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A História da Criação

 

A História da Criação

Robert W. Cargill

Traduzido do original inglês
por Elda Veiga

 

A publicação pelo Boletim dos Obreiros desta tradução foi autorizada
por cortesia de

A Verdade

Porto Alegre-RS, Brasil

 

Detentora dos direitos de publicação que lhe foram concedidos por

John Ritchie Ltd.

40 Beansburn, Kilmarnock, Escócia  Copyright©2008

 

 

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Sumário

 

Prefácio                                                              

Introdução                                                           

PARTE 1: UM RESUMO DO COMEÇO AO FIM 

Consideramos o que a Bíblia ensina sobre o nosso Criador; o que nos foi dito sobre o começo da criação e o seu fim; quem a sustenta e como tudo continua funcionando; a razão de tudo ficar mais desordenado conforme o tempo passa.

  1. A glória do Criador                                           

  2. O começo: "A fundação do mundo"                     

  3. O fim: “Todas essas coisas dissolvidas”               

  4. Uma "Criação a gemer"                                   

  5. "Sustentados pela Palavra do seu Poder"            

  6. Ordem e caos                                                

PARTE 2: O RELATO DO GÊNESIS 

Tomamos nota de: o que aconteceu no princípio (Gênesis 1); as enormes mudanças causadas pelo grande dilúvio (Gênesis 6-8); vemos alguns fatos geológicos e a importância dos fósseis.

 7. Os dias da Criação                                         

 8. O que Deus criou e fez                                     

 9. O dilúvio e suas consequências                         

10. Mudanças geológicas causadas pelo dilúvio       

11. Fósseis e o dilúvio                                        

PARTE 3: FATOS ÚNICOS E MARAVILHOSOS 

Descrevemos o maravilhoso trabalho das mãos de Deus, visível – na precisa adequação da Terra para a vida e para o homem; nas propriedades sincronizadas únicas da água e da luz e da química da vida; neste ambiente cuidadosamente planejado e criado para o homem; na singularidade extraordinária do homem; na maravilhosa complexidade e eficiência dos nossos corpos.

12. A Terra - um planeta sem igual                                      

13. "Ele também criou as estrelas"                                    

14. Água - um líquido singular                                          

15. Luz - uma Iluminação singular                                       

16. Carbono - um elemento químico singular                     

17. Homem - um ser singular                                            

18. Nosso cérebro impressionante                                 

19. Nosso fluxo sanguíneo vital                                      

20. A maravilha do nosso nascimento                              

PARTE 4: CONCLUSÕES

Selecionamos alguns exemplos da natureza para ver mais da glória e da sabedoria do Criador, para nos maravilhar com os detalhes do desenho inteligente, e para notar as comparações e os contrastes entre as descobertas da pesquisa científica e as revelações das Escrituras.

21. O estudo da natureza                                                 

22. Desenho e instinto                                                   

23. A ciência e as escrituras                                           

Glossário e material de referência                                     

 

 


PREFÁCIO

O ateísmo parece estar cada vez mais na moda. Isso não é obviamente nada de novo. "Diz o insensato no seu coração: Não há Deus" ( Salmo 14:1). Já existe por milênios. Isso, a despeito da clara evidência dita pelo salmista que, "Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anunciaasobrasdassuasmãos" (Salmo19:1). E esta declaração, ele explica, é dada de uma forma que pode ser compreendida por todos, qualquer que seja a sua língua nativa.

Claro, para alguns, a teoria da evolução é um acessório para a sua incredulidade. Mas a aparente confiança de que Deus é supérfluo não é bem colocada. Um estudo cuidadoso do mundo ao nosso redor deveria levar à conclusão de que não apenas existe um Deus que o criou, mas também a sua sabedoria e sua glória assim estão demonstradas. Muitos livros têm sido escritos ultimamente que deveriam dar o que pensar a quem descarta essa evidência.

É de realçar que, muito antes do nascimento de Darwin, a conclusão das Escrituras é que" os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo,sendo percebidos pormeio das coisas que foram criadas. Tais homens são, porisso, indesculpáveis" (Romanos1:20).

Os argumentos técnicos e científicos envolvidos nos debates sobre o universo e a vida são complexos. É valioso tê-los em termos simples - mas não simplistas - por alguém com conhecimento em muitos dos assuntos principais. Esses capítulos deverão oferecer conhecimento suficiente para crentes sem nenhum conhecimento especializado, para assegurar-lhes que não é contrário à razão acreditar que "Noprincípio, criou Deus os céus e a terra"(Gênesis1:1) e que "todas as coisas foram feitas por ele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez" (João1:3). Essa última citação é uma clara afirmação da Criação Especial como a explicação para tudo o que nos envolve.

Um prazer particular nesse livro é que por todas as suas páginas ele procura oferecer lições espirituais para o nosso benefício. Enquanto lida com a ciência, está firmemente baseado nas Escrituras e tem como objetivo principal atrair atenção para a glória de Deus. Foi um prazer recomendá-lo.

W.S.Stevely

Ayr, setembro de 2008


 

INTRODUÇÃO

Os capítulos deste livro apareceram pela primeira vez nas edições mensais de "Believer's Magazine" durante 2007 e 2008. Em resposta aos pedidos para disponibilizar o material num formato mais permanente, eles foram editados e reunidos aqui para beneficiar uma maior audiência. Os capítulos estão agora arranjados em quatro partes coerentes, como poderá ver no sumário.

O motivo por trás de tanto este como os artigos originais é mostrar como todas equaisquer partes do universo material, grandese pequenos, vivos e inanimados, declaram a sabedoria e o poder do seu grande Criador e testemunham dele. Ao recontar e reler esta grande e fascinante história da criação, ficamos mais capacitados para glorificá-lo com entusiasmo por tudo o que ele fez e que apenas ele poderia fazer. Ecoamos as palavras do Salmo de Davi: "Todas as tuas obras te renderão graças, SENHOR; e os teus santos te bendirão" (Salmo145:10).

Este não é um livro determinado a "desprovar" a evolução, ou "provar" a criação. Estamos começando pela afirmação fundamental que " No princípio, criou Deus os céus e a terra" (Génesis 1:1), e que "sem ele (oSenhorJesusCristo), nada do que foi feito se fez" (João1:3). Estamos tomando por base que os leitores já acreditam que a Bíblia é a Palavra de Deus e, sendo assim, exata, competente e verdadeira do começo até ao fim.

No entanto, se algum dos meus leitores tiver dúvidas  genuínas ou questões sinceras sobre a evolução e/ou a criação, por favor, leia com a sua mente aberta. Pontos de vista diferentes são do foro individual, por razões próprias do indivíduo. Este não é um livro científico e  não requer muito conhecimento científico para que se compreenda a sua mensagem. No que toca à ciência, posso apenas assegurar que os fatos científicos que observei e descobri estão em completa harmonia com a revelação das Escrituras. Depois de ter passado uma grande parte da minha vida no ensino e na pesquisa científica, na área da Química para ser mais preciso, eu e muitos outros descobrimos que as interpretações dos fatos, baseados na história da criação, fazem muito mais sentido do que aquelas baseadas na evolução. Alguns dos capítulos aseguir irão mostrar isso. A triste situação é que muitas pessoas querem, até mesmo exigem, explicações baseadas na evolução e nada mais. Sendo assim, tais explicações são propagadas sem permitir uma séria consideração da alternativa e são aceitas sem questões e sem críticas. Você deve por si mesmo considerar isto.

Desejo registrar os meus  agradecimentos a John Grant, editor da "Believer's Magazine", pelo seu encorajamento em realizar e perseverar na escrita original, aos muitos leitores da revista que expressaram o seu interesse e apreciação do material de várias maneiras, a  Bill Stevely por ter escrito o prefácio, aos diretores e pessoal de John Ritchie Ltda. pela sua ajuda e colaboração no apoio a este projetoe, por último, mas não menos importante, à minha esposa Isobel, pela sua paciência e compreensão durante muitas horas ao computador.

Bert Cargill

St Monans

Escócia

 


 

 

 CAPÍTULO 1

A Glória do Criador

A história da criação revela a grandeza do Criador. Você a pode ver para onde quer que olhar. Olhe para o céu noturno, cravejado de infinitas estrelas, olhe para as profundezas do oceano, cheias de fantásticas formas de vida, admire uma vasta paisagem ou a beira-mar, ou um jardim de sua casa, seja movido por um pôr do sol dourado ou por um amanhecer tingido de tons cor de rosa. Pegue num telescópio e olhe mais além, pegue num microscópio e veja mais de perto, pegue num livro e estude aprofundadamente, decida por uma jornada e vá mais adiante, tire tempo e ouça, veja e toque e inspire vagarosamente. O que acontece? Os seus sentidos respondem. A sua mente e o seu coração são movidos. Você pode encontrar isso como em outra estrutura que Deus desenhou, "Tudo diz: Glória!" (Salmos 29:9).

Explore isso ao máximo que você conseguir, desfrute disso, admire e aprecie isso, tente compreendê-lo. E a partir disso tudo, aprecie Aquele que o criou também - a sua obra- prima. E então incline o seu coração e lhe dê toda a glória.

Glória Revelada

A glória de Deus tem sido revelada de formas diferentes, na verdade, é revelada em todos os seus trabalhos e caminhos. As próprias Sagradas Escrituras são um tesouro de glória. Quanto mais buscamos, com humildade e diligência, mais encontramos daquilo que move os nossos corações em adoração e louvor. E mais ainda iremos absorver dessa glória e refleti-la a outros (II Coríntios 3:18). Também vemos a glória de Deus brilhando na face de Jesus Cristo, nosso Salvador (II Coríntios 4:6). E o grande plano de redenção, elaborado no Calvário, é um plano glorioso, tanto que aqueles que se beneficiaram dele serão para louvor da glória de sua graça para sempre (Efésios 1:6).

Esta é uma "alegria indizível e cheia de glória" (I Pedro 1:8). Ela irá estremecer as nossas almas. Mas, por vezes, nós damos menos atenção do que deveríamos ao outro reino, no qual a glória de Deus é revelada, ao seu maravilhoso trabalho na Criação, que revela a sua imensurável sabedoria e onipotência.

Todo o universo físico e material, todas as criaturas grandes e pequenas, do maior mamífero ao menor inseto ou bactéria, dos enormes planetas no sistema solar aos pequeníssimos elétrons no átomo - todos eles vieram da mão de Deus, criados e sustentados pela Palavra do seu poder. Ignorar isso é deixar escapar algo importante. "As coisas que foram criadas" são um testemunho expressivo a Deus, revelando "o seu eterno poder, como também a sua própria divindade" (Romanos 1:20).

Teoria da Evolução

Dar ao Senhor nosso Deus a glória devida ao seu nome é uma das razões fundamentais para nossa existência. Todo cristão verdadeiro se deleita em fazê-lo em todo o tempo e por todos os motivos, e esta será a nossa abençoada ocupação por toda a eternidade. No entanto, um dos grandes objetivos de Satanás é roubar a Deus desta glória e de o fazer por quaisquer meios possíveis.

Um dos métodos mais bem-sucedidos pelos quais a grandeza e a glória de Deus têm sido negadas é pela propagação da teoria da evolução. Ela tem sido indoutrinada em cada nível da educação em todos os países desenvolvidos. Os meios de comunicação a promovem a cada volta. A imprensa científica deveria ser justa e neutra, mas algumas de suas seções continuam numa cruzada sem-fim contra o "criacionismo" por nenhuma outra razão além de que "não pode ser aceito"! A oposição contra a ideia da evolução não é permitida, ao contrário, é ridicularizada. Mas a razão da sua popularidade não é a verdade objetiva, e sim, a forte tendência de que Deus não é desejado.

Não é verdade dizer que a evolução desmentiu a existência de Deus, embora muitos afirmem isso. Foi uma mentalidade ateísta que levou à evolução, não a evolução que leva ao ateísmo leva ao ateísmo. A relutância em defrontar as implicações da responsabilidade para com Deus fez da evolução algo muito desejável. Ela oferece uma desculpa (que é apresentada como uma razão científica) para se afastar do óbvio e lógico – o universo e tudo nele que foi criado, mostrando claramente uma evidência de desígnio e propósito. Essa evidência é de fato a evidência da sabedoria e do poder do Deus Todo- Poderoso.

A evolução é uma teoria, uma proposta de explicação da origem de tudo o que é biológico e mais além. O livro de Charles Darwin, A Origem das Espécies, publicado em 1859, deu-lhe um enorme impulso. Desde então, a teoria tem passado por muitas mudanças e revisões, como acontece frequentemente em teorias na ciência, mas algumas dessas revisões são mutualmente contraditórias. A evolução certamente não é um fato, a despeito do que é muitas vezes afirmado.

Observações e fatos da ciência têm sido arranjados à volta da teoria da evolução, e muitos foram escolhidos a dedo para suportá-la. Mas essas observações e esses fatos podem ser explicados de uma forma muito melhor pela teoria (ou se você preferir, pela doutrina) da criação. O relato da criação sobre as origens não viola nenhum dos fatos ou leis estabelecidos da ciência. A teoria da evolução, no entanto, o faz e, sendo assim, não é boa ciência. Ela não pode ser uma teoria científica de valor, pois é contrariada por várias dessas leis como, por exemplo, a termodinâmica (energia), biogênese (vida), e ciência da informação, para mencionar algumas que iremos explorar posteriormente.

Criação

O título Criador é usado relativamente poucas vezes tanto no Antigo como no Novo Testamento. É interessante verificar essas vezes com a concordância. Mas a doutrina da criação permeia toda a Bíblia, desde literalmente o primeiro versículo até ao último livro. As passagens-chave para estudar no Novo Testamento são João 1: 1-5; Romanos 1:19-25; 8:18-25; Colossenses 1:14-19; Hebreus 1: 1-4, 10- 12 e II Pedro 3: 3-13. Os pontos principais são estes:

  • A fonte original e origem de tudo é Deus, sendo ele mesmo não criado e eterno.
  • O poder de Deus para criar foi manifesto na sua palavra falada.
  • Toda a vida vem de Deus, simples e complexa, animal e vegetal, física e espiritual, presente e eterna.
  • O Filho de Deus é aquele que tanto elaborou quanto criou tudo em todo o universo. Tudo foi criado por ele e para ele. Ele também sustenta e mantém tudo em todas as suas funções.
  • O presente estado do mundo material e das coisas vivas nele contidas tem sido modificado do seu estado original por causa do pecado dos nossos primeiros pais no Éden. Ele está de fato progressivamente deteriorando e perdendo algum do seu esplendor - num nível global está até mesmo sendo acelerado por causa da má gestão do ambiente pelo homem.
  • A criação material não é permanente. No tempo de Deus, ela irá ser completamente destruída, depois de ter servido ao seu propósito, quando ao dia da graça de Deus se seguir o dia do julgamento na sua forma final.
  • Irá existir eventualmente um novo céu e uma nova terra, onde a justiça irá habitar para sempre.

O Nosso Criador

Deus é o nosso forte Redentor, nosso bendito Salvador, o nosso amoroso Pai celestial. Ele é também o nosso fiel Criador. A ele confiamos a segurança da nossa alma (I Pedro 4:19).

Foi ele quem nos fez, e não nós a nós mesmos (Salmos 100:3). Tudo que somos, física e mentalmente, o nosso corpo terrível e maravilhosamente feito e a nossa espantosa, complexa e eficiente mente, contém o cunho da mão divina. É importante valorizá-los, usá-los de maneira própria e cuidar deles - realmente glorificar a ele em nosso corpo (I Coríntios 6:20). E, quando a idade avançada ou doença cobrarem o seu preço, podemos confiantemente entregá-los ao cuidado dele, que sabe que somos pó (Salmos 103:14), fracos e mortais, e, mesmo assim, criados pela sua perícia.

