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A Caminho do Apocalipse 21 (4)

 

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia,
e guardam as coisas que nela estão escritas;
porque o tempo está próximo”

Apocalipse 1:3

                                                                                    

CAPÍTULO 21 (4)

Prossegue João em sua visão acerca da nova Jerusalém. A partir do versículo 21 ele passa a descrever as características intrínsecas da cidade-sede do “Estado Eterno”: A praça da cidade é de ouro puro, como vidro transparente”. Ao espiar, agora, para além daquela magnífica muralha que vimos na crônica anterior, ele vê algo ainda mais extraordinário que de imediato chama a sua atenção. Aquela visão deve ter permanecido na mente do apóstolo por um certo tempo: “Ah, aquela praça!”, provavelmente ficara a pensar.

Tentei ter ideia daquilo que João estava a contemplar e tive que concluir que o ouro nela contido era algo inimaginável. Por ser absolutamente íntegro, sem mistura, de perfeição absoluta, ele se mostrava a João como um “vidro transparente”, pois nele não havia a presença de um cisco sequer de impureza ou de elementos estranhos. Aquela visão deslumbrante revelava a João que ali estava um ambiente absolutamente puro, sem mácula, onde a malignidade sob nenhuma hipótese estaria presente.

Uau! Foi a exclamação que me veio à mente pelo regozijo de saber que essa mesma contemplação do apóstolo também a terei com a chegada daquele dia, assim como todo aquele que crê nas profecias contidas neste notável Livro. Que você, prezado leitor, lá esteja também, é o meu sincero desejo.

Continua João: “Nela, não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro” (v. 22). Cadê o Templo, caro leitor? Eis a grande diferença entre a Jerusalém celestial e a terrestre. Na antiga Jerusalém havia a necessidade de um local específico que personificava de forma implícita a presença de Deus junto a Israel, o Seu povo terreal, na nova Jerusalém não haverá nenhuma barreira que impedirá o convívio de Deus com os Seus. Não haverá mais a necessidade de um Templo, pois a própria cidade é um santuário pela presença explícita do Deus Todo-Poderoso juntamente com o Cordeiro, o Senhor Jesus, que nela estarão habitando juntamente com os Seus.

“A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada. As nações andarão mediante a sua luz, e os reis da terra lhe trazem a sua glória” (vs. 23 e 24). Como já vimos, ao contemplar o novo céu e a nova terra João não mais viu o Sol e a Lua, os dois grandes luminares da Terra. Portanto, nela, assim como em toda nova criação, não mais haverá noite nem tempo ruim, dias nublados ou carrancudos, pois a glória de Deus e a luz do Senhor Jesus serão perenes para todo o sempre. Diz J. Allen ao comentar sobre essa nova criação: “... o Sol e a Lua são obsoletos, pois esta cidade tem uma fonte de luz muito superior: “a glória de Deus”, a mesma que iluminou o tabernáculo de Moisés (Êxodo 40:34-35) e o templo de Salomão (1 Reis 8:10-11) ... As palavras de Isaías agora são cumpridas, não figurativamente, mas literalmente: ‘Nunca mais te servirá o sol para luz do dia, nem com o seu resplendor a lua te aluminará; mas o Senhor será a tua luz perpétua, e o teu Deus a tua glória’ (Isaías 60:19)”.

As expressões “nações” e “reis” contidas no versículo 24, fazem com que alguns comentaristas asseverem que pela menção de nações e governantes nesse texto estariam a indicar que essa visão de João diz respeito ao período do reino milenar do Senhor Jesus. Carece de prova essa assertiva, pois não há nenhum indício de sustentação que não existirão nações no “Estado Eterno”. Ao contrário, dentro do contexto que se encontram fica claro que elas não só existirão na eternidade, como Israel será a nação que as liderará conforme previsto nas Escrituras. J. Allen reforça esse entendimento: “Esta grande cidade é a central de luz da Terra, e as nações podem conduzir seus negócios e organizar a sua vida diária “mediante a sua luz”. “Andarão” é a figura bíblica para descrever o viver diário do ser humano... A “glória” que trazem à cidade é a glória da sua associação com ela... Não há problema algum se esta cidade for vista no contexto do Estado Eterno, quando todos os da Terra, mesmo não tendo cidadania da cidade, têm livre acesso a ela”.

“As suas portas nunca jamais se fecharão de dia, porque, nela, não haverá noite. E lhe trarão a glória e a honra das nações” (vs. 25 e 26). Os portões das grandes cidadelas de outrora eram fechados à noite para proteção contra possíveis invasores. Como na eternidade não haverá noite e tampouco inimigo, desnecessário será que as portas da muralha da capital do universo sejam cerradas. Elas estarão constantemente abertas, sem exceção, tendo em vista que tudo que faz parte da noite foi-se para sempre e todos habitantes daquela que será a “nova Terra” terão acesso diuturno à nova Jerusalém, pois não mais haverá limite de tempo.

