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A Caminho do Apocalipse 18 (2)

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia,
e guardam as coisas que nela estão escritas;
porque o tempo está próximo”

Apocalipse 1:3

 CAPÍTULO 18 (2)

 Vimos na crônica anterior o anúncio da repentina e desastrosa queda da “grande cidade”, a nova Babilônia que será edificada no tenebroso período de tribulação (vs. 1 a 8), e agora nos é revelado o desespero dos governantes aliados ao império da “besta”: Ora, chorarão e se lamentarão sobre ela os reis da terra, que com ela se prostituíram e viveram em luxúria, quando virem a fumaceira do seu incêndio, e, conservando-se de longe, pelo medo do seu tormento, dizem: Ai! Ai! Tu, grande cidade, Babilônia, tu, poderosa cidade! Pois, em uma só hora, chegou o teu juízo” (vs. 9 e 10).

Esse lamento se dará porque a “grande cidade” lhes estava a propiciar toda sorte de fornicações, negócios ilícitos e desbragada licenciosidade. Agora estão a contemplar o fim dos seus deleites, dos desejos corruptos de seus corações e o final dos seus ganhos fraudulentos. O desastre será de tamanha magnitude que de longe contemplarão a pira funerária (vs. 9 e 18) daquele que será o maior complexo empresarial nunca dantes visto neste mundo.

O império diabólico será extremamente abalado por esse estrondoso acontecimento, nele a humanidade incrédula preverá a sua própria destruição. Nessa oportunidade, três queixumes serão proferidos (“Ai! Ai!”, vs. 10, 16 e 19): Pelos governantes (“reis da terra”, vs. 9 e 10) que estarão à procura de poder e se sentirão seguros com o “sistema político” estabelecido pelo imperador – a “besta” – que estará a governar o mundo através da “grande cidade”; pelos grandes empresários multinacionais de todos os segmentos (“mercadores da terra”, vs. 11 a 16) que estarão a auferir grandes lucros em seus negócios; e pelos grandes conglomerados que controlarão o “comércio exterior”, através do mercado de transportes, (“pilotos” e “marinheiros”, v. 17, e “navios do mar”, v. 19), que se enriquecerão com a opulência e as negociatas existentes no império mundial sediado na nova Babilônia. A sua fonte de riqueza será destruída com grande rapidez (“em uma só hora chegou o seu juízo”, v. 10; “porque em uma só hora ficou devastada tamanha riqueza”, vs. 17 e 19).

Não mais haverá vendas de mercadorias (v. 11). Imenso será o colapso econômico e financeiro que avassalará o mundo que está por vir e que fará desmoronar o comércio mundial. O reconhecimento dessa situação, irreversível, é o motivo da imensa lamentação. Lançarão pó sobre suas cabeças (v. 19), mas não será uma manifestação de arrependimento diante do juízo divino, mas em função da riqueza perdida. A expressão “de escravos e até almas humanas” (v. 13) dá-nos o entendimento bem interpretado por J. Allen: “Babilônia exigia as coisas melhores da vida, e criara a riqueza para consegui-las; os homens copiaram-na, se tornaram seus escravos e se vendiam de “corpo e alma” a ela. Agora eles choram, pois “numa hora” o juízo de Deus tirou tudo que eles tinham valorizado na vida”.

Notável paradoxo vemos no versículo 20: “Exultai sobre ela, ó céus, e vós, santos, apóstolos e profetas, porque Deus contra ela julgou a vossa causa”. Enquanto toda a Terra estará angustiada diante de tão grande tormento, o Céu se alegrará! O povo de Deus que se encontra no Céu será convocado para se regozijar. A menção de “apóstolos e profetas” (compare com Efésios 2:20) sugere que a Igreja arrebatada antes do início da grande tribulação, agora glorificada no Céu, participará desse regozijo. Pois então, prezado leitor, resta saber se você tem a mais absoluta convicção que estará entre estes que se rejubilarão com esse dia. Bem haja se assim o fizer!

Prossegue João em sua visão: “Então, um anjo forte levantou uma pedra como grande pedra de moinho e arrojou-a para dentro do mar, dizendo: Assim, com ímpeto, será arrojada Babilônia, a grande cidade, e nunca jamais será achada” (vs. 21 e 22). Para a até então poderosa Babilônia Deus tem reservado um poderoso anjo, que através deste ato – a pedra arrojada ao mar – estabelece e revela os desígnios de Deus para a impenitente cidade. Esta revelação nos remete às previsões contidas nos capítulos 50 e 51 de Jeremias, que tratam do juízo divino contra a Babilônia: "Assim será afundada a Babilônia e não se levantará, por causa do mal que eu hei de trazer sobre ela; e os seus moradores sucumbirão” (Jeremias 51:64). Segundo William MacDonald, “parte dessas profecias se refere à captura da Babilônia pelos Medos. Seu cumprimento pleno, porém, ainda está por vir”. Portanto, o ato final desse cumprimento vemo-lo agora, quando todas as profecias sobre a destruição da Babilônia serão finalmente cumpridas.

