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A Caminho do Apocalipse - 13 (4)

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 13 (4)

Eis que surge o grande impostor. Virá como cordeiro, mas por dentro lobo voraz. Acerca dos embusteiros que surgiriam alertou o Senhor Jesus ao final do sermão do monte: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores”(Mateus 7:15). Dentre os seres humanos, em todas as épocas, sem dúvida esta segunda “besta” será o maior de todos enganadores, atingirá o ápice“segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira” (2 Tessalonicenses 2:9). Observe, caro leitor, que João, nas suas visões contidas neste capítulo 13, não dá nenhuma identificação à primeira “besta”, mas a esta ele a designa como “o falso profeta” (Apocalipse 16:13; 19:20; 20:10). A primeira “besta” não manifestará nenhum “sinal” milagroso, essa função ficará a cargo desta figura abominável que será revelada.

João prossegue em descrever a sua visão, agora ele narra o surgimento da segunda “besta” (v. 11). O local e o momento são os mesmos. O “dragão” está na mesma praia de onde convocou a primeira “besta” que virá do “mar”, das nações gentílicas, a ocidente de Israel, conforme vimos na crônica anterior. João agora visualiza a aparição da segunda “besta” que virá da “terra”, ou seja, de Israel. Portanto, esta “besta” será um judeu, terá a aparência de um “cordeiro”, mas a prédica do diabo, enganosa, vil e mentirosa como não poderia deixar de ser. Acerca desta segunda “besta” diz J. Allen: “A palavra “therion” é usada novamente, indicando que esta besta é da mesma natureza que a primeira. São do mesmo gênero e têm a mesma natureza feroz, mas em todos os demais aspectos são muito diferentes”.

Você poderá estar a indagar: Por que a aparência de um “cordeiro”? É sabido que até hoje os judeus celebram a “pessach”, a páscoa judaica, como memorial pela libertação do povo hebreu da escravidão do Egito. Essa solenidade seria estatuto perpétuo para o povo de Israel como lembrança que a sua libertação foi através do sacrifício de um “cordeiro” (Êxodo 12). Nos inícios do ministério do Senhor Jesus, ao vê-Lo disse João Batista aos seus discípulos: “Eis o cordeiro de Deus”. Em seguida dois dos que o acompanhavam passaram a seguir ao Senhor Jesus, um deles, André, ao se encontrar com seu irmão Simão, que passaria a se chamar Pedro, disse:“Achamos o Messias [que quer dizer Cristo]” (João 1:35-42). Portanto, esse impostor se apresentará a Israel como “o cordeiro”, em lugar do Messias (ou Cristo) que ainda hoje é aguardado pelos judeus mais ortodoxos. Eis o motivo para que essa segunda “besta” seja de origem judaica, caso contrário não seria aceita pelos judeus piedosos, pois o Cristo, que significa Ungido de Deus, deveria nascer em Belém da Judeia, assim como foi o Senhor Jesus (Miqueias 5:2).

Uma imensa farsa está para ser montada, prezado leitor. Para que os judeus o recebam como Messias, este falso profeta operará grandes sinais de maneira tal que até fogo do céu fará descer sobre a terra (v. 13). Este será um dos inúmeros engodos que ele utilizará para convencer os judeus que de fato ele seria aquele que estavam a esperar, pois este foi o sinal do céu que revelou Elias como verdadeiro profeta (1 Reis 18:36-38; 2 Reis 1:9-12). Os judeus sempre tiveram nos “sinais” a principal evidência de identificação e chegada do Messias. Quando João Batista mandou seus discípulos perguntarem ao Senhor Jesus se de fato Ele era aquele que estava para vir, Jesus lhes respondeu para que olhassem para os sinais messiânicos que Ele estava a fazer, por si só eles testificavam da Sua divindade (Lucas 7:18-23). Diz W. MacDonald a respeito dos “sinais” pedidos pelos religiosos à época: “Apesar de todos os milagres que Jesus realizou, os escribas e fariseus tiveram a imprudência de pedir a Ele um sinal, significando que creriam nEle se Ele pudesse provar ser o Messias... A exigência de sinais milagrosos como condição de crença não agrada a Deus. Como Jesus disse a Tomé: ‘Bem-aventurados os que não viram e creram’ (João 20:29). No arranjo de Deus, ver vem depois de crer”. Portanto, quando ocorrer a revelação desta segunda “besta” esses insensatos se fartarão de sinais e crerão que esse farsante é o Ungido de Deus, e toda a humanidade também será seduzida por esse falso profeta por causa dos sinais que lhe serão dados a executar diante da primeira “besta”, o grande líder mundial (v. 14).

Em toda essa encenação espetaculosa, o grande opressor diabólico que estará a reger as nações, fruto da sua falsa ressurreição, estenderá a esse impostor religioso todo o seu poderio político para que ela, a primeira “besta”, passe a ser adorada pelos homens (v. 12), juntamente com o mentor de ambas as “bestas” – o diabo –, conforme vimos no versículo 4 deste mesmo capítulo: “...e adoraram o dragão porque deu a sua autoridade à besta; também adoraram a besta”. Esse falso profeta dirá aos habitantes da terra para que façam uma imagem em homenagem à primeira “besta” (v. 14), e dará fôlego a esse espantoso ídolo para que, além de falar, mate a todo aquele que não prestar adoração à primeira “besta” (v. 15).

