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A Caminho do Apocalipse - 04

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 4

Neste capítulo as coisas que João “viu” e as que “são” já eram. O período da graça, o da Igreja, foi encerrado no capítulo anterior, doravante João passa a descrever as coisas que “hão de acontecer” após o Arrebatamento da Igreja.

É sobremodo notável a leitura do Apocalipse porque através dele temos a oportunidade de saber com muita antecedência os acontecimentos que hão de vir. Por incredulidade, muitas pessoas desconsideram o tremendo milagre que aconteceu na ilha de Patmos, quando João viu desfilar diante de seus olhos uma sucessão notável de eventos que ocorreriam milênios à sua frente, numa autêntica viagem ao até então desconhecido.

Essas narrativas, divinamente reveladas, não são somente para a edificação espiritual dos que creem, mas também para que outras pessoas se deem conta do incrível conteúdo deste livro, pois foi dito a João que “importa que profetizeis outra vez a muitos povos, e nações, e línguas e reis” (Apocalipse 10:11). Por definição, o ensino correto do Apocalipse não pode deixar de ser divulgado às pessoas de todos os credos e nações. Pena que isto não esteja acontecendo em nossos dias na forma correta.

Não deixa de ser lamentável que o contraditório seja tão exacerbado a partir deste capítulo, fruto das controvérsias geradas por aqueles que se dizem entendidos, cujas consequências têm levado a imensa parte da cristandade à incompreensão dos acontecimentos contidos neste e nos próximos capítulos deste Livro e, por conta disso, subestimam a leitura do Apocalipse.

No primeiro versículo deste capítulo, já fica absolutamente claro o que está para acontecer. Diz o texto Sagrado: “Depois destas coisas...”, que coisas? É evidente que são as que lemos nos três capítulos anteriores e que se encerraram com a grande decadência espiritual da igreja do fim dos tempos (Laodiceia). Neste capítulo João vê “uma porta aberta no céu” e ouve a voz do Senhor que o convoca: “Sobe aqui e mostrar-te-ei as coisas que depois desta devem acontecer”. Diz em seguida o versículo 2: “Imediatamente fui arrebatado em espírito”, naquele exato momento João vivenciou antecipadamente o mesmo sentimento que sentirão aqueles que serão arrebatados por ocasião do encontro com o Senhor Jesus e terão a visão esplendorosa da sua nova morada. Este arrebatamento de João prefigura o arrebatamento de todo aquele que pertence ao Senhor Jesus.

Apesar daqueles que criam tantas controvérsias sobre este assunto, esteja absolutamente certo, caro leitor, que a partir deste quarto capítulo a Igreja de Deus não estará mais na Terra, pois nesta revelação se cumpre o previsto em 1 Tessalonicenses 4:13-18... “os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro... os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor”. O mistério dito por Paulo em 1 Coríntios 15:51-53 aqui está revelado, na prática, quando todos os verdadeiros cristãos participarão do fantástico evento do Arrebatamento. A verdade inconteste é que os vernáculos “igreja ou igrejas” aparecem por vinte vezes, dezenove deles somente nos três primeiros capítulos deste Livro e depois ressurgirá com essa expressão somente em Apocalipse 22:16, que vem corroborar que a partir do capítulo quatro a Igreja já não mais estará aqui porque foi arrebatada para estar com o Senhor.

Convém lembrar que Daniel também teve visões acerca do tempo do fim, mas a ele foi determinado que não as revelasse, pois ainda não era chegado o momento oportuno: “Tu, porém, Daniel, cerra as palavras e sela o livro... porque estas palavras estão cerradas e seladas até o tempo do fim” (Daniel 12:4,9). Em 2 Coríntios 12, Paulo revela o seu arrebatamento ao terceiro céu, à morada de Deus, e lá “ouviu palavras inefáveis as quais não é lícito ao homem referir” (v. 4), e para que ele não se exaltasse demais diante das estupendas revelações, foi-lhe dado um espinho na carne a fim de que ele não se sublimasse (v. 7). Mas o tempo é chegado, e há quase dois milênios João teve o grandioso privilégio de descerrar essas revelações (Apocalipse 1:19). Jamais me atreveria a estabelecer tempo ou fixar época para que isso aconteça – o Arrebatamento da Igreja –, mas não há dúvida que esse tempo se abrevia, aquilo que era iminente passa a ser imediato.