O poder de Deus no universo é imenso - imensurável. Vai além do nosso entendimento. Nada falha ou fica fora do lugar na sua disposição: "Levantai ao alto os olhos evede. Quem criou estas coisas?... nem uma só vem a faltar" (Isaías 40:26). Ele numera e dá nome às estrelas, mas ele também se lembra do número de cabelos na nossa cabeça e vê quando o pardal cai ao chão. Ele reina sobre todos e, no entanto, cuida de cada um de nós, infinito e eterno, mas perto e pessoal para aqueles que nele confiam.

O conselho de Salomão era lembrar o nosso Criador nos dias da nossa mocidade (Eclesiastes 12:1). Isto dá à vida uma fundação segura e, quando a juventude passar, mesmo muito depois, esta verdade continua sendo tão relevante quanto sempre foi. Ele nos fez. Ele nos salva. Ele nos guarda. Ele nunca nos deixará. Ele guarda até mesmo o pó do corpo dos crentes até ao dia da ressurreição.

Nesse livro, alguns aspectos da criação serão explorados e descritos de tal maneira que deem a Deus toda a glória devida ao seu Nome. Os crentes em Cristo podem também estar confiantes de que, independentemente do grande bombardeio que continua a vir do campo da evolução, a fundação do Senhor continua firme. A sua Palavra é completamente confiável, e a crença no relato literal das origens descrito na Bíblia é completamente sustentável.


CAPÍTULO 2

 

O Começo: "A Fundação do Mundo"

Uma afirmação única e majestosa compõe o primeiro versículo da nossa Bíblia. Em poucas palavras, está contida a resposta para uma questão fundamental, mesmo antes de ela ter existido. Ao longo do tempo, muitas pessoas se interrogaram: "De onde é que tudo veio?" "O que é que foi o começo de tudo?" Gênesis 1:1 conta-nos!

"No princípio, criou Deus..." Ele é a primeira causa e a origem de tudo. Aceitar essa afirmação pela fé (Hebreus 11:3) é a atitude mais sensata a se tomar. Isso vai ao encontro da experiência diária de que cada coisa foi feita por alguém, foi elaborada, teve um autor, uma causa, um criador. Isso, com certeza, inclui o maravilhoso, intrincado, belo mundo natural. Mas a teoria da evolução diz que não. Isso não é razoável nem lógico, e não é verdadeiramente científico também, apesar dos altos clamores de que assim o é. A ciência real é baseada na verdadeira observação e na medição, e nada foi alguma vez observado a acontecer sem uma causa, ou evoluindo a partir do caos, ou vindo do nada.

Cada pintura teve o seu pintor, cada estrutura teve o seu arquiteto e construtor, e cada livro o seu autor. Crédito e até mesmo glória são devidamente dados aos criadores de obras de mérito e beleza que as pessoas apreciam. Agora, nós acreditamos que "todas as coisas foram feitas por ele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez" (João 1:3). Da mais minúscula partícula subatômica à maior galáxia, da mais pequena flor e o seu grão de pólen até ao sistema de trabalho das abelhas na colmeia ou das formigas numa colônia, ou cervos em rebanhos, nós admiramos a sua beleza e a sua complexidade. Na nossa admiração estamos dando glória ao seu grande Criador. A teoria da evolução nega ao Criador a sua glória; até mesmo nega que ele existe. Por quê? Porque o ateísmo é o seu ponto de partida, não a sua conclusão. É o que muitas pessoas querem acreditar.

Mas no que é que acreditamos, particularmente sobre quando, como e por que tudo começou? Foi-nos claramente dito: "por causa da tua vontade [as coisas] vieram a existir e foram criadas" (Apocalipse 4:11). Em relação a quando e como, é importante dar o peso e significado adequado às declarações de Gênesis 1 e, ao mesmo tempo, não acrescentar àquele capítulo o que não está lá.

Nenhuma Data

Não nos foi dito quando foi "o princípio", quando a Terra foi criada, ou quando Adão foi feito. Nenhuma data foi dada no texto de Gênesis 1. Foram feitos alguns cálculos, mas todas essas contas contêm algumas hipóteses que provavelmente não são válidas.

Os evolucionistas argumentam que a Terra foi formada cerca de 4.5 bilhões de anos atrás. As suas contas são baseadas na medida da taxa dos processos de radioatividade em certas rochas. Esses cálculos contêm duas suposições principais:

  1. que a taxa não mudou ao longo de vastos períodos de tempo e sob condições extremamente variáveis;
  2. que nenhum dos elementos produzidos por esses processos radioativos sequer estavam nas rochas.

Ambas as suposições provavelmente não estão corretas por bons motivos científicos. Então, embora essa retórica seja frequentemente citada, não é um fato confiável. Existem outros métodos científicos para medir a idade da Terra, e eles dão números muito inferiores, alguns até mesmo menos de 10.000 anos [1]. Esses métodos são negligenciados, na verdade rejeitados, apenas porque não se encaixam nos requerimentos da teoria da evolução e da sua interpretação dos registros fósseis.

Em 1664, o arcebispo Usher calculou que Adão foi criado em 4004 a.C. Ele usou nos seus cálculos listas genealógicas do Velho Testamento, retraçando de volta para datas mais antigas. Esse método também contém suposições que poderão estar erradas, ou seja, de que não faltou nenhuma geração nas listas genealógicas na Bíblia, o que por vezes aconteceu. Na verdade, usando métodos similares, outras pessoas chegaram a datas que vão de 6984 a 3616 a.C.. Isso apenas significa que não podemos ter a certeza exata de quando Adão foi criado, ou de quando o mundo começou. A data 4004 a.C. realmente aparece nas margens ou nas notas de colunas de muitas Bíblias, mas lembre-se de que isso não existe no texto inspirado, e não deverá ser levado como um fato confirmado!

Sem Intervalos

A narrativa de Gênesis 1 é contínua. Introduzir intervalos é forçar uma ideia que não está no texto. A "Teoria do Intervalo" que insere "épocas geológicas" entre os versículos 1 e 2 já foi uma teoria popular, sendo de fato fraca, baseada no hipotético significado de duas palavras. Ela também cria mais problemas do que resolve e, na pior das hipóteses, deturpa a Deus e compromete a verdade. Outra vez, a sua presença nas margens e rodapés de certas edições da Bíblia influenciou muitos leitores.Mas isso também não está no texto inspirado!

A Teoria do Intervalo é uma tentativa bem-intencionada, mas falha, de lidar com os ataques feitos desde o século XIX pela "ciência" em relação à veracidade de Gênesis 1. Era alegado ser necessário milhões de anos de "tempo geológico" para que a Terra e as suas camadas fossem formadas, junto com os seus fósseis. Um cientista, Georges Cuvier, de Paris, inicialmente propôs que seguidas cheias catastróficas produziam fósseis e que eles tiveram lugar nas eras pré- históricas muito antes de Adão. No Reino Unido, essa ideia foi ativamente promovida pelo teologista Thomas Chalmers e depois seguida por vários reconhecidos professores da Bíblia. Eles argumentaram que a "criação original" descrita em Gênesis 1:1 foi dizimada em julgamento por Deus e que as "criaturas pré-Adão" foram fossilizadas, e eras depois Deus "refez" a Terra como descrito no resto de Gênesis 1. Muitos que estavam preocupados com a ameaça da ciência à Escritura pensaram que as coisas "se harmonizavam" ao colocar esse intervalo entre esses dois versículos.

Mas, na verdade, elas não se harmonizaram, e existem verdadeiros problemas com isso! O ensino claro da Escritura é:

  • Adão foi o primeiro homem, e assim não existiu antes dele nenhum tipo de terra;
  • foi o pecado de Adão que trouxe a morte ao mundo, por isso, se alguma "criatura pré-Adão" existiu, a sua morte para produzir restos fossilizados não é explicável.
  • Deus pronunciou que toda a sua criação era "muito boa" - o que não é uma descrição adequada se rochas contivessem a evidência de morte, destruição e julgamento.

A criação descrita em Gênesis 1 era perfeita, não uma reconstrução de algo que "aconteceu" sem forma e vazio.

Como iremos ver posteriormente, a melhor e mais consistente explicação dos fósseis, camadas e fenômenos geológicos provêm dos efeitos do grande dilúvio nos dias de Noé. Este é um evento bem documentado com profundas influências na humanidade e no seu ambiente, e não uma tênue teoria com causas ou efeitos imaginários aonde não existe a evidência da divina revelação.

Nenhum Defeito

Toda a obra de Deus é perfeita. Quando ele tudo criou, como registrado em Gênesis 1, ele fez tudo perfeito, na primeira vez. Não foi, como alguns ensinam, que Deus começou o processo e depois usou a evolução para avançar e completar a criação. Essa "evolução teísta" é outro sério comprometimento que insulta a Deus e a sua Palavra, pois a evolução é um processo extremamente desperdiçador e insensível, envolvendo muitas formas de vida que não sobreviveram. Deus nunca é desperdiçador e caloso com nenhuma das suas criaturas.

O homem precisa de muitas tentativas para alcançar um objetivo, precisa de experimentar e melhorar versões anteriores, mas Deus não. No começo Deus criou cada criatura sem defeito, macho e fêmea, prontos para reproduzir e assumir o seu lugar numa Terra benigna e intocada. A criação também era madura, pois parecia de certa idade; por exemplo, Adão poderia se parecer um homem de cerca de 30(?) anos, as árvores a produzirem fruto maduro poderiam conter 20(?) anéis de crescimento, quando tinham apenas sido criadas no dia anterior, estrelas distantes parecendo muito antigas (para dar tempo da sua luz viajar pelo espaço), foram criadas com os seus raios de luz já a chegarem à Terra.

Os defeitos e as deficiências tão prevalentes agora são resultado da Queda. Todos os dias encaramos a doença e a morte. Os reinos animal e vegetal contêm muitas evidências da decadência e da degeneração. Muitas espécies foram extintas, enquanto muitas subespécies mudaram e se desenvolveram em resposta a pressões e condições ambientais. O mundo atual é vastamente diferente daquilo que era quando Deus o criou. Ele degenerou para algo inferior e não evoluiu para algo melhor.

Então para concluirmos, quando foi o começo? Três fatos a observar:

  • O próprio Deus não tem um começo (João 1:1). Ele é de eternidade a eternidade. Nós que estamos presos ao tempo temos dificuldades em compreender isso, mas esta é a verdade. O seu nome é Jeová - O Sempiterno..
  • O começo de Gênesis 1:1 pode ser classificado como "a fundação do mundo". A sua data é desconhecida, e isso não tem nenhuma relevância. Apenas se deleite de que fomos escolhidos em Cristo antes disso.
  • A vida de Adão começou diferentemente da nossa, para uma idade adulta desenvolvida, assim como a vida de Eva, pouco depois. Quanto tempo atrás isso foi não pode ser determinado com precisão, mas vai ao encontro da revelação Bíblica e aos fatos estabelecidos assumir-se que foi menos de 10.000 anos atrás.

1. Mais detalhes em "E disse Deus"  F Abou-Rahme, Cap. 9 


CAPÍTULO 3

O Fim: "Todas essas Coisas Dissolvidas"

Os discípulos perguntaram ao Senhor Jesus um dia: "Quando sucederão estas coisas e que sinal haverá... da consumação do século?" (Mateus 24:3). Tais questões sobre o fim são frequentes, assim como as questões sobre o início de tudo, como vimos no capítulo anterior.

Muito foi tentado para encontrar respostas, e até mesmo datas para o fim, algumas baseadas em cálculos criativos, que apenas os seus expoentes podem seguir, outras por tentativas de extrair da história o cumprimento de profecias específicas da Escritura, outras até mesmo vindas de superstição! Mas as palavras do nosso Senhor são o oposto: "Não vos compete conhecer tempos ou épocas... mas sereis minhas testemunhas" (Atos 1:7-8). Curiosidade sobre os tempos futuros não nos pode afastar na nossa responsabilidade atual. Não é que Deus não nos tenha dito sobre o futuro. Muito nos foi dito, particularmente, que o Senhor em breve virá. Mas quando, não sabemos! O que sabemos, no entanto, é que o Arrebatamento irá iniciar eventos a acontecerem na terra e no céu, como revelado pelas Escrituras, antes de o fim chegar.

Esta Terra é a plataforma (ou o palco) no qual o grande drama da redenção tem sido elaborado. Os efeitos desse maravilhoso trabalho serão para sempre, mas a Terra na qual ele aconteceu não vai durar para sempre. Nós agora vamos olhar para o que vai acontecer à presente criação, e como ela vai acabar.

II Pedro 3 declara que existem três diferentes "céus e terra":

  1. "de longo tempo, houve céus bem como terra" (v.5), o "mundo daquele tempo" (v.6) Ele foi coberto pelas águas do grande dilúvio de Gênesis 7.
  2. "os céus que agora existem e a terra" (v.7). Estes estão reservados para o fogo no dia do julgamento que está por vir.
  3. "novos céus e nova terra, nos quais habita justiça" (v.13), o que João também viu na sua grande visão (Apocalipse 21:1); quando as coisas antigas tiverem passado e houver um estado eterno de bem- aventurança.

"Os céus e a terra" nesse contexto é todo o ambiente feito para o homem. Para mostrar como os "céus e terra" de hoje irão terminar, são usadas três frases instrutivas no Novo Testamento:

  • tudo será "entregue"
  • eles serão "mudados"
  • eles serão "queimados"

Entregue

I Coríntios 15:24 diz-nos que "virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder". O que é descrito aqui é a completa e final vitória do nosso Senhor Jesus sobre todos os inimigos que invadiram esse mundo, incluindo o "último" deles, a morte (v. 26). Esta terra, desde a queda do homem no Éden, tem sido o cenário de muita rebelião contra Deus, da constante luta do mal contra o bem, de guerras e de conflitos, de séculos de tristeza e de sofrimento para a humanidade. Mas, também, nessa terra, apareceu o Filho de Deus para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo e para salvar do poder de Satanás todo aquele que crer nele (Hebreus 9:26). Aquela obra no Calvário é a garantia da mais completa liberdade e de triunfo eterno para os redimidos.

Então, antes de o presente céu e terra chegarem ao fim do seu tempo e propósito destinados, terá de haver uma deposição final de todos os inimigos e a subjugação de toda a força rebelde. Cristo o fará através da grande batalha do Armagedom, na terra de Israel, e, depois, cerca de mil anos mais tarde, da última batalha de todas, que será concluída com o diabo sendo lançado no lago de fogo (Apocalipse 20:10). Todos os seus inimigos serão postos debaixo dos seus pés. Ele "julga e peleja com justiça" (Apocalipse 19:11). O nosso bendito Senhor irá entregar ao Deus Pai um trabalho de graça completo e perfeito e o governo desta terra onde o trabalho começou.

Mudados

Entre as glórias superiores do Filho de Deus descritas em Hebreus 1 está a sua potência criadora, vs 10-12. No começo, ele lançou os fundamentos da terra. Maravilhamo-nos outra vez com a obra das suas mãos. Do nosso ponto de vista, essa obra parece tão permanente. Até a Escritura fala de "montes eternos" (Gênesis 49:26). Mas eles não são permanentes. "Eles perecerão, envelhecerão como uma veste, como roupa os mudarás, e serão mudados." (Salmos 102:26)

Esta imagem é de uma veste que já serviu ao seu propósito, mas já mostra sinais de desgaste do uso. É isto que vemos ao nosso redor, por exemplo, a diminuição dos recursos de matéria-prima que vão sendo usados, conforme o mar e a terra são pilhados e exauridos das fontes de alimento, e os recursos de energia diminuem. Este planeta tem sustentado o homem e inúmeras formas de vida por vários milênios, mas essa tarefa é cada vez mais difícil. A "veste" está ficando fina e esticada ao ponto de quase rasgar.