 

Por certo estará passando em sua mente, prezado leitor, que isso chega a ser inacreditável. Sem dúvida, assustador, porém crível. Lembre-se do primeiro sinal que Moisés fez quando se apresentou ao Faraó, cujo cajado foi transformado em serpente pelo poder de Deus e, de forma semelhante, os encantadores do Faraó fizeram o mesmo com as suas ciências ocultas. É claro que o poder do Deus Todo-Poderoso prevaleceu e assim sempre será (Êxodo 7:10-12).

Conclui-se, portanto, que além do poder religioso mundial esse falso profeta também exercerá o poder judiciário das nações. Se não adorar o ídolo, morre. Mas ele não ficará somente nisso, pois também exercerá o controle de todo o comércio existente na Terra. Ninguém, independentemente da sua condição social, poderá comprar ou vender qualquer coisa se não tiver a “chancela” estabelecida por ele (vs. 16 e 17). Logo, o mundo estará sob o jugo do mais opressor dos impérios até hoje existentes. “Estes serão os dias terríveis dos quais o Senhor falou: ‘E, se aqueles dias não fossem abreviados nenhuma carne se salvaria’ (Mateus 24-22), haverá um genocídio numa escala inacreditável” (J. Allen).

Não são poucas as especulações feitas a esse respeito. Como seria exercido esse imenso controle sobre todas as operações mercantis em escala mundial? Lembremo-nos, sempre, de que essas duas diabólicas criaturas são seres humanos mortais como nós e, como nós, dentro das naturais limitações de tempo e espaço. Por conseguinte eles terão que fazer uso de tecnologia de ponta como a que já existe em nossos dias através dos cartões de crédito “chipados”, largamente usados para transações comerciais e bancárias.

Dentro dessa mesma tecnologia, já existem “chips” de tamanhos diminutos que podem ser introduzidos no corpo humano a fim de ser exercido um eficiente controle de localização daqueles que estiverem “chipados”. Consta que os soldados americanos e israelenses fazem uso desse dispositivo, quando em combate. Algo semelhante já é largamente usado pelas seguradoras para rastreamento de veículos roubados.

Vivemos dias de surpreendentes avanços científicos que crescem de forma tão rápida que mal conseguimos acompanhar. Recentemente, mais precisamente em agosto de 2011, surgiu uma inovação tecnológica denominada de sistema eletrônico epidérmico, que de tão fino e flexível pode ser aplicado sobre a pele humana como se fosse um “adesivo”. Essa nova "pele eletrônica" criada por um pioneiro no campo da eletrônica flexível (John Rogers) contém um circuito eletrônico que monitora, à distância, os sinais vitais das pessoas. Além do diagnóstico médico, os circuitos eletrônicos incorporados nessa pele eletrônica podem ser usados para sensoriamento e comunicação com os usuários desses circuitos. Interessante salientar que no teste desse "adesivo" alguns voluntários o tiveram "tatuados" em sua testapor julgarem um local mais apropriado. As medições efetuadas da atividade elétrica produzida pelos músculos e pelo coração foram as mesmas obtidas com os aparelhos médicos atuais. A camada ativa dessa pele artificial é mais fina do que um fio de cabelo humano, contendo todos os componentes eletrônicos necessários. Porém, uma coisa eles não disseram, assim como esse dispositivo pode ser usado para controlar a saúde das pessoas, por certo poderá também matá-las usando-se um comando eletrônico específico para esse fim.

Como se vê a tecnologia para a “marca da besta” (v. 16) já não é um mistério tão grande como o era antigamente. Imaginemos, pois, como será até a chegada desses dois terríveis personagens tendo em vista a velocidade com que o homem está a criar essas novas tecnologias de controle humano. Dada a importância dessa “marca”, por mais seis vezes ela é citada neste Livro (14:9,11; 15:2; 16:2; 19:20; e 20;4). Quanto ao local que ela será gravada ou implantada – mão direita ou testa – as interpretações dadas que a “testa” representa os intelectuais e a “mão” os trabalhadores braçais, vão muito além de qualquer indício contido no texto sagrado. Isto não tem a menor importância para os que atualmente creem no Senhor Jesus, pois lá não estarão para ver essa ocorrência. Porém, os que ainda não creem e estiverem vivos naquela ocasião, terão que decidir sobre essa “carimbada”, se a aceitam ou morram por recusá-la. Portanto, no dia que se chama “Hoje”, ao ouvir a voz do Senhor, através da Sua Palavra, não endureça o seu coração (Hebreus 3:12-15).

Diante dessas coisas, vejo completamente desnecessário o enorme esforço que é feito atualmente para se descobrir o “número da besta”. Algumas interpretações do número 666 (v. 18) chegam à beira do absurdo. Entendo que o cálculo desse número será desvendado na ocasião oportuna, por aqueles que estiverem presentes na grande tribulação, que terão o discernimento necessário para a conclusão desse enigma que tem atormentado a tantos.

Portanto, meu caro leitor, esse “número misterioso” não deve fazer parte das suas preocupações, pois não é chegado o momento dele ser decifrado. Lembre-se das palavras do consagrado apóstolo Paulo: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas... amados, permanecei, deste modo, firmes no Senhor” (Filipenses 3:20-21; 4:1). Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.