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Oração

Biblicamente, como igreja local reunida, quais são os tipos de oração existentes (petição, gratidão, adoração...)?
Qual a postura corporal que devemos ter quando estamos orando? (sentado, em pé, de joelhos, levantando as mãos...)?
E se orarmos por um fato já consumado, que acontece?

Estamos acostumados a nos aprofundar sobre a matéria da importância da oração em nossa vida cristã, esse grande privilégio que nos é concedido pelo nosso Pai celestial para entrarmos em Sua presença (Mateus 6:9) no Espírito Santo (Efésios 6:18) como Seus filhos adotivos, em nome do Seu Filho, o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (João 16:23,24; Efésios 2:18).

Muitos autores têm sentido a necessidade de escrever sobre esse assunto. Mas às vezes nos esquecemos de refletir sobre algumas questões como essas, simples e práticas, para nos ajudar a oferecer orações públicas bem coordenadas e inteligentes, contribuindo melhor para a compreensão dos que nos estão acompanhando nas orações públicas, e que esperamos dirão “Amém” depois da nossa oração (1 Coríntios 14:16).

Em nossa língua, em seu sentido gramatical uma oração é a expressão feita por uma pessoa mediante uma simples sentença. Mas quando a oração é dirigida a Deus, damos um significado especial a essa palavra, para abranger todo o teor da comunicação que Lhe fazemos.

Biblicamente, como igreja local reunida, quais são os tipos de oração existentes (petição, gratidão, adoração...)? De uma maneira geral, em uma oração a Deus podemos dar, pedir, ou agradecer. Em oração damos-Lhe “adoração” (Filipenses 3:3), por exemplo, exaltando os Seus atributos divinos, ou lhe oferecemos sacrifícios de “louvor” (Hebreus 13:15) quando, por exemplo, lembramos a suprema misericórdia, justiça e graça manifestadas ao nos dar o Seu Filho. Se vamos rogar-lhe alguma coisa para nós próprios, estaremos apresentando uma “petição”, mas se for para outros dizemos que é uma “intercessão”. Às vezes rogamos alguma coisa para os outros que será de benefício para nós ou para a obra de Deus (1 Timóteo 2:1,2). Ao agradecer-lhe pelas suas muitas misericórdias e atendimento às nossas necessidades, bem como às respostas às nossas petições damos “ações de graças” (2 Coríntios 9:10-14, Filipenses 4:6). Devemos ser agradecidos (Colossenses 3:15).

Quando nos reunimos como igreja, não é nosso costume orar todos audivelmente ao mesmo tempo, mas a congregação é dirigida em oração por um ou mais irmãos em sucessão: cremos que isto está de acordo com o ensino em 1 Coríntios 14. Eles falam não por si próprios, mas pela congregação toda (as orações particulares são feitas "em secreto" - Mateus 6:6).

As orações devem, portanto, corresponder ao motivo por que os irmãos estão congregados, a fim de que haja "um só espírito, uma só alma” (Filipenses 1:27). Se for para adoração, como na Ceia do Senhor, a oração deve ser de adoração e louvor. Em outras ocasiões os motivos serão outros. No entanto, seja qual o motivo, a adoração e o louvor sempre têm o seu lugar no início, conforme o modelo que nosso Mestre o Senhor Jesus, nos ensinou.

Qual a postura corporal que devemos ter quando estamos orando? (sentado, em pé, de joelhos, levantando as mãos...)? Encontramos diversas atitudes físicas adotadas por pessoas que se dirigem a Deus em oração na Bíblia: prostrados, de joelhos, de pé, de olhos abertos, com braços levantados; não lemos sobre pessoas assentadas. A atitude física que adotamos em público anuncia aos outros a nossa reverência a Deus, e em particular reflete a nossa atitude íntima para com Ele. Sabemos que Ele conhece os nossos corações, melhor do que nós próprios, e não é a atitude física que vai esconder o que se passa em nosso íntimo.

Vou apenas mencionar o versículo em 1 Timóteo 2:8, que tem sido pedra de tropeço para alguns. Ele trata especificamente dos homens que dirigem a oração no culto público. Levantar as mãos ao orar era, segundo nos informam, uma postura comum naquela época, bem como outros atos feitos em público. Lemos que o Senhor Jesus levantou as suas mãos para abençoar seus discípulos em Betânia (Lucas 24:50).

Às, vezes, para entender bem um versículo, podemos tirar as vírgulas (que não estão no texto original). Neste caso, numa tradução literal encontramos o seguinte: “Quero portanto que os homens orem em todo lugar levantando mãos limpas apartados de ira e contestação”. Conforme a colocação das vírgulas, a ênfase muda. Por exemplo: “Quero, portanto, que os homens orem, em todo lugar levantando mãos limpas, apartados de ira e contestação” .

Percebe-se, assim, que não se trata de um mandamento para que se levantem as mãos ao orar. É perigoso basear-se num versículo isolado para formar uma doutrina, sem ter o apoio de outras partes da Bíblia. Infelizmente isto tem levado alguns ao ponto de se separarem dos demais por causa de algum entendimento particular.

O desejo expressado por Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, é que os homens tenham suas mãos limpas, moral e espiritualmente, e que estejam isentos de raiva ou discórdia, digamos rixas (Filipenses 2:14), quando forem dirigir as orações da igreja em público. Levantadas ou não, o importante é que as mãos estejam puras, tendo sido usadas apenas para as boas obras. Algumas Bíblias traduzem como “santas”, e isso quer dizer mãos dedicadas ao serviço do Senhor. Não devemos orar em público se as nossas mãos não foram ainda dedicadas ao Senhor.

Só devem orar em público aqueles que já confessaram os seus pecados, que não têm amargura em seus corações contra Deus ou os seus irmãos, e que se chegam com fé, crendo que Deus vai ouvir e responder (Mateus 21:22).

E se orarmos por um fato já consumado, que acontece? Eis uma situação incongruente: há um pedido particular de oração por alguma situação ou alguma enfermidade e os irmãos, às vezes a igreja toda, fazem intercessão contínua a esse respeito em suas orações. A resposta chega sem que os que estavam intercedendo sejam informados, e as intercessões continuam, agora inutilmente.

É importante, mesmo que seja por simples cortesia, que os pedidos de oração sejam acompanhados de informações oportunas sobre o assunto e a sua eventual solução, para que possamos também dar ações de graças pela resposta que tivemos da parte de Deus. Também, se estivermos orando por alguém, devemos acompanhar a sua situação para sabermos ao certo sobre o que orar.

Não convém orar sem ter conhecimento de causa. Lembremos disto quando escrevemos ao Boletim dos Obreiros pedindo as orações dos irmãos por algum assunto específico. Assim que tivermos a resposta, vamos divulgá-la também para que todos saibam e louvem a Deus conosco.

autor: R David Jones.