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A Caminho do Apocalipse - 08

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 8

Fechado o parêntese do interlúdio do capítulo anterior, dá-se a abertura do sétimo selo. O livro selado descrito no capítulo 5 agora está completamente aberto. O sétimo selo foi rompido pelo Senhor Jesus. De imediato surge algo surpreendente no início deste oitavo capitulo: “O dia em que o céu se calou” (v. 1).

Este inédito silêncio não deixa de ser espantoso tendo em vista que o Apocalipse é um livro de prédicas, em cujo conteúdo há constantes barulhos de trovões, vozes, terremotos, saraivadas etc. A quietude celestial foi a reação pela expectação das espantosas calamidades que sobrevirão sobre a Terra. Eis que é chegado o momento de uma nova série de terríveis juízos que recairão sobre os seus habitantes nunca antes registrados na história da humanidade.

De imediato você, prezado leitor, poderá estar a se perguntar: “Qual o motivo desse absoluto silêncio”? É a calmaria anterior à tempestade, é o solene sinal que Deus está prestes a punir severamente a Terra, é o prenúncio da angústia vindoura. Do impressionante silêncio do sétimo selo, surgem as sete trombetas de caráter judicante.

Os olhos de João são levados a contemplar os sete anjos que se acham em pé diante de Deus, aos quais foram dadas sete trombetas (v. 2). Há algo de majestoso nesse momento. Lá estão os sete seres angelicais enfileirados prontos para entoar os juízos de Deus através desses seus instrumentos.

Já contemplamos os primeiros juízos por ocasião da abertura dos “selos” pelo Senhor Jesus. Agora veremos aqueles que virão pelo ressoar das “trombetas”. Após, ainda virão os juízos que serão derramados através das “taças” da ira de Deus. Ao contrário de alguns ensinos, esses três acontecimentos não serão contemporâneos, todos ao mesmo tempo, mas sucessivos, um após o outro.

Eis que surge um “outro anjo” (v. 3). Não são poucos os que ensinam que este “outro anjo” seria o próprio Senhor Jesus na forma angelical e baseiam-se para isso nas antigas cristofanias (aparições de Cristo antes de encarnado), em que Ele era identificado como Anjo do Senhor no Velho Testamento. A encarnação, ressurreição e ascensão do Senhor Jesus, com sua forma humana permanente, dispensam qualquer aparição em uma forma angelical.

Uma leitura mais atenta em Apocalipse 1:7 tira qualquer margem de dúvida sobre corpo celestial do Senhor Jesus: “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram”, e em Mateus 24:30, que está a relatar a vinda do Senhor Jesus para pôr fim a grande tribulação, Ele próprio diz que todos O verão em Sua forma humana, a de “Filho do homem”,e não como um ser angelical.

Nos versículos 4 e 5 vemos que da mão desse anjo subiu diante de Deus a fumaça do incenso com as “orações de todos os santos”, depois ele encheu o incensário com o fogo do altar e o lançou sobre a Terra. Atente para a expressão “todos”. Diz James Allen acerca dela: “A ideia tem que ser mais abrangente do que simplesmente o clamor dos santos martirizados pedindo vingança pelo seu sangue derramado”. Segundo ele, esta oração aponta para as orações do povo de Deus ao longo de todos os tempos, a exemplo da oração ensinada pelo Senhor Jesus aos seus discípulos – “venha o teu reino”– agora será respondida de forma tremendamente dramática. A ira de Deus proferida por João Batista aos religiosos da sua época está prestes a eclodir sobre os impenitentes (Mateus 3:7). Na sucessão desses outros juízos – das trombetas e das taças – dar-se-á o retorno do Senhor Jesus para o estabelecimento do Seu reino milenar.

Os sete anjos estão perfilados para o anúncio desses juízos (v. 6). Ao som da primeira trombeta haverá uma violenta agitação atmosférica (v. 7). Uma repentina saraivada de fogo misturada com sangue despencará sobre a Terra. Seria como se todos os vulcões existentes na Terra entrassem simultaneamente em erupção. Um terço das áreas verdes da Terra será completamente queimado. Algo da mesma espécie lemos em Êxodo 9:22-25, quando o Senhor Deus fez chover saraiva com fogo sobre a terra do Egito. Todavia, neste acontecimento apocalíptico vemos um ingrediente espantoso – o sangue. Será uma ocorrência tão avassaladora que, por certo, levará os habitantes da Terra a entender que estão debaixo do juízo de Deus.

Em seguida o segundo anjo soa a sua trombeta. Em sua visão, João vislumbra algo como um grande monte ardendo em fogo lançado sobre o mar, que faz com que uma terça parte dele se torne em sangue (v. 8). Será como um imenso corpo celeste sendo arremessado contra a Terra que em contato com a atmosfera terrestre se incendiará e provocará a morte de um terço das criaturas viventes no mar e um terço dos navios nele existentes será destruído (v. 9). Desnecessário ressaltar o que isso representará nas rotas comerciais entre as nações diante do peso deste juízo divino.

Guardadas as devidas proporções, lemos em Êxodo 7:19-25 que por sete dias as águas do Egito ficaram ensanguentadas depois que o Senhor Deus ferira o rio Nilo. Para aqueles que colocam em dúvida estas previsões apocalípticas, convém lembrar que Deus permitiu que os bruxos do Egito realizassem o mesmo feito mediante poderes diabólicos. Portanto, quaisquer ceticismos acerca do cumprimento desta profecia deverão ser refutados energicamente, pois esta é a Palavra de Deus.