É natural que dada a nossa limitação, não só de tempo como de espaço, hoje somos totalmente incapazes de imaginar como será o dia a dia na eternidade. Não haverá mais noite, quando então dormiremos? Certamente isso passará a ser algo desnecessário. Mas se eu precisar ficar acamado? Isso jamais ocorrerá! Nunca mais haverá, cansaço, dor, doença, lágrima, sofrimento, luto, fome, sede etc. (v. 4, dentre outros). Como diz o versículo 27: “Nela, nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro”. Que Glória! Magnífico será ali morar. Pena que a imensa maioria da humanidade não tenha essa mesma expectativa e com isso muitíssimos são os que não estão inscritos no Livro da Vida do Cordeiro. Mas ainda há tempo! O porvir está a chegar, a queda das horas é inexorável, as pessoas precisam ser alertadas disso para que fiquem conscientes da decisão que tomarem, caso não se decidam crer nas revelações contidas neste Livro.

Segundo os codificadores da Bíblia aqui terminaria este capítulo. Todavia, devemos ter em lembrança que os originais das Sagradas Escrituras não contêm versículos e capítulos, é um texto contínuo. Digo isso por entender que a visão de João sobre a nova Jerusalém não termina aqui, mas continua até os cinco primeiros versículos do capítulo 22. Este também é o entendimento de R. E. Watterson: “Os primeiros versículos deste capítulo (22) continuam e concluem a descrição da cidade celestial. A divisão em capítulos, mais uma vez, foi infeliz, pois estes versículos realmente pertencem ao capítulo anterior (21)”. Portanto, vamos a eles!

“Então, me mostrou o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua praça, de uma e outra margem do rio, está a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a cura dos povos” (22:1-2). João dá a sua última espiada na gloriosa cidade. Ele a viu externa e internamente, agora ele se detém ao ponto mais central dela, onde está localizado o Trono e o seu entorno, de onde será regido o Estado Eterno. Dele sairá o extraordinário manancial de água e de alimento indispensável para o suprimento da vida a todos por toda a eternidade.

Ao citar “de mês em mês” João não está a dizer que haverá marcação de tempo, pois isso, doravante, nunca mais existirá, mesmo porque não mais haverá o Sol e a Lua que são os marcadores de tempo usados neste antigo mundo. Como diz J. Allen, “fica evidente que João usa a palavra “mês” como uma referência conhecida para ilustrar a mudança da variedade da provisão da árvore da vida. Fecundidade e variedade estão em vista aqui”.

Da mesma forma quando João cita que as folhas da árvore são para a “cura dos povos”, não significa que haverá doenças e consequente morte no “Estado Eterno”. Sobre isso diz J. F. Walvoord: “Em outras palavras, as folhas da árvore promovem o prazer da vida na nova Jerusalém, e não são para corrigir doenças que não existirão”. Algo semelhante ocorreu quando vimos a expressão que Deus “enxugará dos olhos toda lágrima” (21:4), a ênfase contida naquele texto foi para deixar claramente evidenciado que nunca mais haverá qualquer forma de sofrimento na eternidade; aqueles que lá estarão jamais chorarão, pois suas lágrimas foram completamente enxugadas e no passado ficarão para todo o sempre.

Caso paire alguma dúvida em sua mente, prezado leitor, veja o que João revela a seguir: “Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão, contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele” (22:3-4). A afirmação do consagrado apóstolo é enfática, marcante, não deixa a menor dúvida: no “Estado Eterno”, nunca jamais, em tempo algum, haverá qualquer maldição por menor que seja, pois ali estará as augustas presenças de Deus e do Senhor Jesus. Os Seus servos Os servirão, dentre estes estará indiscutivelmente a Igreja de Deus, formada por aqueles que têm, absolutamente, o Senhor Jesus como o seu único Redentor. Lá haverá uma vida solene, pois estarão a contemplar o rosto do Deus Todo-Poderoso, Criador de todas as coisas, algo que fora tão desejado por servos do passado, a exemplo de Moisés e não lhe foi permitido (Êxodo 33:17-23). De agora em diante fará parte do dia a dia daqueles que junto a Ele estarão identificados com o Seu nome. Acontecimento como este, caro leitor, nos remete às palavras de Paulo: "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas" (2 Coríntios 4:17-18).

“Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos” (22:5). Aqui encerra João a visão que estava tendo da majestosa cidade. Recentemente ocorreu no bairro em que moro um breve apagão. Como era noite, tudo ficou em trevas pela ausência completa da luz. Como isso ocorre esporadicamente tive que me lembrar onde estaria o farolete. Depois de muito tatear, achei-o. Cadê as pilhas? Agora ficou um poucadinho mais difícil encontrá-las na quantidade necessária. Não existe nenhuma hipótese disso ocorrer na eternidade porque a Luz divina jamais se apagará.

“Bem-aventurados os limpos de coração; porque eles verão a Deus” (Mateus 5:8). Um coração somente poderá ser limpo mediante o lavar regenerador e renovador do Santo Espírito (Tito 3:5). Que esta seja a sua realidade, caro leitor, pois assim você lá estará para contemplar o maravilhoso rosto de Deus. Permita Deus que assim seja!

 

autor: José Carlos Jacintho de Campos.