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A Caminho do Apocalipse 20 (3)

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia,
e guardam as coisas que nela estão escritas;
porque o tempo está próximo”

Apocalipse 1:3

CAPÍTULO 20 (3)

Quanto à segunda parte deste capítulo (vs. 7-15), para que haja maior facilidade de entendimento do conteúdo exposto por João é necessário subdividi-la em duas etapas: (1) a soltura do diabo para provar os corações dos nascidos durante o reino milenar do Senhor Jesus, cuja ocasião haverá a revolta daqueles que seguirão o engano diabólico sedutor (vs. 7 a 10), e, posteriormente, (2) a segunda ressurreição para o julgamento e destino final daqueles que se omitiram ou explicitamente rejeitaram a Deus em todos os tempos (vs. 11 a 15).

Você agora poderá estar a indagar, prezado leitor: “Já chegamos ao final do milênio? A parte anterior não deixou revelado nada de como será a vida durante período?”. Não é preciso que neste capítulo seja exposto, pois tudo a esse respeito já fora anteriormente revelado nas Escrituras. Não se esqueça de que, apesar das absurdas interpretações contrárias à existência do reinado milenar do Senhor Jesus Cristo, são muitas as passagens contidas no Velho Testamento que falam acerca desse notável período, que ainda é aguardado pelos judeus ortodoxos com a chegada do Messias prometido, que já veio e eles O mataram, e esperado pelos filhos de Deus da atual dispensação por terem a convicção de que serão coparticipantes desse magnífico reino.

Portanto, somente para exemplificar, dentro do contexto interpretativo, acerca do dia que “o Senhor será o rei de toda terra; naquele dia um só será o Senhor, e um só será o seu nome” (Zacarias 14:9), serão estabelecidas, dentre outras coisas, as seguintes mudanças:

1. Mudanças geográficas – Zacarias 14:4 e 5b... “Naquele dia, estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade, para o sul... então virá o Senhor meu Deus, e todos os santos com ele”.

2. Mudanças cósmicas – Zacarias 14:7... “Mas será um dia singular conhecido como do Senhor; não será nem dia nem noite, mas haverá luz à tarde naquele dia”.

3. Mudanças climáticas – Zacarias 14:8... Naquele dia, também sucederá que correrão de Jerusalém águas vivas, metade delas para o mar oriental, e a outra metade, até ao mar ocidental; no verão e no inverno, sucederá isto”.

4. Mudanças na vida animal – Isaías 11:6-9... "O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e o já desmamado meterá a mão na cova do basilisco. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar".

5. Mudanças na vida vegetal – Isaías 35:1-2... "O deserto e a terra se alegrarão; o ermo exultará e florescerá como o narciso. Florescerá abundantemente, jubilará de alegria e exultará; deu-se-lhes a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Sarom; eles verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus".

6. Mudanças nas relações entre as nações – Isaías 11:11-12... "Naquele dia, recorrerão as nações à raiz de Jessé que está posta por estandarte dos povos; a glória lhe será a morada. Naquele dia, o Senhor tornará a estender a mão para resgatar o restante do seu povo... Levantará um estandarte para as nações, ajuntará os desterrados de Israel e os dispersos de Judá recolherá desde os quatro confins da terra...”.

7. Mudanças biológicas – Isaías 35:5-6... "Então, se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos; os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará...”; Isaías 65:20... "não haverá mais nela criança para viver poucos dias, nem velho que não cumpra os seus; porque morrer aos cem anos é morrer ainda jovem, e quem pecar só aos cem anos será amaldiçoado".

Sobre este último item, muitas especulações são levadas, todavia, conforme diz R. David Jones a esse respeito, “a morte no milênio é destinada aos injustos. Os justos viverão até o fim. Não tendo morrido, não precisam ser ressurretos. Jeremias 31:31-34 parece indicar que todos os judeus, durante o milênio, serão fiéis ao Senhor. Veja também Zacarias 8:4”.

Há muitas outras passagens nas Escrituras acerca desse reino, mas entendo que os exemplos acima são suficientes para uma plena compreensão. Vamos, portanto, aos versículos seguintes deste capítulo:

“Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar. Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu” (vs. 7 a 9). É incrivelmente incompreensível o número de pessoas que se rebelarão contra o Senhor Jesus ao final do Seu reino milenar de paz e absoluta justiça: “O número dessas é como a areia do mar” (v. 8). A pergunta primeira que vem à mente é por que o Senhor permitirá que algo tão inconsequente aconteça?