O que acontecerá depois? O nosso Senhor Jesus a enrolará - sem permitir que ela se torne em farrapos. Assim como um velho casaco usado, a Terra será enrolada e substituída por outra nova. Ele está no controle, assim, quando o tempo certo chegar, ele irá mudar o ambiente atual completamente e introduzir um novo e melhor, que nunca irá envelhecer. Mas Deus não irá mudar. Ele continua sendo a pessoa que ele sempre foi. Ele irá ultrapassar o trabalho das suas mãos. "Tu, porém, és o mesmo, e os teus anos jamais terão fim" - "ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre" (Hebreus 1:12; 13:8).

Queimados

As palavras de II Pedro 3 mostram uma imagem diferente. O contexto é sobre Deus guardando as suas promessas, embora os descrentes pensem que não. Eles pensam que as coisas apenas continuam e continuam, como sempre. O capítulo aponta como Deus interrompe a história, numa maneira drástica, primeiro com o dilúvio e depois com um grande fogo. A sua escala de tempo é diferente das dos homens, no entanto. Ele é longânimo e ele nunca dispensa julgamento sem primeiro enviar misericórdia e oportunidade de salvação.

O mundo atual, foi-nos dito, está reservado para o fogo. "A terra e as obras que nela existem serão atingidas (queimadas)". As palavras gráficas dos versículos 10-12  apresentam uma cena de destruição total, até mesmo aniquilação - "Os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão".

Palavras como essas têm sido usadas para descrever eventos catastróficos que este mundo já testemunhou e que podem oferecer uma pista ao cumprimento de II Pedro 3. A terrível força destrutiva de uma explosão nuclear é bem conhecida. Nelas, pequenos pedaços de matéria são convertidos em energia quase instantaneamente, com efeitos devastadores extremos. Fissão nuclear (como na bomba atômica ou num reator para produção de eletricidade) e fissão nuclear (como na bomba de hidrogênio) são processos que libertam verdadeiramente imensas quantidades de energia. Isso é uma consequência da maneira como Deus desenhou o átomo.

Átomos são compostos de um núcleo contendo prótons e nêutrons com campos de energia que os mantêm no lugar, e elétrons que se movem muito rapidamente ao redor do núcleo nos seus campos de energia. Mas, de longe, a maior parte de todo o átomo é o espaço vazio entre o núcleo e os elétrons que se movem. Então, quando um átomo colapsa, essas vastas quantidades de energia são libertadas, e, onde antes havia matéria sólida, passa a ser um espaço vazio, nada. A equação de Einstein mostra quanta energia pode ser obtida da massa, e massa (aquilo de que o Universo é feito) pode ser considerada como uma forma de energia ou poder.

Agora, isto vai ao encontro do fato de que todas as coisas foram criadas e sustentadas "pela palavra do seu poder". Esse poder está lá para os seus desígnios de providência, ou governo. No tempo apropriado, esse poder será lançado na desintegração da Terra e de tudo o que nela há. O mesmo poder eterno irá então reconstruir um outro mundo, completamente novo e melhor.

É solene entender que tudo ao redor de nós, feito de átomos, já contêm dentro de si a maneira da sua própria destruição. O mundo de Gênesis 6 também era assim - as águas do dilúvio tinham sido armazenadas num enorme dossel de vapor sobre a terra e fontes subterrâneas, prontas e esperando que Deus as usasse para inundar a terra em julgamento. Outro exemplo disso pode ser a existência do maior vale em fenda da Terra, desde o norte da África até ao vale do Jordão, onde nos foi dito que mudanças geológicas profundas irão um dia acontecer, para partir o monte das Oliveiras em dois e trazer as águas do mar à Jerusalém (Zacarias 14:4-8). Deus, conhecedor do fim desde o princípio, tem tudo preparado para o seu propósito, muito antes de isso ser requerido.

Entregue, mudado ou queimado - esse mundo irá um dia chegar ao final do tempo para o qual foi destinado. Mas Cristo e o seu reino são eternos, e o seu povo irá partilhar da sua glória "por todas as gerações, para todo o sempre. Amém" (Efésios 3:21).


CAPÍTULO 4

Uma "Criação a Gemer"

Até aqui temos considerado como, no princípio, Deus lançou "os fundamentos da terra" (Salmos 104:5), e, na sua sabedoria, fez tudo o que ela contém (v 24). Nós também vimos nas Escrituras que, num dia futuro, ele irá trazer o fim de tudo, realmente o desaparecimento de tudo, depois de ter servido a sua finalidade.

Mas o que está acontecendo agora no reino criado em que vivemos e do qual formamos uma parte? Será que está simplesmente procedendo o seu próprio momento, como um antigo vagão de trem sendo desviado lentamente até parar, ou um trenó acelerando por uma encosta de neve abaixo, até a sua colisão? Ou será que estamos rodopiando pelo espaço num planeta seguro por forças invisíveis que nunca irão mudar? Não, nenhuma dessas imagens está correta!

Na verdade, dois fatos estão acontecendo ao mesmo tempo, de acordo com as Escrituras. Um é que o Senhor Jesus Cristo está "sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder" (Hebreus 1:3). Aquele que criou todas as coisas está no seu comando, fazendo-as continuar de acordo com a sua sabedoria e o seu poder. Não irá acontecer uma colisão cósmica ou uma colapse não planejada do nosso mundo. No seu grande amor, ele se importa com a humanidade, então, antes que este mundo pereça e desapareça, a sua graça planejou e providenciou um futuro num mundo muito melhor para aqueles que confiam nele.

O outro fato que está acontecendo é que o universo está naturalmente declinando e em contínua deterioração. Nós podemos ver isso em todo o nosso redor no planeta Terra, a parte do universo que nós conhecemos melhor. A entrada do pecado "por um só homem" (Romanos 5:12), alterou tudo. O solo foi amaldiçoado e "toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora", diz Romanos 8:22. Isto é vastamente diferente do Éden.

Nós iremos olhar para esse declínio e essa degeneração primeiro, depois, no próximo capítulo, iremos ver como tudo é mantido por uma mão que nunca perde o controle.

Consumido

O universo tem sido comparado a um enorme relógio ao qual foi dado corda no princípio e que está lentamente tique-taqueando, com cada vez menos força restante. Essa imagem tem algo de verdadeiro, sendo por vezes usada na ciência popular, mas sem reconhecer a mão divina que "fez o relógio", "deu a corda" e que pode avançar ou retroceder as horas dele!

Nós, por vezes, ouvimos que as estrelas estão "se consumindo". Para nós o melhor exemplo é o Sol, do qual a vida física na Terra está dependente. O Sol é uma estrela gigantesca que está sendo lentamente consumida, enquanto a sua massa material é tornada em luz e calor e outras formas de radiação pelo processo de fusão nuclear. Os átomos de hidrogênio estão sendo convertidos em átomos de hélio, o que libera imensas quantidades de energia. Ao ritmo com que isso está acontecendo, tem sido calculado quantos mais milhões de anos existirão até que o Sol "se consuma". A mudança na radiação do Sol não é perceptível durante séculos, mas se ele alguma vez parasse de brilhar, mesmo que por apenas alguns dias, a vida no planeta Terra iria rapidamente se extinguir. O nosso Deus "faz nascer o seu sol sobre maus e bons" (Mateus 5:45). Mas é um fato que a sua energia tem sido gasta, e a quantidade restante tem diminuído.

O desgaste irreversível pode também ser visto na Terra. Montanhas e colinas estão lentamente sendo erodidas pelas forças do vento e da chuva, da geada e da neve, do frio e do calor. Rios estão ficando assoreados por causa de dejetos trazidos das terras circundantes. Os mares estão se tornando mais salgados. A atmosfera também está mudando, pois gases leves escapam pela estratosfera, e outros são adicionados. Em todo o lugar reações químicas estão acontecendo para produzir materiais que são cada vez menos úteis e com menos energia do que os seus materiais iniciais. Tudo isso acumula numa imagem de "mudança e decadência" na Terra, mesmo antes de tomar em conta o que está acontecendo nos sistemas vivos da Terra, e os efeitos que o homem teve sobre o planeta.

"O Cativeiro da Corrupção"

Quando olhamos nos reinos vegetal e animal, os efeitos são igualmente evidentes. O resultado da maldição, dos "cardos e abrolhos", tem apenas piorado com os anos. Culturas alimentícias têm cada vez mais de competir com ervas daninhas, antigas e novas. Agricultura e jardinagem estão numa constante batalha contra o crescimento de espécies indesejáveis.  Embora seja verdade que ervas daninhas são apenas "plantas crescendo no lugar errado", os lugares onde elas parecem crescer mais é no espaço destinado às culturas alimentares. Adicional ao problema das ervas daninhas, há a incidência de doenças, parasitas, fungos e insetos desfolhantes (por exemplo, besouros e gafanhotos). Produtos químicos têm sido aplicados com algum sucesso para controlar ervas daninhas, doenças e pestes, mas os efeitos secundários são uma preocupação.Para "o deserto desabrochar como uma rosa", é preciso a remoção da maldição, não esquemas de irrigação gigantescos ou a aplicação de química! A criação que geme pode ser vista ao redor de todo o campo.

Em todos os continentes também pode ser vista a natureza "vermelha-no-dente-e-na-garra". Predadores de todos os tamanhos devoram presas de todo o tipo, entre os animais da Terra, os pássaros do ar, os peixes do mar, e os insetos em todo o lado. A morte de uma espécie permite a sobrevivência de outra. Este é o estilo do mundo atual. Os efeitos da maldição podem ser ouvidos no uivar do lobo, no rugido do leão, no pio da coruja, no silvo da cobra, no bater de asas do mosquito, e nos gemidos de suas presas. No futuro, quando Cristo reinar, isso vai ser diferente: "Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte" (Isaías 65:25), mas, por agora, "o pecado reinou pela morte" (Romanos 5:21).

Quanto a nós, quando o vigor da nossa juventude declina, e as limitações da velhice aumentam, o gemido é por vezes literal e audível. Acidentes ou percalços podem precipitar esses gemidos em qualquer estágio da vida. Aparecem dores e sofrimentos, acontecem doenças e enfermidades: "gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo" (Romanos 8:23). Essa redenção é um prospecto maravilhoso, mas, nesse ínterim, somos gratos pelos analgésicos e por uma série de medicamentos. Estes corpos de humilhação (Filipenses 3:21) fazem parte do legado da Queda, e não estão imunes aos seus efeitos. Mas isso será diferente quando Cristo voltar - teremos um corpo como o dele, completa e finalmente separado de todos os efeitos do pecado. Então, na gloriosa liberdade dos filhos de Deus, nós, e também toda a criação, seremos libertos do cativeiro da corrupção (Romanos 8:21). Sairemos com alegria e em paz seremos guiados; os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de nós, e todas as árvores do campo baterão palmas (Isaías 55:12).

A Mordomia da Humanidade

O desgaste natural da Terra e dos seus sistemas tem sido grandemente acelerado pela atividade humana, aumentando conforme os séculos passam. Deus deu ao homem a responsabilidade de cuidar e usar a Terra e os seus recursos, tanto por meio de Adão como de Noé, mas, infelizmente, essa mordomia tem sido falha. O egoísmo levou ao descuido, à negligência, e à exploração da Terra e de seus recursos. O uso sustentável a longo termo tem sido sacrificado em detrimento de lucros a curto prazo.

Então hoje temos deflorestação intensiva, campos contaminados, unidades populacionais de peixes depauperadas, buracos na camada de ozônio, poluição atmosférica e a ameaça da mudança climática. Temos problemas de fome e doenças, desperdício e destruição devidos à ineficiência, e mais devidos a guerras e a conflitos. Temos estradas congestionadas e cidades sobre populadas, fornecimentos de combustível a serem rapidamente depletos, assim como outros recursos naturais e a correspondente dificuldade em lidar com depósitos de lixo, poluição, e muitos outros problemas que governantes e cientistas tentam resolver. Muito comumente, no entanto, desenvolvimentos na ciência e tecnologia têm sido usados para danos e guerra em vez do benefício e da paz, para enriquecer o rico em vez de ajudar aos pobres.

Nós somos parte de uma criação que geme e que aguarda. Pessoas ainda sofrem. Injustiça ainda persegue o mundo. Mas Deus está no controle. Os seus propósitos serão realizados para a bênção de todo aquele que estiver disposto a confiar nele. Entretanto, "deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do Dia de Deus" (II Pedro 3:11-12), aquele dia quando todo gemido cessar, quando não existir mais nenhuma maldição sobre a bela criação de Deus. 


CAPÍTULO 5

"Sustentados pela Palavra do seu Poder"

Ao nosso redor, para onde quer que olhemos, podemos ver padrões regulares e sistemas que estão sob controle. O homem no seu pecado e na sua obstinação muitas vezes fica fora do controle, mas não o mundo natural, pois este está submetido às leis do Senhor. A noite segue ao dia, o verão vem depois da primavera, a Lua segue as suas fases, os planetas próximos e as constelações mais distantes no céu noturno seguem padrões que são reconhecíveis ano após ano. As horas do nascer e do pôr do sol são tão regulares que podem ser calculadas com anos de antecedência, assim como o subir e descer das marés, acuradas em razão de segundos. Isto tem como base a constância da órbita anual da Terra ao redor do Sol, a sua rotação diária no seu próprio eixo e, em relação às marés, ao ciclo lunar mensal - tudo isso estabelecido pelo seu Criador.

É também assim com o mundo vivo. Olhe para os pássaros. Nos países do Norte, as andorinhas e outras aves migrantes de verão chegam na hora certa, vindas de milhares de quilômetros de distância, fazem os seus ninhos no mesmo lugar que no ano anterior, ficam por alguns meses para cuidar dos filhotes e depois partem outra vez no fim do outono. Nos jardins e nos campos, brotos verdejantes rompem pela terra despida e belos botões aparecem no tempo esperado, antes de produzirem o seu fruto e morrerem. Nos grandes rios, salmões dos oceanos nadam contra a corrente e saltam por cima de grandes cachoeiras, para porem os seus ovos no mesmo leito de rio onde começaram a sua vida anos antes. Nos nossos corpos, os ciclos de circulação do sangue, respiração e digestão dos alimentos são tão regulares e triviais que nem sequer paramos para pensar sobre eles (até algum deles der problema!) enquanto funções especiais, como ter filhos, são tão programadas que a data de nascimento pode ser preparada com extrema antecedência.

Isto tudo é muito maravilhoso.

Leis Naturais

Aqueles que estudaram qualquer dessas matérias irão dizer que seguem leis muito conhecidas que têm sido descobertas ao longo de muitos anos de observação e medições. É óbvio que tudo não se encontra num estado de caos. Obedece-se a certos princípios, os quais os cientistas chamaram de leis naturais. Para o cristão, a existência dessas leis naturais não é surpresa alguma. Elas originaram da sabedoria do Deus Todo-Poderoso que tem por marca a organização e a beleza em tudo o que ele faz e que faz tudo de acordo com a sua própria vontade. Toda a criação de Deus está sustentada pela palavra do seu poder (Hebreus 1:3). A sua palavra não é simplesmente uma lei a que se-obedece. Ele pessoalmente tem tudo no seu controle. O universo não é governado pela ciência, é governado por Deus.

A ciência oferece descrições e explicações para esses processos naturais. Por vezes essas explicações e as suas leis são dadas em termos de matemática complexa e elegante. Até tem sido alegado que o universo é pura matemática. Sir James Jeans (1877-1946), um renomado matemático e cientista inglês, escreveu o seguinte:

"O universo parece ter sido desenhado por um puro matemático...  Se  o  universo  é  um  universo  de  pensamento, então a sua criação deve ter sido um ato de pensamento. A teoria científica moderna leva-nos a pensar no criador como trabalhando fora do tempo e espaço, que são parte da sua criação, assim como um artista [pinta] fora da sua tela".

Jeans está entre muitos grandes pensadores que foram levados a reconhecer o Criador pela observação do belo desenho e da ordem precisa do universo. A sua linguagem pode não ser aquilo que usaríamos para descrever Deus, mas as suas palavras exemplificam a verdade de Romanos 1:19-20, e o inspirado autor diz que a criação deixa o homem sem desculpas.

