituras ensinam, ou fazendo acréscimos a elas.

Só porque alguém se chega a nós falando muito as palavras “Jesus” ou “Senhor”, ou tem graus ou realizações eclesiásticas, não significa que devemos automaticamente amar e confiar nele. Essa pessoa pode ser ainda mais perigosa do que uma serpente porque ensina uma doutrina falsa, ou tem pouco respeito pela doutrina verdadeira. Embora carregue uma Bíblia debaixo do braço, ele poderá não estar realmente ensinando a Palavra de Deus.

Os espíritos, incluindo mestres e professores, precisam ser testados, ou provados, para vermos se são de Deus. É a prova de ácido da verdade, como um metalúrgico faz com os seus metais. Se ele passar o teste, é aceitável (2 Coríntios 10:18), caso contrário será rejeitado (2 Coríntios 13:5-7). O teste em si é muito simples e dá um resultado imediato: qualquer espírito que reconhece que Jesus Cristo (o Salvador Enviado por Deus) veio ao mundo como um ser humano, é de Deus. Verifiquemos se reconhecem a divindade de Jesus Cristo (1 Coríntios 12:3), e a encarnação e a ressurreição de Cristo (Romanos 10:6-10).

Os que passam no teste reconhecem que Ele é “o Verbo” (ou melhor, “a Palavra” – NVI): Deus o Filho, o criador de todas as coisas, que se fez carne assim cumprindo profecias sobre o Messias séculos antes do Seu nascimento, por exemplo: “um menino nos nasceu, um filho se nos deu...” (Isaías 9:6). O menino nasceu, mas o Filho nos é dado! O Filho veio da eternidade, o Ancião de Dias, enquanto que o menino humano foi concebido dentro de uma virgem. Sua morte e ressurreição não têm sentido a não ser que Ele realmente fosse quem Ele disse que era, o Filho de Deus transformado em homem.

Por outro lado, todo e qualquer espírito que nega a divina humanidade de Jesus Cristo, nunca provém de Deus. Ele é do Anticristo. Esta palavra é mencionada antes nesta carta, no capítulo 2 versículos 18 e 22, e pode ser usada no sentido de “fingir ser Cristo” (Mateus 24:5) ou de “ser contra Ele”. Um dia um grande líder religioso e um grande líder político vão, juntos, apresentar as duas facetas do Anticristo: um parecendo uma ovelha vai fingir ser um sacerdote como Cristo, sustentando o outro para adoração, que se oporá ao verdadeiro Cristo (Apocalipse 13). Nossa civilização contemporânea está encaminhando para a chegada do Anticristo:

  • Todas as religiões do mundo, a Babilônia, estão se aproximando com o movimento ecumênico à liderança de um homem que, no espírito do Anticristo se fará como que substituto de Cristo.
  • As nações estão se achegando para permitir a existência de um político com poder soberano sobre todas elas. Ele vai trazer uma paz provisória ao mundo, mas vai ser o período mais assustador que o mundo já viu.

O espírito do Anticristo esteve no mundo desde os primórdios da igreja de Cristo. Ele se revela nos ensinadores falsos que ensinam heresias e um evangelho falso.

Não há qualquer razão porque nós, que pertencemos a Deus e não ao mundo, sejamos enganados por ensino anticristão. O Espírito de Deus, que habita todo o crente (Romanos 5:5, 8:9), é maior do que Satanás e o seu exército. Ele nos revela a verdade em Sua palavra quando procuramos a Sua orientação, para que possamos sobrepujar todo o ensino falso que ouvimos. Não podemos manter-nos distantes da Bíblia, seja por ignorância ou desleixo, e esperar que o Espírito de Deus ainda assim nos oriente e nos guie. Os espíritos só podem ser testados pela Palavra de Deus, porque é através dela que o Espírito Santo nos ensina e guia.

Os mestres falsos podem ser pessoas muito simpáticas e atraentes, e obtêm um auditório com facilidade. Estão em harmonia perfeita com o mundo. O ocultismo e as seitas crescem depressa porque apelam à carne. Existem cristãos que também experimentam usar os métodos do mundo para atrair uma multidão, mas encontram dificuldade em transmitir a mensagem do Evangelho nesse ambiente. Acabam desistindo, ou silenciando sobre aquilo que o mundo não quer ouvir, tornando a mensagem inoperante.

Ao contrário dos mestres falsos e do mundo, estamos sintonizados com o Deus Infinito. Os que buscam a Deus, ou querem conhecê-Lo melhor, prestam atenção ao nosso testemunho, ao que dizemos, à nossa pregação do Evangelho com todo o seu poder, ao ensino na igreja, e ao ministério fiel nos estudos bíblicos.

Precisamos ter certeza que a Palavra de Deus está sendo comunicada no poder do Espírito para que o Espírito de Deus possa tomá-la e usá-la. O povo não deveria vir atraído por prazeres mundanos, mas a fim de ouvir a Palavra de Deus e de vir a conhecer o Senhor Jesus Cristo. O mais importante é saber que Jesus Cristo é quem Ele declarou ser e é isto que precisa ser anunciado claramente aos descrentes.

É assim que o espírito da verdade se distingue do espírito da mentira. 

 

autor: R David Jones.