Isto está, caro leitor, dentro dos atributos extraordinários do Deus Todo-Poderoso. Ele criou criaturas racionais com livre-arbítrio e deu a elas o poder de decidirem por si. Ele não criou autômatos e nem os predestinados como muitos religiosos ensinam equivocadamente. Aquela imensa multidão que será gerada durante o milênio terá que ser provada, assim como foi com o primeiro homem e como ocorre com todos os humanos em nossos dias. Os que nascerão naquele período terão a mesma mortificação espiritual e genética adâmica e, por isso, é preciso que se convertam ao Senhor Jesus para serem regenerados. Somente através desse entendimento é que se poderá compreender tão estúpida rebelião contra o Senhor Jesus ao final do milênio, mesmo estando eles habitando em mundo de extrema harmonia entre todas as coisas criadas por Deus.

Como entender essa postura? Basta lembrarmo-nos do ocorrido com Adão, que habitava em um lugar magnífico, perfeito, preparado com todo esmero por Deus, não lhe faltava absolutamente nada e, ainda assim, ele O desobedeceu por causa da soberba que intuitivamente foi incutida em sua mente pelo deus do presente século – o diabo. Com isso, como diz Paulo, o pecado se universalizou: "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram" (Romanos 5:12).

Triste será o fim de tamanha ousadia desses que se rebelarão: “desceu, porém, fogo do céu e os consumiu” (v. 9). Como diz W. Hoste: “Que tristeza! Mais uma vez se provará que o ser humano, quaisquer que sejam suas vantagens e seu ambiente, a não ser pela graça de Deus e pelo novo nascimento (espiritual), permanece, no seu íntimo, perverso e em inimizade contra Deus”.

Antes de encerrar esta parte, creio ser oportuno um breve comentário sobre a introdução de certa forma abrupta da expressão “Gogue e Magogue” no versículo 8, como se estivesse a indicar a localização dos “quatro cantos da terra”, e não são poucos que a interpretam como sendo onde atualmente está localizada a Rússia. Nada a ver! J. Allen faz as seguintes considerações: “Uma explicação razoável é ver a frase como estando em aposição aos “quatro cantos da terra”, e depois traduzir as palavras ao invés de simplesmente transliterá-las. Sendo que (no vernáculo original) Gog significa “extensão” e Magog “expansão”, as palavras então simplesmente descreveriam a extensão e o alcance da tentativa satânica de juntar forças contra a capital do Reino de Cristo”. Como essas mesmas palavras aparecem em Ezequiel, (capítulos 38 e 39) alguns são levados a entender que o contexto é o mesmo, mas são coisas completamente diferentes, nesta última invasão o comandante será o próprio Satanás ao passo que não se vê isso na passagem descrita pelo antigo profeta.

Prossegue João: “O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos” (v. 10). Finalmente a humanidade estará livre dessa hedionda figura criminosa que ao longo dos milênios esteve a atormentá-la. De imediato à sua derrota e consumação dos rebelados, Satanás será lançado para o lugar para ele preparado onde lá estarão à sua espera as duas “bestas humanas” que o serviram ao longo do período da grande tribulação. Este é o lugar revelado pelo Senhor Jesus: "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos" (Mateus 25:41).

Atente para algo de extrema importância, prezado leitor, que põe por terra o argumento de muitos de que o tormento eterno não existe por ser Deus um Deus de amor. Quando o diabo for lançado para o fogo eterno, lá ainda se encontram os seus dois coadjuvantes humanos na grande tribulação. Observe que para ali eles foram lançados mil anos antes desse acontecimento e permanecem vivos em tormentos. Portanto, não existe hipótese de não existir um lugar de sofrimento eterno, afastado permanentemente de Deus e de Seus remidos. Os que para lá forem manterão suas consciências e serão atormentados dia e noite, todos os dias, para todo o sempre.

Quão terrível é ir para este lugar, prezado leitor. Espero em Deus que você já tenha a mais absoluta das certezas de que para lá não irá, por estar, desde já, coberto pela graça do Senhor Jesus. Bem haja se assim já o fez, se não, faça-o agora. Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.