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A Caminho do Apocalipse 20 (2)

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia,
e guardam as coisas que nela estão escritas;
porque o tempo está próximo”

Apocalipse 1:3

CAPÍTULO 20 (2)

Após a parte introdutória que vimos na crônica anterior, vamos às revelações contidas neste 20° capítulo onde contemplamos acontecimentos sobremodo importantes que virão após o terrível período de tribulação que está a expectar a humanidade rebelde a Deus:

1.     O estabelecimento do reino milenar do Senhor Jesus após o aprisionamento temporário do diabo (vs.1-3), e a completação da “primeira ressurreição” (v. 6) que teve início com Jesus Cristo – “as primícias dos que dormem” (1 Coríntios 15:20) – e será seguida pela ressurreição e arrebatamento da Sua Igreja (antes do início da grande tribulação conforme já vimos), das duas testemunhas durante o período atribulativo (Apocalipse 11:11-12), e se completará com a ressurreição (imediatamente antes do milênio) de todos aqueles que morreram pela fé desde a fundação do mundo juntamente com aqueles que se converteram durante a tribulação (vs. 4-6).

2.     Ao se completar os mil anos, o diabo será solto por um breve tempo para provar os corações dos nascidos durante esse período, haverá a última revolta daqueles que seguirão o diabólico sedutor, em seguida virá a segunda ressurreição para o julgamento e destino finais daqueles que se omitiram ou explicitamente rejeitaram a Deus em todos os tempos (vs. 7-15).

Pois então, caro leitor, vamos às visões de João: Então, vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente. Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco tempo” (vs. 1-3). R. David Jones descreve de forma sucinta e com muita clareza acerca desse acontecimento:

“Um anjo desce do céu, segura o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, com uma grande corrente lança-o no abismo do qual tem a chave, fecha o abismo e o sela até que se completem os mil anos, ou milênio... Ele assim será impedido de enganar as nações durante esse período, mas depois será solto por um pouco de tempo. Em preparação para o reino de Jesus Cristo no mundo, haverá a ressurreição dos demais santos: os do Velho Testamento (Isaías 26:19, Daniel 12:2), e os do período da tribulação, aqui mencionados. Com isto se conclui a primeira ressurreição, da qual terá participado também a igreja mais de sete anos antes. Os santos de todos os tempos até então viverão e reinarão com Cristo durante o milênio. Embora não seja mencionado neste trecho, também sabemos que haverá um julgamento prévio pelo Senhor Jesus de todos os sobreviventes da tribulação, em que Ele separará os justos dos injustos, permitindo aos justos entrar no Seu reino enquanto os injustos serão banidos para o castigo eterno. Ele fez muitas declarações a esse respeito durante o Seu ministério, mencionando vários critérios, inclusive sobre o julgamento das nações gentílicas que terá por base a maneira em que tiverem tratado o Seu povo durante a tribulação (Joel 3:1-3 e Mateus 25:31-46)”.

Para que não se criem devaneios, embora não estejam aqui explicitados, é evidente que as hostes demoníacas não estarão à solta a perambular pelo reino milenar durante o aprisionamento do seu chefe a fim de preparar terreno para subverter o mundo a uma rebelião ao Senhor Jesus durante o seu breve tempo de soltura ao final do milênio (v. 3). Conforme vimos no capítulo 18:2 os demônios que por aqui estarão durante o período da grande tribulação serão confinados nas ruínas da Babilônia que, conforme Isaías 13:19-22 e Jeremias 50:39, nunca mais será habitada por seres humanos e, sem dúvida, será um lugar que será evitado durante o reino milenar por ser lá uma prisão de demônios. Portanto, sob nenhuma hipótese haverá manifestação demoníaca ao longo do reino milenar do Senhor Jesus.

Não convém, portanto, ficar a especular o motivo pelo qual o Senhor assim agiu, deixando essas hostes em confinamento nas ruínas babilônicas, e tão pouco tentar adivinhar se serão soltas por ocasião do breve período de atuação do diabo ao final do milênio. Se Deus não quis Se manifestar sobre isso agora, deixemos para saber no tempo oportuno, tendo sempre em lembrança que aqueles que atualmente fazem parte do povo de Deus, ou seja, aqueles que têm o Senhor Jesus como o seu absoluto Redentor, com Ele estará em Seu reinado e lá essas coisas ficarão inteligíveis.

João continua a ver: “Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos” (vs. 4-6). Observamos claramente três conjuntos de pessoas nestes versículos que por certo farão parte do grupo daqueles que estarão assentadas nesses tronos. Vamos a eles:

1. “Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar”. De plano somos levados a entender que esses que estão entronizados serão os mesmos que lemos em Apocalipse 4:4, cujos anciãos se referem à igreja arrebatada antes da grande tribulação. Perfeito esse entendimento. Todavia, aqui não vemos a especificação da quantidade de tronos como naquele capítulo, João simplesmente diz “vi também tronos”. Portanto, é lógica a avaliação que além da igreja arrebatada todos os “bem-aventurados” (v. 6) que participarão da “primeira ressurreição” (v. 6) lá estarão assentados com objetivo de coparticipar na “administração” do reino milenar do Senhor Jesus.

