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A Caminho do Apocalipse 17 (3)

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo"

Apocalipse 1:3

 Capítulo 17 (3)


Após as considerações descritas nas duas crônicas anteriores, vamos aos versículos restantes deste 17° capítulo (vs. 9 a 18) e, com isso, encerrarmos a parte inicial deste último grande parêntese contido neste magnífico Livro. Antes, porém, não se pode deixar de ressaltar a essencial e determinante expressão usada pelo anjo, que demonstra ser necessária uma compreensão acima do entendimento natural para aquilo que ele irá revelar: “Aqui está o sentido, que tem sabedoria” (v. 9); se esse critério fosse cuidadosamente observado, por certo não teríamos tantas controvérsias interpretativas sobre o texto contido neste capítulo.
 
Conclui-se, até aqui, que nenhuma aplicação ao passado (p.ex: império romano) corresponde de forma satisfatória à exegese deste capítulo. Para entendê-lo é preciso olhar para o futuro, pois a relação da Babilônia com a “besta”, como aqui nos é apresentada, não pode se referir senão a uma época futura, e, como já foi dito, nada tem a ver com a geografia política dos nossos dias, ou nos dias de João, pois tudo será alterado pelo grande líder político – a “besta” – que surgirá e, certamente, estabelecerá uma rigorosa centralização nas relações entre os povos para que tenha domínio absoluto sobre as nações.
 
 Diz o anjo a João: "Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis, dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco" (vs. 9 e 10). Sabemos que, nas Escrituras, a verdadeira Sabedoria indica a real natureza das coisas através das revelações divinamente inspiradas. Já vimos na primeira crônica deste capítulo que a palavra “monte” é usada de forma metafórica, de fato esses “montes” simbolizam “sete reis”, e não a Roma que tantos insistem em afirmar. Tamanha persistência só nos leva a um entendimento, o de incluir o papa como o grande guia espiritual mundial nesse tenebroso período de tribulação, todavia sabemos, a priori, que esse personagem será o “falso profeta” que operará grandes sinais (capítulo 13:11-18) e levará a humanidade a uma terrível crendice nunca dantes vista; esse hediondo personagem dará (segundo a eficácia de Satanás conforme 2 Tessalonicenses 2:9) “fôlego à imagem da besta, para que, não só a imagem falasse, como ainda fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta” (13:15).
 
Caso fôssemos especular acerca de uma religião dominante no porvir, coisa esta que não nos convém fazer, ela estaria muito mais próxima do islamismo do que do cristianismo. Nos dias atuais o islamismo é a maior religião do mundo com quase dois bilhões de fanáticos, deixando a igreja romana muito distante, com um pouco mais de um bilhão. Não é preciso muito esforço para se saber que grande parte dos católicos é apenas de fachada, pois se declaram fazer parte dessa religião somente pelo fato de terem sido batizados, ou então por terem se casado numa igreja católica. Pessoalmente convivo com vários que são contados nesse rol, mas de fato são ateus confessos e quando comparecem a uma igreja é tão somente por um compromisso social (casamento, batizado, missa de sétimo dia etc.).

O islamismo cresce de forma geométrica e seus seguidores de fato praticam a fé que professam, ao passo que o catolicismo tornou-se uma religião declinante, somente formal, muito distante dos índices de crescimento de outrora. Só para exemplificar, o Brasil que é tido como o maior país católico do mundo, em 1872 quase toda população era católica (99,7%), em 2010 caiu para menos de dois terços (64,6%), e desde 1991 esse índice está a despencar de forma preocupante para os seus bispos. O seu principal líder – o papa – atualmente é uma figura meramente simbólica, não tendo a mesma influência política e religiosa de outrora sobre as nações, ao passo que o islamismo com o seu crescimento avassalador já causa enorme preocupação, principalmente ao continente europeu.

Tudo mais constante, em poucas décadas o continente europeu será muçulmano (confirme pela Internet: http://www.youtube.com/watch?v=1-cIz1tKjOc). Convém lembrar que o Islã é uma religião odienta, apesar de seus mulás (mullah) dizerem o contrário. O seu principal objetivo é converter o mundo ao Islã de forma compulsória, apagar totalmente Israel do cenário mundial e aniquilar com os cristãos. Entendo, portanto, que será uma enorme perda de tempo dizer-se que esta ou aquela religião dos nossos dias estaria caracterizada na “mulher” aqui simbolizada. Esta figura representa a religião da época que surgirá e servirá por um tempo às simulações da “besta”, mas que terá um trágico fim como vemos no versículo 16... “odiarão a meretriz, e a farão devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão no fogo”.
 
Concluindo-se, pois, os sete montes se referem a sete governantes: “São também sete reis, dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco" (vs. 9b,10). A forma temporal (aoristo) do verbo “caíram” no grego antigo, está no passado em relação ao tempo de João – “já caíram”; quanto à expressão “um existe” diz respeito à época de João, portanto ao “império romano” que deixou de existir; em seguida lemos que um “outro ainda não chegou”, ou seja, o sétimo governante, ainda não vindo, nos faz olhar para o futuro. Sem dúvida, este sétimo é a “besta” que virá para liderar o mundo por pouco tempo – os sete anos da tribulação.
 