Deus o criador e sustentador de tudo. Ele é superior a qualquer lei, Ele próprio cria as leis. E todas essas leis, como as morais e espirituais, são para o benefício de todos. Um mundo que não obedecesse a nenhuma lei seria um lugar perigoso, tal como uma sociedade sem leis.

As Leis Fundamentais

Quatro leis fundamentais governam o mundo natural. É de salientar que os seus descobridores reconheceram que estavam estudando os maravilhosos trabalhos de Deus.

  1. A lei da gravitação. A melhor aplicação conhecida dessa lei universal é a lei da gravidade que controla todos os movimentos na Terra. Sir Isaac Newton (1642-1727), quando descobriu a lei da gravidade, viu "o conselho e domínio de um Ser inteligente... que é Senhor de tudo". As leis do movimento planetário relacionadas explicam e descrevem como e por que a Terra e os outros planetas movemà volta do Sol em órbitas elípticas. Quando Johannes Kepler (1571-1630) as descobriu, ele orou "Oh Deus, eu o agradeço que me tenhas permitido pensar os teus pensamentos depois de ti!"

  2. As leis da eletrostática. Cargas opostas atraem-se, e cargas iguais repelem-se, com uma força que rapidamente diminui quanto mais distantes as partes estão. Essas leis, junto com leis relacionadas do eletromagnetismo, governam cada aparelho elétrico que você possa pensar, natural ou feito pelo homem. Michael Faraday (1791-1867), um dos grandes pioneiros no seu campo, foi um pregador do evangelho e honrou a Deus no seu trabalho.

  3. As leis da termodinâmica. Essas leis foram deduzidas no século XIX a partir de estudos sobre calor (termo-) e movimento ou trabalho (dinâmica). Elas governam todos os processos, mudanças e reações, sejam químicas ou físicas, naturais ou tecnológicas. A primeira dessas leis é a conservação da energia - a energia não pode ser criada ou destruída. Então esse imenso poder ou energia no universo foi obrigatoriamente providenciado fora de si mesmo - como a Bíblia diz que foi. A segunda lei governa a produção de trabalho útil e mostra que, quando trabalho é produzido, alguma energia tem que ser desperdiçada (por exemplo, para refrigerar um mecanismo). Essas leis foram formalizadas pelo Lord Kelvin (William Thomson, 1824-1907). Ele disse: "A ciência positivamente afirma o poder criativo".

  4. As leis da vida. A mais básica dessas é a lei da biogênese, formulada por Louis Pasteur (1822- 1895). Ela declara que vida pode apenas vir de uma vida prévia. A vida nunca vem de matéria morta - no entanto, um dos argumentos-chave da evolução é de que isso aconteceu! Essa lei diz que isso não aconteceria! Apenas Deus pode dar início à vida. O trabalho de Pasteur levou à cirurgia antisséptica, pasteurização, imunização e vacinação, que salvaram inúmeras vidas. Ele disse, "Quanto mais estudo a natureza, mas fico admirado com o trabalho do Criador".

Lei e Ordem

Em todo o campo da ciência e da tecnologia, em cada aplicação, desde a microbiologia até a astronomia, da oceanografia à vulcanologia, da ciência da computação à agronomia, e dezenas mais, são a lei e a ordem que prevalecem. Se não fosse assim, as matérias seriam impossíveis de estudar, e os seus benefícios indisponíveis.

Esta lei e esta ordem são um presente de Deus à sua criação, como também é o intelecto do homem que pode descobrir e aplicar essas leis. Infelizmente, muitas dessas descobertas e aplicações foram abusadas e não empregadas para o benefício humano. Pense nos explosivos - para escavar túneis, extrair minerais, ou fazer bombas e minas terrestres. Pense nos usos e abusos da impressão, da Internet e aí por diante. O conhecimento extra e habilidades agora disponíveis realçaram o dilema humano básico - como decidir entre o bem e o mal, que destino dar aos recursos, como fazer a escolha correta. A ciência não consegue oferecer orientação para isso.

Mas, para todo aquele disposto a procurar, a orientação está disponível. É encontrada na lei moral e espiritual de Deus: "A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma" (Salmos 19:7). "Firma os meus passos na tua palavra, e não me domine iniquidade alguma." (Salmos 119:133)

Essas quatro leis fundamentais da natureza descritas acima englobam muitas outras leis ou muitos outros princípios que são usados em campos especializados da ciência e da tecnologia, para "decifrar" os detalhes e as aplicações. Algo similar é visto na lei espiritual de Deus. O Senhor Jesus disse que a mensagem da lei e dos profetas estava contida em dois mandamentos fundamentais: amar ao Senhor com todo o coração, alma e mente; e amar ao seu próximo como a si mesmo (Mateus 22:36-40). "O cumprimento da lei é o amor", é como Romanos 13:10 declara. Muitos mandamentos da Sagrada Escritura "decifram" os detalhes e dão exemplos particulares para aplicar no dia a dia, mas a lei fundamental é a lei do amor. Esse é o primeiro e o maior mandamento.

Esta "perfeita lei do Senhor" (Salmos 19:7), revelada na sua Palavra, mostra-nos como glorificá-lo e ser útil ao próximo. Essas leis naturais, as quais consideramos, "a palavra do seu poder" (Hebreus 1:3), também fazem isso. Elas existem para o bem de todos, embora talvez passem despercebidas por muitos. Elas também apontam, sem nenhuma confusão possível, para Deus o seu autor, contando a glória da sua sabedoria.


CAPÍTULO 6

Ordem e Caos

Em Gênesis 1, lemos sobre como Deus, na sua sabedoria e no seu poder, trouxe ordem e beleza a partir do caos sem forma. Vazio e escuridão foram, passo após passo, substituídos por aquilo que Deus repetidamente chamou "bom" e depois "muito bom". As coisas foram, então, separadas umas das outras, um mundo ordenado, estruturado e belo foi criado, pronto para o homem viver.

Em Gênesis 3, no entanto, tudo está mudado - pecado e caos se espalharam, assim como continuam a se espalhar, até aos dias de hoje. Mesmo assim, uma todo-poderosa e graciosa mão governadora controla tudo. O propósito de Deus é encabeçar todas as coisas em Cristo e glorificar o seu nome para sempre. Mas o propósito de Satanás é promover o caos, a desordem e a desobediência a Deus. O aumento da desordem e a deterioração, tanto na sociedade e no reino da criação, mostram que tudo na era atual não está da maneira como Deus designou para ser.

Nós temos notado recentemente quanto esta Terra tem se mudado. A história da criação está se movendo pelos capítulos negros do "cativeiro e da corrupção". Eles incluem aquilo que a humanidade chama de desastres naturais ou, até mesmo, "atos de Deus", e o homem diz: "Por que Deus permite isso acontecer?" Deus é culpado quando as coisas vão mal de acordo com o ponto de vista das pessoas, mas elas nunca reconhecem a sua providência e provisão a cada dia, raramente agradecendo-lhe pela sua graça e bondade. Não há como negar que os presentes capítulos do mundo são realmente negros e muito difíceis para muitos, mas os últimos serão tão brilhantes e belos como o primeiro, ainda mais belos, quando

"Cada  traço  da  triste  história  do  pecado,  toda  a maldição tiver passado". (H Bonar)

Os efeitos da redenção irão espalhar-se além da igreja e da nação de Israel para incluir toda a criação. Ordem e beleza ainda irão prevalecer.

Entropia

A mudança e a decadência à nossa volta podem ser examinadas usando um importante princípio científico chamado entropia. Todos os processos naturais são governados por mudanças em energia e entropia, e nós iremos ver alguns exemplos a seguir. Podemos ser mais familiarizados com o conceito de energia. Mas entropia é importante, significando basicamente caos ou desordem. Ela vem da segunda lei da termodinâmica, que já vimos antes. Poderemos ver que, de fato, ela nega as propostas principais da evolução.

Em processos naturais, energia é usualmente gasta, como quando um fogo queima para gerar calor, ou quando água escorre por uma turbina abaixo para produzir eletricidade. As cinzas e os subprodutos de combustão, ou a água num nível inferior, contêm muito menos energia do que tinha no começo. Em tais processos, também existe mais desordem no final do que no começo; por exemplo, os subprodutos da combustão possuem mais entropia (mais desordem) do que o combustível e o oxigênio. Num exemplo diferente, depois de o sal ser dissolvido na água, existe mais entropia do que antes. As partículas estão mais "misturadas" na solução, sendo essa a razão pela qual o sal se dissolve.

Mesmo na vida diária, algumas coisas "simplesmente acontecem" por causa de um aumento na entropia. O seu quarto, a sua escrivaninha, os seus arquivos ficam desarrumados, desorganizados tão facilmente - sem nenhum esforço da sua parte! Ou, mais dramaticamente, um copo de água (ou pior ainda, de leite) cai da mesa e os líquidos, mais os fragmentos de vidro, "simplesmente acontecem" de ir parar em todo lado! (Lembrar 2 Samuel 14:14.) Existe um estado de caos, desordem e até mesmo quebrantamento que "simplesmente aconteceu".

O princípio geral é, se a entropia aumenta, processos vão acontecer naturalmente, eles irão "simplesmente acontecer", tendo as condições apropriadas. Mas eles não vão "simplesmente acontecer" na direção contrária. Limpar uma bagunça e organizar coisas não "acontece simplesmente", não interessa quanto tempo você esperar! E a água também não flui para cima, subprodutos de combustão não viram combustível outra vez, e o sal não se separa da água por conta própria. Esses processos reversos podem ser feitos acontecer, por exemplo, a água pode ser bombeada para um nível superior, pode-se fazer uma arrumação, mas todos eles exigem uma aplicação designada de energia.

A partir do princípio da entropia, podemos concluir (pela experiência e toda a ciência conhecida a confirmar), que as coisas que simplesmente acontecem por vontade própria são aquelas que eventual e inevitavelmente irão gerar mais desordem e maior entropia. É o aumento na entropia que move tais processos.

Duas Implicações

Existem, pelo menos, duas implicações nisso. A primeira é que, quanto mais tempo os processos naturais no universo vão acontecendo, mais a desordem (entropia) aumenta. Assim como o tempo não pode ser voltado para trás, a entropia do universo não diminui. Por causa disso, a entropia tem sido chamada "a seta do tempo". Nós observamos uma criação gemendo, obedecendo à segunda lei da termodinâmica, movendo na direção do aumento da entropia, junto com a diminuição da energia disponível. A entropia total, o caos, é atualmente maior do que alguma vez foi.

A outra implicação da inevitável entropia em todos os processos naturais ameaça o princípio fundamental da evolução, que diz que sistemas e criaturas mais complexas "simplesmente aconteceram" de se desenvolver a partir de outros mais simples, ao longo de um grande período de tempo. Mas é contrário à segunda lei da termodinâmica (e também de toda a nossa experiência) dizer que sistemas mais simples e desorganizados conseguem se tornar por conta própria mais complexos e organizados. Ordem e organização não "acontecem simplesmente" vindo do caos, não importa quanto tempo passar. Como já vimos, alguma inteligência externa e uma aplicação designada de energia ou poder são requeridas para fazer isso acontecer.

Veja um exemplo específico. Em todas as células vivas, existem muitas substâncias complexas (proteínas, lipídios, ácidos nucléicos, etc.) num fluido à base de água. A vida é sustentada nessas moléculas muito complexas, interagindo com outras igualmente complexas, combinando e coordenando processos. Agora, de acordo com a evolução, essas moléculas organizadas "simplesmente aconteceram" de se formar a partir de outras menores e mais simples. Também por coincidência, as outras moléculas correspondentes "simplesmente aconteceram" de serem sintetizadas a partir de outras menores naquele tempo - assim o DNA seria formado e a vida começaria! Certamente, indo ainda mais atrás, essas próprias moléculas menores "simplesmente aconteceram" de se formarem dos seus componentes de átomos, e esses átomos das suas partículas componentes, e assim por diante de volta ao nada! Tais processos são opostos pelas restrições da entropia termodinâmica, e o senso comum havia de concordar (na verdade, dizer a mesma coisa numa linguagem diferente!). Síntese e cooperação coincidente e cumulativa não "acontecem simplesmente", a não ser que "alguém" organize isso!

É claro que é verdade que biomoléculas estão sendo constantemente feitas em células vivas, como os evolucionistas apontam. Mas repare que essa biossíntese acontece apenas dentro de células previamente vivas. Antes de a vida estar presente, ela não pode ser sustentada. Um sistema inteligente (por exemplo, uma enzima) já está no lugar, "Alguém" organizou isso, para utilizar energia e dirigir a reação para a direção difícil da baixa entropia (como no caso da bomba de água referida acima).

Sem isso, o que acontece por vontade própria é a degradação das moléculas complexas para outras mais simples, assim como realmente observamos na natureza num longo período de tempo. Tecido animal ou vegetal, velho e morto, deixado sozinho, apodrece, um processo natural que "simplesmente acontece", movendo na direção da entropia mais alta, a direção oposta ao que a evolução requer!

Revertendo as Mudanças

Por vezes você pode passar por um edifício velho e em ruínas. A destruição do tempo tornou numa pilha de destroços aquilo que uma vez foi uma bela estrutura, desenhada e feita por alguém muito tempo atrás. Deixado ao abandono, qualquer estrutura feita pelo homem move na direção do aumento da entropia. As estruturas naturais também o fazem, como temos descrito.

Mas aquele processo pode ser revertido. Se alguém com um plano de desenho (inteligência) e com recursos (energia) trabalhar naquela pilha de destroços, uma bela estrutura pode voltar a aparecer. Mas ela não vai aparecer por conta própria! Quanto mais tempo ficar abandonada, pior fica, e mais deteriora. Foi-nos dito que a evolução requer centenas de milhões de anos para trazer ao mundo milhões de formas de vida variadas e, antes disso, mais centenas de milhões de anos para criar um ambiente para a vida começar. Mas, de acordo com a segunda lei da termodinâmica, esses vastos períodos de tempo promoveriam mais deterioração, aumento da entropia, e não mais organização e melhoramento. Lembre- se de que a entropia é a seta do tempo. Quanto mais tempo, mais desorganizado tudo se torna.

No princípio, Deus, na sua sabedoria e no seu poder, trouxe ordem e beleza a partir do caos. Quando o nosso Senhor Jesus Cristo renovar esse mundo e reinar em perfeição, ele fará isso outra vez. Ele irá remover a maldição da Terra. Ele irá remover todos os efeitos do pecado. Ele irá diminuir a entropia. O desgaste será parado, a corrupção irá acabar, os gemidos serão acalmados em paz.

Agora o pecado reina e a entropia também, num mundo onde as ideias humanas levam cada vez mais ao caos. No entanto, em nossa vida e na igreja de Deus, por exemplo, a divina organização pode ser encontrada (I Coríntios 14:33- 40), à medida que, atual e deliberadamente, se obedece à sabedoria e ao poder da Palavra de Deus.


CAPÍTULO 7

Os Dias da Criação

Agora é hora de voltar a Gênesis 1 para considerar alguns dos detalhes desse notável capítulo. Vale a pena relê-lo mesmo agora, se você não o fezrecentemente. Isto é o que Deus revelou sobre o princípio, o que acreditamos ser o que verdadeiramente aconteceu.

Hebreus 11:3 diz que, "pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus". Lá não diz: "Nós entendemos como...", porque nós não entendemos como. Deus não nos revelou isso e, mesmo que ele o tivesse feito, poderíamos não ser capazes de o compreender. Mas nós entendemos que ele o fez, porque ele nos disse assim. Pela fé entendemos, porque a fé é a nossa resposta à revelação de Deus. Esta fundação é firme como a rocha. Existe muita especulação sobre como a criação aconteceu, mas isso é o arrazoamento humano, constantemente em mudança, cujas pesquisas são baseadas em evidências dos dias atuais, que poderiam ser completamente irrelevantes às condições do princípio. Tais especulações não têm lugar   em Gênesis 1.