2. “Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus”. Estes são os mesmos que vemos em Apocalipse 6:9-11, cujas almas estavam debaixo do altar de Deus e tinham sido mortos por causa da Palavra de Deus e do testemunho que sustentavam no primeiro período da tribulação. Eles estavam a clamar por vingança pelo sangue que estava sendo derramado, mas foi-lhes dito que repousassem e aguardassem até que se completasse o tempo estabelecido por Deus quando então os culpados seriam, e serão, julgados severamente pelos atos praticados.

3. Finalmente, João vê também aqueles que “não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão, e, como os do grupo acima, não se submeteram ao jugo da besta e do falso profeta e por conta disso morreram, por certo de forma cruel, durante o segundo período da grande tribulação. Vemo-los, agora, ambos os grupos de mártires, como partícipes da “primeira ressurreição” (v. 6), com aqueles que viverão e reinarão com o Senhor Jesus durante o milênio. Jamais haverá qualquer humilhação ao povo de Deus, pois Ele enxugará "as lágrimas de todos os rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do seu povo, porque o Senhor falou" (Isaías 25:8).

Lemos neste capítulo acerca da quinta “bem-aventurança” (v. 6) das sete declaradas neste Livro. Atente para expressão aqui usada por João: Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição”. Nesta, ele acrescenta a palavra “santo” que, como diz J. Allen, “para demonstrar como Deus tem colocado tais salvos à parte na sua bem-aventurança... com a garantia de que nunca morrerão novamente, em nenhum sentido... serão sacerdotes de Deus e de Cristo... e reinarão com Cristo. Eles não serão somente sacerdotes, mas irão compartilhar do governo de Cristo...”. Que tal, prezado leitor, estar entre estes? Sem dúvida será a sublimidade de todo aquele que hoje crê com autenticidade no Senhor Jesus. Leve em consideração que a próxima ressurreição (e concomitante arrebatamento) será daqueles que fizeram e fazem parte da Sua Igreja.

A esta altura você poderá estar a se perguntar: – Por que tanta controvérsia para um período tão importante para a história da humanidade, gerada por aqueles que refutam a ideia do vindouro reino milenar do Senhor Jesus, apesar de se considerarem cristãos, tendo em vista que somente neste capítulo, dos versículos 2 a 7, seis vezes é mencionado o milênio? Oportuna, caso seja esta a sua indagação caro leitor. O equívoco está na exegese adotada, conforme exposto na crônica anterior a esta. Segundo a interpretação dispensacionalista, a meu ver absolutamente correta, sabemos que esta é a sétima e última dispensação – a do Reino. As outras que antecedem a esta são: Inocência (Gênesis 1:28); Consciência (Gênesis 3:7); Governo Humano (Gênesis 8:15...); Promessa (Gênesis 12:1-2); Lei (Êxodo 19:1...); Igreja (Atos 2:1...).

Segundo C. I. Scofield, que popularizou a escola futurista de interpretação do Apocalipse e do pré-milenarismo dispensacionalista entre os cristãos fundamentalistas, cuja teologia fora concebida nos inícios do século 19 pelo teólogo anglo-irlandês J. N. Darby, que foi bastante influente entre os conhecidos Irmãos de Plymouth, a Dispensação do Reino une em si mesma e debaixo de Cristo as várias “épocas” mencionadas nas Escrituras, a saber:

1.     O período de opressão e desgoverno termina quando Cristo estabelece o Seu reino (Isaías 11:3-4).

2.     O período de testemunho e paciência divina termina em julgamento (Mateus 25:31-46; Atos 17:30-31; Apocalipse 20:7-15).

3.     O período de luta termina em repouso e recompensa (2 Tessalonicenses 1:6-7).

4.     O período de sofrimento termina em glória (Romanos 8:17-18).

5.     O período de cegueira e castigo de Israel termina em restauração e conversão (Ezequiel 39:25-29; Romanos 11:25-27).

6.     O tempo dos gentios termina no desmoronamento da imagem e no estabelecimento do reino dos céus (Daniel 2:34-35; Apocalipse 19:15-21).

7.     E o período da escravidão da criação termina em livramento e manifestação dos filhos de Deus (Gênesis 3:17; Isaías 11:6-8; Romanos 8:19-21).

Este será o contexto do reino milenar do Senhor Jesus que sem dúvida existirá, caro leitor, e nele participarão todos que O aguardam. Estes terão galardão, a coroa da justiça lhes estará reservada a qual o Senhor dará naquele dia a todos quantos amam a Sua vinda (2 Timóteo 4:8). Que você, prezado leitor, esteja entre estes. Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.