A esta altura você poderá ficar confuso, caro leitor: Como a “besta” será o sétimo se o versículo 11 diz que ele será o oitavo governante? Vamos ao texto: “E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição” (v.11). Atente bem para a expressão “também é ele, o oitavo rei”. Tanto o sétimo como o oitavo trata-se do mesmo personagem; como sétimo ele surge como aquele que estará trazendo soluções para os graves problemas políticos e econômicos que estarão a afligir o mundo à época e fará firme aliança com Israel na primeira metade do período de tribulação; quanto ao oitavo é a mesma “besta”, que “ressurgirá”, na segunda metade da tribulação, conforme analisamos no versículo 8 (leia os comentários na crônica anterior a esta) onde a mesma expressão é usada: “a besta que era e não é”. Observe atentamente: “procede dos sete”, logo, é o mesmo que está entre os sete governantes. Diz J. Allen a respeito: “Lemos claramente que ele não é apenas a sétima cabeça restaurada, mas agora precisa ser visto como a oitava. Vemos que ele não é uma pessoa inteiramente diferente, pois é cuidadosamente dito que ele é dos (ek) sete”.
 
O anjo prossegue em sua fala a João: “Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora. Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem. Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele” (vs. 12 a 14). Desde o surgimento da “besta” (13:1), assim como do “dragão” (12:3), vemos a alusão desses dez chifres, também mencionados no versículo 3 desde capítulo, e, como já visto, formam uma confederação de países que governarão coletivamente o mundo durante o período de tribulação, mas não de forma independente da “besta”, pois estarão debaixo da sua liderança.

Lendo mais detalhadamente o texto, estes governantes já existirão antes do surgimento da “besta” – “ainda não receberam reino” –, mas após se associarem à “besta” receberão “autoridade como reis” (v. 12). Eles terão a mesma disposição mental do seu grande líder e colocarão o poder e a autoridade que possuem a serviço dele (v. 13). Conforme já foi dito nos comentários que fiz no capítulo 13, qualquer especulação para se saber quais serão essas dez nações tornar-se-á uma tarefa infrutífera, pois ficar imaginando que nações serão essas é sobremodo artificial tendo em vista que, em termos geopolíticos, o mundo será alterado substancialmente com a ascensão da “besta” à liderança mundial. No entanto, esse “poder” será passageiro, durará um breve tempo de sete anos, sendo três anos e meio associados à “besta” e outro tanto debaixo do seu domínio. Todo esse ajuntamento será para a arrogante pretensão de um confronto de proporções jamais vista contra Deus, no estulto desejo de que poderão derrotá-Lo, isso custará fragosa derrota que lhes será imposta pelo Senhor Jesus que virá para esse confronto juntamente com os “chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele” (v. 14) e participarão desse grande triunfo. As consequências dessa grande peleja veremos mais à frente no capítulo 19.
 
A seguir, João passa a narrar a última fala deste anjo e descreve o restante das revelações contidas neste capítulo (vs. 15 a 18). Os versículos 1 a 7 foram dedicados às revelações sobre aquela “mulher misteriosa”, dos versículos 8 a 14 acerca da “besta”. No início deste capítulo o anjo convida João para ver uma “grande meretriz” sentada sobre muitas águas (v. 1), agora ele dá a interpretação a respeito dessas águas: “Falou-me ainda: As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são povos, multidões, nações e línguas” (v. 15), ou seja, ele está a revelar o imenso apoio mundial que esse sistema religioso terá, todavia, quando ele estiver no auge do seu triunfo, eis que surgirá, de forma repentina, a sua completa destruição: “Os dez chifres que viste e a besta, esses odiarão a meretriz, e a farão devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão no fogo" (v. 16). Os dez governantes, mediante o apoio da “besta”, se voltarão contra a “meretriz” e a destruirão completamente.

 A “besta”, em mais um ato de traição, irá se voltar contra aquela que lhe deu apoio, todavia sem se aperceber que, juntamente com os seus governados, estará executando um propósito divino: “Porque em seu coração incutiu Deus que realizem o seu pensamento, o executem à uma e deem à besta o reino que possuem, até que se cumpram as palavras de Deus” (v. 17). Deus está por trás de todos esses acontecimentos. É Ele quem leva os reinos a se unirem à besta contra a meretriz para que se cumpram os Seus propósitos soberanos.

Finaliza o anjo: “A mulher que viste é a grande cidade que domina sobre os reis da terra” (v. 18). Já comentei sobre essa grande cidade na primeira crônica deste capítulo, mas não é demasiado transcrever os comentários de J. Allen acerca disto: “A mulher, obviamente, é o símbolo de um sistema religioso que tem raízes numa cidade, e a cidade é a realidade (grifos meus). Fazer a cidade um símbolo de outra coisa é a mesma coisa que fazer um símbolo de um símbolo, que é contrário ao uso normal das Escrituras... A mulher apresentada pela palavra “mistério” representa o aspecto religioso da Babilônia, enquanto que a cidade reflete a realidade por trás do símbolo. Não há mistério algum ligado a esta cidade; é simplesmente descrita como a grande cidade...”.

 No capítulo a seguir (18:10), veremos explicitamente a identificação dessa grande cidade: “Ai! Ai! tu, grande cidade, Babilônia, tu poderosa cidade!”. Trata-se, portanto, da Babilônia que será erigida pela “besta”, e não a antiga Roma! Diante do controverso existente, busquemos sempre “o sentido que tem sabedoria” (v. 9). Permita Deus que assim seja!

 

autor: José Carlos Jacintho de Campos.