Alguns Dias

Existiram muitos debates sobre o que um "dia" significava em Gênesis 1 – particularmente o que a palavra significava, ou quão longo era cada "dia". Algumas pessoas sugeriram que os dias eram dias de revelação a Moisés, conforme ele escreveu sobre isso. Outros usaram II Pedro 3:8 para "provar" que cada dia se estendeu por milhares de anos. (Aquele versículo não possui tal sentido ou aplicação. Ele simplesmente afirma que a medida de tempo é completamente irrelevante para Deus.) Em alternativa, desde que lemos sobre o "dia da graça", o "dia do Senhor", etc., os dias poderiam ser (longos) períodos de duração indeterminada. Certamente a palavra dia por vezes realmente tem tal significado. Mas, como iremos ver, essas ideias não ajudaram de maneira alguma a resolver os problemas que se pensava existir.

Mais legitimamente, interessantes lições espirituais foram tiradas das atividades dia a dia da criação, por exemplo, em paralelo com o trabalho de Deus para a nova criação (como em Efésios 2:10). A luz ilumina a manhã, a vida começa, frutos são produzidos, e assim por diante. Todos esses dias têm sido vistos como uma imagem ou tipo das dispensações das interações de Deus com o homem por toda a história deste mundo, movendo ultimamente para o dia do descanso eterno.

Então, como foi um dia de criação em Gênesis 1? Foi simplesmente um dia, a maneira de medir o tempo mais comum e reconhecível por todos os povos em qualquer lugar, através da história. A duração das horas, ou mesmo anos, não foi sempre reconhecida por todos, antes de relógios e calendários existirem, mas a regularidade da "noite e dia" dificilmente seria ignorada. Deus escolheu essa unidade fundamental de tempo tão conhecida, para nela realizar os seus vários atos da criação.

A explicação mais simples e óbvia de um "dia" de criação (e as explicações mais simples são sempre as melhores!) é confirmada por um comentário feito em Êxodo 20:11, sobre o sábado de Israel, um dia da semana normal, para seguir a seis dias similares: "Porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou". A palavra "dia" significa o mesmo através da passagem. Nós também teríamos de olhar ao uso da palavra em todos os capítulos iniciais de Gênesis e ser coerentes. Por exemplo, no capítulo 1, lemos sobre a noite e o dia (v 5), estações, dias e anos (v 14). Também, quais são "os dias da vida [de Adão]" (3:17), ou os "quarenta dias", "cento e cinquenta dias", etc., do dilúvio (7:17-24). Seria difícil, até mesmo absurdo, fazer uma palavra significar algo diferente daquilo que é óbvio.

Algumas Dificuldades

A razão principal pela qual se pensou ser necessário interpretar um "dia" para significar outra coisa foi para fazer longos períodos de tempo ficarem disponíveis para a história geológica, que, no século XIX, foi (e ainda é) insistida como algo  fatual  e indiscutível.  Nunca  tinham existido problemas com um "dia" antes disso. Mas tentativas de "estender" o dia ainda assim não conseguiram ir de encontro aos requerimentos dos registros geológicos aceitos, outra vez causando mais problemas do que resolvendo, algo semelhante à Teoria  do  Intervalo  que  já  descartamos anteriormente. Nós iremos ver numa parte mais à frente desta série que a história geológica é melhor explicada pelos efeitos do grande dilúvio de Gênesis 7. Nunca é uma boa ideia interpretar as palavras da Escritura para encaixar com ideias do homem, que são estranhas à Escritura e que são possíveis de mudarem de qualquer maneira.

Outra dificuldade para algumas pessoas é que isto parecia um tempo muito curto para tudo aquilo acontecer! Ainda assim, é possível detectar a ridicularização quando eles dizem, "Você de certo não acredita que o mundo foi feito em seis dias!" Na verdade, nós acreditamos e não pedimos desculpa! Repare em duas coisas sobre isso.

Primeiro, Deus podia ter feito tudo em apenas um instante, se isso fosse da sua vontade. Nós precisamos de tempo para fazer um trabalho, os evolucionistas postulam milhões de anos. Mas ele não precisou, ele é Todo-Poderoso. De certa maneira, é de admirar que ele levou tanto tempo com isso! O que ele nos mostra é uma manifestação progressiva do seu poder e da sua sabedoria numa forma ordenada, um dia por vez, para ensinar-nos sobre ele mesmo. O seu método de ensino é sempre "preceito sobre preceito... regra sobre regra" (Isaías 28:10). Isso é também como ele deseja que vivamos a nossa vida, dependendo dele, um dia de cada vez.

Em segundo lugar, existe uma teoria muito popular chamada o Big Bang    no qual é proposto que toda a matéria no universo foi feita numa pequena fração de segundo, a partir de um pequeno grão de algo, por uma enorme explosão. É estranho que não são feitas questões, nem sobrancelhas se levantam à ideia de todo o material desse imenso universo aparecer em apenas uma pequena fração de segundo, de repente, do nada! Uma mentalidade completamente diferente é aplicada à criação em seis dias pela palavra de Deus.

A teoria do Big Bang é popular por razões óbvias, mas é baseada em argumentos muito tênues, e enormes extrapolações. Ela começa por algumas observações astronômicas, que sugerem um universo presentemente em expansão, projetado de volta no tempo em que começou a expandir, quando foi sugerido ser apenas um pequeno grão. É calculado que isso foi há bilhões de anos, sem nenhuma mudança acontecer durante todo aquele tempo. De onde o grão original veio não é explicado, nem como uma explosão poderia acontecer do nada, sem energia para desencadeá-la, nem como essa explosão fez algo útil, quando todas as explosões que conhecemos destroem as coisas! Está faltando lógica nessa teoria. Muitos irão admitir, "Não conseguimos entendê-la, mas acreditamos que isso aconteceu". Aqueles que põem a confiança na Palavra infalível de Deus podem estar infinitamente mais confiantes, mesmo em relação à lógica, quando dizemos: "Pela fé, entendemos..." Na verdade, se você pensar sobre isso, o termo "Big Bang" (Grande Explosão) seria muito mais corretamente aplicado ao fim de tudo, não ao começo, de acordo com II Pedro 3:10.

Algo Definitivo

Conforme você lê o primeiro capítulo de Gênesis (outra vez), a imagem geral é clara para você, assim como era para o leitor devoto das Escrituras no começo dos tempos judaicos, para aqueles que viveram nos dias do Novo Testamento, na Idade das Trevas e na Idade Média, na verdade, durante todos os séculos anteriores, a.C. e d.C., e para a maioria das pessoas por todo o mundo nos dias de hoje. A maneira como o capítulo foi escrito permitiu que fosse compreendido por qualquer pessoa, muito antes de uma linguagem científica ter sido inventada, e antes de a era científica ter trazido objeções e emitido as suas questões e críticas. O capítulo foi escrito, não para ensinar ciência ou lógica, mas para ensinar sobre Deus e a sua grandeza. No entanto, é completamente consistente com fatos científicos reais e lógicos.

A Criação foi um conjunto progressivo de atos soberanos por Deus para preparar um mundo adequado para o homem viver, para preparar um palco sobre o qual o grande drama da redenção seria representado. Cada dia trouxe o objetivo mais próximo. Do caos vazio, Deus elaborou um ambiente ideal para o homem que ele tinha em mente, para viver uma vida cheia e realizada em harmonia com ele mesmo. No sétimo dia esse ambiente já estava terminado, e Deus descansou em harmonia com o homem que ele tinha criado.Isso era "muito bom".

As atividades do Criador são diferentes todos os dias, como "Ele falou, e tudo se fez" (Salmos 33:9). Mas certas frases são repetidas vezes e vezes, como "e disse Deus", "e assim se fez", e "isso era bom". Isso mostra-nos a contínua conexão entre o propósito de Deus, o seu poder e a sua satisfação, temas que irão desenvolver-se pelas páginas da Escritura e que, por graça sem par, também nos incluíram. 


CAPÍTULO 8

O que Deus Criou e Fez

O registro inspirado de Gênesis 1 contém tudo o que precisamos saber sobre a criação do universo. Ele não contém tudo o que poderíamos querer saber sobre esse fascinante e interessante assunto, porque nós somos naturalmente curiosos sobre assuntos que afetam a nós e ao nosso ambiente. No entanto, por mais que perguntemos ou tentemos pesquisar e entender pela lógica, encontramos sempre grandes dificuldades. Por qualquer medida de tempo, tudo aconteceu muito tempo atrás. As condições atuais são provavelmente muito diferentes e, sendo assim, irrelevantes às condições do princípio, porque mudança e interrupção são a norma da história, tanto humana quanto geológica. Muitas teorias têm sido propostas, mas todas contêm enormes pressuposições, extrapolações e incertezas, e, como já vimos, muitas das teorias populares contêm erros e inconsistências mesmo com fatos já estabelecidos.

Seria melhor perguntar a alguém que sabe, alguém de confiança que estava presente no momento da criação a observar. Durante o trabalho da criação, nós lemos repetidamente "e Deus viu..." Aqui está o relato de tudo por uma testemunha de confiança, a única, registrado para o nosso benefício com todos os detalhes que Deus viu que precisávamos, e de tal maneira que leitores das Escrituras pelos séculos pudessem compreender. Cada tentativa de preencher os detalhes, ou de propor alternativas, sofre da grande desvantagem de não se ter estado lá para observar. A própria ciência depende do registro de observações verdadeiras, que foram vistas e medidas de maneira fiável. Em disputas jurídicas, o relato de testemunhas fiáveis tem mais valor que deduções, conjecturas e tentativas de reconstrução. Porque "Deus viu" e "está escrito", podemos ter completa confiança na veracidade de Gênesis 1.

Criado ou Feito?

Em Gênesis 1 e 2, o verbo "criar" (bara, em hebraico), ocorre em três pontos específicos, em 1:1, 1:21, 1:27 (3 vezes), ao passo que o verbo "fazer" (asah, em hebraico) ocorre mais vezes nos capítulos 1 e 2, cinco vezes em cada. As palavras são diferenciadas, e os seus sentidos divergem, mas não devemos prestar muita atenção a isso. Tem sido proposto que os três usos para o verbo "criar" denotam processos-chave no trabalho, por exemplo, "os céus e a terra" no primeiro dia, vida animal de todos os tipos no quinto dia, e o homem no sexto dia. Eles são claramente importantes, novos começos de obras específicas que irão ter papéis significantes na continuação das Escrituras. Mas não devemos deduzir que as outras coisas de alguma maneira não foram criadas!

As palavras só têm significado dentro dos seus contextos. Então encontramos que "criado" e "feito" são várias vezes usadas indistintamente, mesmo nesses versículos. Assim, em 1:26 lemos "façamos o homem..." e no versículo 27 há "Criou Deus, pois, o homem", em 1:1 "Deus criou os céus e a terra" e em 2:3 "a obra que, como Criador, fizera" (literalmente "criou para fazer"). É assim por toda a Bíblia, por exemplo, "Todas as coisas foram feitas por ele" (João 1:3), e "Todas as coisas tu criaste" (Apocalipse 4:11); Deus é o "nosso Criador" (Salmos 95:6; Eclesiastes 12:1), "Foi ele quem nos fez" (Salmos 100:3), Ele nos "criou", "formou" e "fez" (Isaías 43:7). Sendo assim, não é uma questão de uma coisa ter sido criada ou feita, é que tudo foi criado e feito. "Tudo foi criado por ele e para ele" (Colossenses 1:16 RC), e "sem ele nada do que foi feito se fez" (João 1:3). Qualquer palavra que você usar, o trabalho é todo dele, e ele possui toda a glória.

Progressão e Propósito

Todo o trabalho de Deus tem uma progressão e um propósito, como pode ser delineado em Gênesis1.Descrições modernas do universo tendem a enfatizar a sua vastidão, e a relativa pequenez da nossa galáxia, ou planeta, e de nós mesmos (e Davi pensou isso também numa noite, ver Salmos 8:3-4), mas o ponto de vista de Gênesis 2 é claramente centrado na Terra e certamente focado no homem desde o princípio. Dado que fomos escolhidos em Cristo antes da fundação do mundo, os planos de Deus focaram em por o homem no mundo; isso não foi uma reflexão posterior. Mas foi apenas quando um ambiente apropriado para o homem tinha sido criado que Deus disse: "Façamos o homem..." (1:26). Então, do primeiro ao sexto dia, esse ambiente estava sendo preparado como um palco. Vamos olhar à progressão dos eventos, conforme os versículos nos levam do universo (1:1), à terra seca (1:10), e para Adão e Eva (1:27).

De maneira geral, durante os primeiros três dias, Deus esteve formando e aperfeiçoando uma casa apropriada para o homem e, nos três dias a seguir, ele mobiliou-a com plenitude e variedade. O homem precisa de algum lugar estável e benigno, com luz para ver, ar para respirar, água para beber, comida para comer - então, Deus providencia estas coisas durante os dias 1, 2 e 3. O planeta coberto em água em completa escuridão é claramente incompatível - as águas têm de ser postas no seu lugar, uma atmosfera expansiva, e terra seca são feitas, e um fornecimento de alimento é estabelecido. Mas a humanidade também vai precisar de um meio de contar o tempo e também de um sentido de direção para as suas viagens, providenciados no céu, no dia 4. A casa do homem será um belo lugar com uma maravilhosa variedade de outras criaturas ao redor, vivendo, movendo e reproduzindo, miríades delas, no mar, no ar e na terra, feitas nos dias 5 e 6. O homem irá compartilhar a terra com todos eles, mas será diferente de todos, na verdade sendo-lhe concedidos o domínio sobre eles e a responsabilidade por eles.

Adicionalmente, o próprio Adão tem uma necessidade especial. Ele precisa de uma ajudante, que não existe mesmo entre as criaturas mais sociáveis, mas especialmente feita por Deus, Eva, a sua verdadeira equivalente e companheira. Acima de tudo, Adão e toda a humanidade precisam de Deus, pois o homem foi feito à imagem de Deus, com uma alma vivente que nenhuma outra criatura tem igual, capaz de comunicar e partilhar experiências significativas.

Então, cada dia de trabalho sustentou o próximo. Assim, a luz é fundamental, uma forma de energia da qual cada processo natural é dependente; a água é necessária, mas deve estar no lugar certo; terra seca com a sua vegetação está disponível como um habitat e fonte de alimento, de que tanto homens quanto animais necessitam. Deus fez tudo na ordem e na lógica corretas, de acordo com o seu plano e propósito.

Separação e Distinção

Que mudança maravilhosa aconteceu durante o percurso de Gênesis 1. Pelo "sopro de sua boca" (Salmos 33:6), pela "obra dos seus dedos" (8:3), pela perícia de suas mãos (119:73), na sabedoria da sua mente (104:24), e pelo amor do seu coração, Deus produziu uma obra-prima chamada "homem" num mundo que ele pode desfrutar. Tudo é belo por causa das separações e distinções que Deus produziu, diferentes da monotonia aguada e negra inicial. Ele separou a luz da escuridão, a água da água, o dia da noite, espécies de criaturas viventes de outras espécies, o macho da fêmea. Cada um desses é diferente porque Deus assim os fez.

"Segundo a sua espécie" é repetido dez vezes no capítulo 1 (e depois disso aparece apenas em Gênesis 6 e 7, Levítico 11 e Deuteronômio 14, o que é significativo). Isso significa que cada animal, pássaro, peixe, inseto, árvore, planta, etc., é uma espécie distinta. Dentro dessas espécies o tempo iria trazer características alteradas numa resposta às pressões ambientais ou reprodução seletiva, embora uma espécie não vá mudar para outra. A mudança dentro da espécie já foi observada - a única verdadeira evolução que existe, sendo melhor chamada de adaptação. Mudar de uma espécie para outra, no entanto, independente de quanto tempo é disponibilizado, não acontece, nunca foi observado. Essa "evolução" é especulação e teorização.