Um silêncio sepulcral irá pairar sobre a outrora “alegre” cidade, para sempre: “E voz de harpistas, de músicos, de tocadores de flautas e de clarins jamais em ti se ouvirá, nem artífice algum de qualquer arte jamais em ti se achará, e nunca jamais em ti se ouvirá o ruído de pedra de moinho”  (v. 22). O burburinho existente pela intensa atividade mercantil daquela megalópole não mais será ouvido. Diz-nos J. Allen: “um local que Deus deixará como testemunho silencioso do Seu juízo sobre o pecado”.

João finaliza este estarrecedor quadro: “Também jamais em ti brilhará luz de candeia; nem voz de noivo ou de noiva jamais em ti se ouvirá, pois os teus mercadores foram os grandes da terra, porque todas as nações foram seduzidas pela tua feitiçaria. E nela se achou sangue de profetas, de santos e de todos os que foram mortos sobre a terra” (vs. 23 e 24). Vemos neste texto que o seu brilho de outrora será fugaz, repentinamente desaparecerá: “jamais em ti brilhará a luz de candeia”. As suas celebrações serão extintas: “nem voz de noivo ou de noiva jamais em ti se ouvirá”. Aquilo que Babilônia fizera com Jerusalém: "Farei cessar entre eles a voz de folguedo e a de alegria, e a voz do noivo, e a da noiva, e o som das mós, e a luz do candeeiro" (Jeremias 25:10), vemos aqui que Deus fará o mesmo com esta cidade perversa. Entretanto, o juízo de Deus sobre Jerusalém perdurou por setenta anos, mas sobre Babilônia será para sempre.

Toda humanidade terá que reconhecer que esta será a justiça retributiva de Deus, pois nela se achou sangue de profetas, de santos e de todos os que foram mortos sobre a terra” (v. 24). Aqui se devem incluir tanto os mártires do Velho Testamento como o do Novo, como o faz H. V. Alford: “naturalmente a todos os mortos por causa de Cristo e da Sua Palavra”. Incluem-se aqui, também, aqueles que se recusaram a receber o sinal da “besta” durante o período da grande tribulação. Parte destes é vista por ocasião da abertura do “quinto selo”, em cuja oportunidade aqueles que foram perseguidos pela “besta” clamarão por vingança: “Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? (Apocalipse 6:9-11). Eis que esse momento é chegado, a vingança pertence ao Senhor.

O mar de sangue derramado dos servos de Deus maculará Babilônia até o fim de seus dias. Não mais haverá perseguições. O orgulho dos seus mercadores – “os grandes da terra” (v. 23) – que tanto influenciarão o mundo da época, será substituído pelo desespero da perda. Aqueles que foram seduzidos pela sua “feitiçaria” (v. 23) receberão a sua paga por terem rejeitado o testemunho de Deus. Como vimos no capítulo 13, as práticas diabólicas serão intensas através do “falso profeta” – a segunda “besta” –, os feitiços serão assustadores: fogo descerá do céu, será dado fôlego à estátua da primeira “besta”, que não somente falará como fará morrer aqueles que não a adorarem. Realmente será uma época alucinante.

Diante de tamanha expectação, ao finalizar esta crônica, prezado leitor, fiquei a estremecer diante de um texto que surgiu em minha mente: “Não te fatigues para seres rico; e não apliques nisso a tua inteligência. Porventura fixarás os teus olhos naquilo que não é nada? Porque certamente a riqueza criará asas e voará ao céu como a águia” (Provérbios 23:4-5). Vemos nesta palavra de sabedoria que a busca da riqueza é algo que não está estabelecido por Deus àqueles que são Seus, pois “os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores" (1 Timóteo 6:9-10). Vimos aqui o que ocorrerá com aqueles que servirão o império das trevas no porvir que estarão ávidos por riqueza e poder. Como, então, estão a pregar em nossos dias o tal do “evangelho da prosperidade”, onde as pessoas estão sendo induzidas a “determinarem” para que Deus lhes dê riqueza de bens materiais?

O pior é que esses tais influenciam as pessoas de que essa busca – a da riqueza – está estabelecida na Palavra de Deus. Textos fora do contexto são pretextos para atender a ganância dos seus corações pervertidos: “são aduladores dos outros, por motivos interesseiros” (Judas 1:16). Esteja certo, prezado leitor, isto é uma deslavada mentira! No capítulo 12 do Evangelho segundo Lucas, o Senhor Jesus faz severas admoestações acerca disso: "Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui... Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus... Por isso, eu vos advirto: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer, nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir... Não andeis, pois, a indagar o que haveis de comer ou beber e não vos entregueis a inquietações... Porque os gentios [incrédulos] de todo o mundo é que procuram estas coisas; mas vosso Pai sabe que necessitais delas... Buscai, antes de tudo, o seu reino... porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração" (Lucas 12:15, 21, 22, 29, 30, 31 e 34). Ensinar diferentemente o que o Senhor Jesus estabeleceu para os Seus é algo que vem do inferno, não de Deus.

Reflitamos sobre isso, caro leitor, e ouçamos também o que Paulo nos diz a esse respeito: "Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida" (1 Timóteo 6:17-19)... "Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes" (1 Timóteo 6:7-8). Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.