Ao toque da terceira trombeta, um imenso e fumegante corpo estelar é lançado em direção à Terra e um terço das águas potáveis tornam-se amargosas e muitos seres humanos morrerão em consequência disso (vs. 10-11). A previsão da chegada dessa bólide que virá do espaço sideral é algo que não deve ser ignorado, pois o próprio Senhor Jesus fez menção disso: “haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu” (Lucas 21:11). O nome dado a essa estrela cadente é Absinto. Nas Sagradas Escrituras há uma erva com esse nome, com a característica de ser intensamente amarga e grandemente venenosa. Em alguns textos bíblicos essa palavra é traduzida como losna, ou água de fel (Jeremias 23:15).

A seguir, na quarta trombeta, algo sobremodo apavorante acontecerá. O céu astronômico sentirá o toque onipotente do Deus Todo-Poderoso. Com a Sua permissão o nosso sistema solar será invadido por um estranho corpo celestial de energia negativa que absorverá a luz de uma terça parte do sol, da lua e das estrelas (v. 12). Algo parecido já foi identificado pelos astrônomos dentro do nosso sistema galáctico. Tanto o sol como a lua e as estrelas terão suas terças partes eclipsadas. Será como se o dia fosse encurtado em quatro horas e a noite estendida por outro tanto de horas. Indiscutivelmente será uma manifestação poderosa e milagrosa do Senhor Deus que deverá levar a humanidade a uma estupefação generalizada.

A esta altura, você poderá estar a sentir uma aura de incredulidade passando por sua mente: “Será que isso realmente acontecerá?”. Levados por essa aragem, não são poucos que tentam espiritualizar essas ocorrências procurando dar um significado mais ameno a esses acontecimentos criando toda sorte de especulações sob a alegação que não há uma explicação racional para Deus agir dessa forma.

Todavia, para que crêssemos, não foi necessário que Deus explicasse como Ele fez para que houvesse trevas no Egito por três dias (Êxodo 10:21-23), ou então, quando Ele atendeu ao pedido do Seu servo e o sol e a lua foram detidos por quase um dia para que o combate de Israel contra os amorreus se desse sob a luz do dia (Josué 10:12-15), ou ainda, quando Ele fez com que a sombra no relógio de Acaz voltasse atrás em dez graus como sinal dado a Ezequias que a Sua promessa se cumpriria (2 Reis 20:11; Isaías 38:1-8). Por que então estão a exigir provas de que Deus agirá dessa forma na grande tribulação?

Tentar amenizar as cores desses acontecimentos seria uma forma de colocar em dúvida o poder e a extensão dos juízos soberanos de Deus. Leia os trechos indicados no parágrafo acima, prezado leitor, e reflita comigo: Enquanto todo o Egito permaneceu em trevas todos os filhos de Israel tinham luz em suas habitações. Quando Josué pediu para que o sol não se pusesse e a lua não surgisse, isto equivale dizer que Deus parou o movimento de rotação da Terra em torno do seu eixo. Este foi o dia que a Terra parou.

Por sua vez, quando Isaías clamou a Deus para que fizesse retroceder a sombra do sol declinante no relógio de Acaz, por mais incrível que possa parecer Deus fez com que a Terra retrocedesse em seu movimento de transladação em torno do sol, ou que houvesse um pequeno retorno em seu movimento de rotação, ou então uma leve inclinação em seu eixo gravitacional. Inacreditável? Jamais! Para Deus não há impossíveis, Ele não está limitado pelas chamadas “leis da natureza”, porque tudo foi criado por Ele e somente por Ele poderá ser feito ou desfeito.

Por que então duvidar acerca dessas narrativas contidas no Apocalipse ao insinuar-se que não será bem assim? Lembremo-nos de que os acontecimentos dessa quarta trombeta darão cumprimento ao que foi revelado pelo Senhor Jesus: “E haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; sobre a Terra haverá angústia das nações... os homens desfalecerão de terror... porquanto os poderes do céu serão abalados...” (Lucas 21:25-26). Portanto, creia nessas revelações, meu caro leitor, porque a Terra irá tremer. Ao transcrever essas revelações, em nenhum momento João vacilou ou questionou ao Senhor de como essas coisas seriam por Ele feitas. Ele apenas creu!

Ainda faltam três trombetas para serem soadas. Eis que surge um intervalo (v. 13) como que fosse dado a João um tempo para suas reflexões diante de tamanhas revelações. Nesse lapso de tempo o consagrado apóstolo ouve uma série de três “ais” vindos de uma águia como a anunciar que juízos mais estarrecedores ainda estariam por vir. No Velho testamento a águia é usada como símbolo de um juízo vindouro: Deuteronômio 28:49; Oseias 8:1; Habacuque 1:8.

Que diremos, então, à vista destas coisas? Ou então, como responder a questão levantada por João Batista: “Quem vos induziu a fugir da ira vindoura?” (Mateus 3:7). Cabe aqui, como resposta, a afirmação do apóstolo Paulo: "Jesus, que nos livra da ira vindoura... [Deus] ressuscitou dentre os mortos a Jesus, que nos livra da ira vindoura... porque Deus não nos destinoupara a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 1:9-10; 5:9). Diz mais Paulo acerca de Jesus: “sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Romanos 5:9). Portanto, tenhamos absoluta certeza disto e jamais coloquemos em dúvida a Palavra de Deus. Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.