Macho e fêmea de espécies relevantes também foram criados, distintos e necessários uns para os outros e para produzir gerações futuras. A reprodução e a sobrevivência das espécies dependem completamente nas funções de correspondência e complementação de cada um desde o começo. A reprodução bem-sucedida com macho e fêmea parcialmente desenvolvidos é impossível - as espécies iriam extinguir-se! A evolução não tem como contornar isso. É simplesmente prático e óbvio que macho e fêmea tiveram de ser criados de base, desde o princípio!

O mais distinto de todos foi o homem. Deus fez outras criaturas em um grande número e de uma só vez, mas ele amorosamente formou o homem e depois a mulher, um único par. Distintos por terem uma "alma vivente", à imagem de Deus, eles eram especiais. Deus abençoou todas as criaturas do mar e do ar no quinto dia, mas, quando ele abençoou o homem no sexto dia, isso foi para um propósito maior. Toda a obra de Deus iria louvá-lo (Salmos 145:10), mas apenas o homem poderia e iria adorá-lo para sempre. Foi por isso que ele nos fez. 


CAPÍTULO 9

O Dilúvio e suas Consequências

A cheia mundial descrita em Gênesis 6 a 8 tem de ser tomada em conta quando existe uma tentativa de entender e interpretar a história passada da Terra e o seu estado presente. Quando pensamos sobre o dilúvio, por boas razões, temos a tendência de focar no seu lado espiritual, as suas causas e os seus efeitos, e a bela mensagem de salvação do julgamento na arca que Deus providenciou. Mas, na Escritura, existem algumas alusões aos efeitos físicos que ele teve na face da Terra, efeitos que a geologia testemunha muito claramente. O mundo tornou-se um lugar muito diferente depois do dilúvio, em relação ao que antes era. É exatamente isso que lemos em II Pedro 3:6-7, como notamos anteriormente.

O dilúvio foi um imenso cataclismo, de dimensões que mal podemos imaginar, uma mudança dramática em relação às condições que antes prevaleciam na Terra. Os processos de criação acabaram juntamente com as palavras de Gênesis 2:1-3. Deus disse que a criação era muito boa. Mas, o pecado entrou, a deterioração começou, trazendo com ela todos os processos que ainda hoje continuam e que, progressiva e inexoravelmente, irão levar à decadência e à morte. Estes são os processos controlados pelas leis naturais, que já consideramos. Então, por razões bastante conhecidas, as quais ele explicou antes de o dilúvio acontecer, Deus, no seu soberano poder, impôs sobre essas leis esse grande dilúvio, usando os materiais e as forças já presentes e latentes na Terra e nos arredores desde os dias da criação. Isso nunca antes tinha acontecido, e nunca acontecerá outra vez, testemunhe a promessa de Deus cada vez que você olhar para a beleza pura de um arco-íris! (Gênesis 9:12-16).

Mudanças

As mudanças causadas pelo dilúvio são numerosas e de grande alcance. O mundo nunca mais seria o mesmo. Essas mudanças afetaram a humanidade e as gerações subsequentes, o tipo de ambiente em que eles iriam viver, e a estrutura física da superfície da Terra que seria apenas explorada detalhadamente e em profundidade milhares de anos depois.

Em relação à humanidade, depois do dilúvio, a raça humana se dividiu em três ramos, que são reconhecidos até hoje pelo mundo. Ainda que a Bíblia nos trace de volta a Adão, pelo pecado original que foi passado para todos nós, etnicamente cada um de nós tem uma árvore genealógica que data até a um dos filhos de Noé. Estudos de marcador genético modernos confirmam isso. De Sem vieram Abraão e as nações judaicas e árabes; de Jafé veio a vasta distribuição de nações gentis espalhadas pelas mais distantes partes da Terra; de Cam vieram aquelas nações que encontraram morada no continente africano. Mas, para todos eles, o evangelho da graça de Deus foi dispensado sem distinção ou favorecimento - todo aquele que quiser pode aproveitar. Isso foi visto até mesmo no princípio da propagação do evangelho quando, em Atos 8, um sedento filho de Cam ouve sobre o Salvador no deserto de Gaza e obtém graça, em Atos 9, um endurecido e rebelde filho de Sem recebe misericórdia na estrada de Damasco e, em Atos 10, um devoto filho de Jafé encontra paz por meio de Jesus Cristo, que é Senhor de todos.

Outra mudança que afetou o homem foi a extensão da sua vida. Antes do dilúvio, o tempo de vida normal eram centenas de anos, de acordo com Gênesis 5, mas aqueles nascidos depois do dilúvio tiveram os anos de sua vida diminuídos para cem ou duzentos anos (ver Gênesis 11: 10-26), até ao fim de Gênesis e até no resto do Antigo Testamento, poucas pessoas viveram depois dos cem anos. "Setenta anos ou, em havendo vigor, oitenta" (Salmos 90:10) rapidamente tornou- se a norma no mundo inteiro, e ainda o é. Vamos ver em breve uma possível razão para isso.

Contrastes Climáticos

Quando veio o dilúvio, uma verdadeiramente vasta quantidade de água caiu dos céus sobre a terra por quarenta dias e quarenta noites sem interrupção, além da subida das águas debaixo da superfície da Terra. Ambos estes fenômenos eram totalmente inauditos, libertados por Deus pela "sua obra estranha" de julgamento (Isaías 28:21), pois ele se deleita na misericórdia. As águas que Deus tinha posto "sobre o firmamento" no segundo dia da criação, para proteção, foram agora usadas para destruição, conforme inundaram e alagaram a Terra.

Pensa-se que a chuva era algo desconhecido antes do dilúvio; o crescimento das plantas e outras necessidades hídricas eram providenciados por uma "névoa" cíclica, que se levantava da face da terra pelo calor do Sol e possivelmente retornava todas as noites (ver Gênesis 2: 5-6). Ainda mais, aquela grande quantidade de água que estava sobre a atmosfera aérea (firmamento) estaria num estado vaporoso, circundando o globo com uma espessura considerável. Este manto, ou camada de vapor de água, teria um importante efeito no clima da Terra e no bem-estar de cada um dos seus habitantes. Primeiramente, isso teria um "efeito estufa", prevenindo o extremo frio ou calor na Terra, para que um clima uniforme temperado ou subtropical pudesse estar presente por todo o mundo, oferecendo condições para o crescimento luxuriante da vegetação e a sobrevivência dos animais e do homem. Em segundo lugar, ele iria filtrar a maioria dos raios cósmicos nocivos que bombardeiam o planeta continuamente, e também muita da nociva radiação ultravioleta, protegendo a tudo destas partículas e destes raios, conhecidos por causarem danos ao tecido vivo e provocarem doenças e envelhecimento.

Então, nos tempos antediluvianos, embora a paz e a beleza do Éden já não mais existissem, as condições climáticas eram benignas, ideais para a vida e para o crescimento. Não é de admirar então que as pessoas vivessem por tanto tempo e tivessem numerosos filhos durante a sua vida. Adicionalmente, a vida animal e vegetal podia vicejar, ao ponto que enormes animais, por exemplo mamutes e dinossauros em toda a sua variedade pudessem existir por todo o mundo, e enormes florestas, pradarias e pântanos de imensa variedade e densidade seriam normais, com enormes espécimes neles. Posteriormente, quando enterrado e compactado durante o dilúvio, toda essa vegetação se tornaria nas grandes minas de carvão do mundo e, por outros mecanismos, envolvendo organismos diferentes, se tornaria em vastos campos de petróleo também. Iremos considerar os fósseis com mais detalhes posteriormente, mas, obviamente, tudo isso se encaixa.

Depois do dilúvio, tudo se tornou diferente ao redor do globo. Sem o escudo do alto dossel de vapor de água, as temperaturas extremas e as estações contrastantes se tornariam comuns (ver Gênesis 8:22, as primeiras referências na Bíblia relativamente a verão e inverno, frio e calor). Com a secagem das águas, poderosos ventos assopraram (8:1), as águas da superfície congelariam, lençóis de gelo se formariam e deixariam a sua marca na paisagem conforme se movessem e derretessem. A espécie humana enfrentaria um novo conjunto de dificuldades que teriam efeitos de longo alcance. E muitas espécies de plantas e animais que anteriormente teriam sido comuns já não poderiam existir, incapazes de se adaptarem ao ambiente alterado, exceto por alguns que encontraram um nicho onde conseguiram sobreviver. Aqui é que "a sobrevivência do mais forte" seria realmente aplicável, e é principalmente a razão de dinossauros e gigantes similares se tornarem extintos.

Datação Radio carbônica

Há quanto tempo tudo isso aconteceu não se tem a certeza, embora os registros da Escritura sugiram que foi por volta de 3000 a.C. No entanto, existe um método chamado de datação por radio carbono que tem fornecido datas para certos artefatos muito anteriores a isso, até mesmo por volta de 10.000 a.C. Isso funciona da seguinte maneira.

Quando, por exemplo, uma árvore a crescer absorve dióxido de carbono da atmosfera, nele existe uma pequena quantidade de carbono radioativo chamado carbono 14, que declina estavelmente (reduzindo a sua quantidade) depois que a madeira é cortada. Ao medir a pequena quantidade de carbono que existe num espécime no presente e comparar isso com a quantidade que havia na madeira quando ela estava crescendo, a idade do espécime pode ser calculada, porque a taxa do declínio é conhecida (a "meia-vida" é de 5730 anos). O pressuposto fundamental no cálculo é que a quantidade de carbono 14 absorvida na madeira enquanto ela crescia, há muito tempo, é a mesma que hoje é absorvida.

Isso é muito improvável, pois o carbono 14 é produzido na atmosfera superior por raios cósmicos colidindo com átomos de nitrogênio. A intensidade desses raios cósmicos muda até mesmo durante centenas de anos, mas, milhares de anos atrás, nas condições antediluvianas, o dossel de vapor espesso iria adicionalmente filtrar a maioria deles. Assim, bem menos carbono 14 seria produzido para penetrar na madeira a crescer, e proporcionalmente muito menos teria restado nos espécimes agora encontrados. Sendo assim, se datado por este método, todas as amostras da era do dilúvio irão parecer muito mais antigas do que elas realmente são. Portanto, é duvidosa uma datação de rádio carbono mais antiga do que 5.000 anos, e muitas autoridades reconhecem isso. Nós reconhecemos a fiabilidade dos relatos da Bíblia. 


CAPÍTULO 10

Mudanças Geológicas Causadas pelo Dilúvio

No nosso último capítulo, tomamos nota de como o ambiente, particularmente para a humanidade, mudou depois do acontecimento do dilúvio. Isso foi causado principalmente pela precipitação do dossel de vapor de água que, até então, tinha cercado a Terra e a protegido de muitos fatores de dano. Mudanças na atmosfera, no padrão das estações e no fornecimento de alimentação teriam um impacto de longo alcance sobre as subsequentes gerações de todas as espécies vivas.

Além disso, outras grandes mudanças aconteceriam, as quais, novamente, a Bíblia menciona de passagem, sem dar muitos detalhes. Iremos agora ver as seguintes:

  • o movimento das placas continentais da crosta terrestre
  • a altitude das montanhas e a profundidade dos mares
  • a composição e o conteúdo das rochas.

Não podemos pensar que todos eles não foram dramaticamente alterados com as perturbações que acompanharam o dilúvio. O mundo de hoje é muito diferente daquele que Deus fez no princípio, principalmente por causa disso. A Geografia e a Topografia atuais não podem ser usadas para descrever a aparência do mundo antes do dilúvio.

Inundações criam mudanças tremendas e podem infligir danos extensivos, tanto às estruturas naturais ou feitas pelo homem, pela própria água e pelos enormes sedimentos que são movidos ao redor. Cheias recentes têm demonstrado isso claramente, quer se pense no devastador tsunami no oceano Índico em dezembro de 2004, na inundação de Nova Orleans em 2005, ou nas cheias mais frequentes que acontecem em partes da África ou da Ásia, ou até mesmo nas inesperadas recentes cheias no Reino Unido. Por mais difíceis e trágicos que esses eventos tenham sido, a sua escala e os seus efeitos são realmente muito pequenos para serem comparados com a cheia mundial de Gênesis 7 e o efeito de cataclismo que ela gerou por todo o mundo. Dificilmente se poderá imaginar quão horrível (literalmente) isso foi, com chuva a cair sem parar por quarenta dias e noites, acompanhada por ondulações sísmicas e de marés, para frente e para trás, continuamente, por muito tempo.

Em adição a todo o dano e às mudanças causados pela água da superfície e pelos sedimentos, havia ainda maiores transtornos debaixo da terra. Quando lemos que "romperam- se todas as fontes do grande abismo" (Gênesis 7:11), isso poderia significar águas subindo de fontes subterrâneas, ou atividade vulcânica lançando material derretido para solidificar em contato com a água, gerando massas de vapor, ou ambos. Seja o que for que isso significar, os efeitos na crosta terrestre, com certeza, foram imensos.

A Crosta da Terra

O solo onde nos encontramos, contrário à maneira que usualmente pensamos e falamos sobre ele ("terra firme") é em termos absolutos muito frágil. A melhor informação que temos sobre a estrutura desse planeta diz-nos que ele tem um centro denso e de temperaturas elevadas composto de ferro líquido, cercado por um manto que também é fluido, porém menos denso. Flutuando no topo disso tudo está uma camada sólida, ou "crosta", com cerca de apenas 40 quilômetros de espessura, o que é menos de 1% do raio da Terra, que tem cerca de 5948 quilômetros. Você poderia visualizar essa estrutura como algo parecido com um ovo, com a sua gema e clara contidas dentro de uma casca exterior fina e frágil.

Ademais, a crosta não é contínua, mas composta de várias enormes placas que se movem muito lentamente. São esses movimentos os responsáveis por terremotos e maremotos, e é ao longo das bordas dessas placas que se encontra a maior parte da atividade vulcânica da Terra, com o material derretido de baixo irrompendo através dos pontos fracos.

Existe a possibilidade de essas placas continentais terem sido perturbadas pelo dilúvio e terem-se movido para longe umas das outras, sendo que esse movimento diminuiu para o seu ritmo atual. Talvez, antes do dilúvio, apenas existisse um grande continente, a terra seca que tinha sido criada por Deus no terceiro dia da semana da criação, e, então, depois do dilúvio, a terra se dividiu (Gênesis 10:25 fala da terra sendo repartida nos dias de Pelegue). Ao examinar as principais massas de terra no globo, dá para ver que elas, na verdade, se encaixam como se fossem um quebra-cabeça e, por causa disso, a própria Geologia tradicional propõe a existência de um único continente, muito tempo atrás, chamado de Pangeia.

Montanhas e Mares

Movimentos horizontais e laterais na superfície da Terra teriam de ser acompanhados por movimentos verticais. Para acomodar o peso da água que inundou a Terra, as leis da gravidade iriam forçar que vales afundassem profundamente e que montanhas se elevassem cada vez mais alto, conforme as placas continentais se deslocavam e inclinavam. Existem muitos indícios geológicos de que isso realmente aconteceu em determinado ponto da história da Terra.

Por exemplo, os Alpes europeus, com elevações mais altas do que 3000 metros, contêm rochas que, durante alguma altura, estiveram debaixo da água. Fósseis marinhos são abundantes em muitas rochas que hoje estão muito acima do nível do mar. De maneira similar, as fossas muito profundas do oceano podem ter sido formadas por um processo pelo qual "as águas foram minguando até... apareceram os cimos dos montes" (Gênesis 8:5). Salmos 104:6-8 descreve o dilúvio e relata sobre montanhas que subiram e vales que desceram, antes do comando de Deus de que as águas não voltassem a cobrir a Terra. A superfície da Terra agora é 70% coberta por água.