Você pode estar a se perguntar: “Mas não consigo entender nada daquilo que João está a contemplar neste capítulo”? Esteja certo que você entenderá quando lá estiver. Por agora se detenha à leitura dos versículos que manifestam a extraordinária visão da magnitude do Trono de Deus com o esplendor dos seus detalhes. A majestosa glória da presença divina aqui está realçada pelo imenso borbulhar de cores, brilhos, relâmpagos, vozes, trovões, pelo mar de cristal, símbolo da absoluta pureza de Deus onde nenhuma sujeira passaria despercebida, e pelos quatro estupendos seres viventes, guardiões do Trono de Deus, a entoar o ininterrupto cântico de glória, honra e ação de graças àquEle que vive pelos séculos dos séculos (vs. 3 a 9). Em vez de tentar decifrar o que isso representa é mais edificante saber que você lá estará para contemplar essas extraordinárias maravilhas. Portanto, durante a leitura deste capítulo sinta-se adentrando ao magnífico ambiente celestial. O que importa, agora, é que você tenha certeza de que irá presenciar pessoalmente todos esses notáveis acontecimentos.

Quanto aos versículos 4 e 10 tem-se levantado não pouca discrepância sobre o seu contexto. Quem seriam os vinte e quatro anciãos prostrados diante do Trono de Deus? De plano, não tenho dúvida em asseverar de que se trata da Igreja arrebatada, dos redimidos pelo Senhor Jesus com seus corpos já ressurretos, libertados que foram pelo Seu sangue e por isso os fez reino e sacerdotes para Deus (Apocalipse 1:5-6).

É impossível imaginar, como alguns afirmam, que esses anciãos seriam seres celestiais com vestiduras brancas e coroados. Os versículos 8 a 10 do capítulo 5 de Apocalipse derrubam por completo esse argumento à medida que separa com absoluta clareza os grupos que lá estarão: “E, havendo tomado o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro... E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus os fizeste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra. E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono e dos seres viventes e dos anciãos...”. Portanto, os vinte quatro anciãos se referem exclusivamente à Igreja arrebatada. Convém lembrar que “ancião” tem por significado etimológico de “homem mais velho”, por conseguinte jamais poderiam ser seres celestiais porque estes não envelhecem como os seres humanos. Portanto, os vinte e quatro anciãos representam a Igreja no seu sacerdócio perante o Trono de Deus.

Outra argumentação é que esses vinte e quatro anciãos seriam um grupo formado por doze patriarcas, ou tribos, de Israel e os doze apóstolos do Senhor Jesus. Embora essa sugestão traga uma irresistível atração, não há nela nenhuma base bíblica para tal afirmação. Comete-se um erro crasso de interpretação, pois o Arrebatamento ocorrerá somente para os cristãos redimidos, ao passo que os santos de Israel serão ressuscitados ao final da grande tribulação, os quais serão julgados e recompensados ao entrarem no Reino Milenar do Senhor Jesus Cristo. Por oportuno transcrevo o ensino de R. David Jones no Boletim dos Obreiros 158, de março de 2011: Em preparação para o reino milenar de Jesus Cristo no mundo, haverá também a ressurreição dos demais santos: os do Velho Testamento (Isaías 26:19, Daniel 12:2), e os que morrerem durante o domínio da besta, durante a grande tribulação (Apocalipse 20:5). Com isto se conclui a primeira ressurreição. Os santos de todos os tempos, até então, viverão e reinarão com Cristo durante o milênio. Recomendo a leitura dessa excelente matéria também disponibilizada em nosso site www.obreiros.com > Arquivo > Fatos & Relatos > O Estado da Alma entre a Morte e a Ressurreição.

Uma questão se tem levantado ao longo do tempo: Por que vinte e quatro anciãos, e não doze ou sete que é o número da plenitude? Como já foi dito aqui, esses vinte e quatros anciãos exercem o sacerdócio real. Isso nos remete às instruções de Davi ao seu filho Salomão que teve a honrosa incumbência de edificar uma casa para o Senhor Deus, Davi distribuiu os sacerdotes em vinte e quatro turmas para o serviço do Templo, como representantes plenos para entrarem na casa do Senhor, segundo lhes fora ordenado por Arão, como o Senhor Deus de Israel lhe havia mandado (1 Crônicas 24:7-19). Eles representavam a plenitude do exercício desse ministério assim como os vinte e quatro anciãos estão a representar a Igreja de Deus como um todo.

Finalizando este capítulo, vemos a Igreja arrebatada nos versículos 10 e 11, na figura desses vinte e quatro anciãos, a adorar ao que vive pelos séculos dos séculos, os quais lançavam diante do trono os galardões recebidos, frutos de suas obras aqui realizadas, dizendo: “Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória e a honra e o poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade existiram e foram criadas”. Que você, meu caro leitor, lá esteja fazendo parte desse notável grupo. Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.