Não poderá existir nenhuma dúvida de que o dilúvio foi um evento de escala mundial, tanto pelo registro nas Escrituras, como pelas evidências que ainda são visíveis em todo o lado (falaremos mais sobre isso futuramente). Mas as águas do dilúvio não tiveram de ter mais de 9000 metros de altura para cobrir o monte Everest, por exemplo. Essa cadeia dos Himalaias, junto com outras cordilheiras principais em cada continente, foi provavelmente empurrada para cima para a sua presente elevação apenas depois de o dilúvio ter retrocedido. As águas do dilúvio tinham de ser apenas profundas o suficiente para permitir que a arca flutuasse acima das montanhas então existentes, e muito mais baixas, como Ararate, com quinze côvados extra (Gênesis 7:20), o que, curiosamente, tem sido calculado ser o esboço da arca. [1]

Rochas Sedimentares

Existem dois tipos principais de rocha na superfície da Terra, chamados de ígneas e sedimentares. Rocha ígnea já foi magma derretido, mas, ao resfriar cristalizou e solidificou. Bons exemplos desse tipo são granito e basalto, classificados quimicamente como silicatos. Essas rochas provavelmente pouco mudaram desde a sua criação inicial, em Gênesis 1.

Rocha sedimentar, por outro lado, como o nome sugere, é feita de pequenas partículas de sedimento/areia. Essas rochas foram formadas pelos efeitos da água, criando e depositando sedimentos que então se agregaram pelo efeito da pressão e da cimentação química. Bons exemplos delas são calcário e arenito. Rochas sedimentares são usualmente encontradas em cima de rocha ígnea, exceto quando a atividade vulcânica ou falhas perturbaram as camadas. Com relevância especial para aquilo que vamos ver a seguir, é fácil entender por que fósseis são encontrados apenas em rocha sedimentar, que foi criada pelo depósito por meio da água, mas não na rocha ígnea, que já esteve derretida.

Leitos de rochas sedimentares possuem diferentes espessuras e se encontram caracteristicamente em camadas, como pode ser visto em escarpas e pedreiras. Não há dúvida alguma de que as camadas foram formadas e depositadas pela ação da água e, do ponto de vista das Escrituras, isso aconteceu em, pelo menos, duas ocasiões distintas.

A primeira delas seria durante a semana da criação, quando a terra seca emergiu de um globo coberto de água. Em cima do leito rochoso ígneo iriam acumular-se camadas de sedimento erodido para assentar e solidificar. Essa rocha sedimentar não iria conter fósseis, pois ainda não existiam seres vivos para serem enterrados na lama. Muitos leitos espessos desse tipo de rocha existem em muitos lugares sem fóssil algum neles.

A segunda ocasião seria o dilúvio, quando, como descrito acima, grandes massas de sedimento iriam acumular e ser comprimidas repetidamente, conforme as águas oscilavam, em camadas. Agora, de forma significativa, todos os tipos de criaturas vivas e vegetação seriam rapidamente enterrados em lama e em sedimento. Eles seriam fossilizados nesse processo, porém essas camadas iriam conter fósseis de diferentes tipos de criaturas, dependendo de onde eles estivessem quando as águas os cobriram. Lá permaneceriam, até serem descobertos por escavações em tempos recentes. Os geólogos classificam essas rochas contendo fósseis de acordo com a escala de tempo requerida pela teoria da evolução, mas para nós elas são uma terrível lembrança marcada na rocha do julgamento divino sobre o pecado de um mundo antigo.

Iremos examinar os registros fósseis a seguir, para ver o que eles nos dizem sobre um mundo que pereceu num grande dilúvio. Iremos também ver indícios de que os fósseis não apontam para a evolução, mas são muito melhor explicados pelas ideias descritas nos parágrafos acima.

1. Para mais detalhes, ver E Disse Deus, por F Abou Rahme (Ed. Sã Doutrina), e The Genesis Flood, por JC Whitcomb e HM Morris (Baker Book House) – sem dúvida, trabalhos de autoridade e referência nesse assunto. 


CAPÍTULO 11

Fósseis e o Dilúvio

Fósseis são os remanescentes de plantas e de animais gravados em pedra, muitas vezes mostrando com muitos detalhes como eles eram. Muitos deles são muito similares a espécies presentes atualmente e podem ser reconhecidos como tal, enquanto muitos outros pertencem a espécies agora já extintas. Eles são uma testemunha silenciosa de algo que aconteceu há muito tempo, algo fora do comum, algo catastrófico. Eles são a evidência de vida e de morte repentina.

Usualmente, quando uma planta ou um animal morre, irá apodrecer rapidamente e deixar pouco ou nenhum registro de qual aparência tinha. O sepultamento comum ou predadores selvagens asseguram que, num curto espaço de tempo, talvez restem apenas alguns ossos rijos. Fósseis, no entanto, conseguem revelar o tecido mole de animais, penas de pássaros, escamas de peixes, casca em troncos de árvores, padrões intrincados de rendilhados em folhas, fetos, flores e semelhantes. Ademais, fósseis são abundantes, existindo em todos os continentes, por vezes cobrindo muitas milhas quadradas em área e por muitos metros de profundidade na camada de rocha. Então, como são os fósseis formados?

É um consenso quase universal que fósseis são formados por ocasião  de  cheias,  pelo  rápido  sepultamento  das criaturas e da vegetação em lama originada por cheias. O rápido sepultamento assegura uma preservação intacta, enquanto água rica em mineral penetra na estrutura e assegura a permanência. A contínua pressão vinda de cima cimenta tudo na pedra - literalmente petrificando tudo por muito tempo. E lá essas antigas criaturas permanecem, até que o pedreiro, o mineiro ou o geólogo os descubra, para o mundo se maravilhar e criar teorias!

Fósseis e a Teoria da Evolução

É amplamente ensinado e, assim sendo, acreditado como regra, que os registros fósseis oferecem provas para a evolução. A proposta é que, por milhões de anos, muitos tipos de criaturas que então existiam foram fossilizados durante vários eventos de cheias pré-históricas, e assim as rochas contêm um registro de diferentes formas de vida e mostram quanto elas mudaram durante aquele período de tempo. Visite qualquer museu e, em quase todos, você vai encontrar essa história popular em exibição, junto com muitas representações gráficas mas completamente imaginárias das condições pré-históricas, descrevendo mares rasos onde agora há terra, seguidos por movimentos continentais, o deslizamento das camadas, e aí por diante.

A teoria da evolução é tomada como verdade, como a base e o ponto de partida. Os fatos (ou seja, os espécimes fósseis) são arranjados para encaixar na teoria, e para tirar novas conclusões. Um exemplo típico é o seguinte, tirado recentemente de um museu em Yorkshire: "Porque plantas e animais evoluem ao longo do tempo, podemos usar fósseis para fazer uma estimativa da idade das rochas." Espera um pouco! Se eles não evoluíram, fósseis não podem dizer coisa alguma sobre a idade das rochas! Uma teoria não comprovada está sendo usada para produzir dados que depois são apresentados como fatos!

Veja, por exemplo, o velho arenito vermelho do período Devoniano no norte da Escócia. É dito que ele tem 700 milhões de anos apenas porque contêm muitos peixes fossilizados que a evolução argumenta que existiam naquela época. Mas, a seguir, também nos é dito que a idade dos fósseis é dada pelo tipo de rocha onde ele é encontrado. Então, se outro fóssil for encontrado em velho arenito vermelho, nos será dito que o fóssil tem 700 milhões de anos porque ele foi encontrado lá. Isso é lógica circular, e não ciência de verdade! Rochas e fósseis não podem ser corretamente datados um a partir do outro!

Mesmo assim, baseada na suposição de que a evolução é verdade, uma "coluna geológica" foi construída, mostrando camadas de muitos tipos diferentes contendo fósseis "chave", datando até aproximadamente 1.000 milhões de anos. Depois é ensinado de maneira dogmática esse registro de evolução progressiva de diferentes formas de vida na Terra, sendo primeiro modestas criaturas habitantes das águas no fundo, depois peixes, anfíbios e répteis, até os mamíferos e o homem no topo.

Existem, no entanto, grandes dificuldades e inconsistências que não são usualmente mencionadas! Algumas das mais preocupantes são as seguintes:

  • Toda a coluna geológica, de baixo para cima, não existe em nenhum lugar na Terra. Existem seções em diferentes lugares, algumas grandes, outras pequenas. A coluna completa apenas existe em livros, pôsteres e gráficos!
  • Existem muitos exemplos de "inversões", em que camadas de rocha "antiga" estão por cima das camadas "novas", em vez de a mais recente estar no topo.
  • Existem muitos exemplos de fósseis a compartilharem a mesma camada de pedra, os quais a teoria afirma que viveram separados por milhões de anos. Eles parecem estar no lugar errado, ao lado uns dos outros!
  • A evolução necessita de muitas criaturas parcialmente mudadas/evoluídas que tivessem existido em várias épocas. Mas esse tipo de fóssil nunca foi encontrado, apesar de intensas buscas. Os fósseis são sempre constituídos de distintas espécies de animais e plantas reconhecíveis como atualmente existem. Os "elos perdidos" continuam perdidos!
  • Os mais "antigos" fósseis já são criaturas muito complexas e especializadas, por exemplo, os trilobitas, e eles existem em tanta quantidade que isso é chamada a "explosão cambriana" de vida. Abaixo deles (Pré-Cambriano), não existe fóssil nenhum. Nenhuma criatura mais simples existiu, a não ser na imaginação do evolucionista.

Na verdade, é muito difícil encaixar a teoria da evolução ao redor dos fatos da Geologia, baseados naquilo que é encontrado nas rochas e naquilo que não é encontrado nas rochas. Mas a evolução é apresentada como a verdade, não sendo a primeira vez que uma mentira é tomada pela verdade (Romanos 1:25; II Tessalonicenses 2:11-12).

Fósseis e o Dilúvio

Os fatos da Geologia encaixam perfeitamente no enquadramento do Dilúvio bíblico, histórico e mundial, dos dias de Noé. Apenas se lembre daquilo que nos foi dito sobre o início, a duração e as perturbações do Dilúvio que recentemente consideramos, então aplique as leis e os princípios científicos normais à situação - e isso faz um fantástico sentido. Na verdade, era dessa maneira que a maioria dos cientistas e pensadores pioneiros viam as coisas, antes de a teoria da evolução ter sequestrado a instituição e ter feito uma lavagem cerebral para ser aceita por todas as pessoas.

Aqui está a imagem-base de onde podemos trabalhar.Conforme a grande cheia avançava, as primeiras criaturas a serem mortas e sepultadas seriam aquelas com menos mobilidade, sendo, de fato, aquelas que viviam em águas rasas e perto da linha d'água. As criaturas com mais mobilidade escapariam para maiores altitudes até o seu refúgio temporário ser inundado pela água, e então elas pereceriam. Os últimos a sucumbir seriam os animais com mais mobilidade e os pássaros nos níveis mais altos. Conforme os tipos de criaturas eram arrastados para dentro da cheia, para a água corrente e os sedimentos, eram então rapidamente sepultados em condições perfeitas para a fossilização. Tudo isso se encaixa nos fatos geológicos observados, e é simples e direto!

Assim a coluna geológica, onde ela existe, não é um registro geológico de como as criaturas se desenvolveram durante milhões de anos. É apenas um registro de onde e quando eles viveram e morreram, quando o dilúvio veio e destruiu a todos. A ordem dos seus sepultamentos e da sua fossilização é de acordo com o seu habitat, a vida aquática primeiro - os habitantes de águas rasas, como conchas e trilobitas, seguidos dos peixes, em grandes baixios, enterrados em posições de natação, como mostram os fósseis. Então os anfíbios das beiras de água e os répteis lentos seriam dominados e sepultados, e eventualmente os mamíferos, muitas vezes em grandes números, dado que andavam em manadas na corrida para escapar, conforme testificado por vastos leitos fósseis pelo mundo.

Sobreposto nessa imagem básica, agora temos de pensar na atividade hidrodinâmica, os efeitos de água a ser movida vigorosamente. Água agitada e rodopiante deposita os objetos de acordo com a sua densidade (peso), assim a areia, a lama, o cascalho e tudo mais na água é depositado e separado de acordo com o seu peso e a sua forma. Essa agitação, mistura e sedimentação iriam redistribuir as criaturas mortas na lama e permitir que algumas de habitats diferentes fossem por vezes sepultados juntos na mesma camada.

Adicionalmente, a atividade sísmica (terremotos) na crosta da Terra por baixo da água, conforme a cheia diminuía, iria mandar algumas camadas para cima, enquanto outras se moviam para baixo, criando as falhas e as linhas comuns pelo mundo, com os fósseis que elas contêm de igual forma deslocalizados. Além disso, a atividade vulcânica iria perturbar e inclinar as camadas, conforme a lava se forçava para cima até as camadas sedimentares, para criar os campos de lava e as intrusões de basalto que hoje encontramos.

Os vastos campos de carvão também seriam formados nessa altura. As luxuriantes florestas ricas em carbono, pântanos e planícies da era antediluviana seriam rapidamente desenraizados, aplanados, levados pela água e depois enterrados e compactados em forma de carvão. Óleo e gás também seriam produzidos e presos debaixo de rocha porosa de uma maneira similar, compostos de organismos marinhos e do apodrecimento da vegetação. (Compare a produção de metano nos campos de aterro atuais - um exemplo em pequena escala desse processo.)

Conclusão

Por que essas ideias básicas não são aceitas por tantas pessoas? Por que uma teoria sem base e feita de conjecturas é tão favorecida?

Os fósseis pregam ao mundo todo que o salário do pecado é a morte. Em vez de reconhecê-los como um registro permanente do julgamento divino sobre um mundo perverso e prestar atenção ao seu aviso, as pessoas os explicam de qualquer maneira. Aqueles que servem ao pecado e a Satanás não desejam ser relembrados de que Deus terá a última palavra. O Dilúvio é o protótipo do grande julgamento que está por vir (II Pedro 3:5-6; Mateus 24:37-39).

 


 CAPÍTULO 12

A Terra – um Planeta sem Igual

O mundo, este planeta chamado Terra, é simplesmente um lugar sem igual, um planeta excepcional entre todos  os  outros  no  sistema  solar,  um  mundo excepcional entre mundos sem-fim pelo espaço. Ele é excepcional e único em, pelo menos, dois aspectos. O primeiro e melhor destes é que o próprio Filho de Deus veio aqui, nascido numa humilde manjedoura em Belém, morrendo numa rude cruz no Calvário, para realizar o grande plano de salvação de Deus. Ele "veio ao mundo para salvar os pecadores" (I Timóteo 1:15), para oferecer vida eterna. A segunda característica única é de como apenas a Terra oferece um ambiente que é perfeito para conter e sustentar a vida física.

Embora tenhamos considerado muitas mudanças que aconteceram durante e depois do grande dilúvio, essas modificações afetaram principalmente a estrutura da superfície, a topografia, geografia e geologia, em vez das suas propriedades fundamentais, desenhadas por Deus. Já temos visto que os seus atos de criação em Gênesis 1 foram numa sequência ordenada, convergindo no ponto em que o homem poderia tomar o seu lugar em um mundo já em funcionamento, o qual ele poderia desfrutar e cuidar dele e que supriria todas as suas necessidades de alimentação, alojamento, paz e beleza. E, mesmo com a entrada do pecado no mundo, a verdade é que essas condições estritas e rigorosas para a existência da vida continuam a ser encontradas na Terra e em mais lado nenhum! As Escrituras ensinam claramente que Deus desenhou o mundo para ser habitado pelo homem (Isaías 45:18; Atos 17:26). Também sabemos que a bênção do homem foi planejada "antes da fundação do mundo" (Efésios 1:4). Sendo assim, Deus desenhou, fundou e formou esse planeta único, tendo o homem em mente desde o princípio.

A história da criação é escrita por todo o universo, sendo revelados e entendidos mais detalhes conforme o tempo passa. Mas, para nós, claramente e com especial relevância, é a parte da maravilhosa história escrita nas estruturas e nas propriedades do nosso próprio planeta Terra. Quem tenha estudado esse fascinante assunto chegou à conclusão de que a Terra é realmente um lugar sem igual, perfeitamente adequado para a vida e para o homem. Muitas teorias descabidas e confusas sobre como isso aconteceu têm sido propostas. Uma série de acidentes, umas quantas coincidências e uma medida de "sorte" (e estou parafraseando um livro recente, baseado na ciência!) é o que nos dizem que foram os responsáveis! A ideia de um "desenho inteligente" é rejeitada ferozmente, embora isso seja tão evidente, das maiores às menores estruturas que são exploradas.

Condições para Vida

A vida é muito frágil, embora a tomemos como um dado adquirido. A sua existência depende de que muitas condições físicas estejam completamente certas, por exemplo, temperaturas entre cerca de 0 e 40 °C, e os valores fundamentais de gravidade e das forças nucleares sendo os que são. Ela também depende da disponibilidade de certos químicos, por exemplo, a água e o oxigênio, e que igualmente outros estejam ausentes ou em quantidades muito pequenas, por exemplo, cianeto e monóxido de carbono. De igual maneira, existem formas de radiação que são absolutamente essenciais para toda a vida na Terra, ou seja, a luz "visível" e algumas infravermelhas, mas outras são letais, como raios-x e radiação ultravioleta profunda.

Nos próximos capítulos, iremos olhar para a maneira singular na qual todas essas condições se interligam no nosso planeta e em mais nenhum outro lugar, como Deus desenhou tais maneiras na matriz do mundo, como as condições no universo são "perfeitamente adequadas " para a vida. Isso tem sido exposto em detalhe por Paul Davies, um físico moderno, que chamou a essa condição "O Enigma dos Cachinhos Dourados".

O Sol

As temperaturas da superfície da Terra são governadas principalmente por dois elementos: a energia emitida pelo Sol e  a distância que estamos dele. Se o Sol fosse mais quente, ou se a Terra estivesse mais perto do astro, toda a vida se queimaria. Se ele fosse mais frio, ou a Terra mais distante, toda a vida se congelaria.

O Sol é uma estrela cuja energia é gerada do seu interior, de onde átomos de hidrogênio se combinam para formar átomos de hélio, numa temperatura à volta de 15 milhões de graus centígrados. A temperatura da sua superfície é de cerca de 5.500 °C. As estrelas variam em tamanho, desde um décimo até mais de cem vezes o tamanho do Sol, e as suas temperaturas variam entre 3.000 e 40.000°C (demonstrado pelas suas cores - de anãs vermelhas a gigantes branco-azuladas). Entre estas, o Sol é uma estrela amarela de tamanho médio (diâmetro de cerca de 1.392.000 Km, 109 vezes o diâmetro da Terra, 745 vezes a massa de todos os planetas juntos). Estando na distância correta de cerca de 150 milhões de quilômetros do Sol, a Terra recebe a quantidade correta de radiação dessa estrela de tamanho correto para alcançar as temperaturas corretas na qual podemos viver - tudo perfeitamente combinado!

O Sistema Solar

O Sol oferece um   ponto de ancoragem para todo o sistema solar de oito planetas maiores rodando à sua volta numa direção contrária ao movimento do relógio, enquanto eles também rodam sobre os seus próprios eixos. Existem quatro planetas internos, de Mercúrio a Marte, relativamente pequenos, densos e rochosos, e quatro exteriores, de Júpiter a Netuno, que são enormes esferas de material gasoso de baixa densidade. Planetas mais próximos do Sol são muito mais quentes, e aqueles mais distantes, muito mais frios. A nossa distância de um gerador gigante de energia eficiente e limpa chamado Sol é exatamente correta, e a energia vem livremente pela vasta distância envolvida, levando, de fato, 8.3 minutos para chegar até nós. "Nada se esconde ao seu calor” (Salmo 19:6). O nosso Deus "faz nascer o seu sol sobre maus e bons" (Mateus 5:45).

Planetas mais próximos do Sol orbitam-no mais rapidamente - um ano em Mercúrio é cerca de um quarto do nosso ano (enquanto o seu "dia" dura por 58 dos nossos dias). Planetas mais distantes orbitam o Sol mais lentamente - o ano de Netuno equivale a 165 dos nossos anos (o seu dia leva 16,1 horas). Entre os planetas, a Terra ocupa a sua posição singular dada por Deus entre Vênus e Marte, com até o comprimento de anos e dias adequados com o nosso ciclo de vida.

Outros fatores ajudam a manter a temperatura conforme precisamos. Primeiro, o período de 24 horas para a Terra rodar sobre o seu eixo é exatamente certo. Períodos mais longos dariam razão a noites extremamente frias e dias muito quentes; períodos mais curtos iriam desestabilizar os padrões do tempo e fazer os gases da atmosfera dispersarem-se pelo espaço. Também, por causa de o eixo da Terra não estar no ângulo direto aos raios do Sol, mas inclinado por 23,5 graus, o influxo de energia é espalhado por uma área maior a norte e a sul do equador. As estações são assim alongadas, e regiões com demasiado calor ou frio na Terra são minimizadas.

Assim como os planetas orbitam o Sol, eles tracejam um caminho elíptico. Alguns, como Mercúrio, o mais próximo do Sol, ou Plutão (planeta anão), mais distante, têm elipses muito alongadas. Mas a órbita da Terra é quase circular. Se ela fosse muito alongada (mais espremida), então por alguns meses do ano a Terra estaria mais perto do Sol, tornando-se muito quente, seguida de meses muito mais frios, quando a Terra estivesse mais distante. Tais extremos que ameaçam a vida não acontecem por causa da órbita praticamente redonda da Terra ao redor do Sol.

A Atmosfera

Ainda outro fator que tem um grande efeito na temperatura é o tamanho e a composição da atmosfera - um cobertor isolante que ajuda a reter o calor (efeito estufa).Atmosferas em outros planetas são muito diferentes: a de Mercúrio é tão fina que as temperaturas oscilam entre -170 e 400 °C, conforme o calor é facilmente perdido ou ganho; a de Vênus é muito espessa, composta por dióxido de carbono, com nuvens compostas de 80% ácido sulfúrico. Ela retém tanto calor que a temperatura é de 475 °C.

A composição da nossa atmosfera é governada pela força gravitacional da Terra, que também governa a mobilidade de tudo na sua superfície. Por exemplo, se a gravidade fosse muito inferior, o oxigênio, o nitrogênio e o vapor d'água necessários para a vida iriam escapar-se para o espaço, sobrando apenas argônio e dióxido de carbono. O efeito protetor da atmosfera também seria reduzido, tanto para a retenção de calor como para a prevenção de danos devida aos raios cósmicos. Por outro lado, se a gravidade fosse muito mais forte, a densidade do ar e a pressão iriam aumentar, e as formas de vida de todos os tipos iriam necessitar de muito mais músculo e força esqueletal para mover e sobreviver.

Os fatores gravitacionais governam a força de atração da Terra em tudo, especialmente da Lua, o nosso vizinho celeste mais próximo. A sua atração afeta as marés dos oceanos, e os seus tamanhos são importantes. Demasiada maré provocaria instabilidade da costa; muito pouca iria prejudicar a reciclagem de nutrientes e poluentes.

O equilíbrio de cada fator responsável pela Terra ser uma casa apropriada para o homem e também para incontáveis formas de vida é realmente um claro indicador da sabedoria e do desenho do Criador. Podemos dizer com convicção e louvor, "Que variedade, SENHOR, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das tuas riquezas. Eis o mar vasto, imenso..." (Salmos 104:24-25).

 


CAPÍTULO 13

"Ele também Criou as Estrelas"

Antes de meditarmos um pouco mais sobre as propriedades do nosso ambiente, que o fazem perfeita e unicamente adequado para a vida, devíamos observar além das fronteiras da Terra e além do sistema solar. A história da criação e a glória de Deus estão escritas pelos céus, uma declaração silenciosa mas constante do seu eterno poder e da sua divindade. "Os céus proclamam a glória de Deus... uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz." (Salmos 19:1-3)

Numa noite limpa e escura, saia para fora e olhe para cima. Se você conseguir se afastar da luminosidade dispersada por vilas e cidades, você poderá ver miríades de estrelas muito claramente, assentadas no veludo negro da escuridão. Olhe a toda a sua volta, do horizonte indefinido até ao nítido zênite, de norte a sul ou de leste a oeste, e deixe a beleza e a grandeza desse panorama fascinar e mover a sua alma. Mesmo que você reconheça algum nome das estrelas ou constelações, ou não saiba nenhum, existe uma inspiração à reverência na vastidão e na glória de tudo isso. Como um enorme placar pelo céu noturno, é demonstrada uma mensagem que ninguém pode apagar, todos podem ler, proclamando a Deus!

Se você fizer isso, você estará fazendo aquilo que Deus comandou que outros fizessem muito tempo atrás. Lembre-se- se de Abraão (Gênesis 15:5 - "Olha para os céus e conta as estrelas"); (9: 7-10 - "Deus... quem sozinho estende os céus... a Ursa, o Órion, o Sete-estrelo"); Elifaz (Jó 22:12 - "Olha para as estrelas mais altas. Que altura!"); Davi (Salmos 8:3 - "Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste"); Isaías (40:26 - "Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas"); também os homens sábios do Oriente (Mateus 2:2), e Paulo e os marinheiros que procuraram em vão por constelações para facilitar a navegação durante aquelas noites de tormenta (Atos 27:20).

A Astronomia se desenvolveu sobremaneira, assim como outros ramos das ciências nos últimos dois séculos, mas é um tema antigo, conforme as citações acima demonstram. Registros deixados por assírios, babilônios, chineses e árabes são valorizados hoje para comparar com observações recentes. Medidas, predições e teorias agora dominam esse tema, mas o seu portento é intemporal. Considere umas das características mais óbvias do céu estrelado.

O Número das Estrelas

Deus disse a Abraão, "conta as estrelas, se é que o podes" (Gênesis 15:5). Se você tivesse a paciência e a habilidade, poderia contar a olho nu mais de 3.000 estrelas em um hemisfério. Isso significa que existem mais de 6.000 estrelas visíveis da Terra. Mas Galileu com o seu telescópio caseiro conseguiu observar dez vezes mais, chegando até 60.000. Conforme telescópios melhoraram em poder e em resolução, esse número continuou a aumentar. Já estava acima das 600.000 no período de 1850. Agora, com o advento da Radioastronomia, é literalmente incontável! - exatamente como Deus disse! (Jeremias 33:22). Estima-se que só a nossa Via Láctea local contém mais de 200 bilhões de estrelas. E podem existir mais de 100 milhões de galáxias pelo espaço afora!

Mas por que tantas? Para nos falar da grandeza de Deus que a todas criou pela sua palavra. Ele criou todos esses milhões sobre milhões de estrelas com tanta facilidade como se fizesse apenas uma. Ele as conta, e "nem uma só vem a faltar" (Isaías 40:26). Elas são todas diferentes - a sua variedade proclama a glória de Deus. "Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos!" (Jó 26:14); "a sua grandeza é insondável" (Salmos 145:3).

Variedade das Estrelas

Assim como não existem duas folhas, dois flocos de neve, nem duas criaturas exatamente iguais, também não há duas estrelas iguais -"há diferenças de esplendor" (I Coríntios 15:41). Elas têm diferentes cores, brilhos, tamanhos, temperaturas, velocidades de rotação e composições. Nós as vemos em diferentes disposições ou padrões chamados de constelações, cada estrela numa distância diferente da Terra.

A estrela mais próxima é chamada de Alfa Centauri (não visível no hemisfério norte, é um dos "ponteiros" do Cruzeiro do Sul). Está a 4,3 anos-luz de distância, e é a terceira estrela mais brilhante que podemos ver. A mais brilhante é Sirius, vista do Reino Unido como uma estrela cintilante esverdeada bastante baixa no sul do céu. Está a 8,7 anos-luz de distância, e é, na verdade, 26 vezes mais brilhante que o Sol, que está a apenas 8,3 "minutos de luz" distante, por isso o Sol parece mais brilhante. Existe outra estrela, chamada Eta Carinae, que é 4 milhões de vezes mais brilhante que o Sol e mais de 100 vezes mais massiva, mas a 6.400 anos-luz de distância, nem sequer é visível a olho nu.

A maior estrela conhecida é chamada de Ras Algethi e está a cerca de 500 anos-luz de distância. Juntando com a sua nuvem de gás, o seu diâmetro é mais de vinte vezes o tamanho do sistema solar. É uma "gigante vermelha", com uma companheira verde azulada a orbitar à sua volta. Está no céu do norte, na quinta maior constelação, chamada Hércules. A menor estrela reconhecida é uma anã branca, com metade do tamanho da Lua, a 100 anos-luz de distância.

As Constelações

Para facilitar a mapeação, a Astronomia agora divide o céu em 88 constelações ou seções. Mas constelações foram primeiramente reconhecidas pelos antigos grupos de estrelas, nomeadas principalmente em honra de personagens da mitologia grega. Ptolomeu (150 a.C.) compilou uma lista de 48 constelações, que foi mais tarde expandida conforme viajantes observavam o céu a sul. Já mencionamos Órion, Hércules, e o Cruzeiro do Sul. A Ursa Maior é muito conhecida, direcionando os observadores para a estrela do polo norte, Polaris, que é uma supergigante amarela cerca de 650 anos-luz de distância. Elas são belas de reconhecer e admirar.

Algumas constelações juntas em grupos compõem os doze signos do Zodíaco, que são usados para descrever onde o Sol parece estar durante cada um dos doze meses da órbita anual da Terra. Estes signos foram manipulados num sistema supersticioso chamado Astrologia, derivado do paganismo antigo, completamente ilusório e explicitamente condenado nas Escrituras (ver Isaías 47:13). A proliferação de horóscopos em jornais e revistas mostra que muitas pessoas ainda seguem a Astrologia.

Tem sido dito que as constelações do Zodíaco contam a história da redenção em grande detalhe, da Virgem, a promessa do advento do Redentor, pelo Leão, o seu triunfo final. Algumas constelações como Libra, Balança e Cruzeiro do Sul poderão ilustrar com mais facilidade verdades das Escrituras. Mas, na verdade, é preciso muita imaginação para corresponder o padrão das estrelas nas constelações aos seus nomes, muitos dos quais nem sequer conhecemos. É muito mais simples e melhor prestar atenção à "confirmada palavra profética" (II Pedro 1:19) e desfrutar da completa, final e clara revelação de Deus no próprio Cristo (Hebreus 1:1).

A Vastidão do Espaço

A Via Láctea, onde está o nosso sistema solar, é cerca de 100.000 anos-luz em diâmetro. Por vezes, numa noite límpida, é possível vê-la estendendo-se de um lado ao outro do céu. A olho nu podem ser vistas mais três galáxias, as duas Nuvens de Magalhães e a Galáxia de Andrômeda, aparentemente a 2,25 milhões de anos-luz de distância. Isto é o mais distante objeto do universo observável a olho nu. Adicionalmente, existem nébulas, quasares, pulsares, buracos negros e outros semelhantes que não poderemos descrever aqui.

Essas distâncias e esses números são realmente demasiado gigantescos para serem compreendidos, tal é a vastidão do espaço vazio. Na verdade, agora já é admitido que a estrutura e a dimensão do espaço estão além da nossa compreensão. Permanecem mais perguntas que respostas, dado que o assunto é tão complexo.

As observações realizadas pelos astrônomos envolvem quantidades tão minúsculas, que erros podem ser significativos. Também as conclusões encontradas dependem de certas leis e princípios que são válidos na Terra, mas, como por vezes já foi visto, podem não ser válidos para extrapolações sobre distâncias tão enormes em condições completamente desconhecidas. A Astronomia impulsiona a ciência ao limite da sua metodologia e, assim sendo, a confiança nos detalhes de suas conclusões pode ser menor que na maioria de outras ciências.

O que é o Homem?

Confrontados com tal vastidão, com tantos números de estrelas, salienta-se outra vez a pergunta de Salmos 8:4: "Que é o homem?" Será o homem apenas um cisco insignificante num pequeno planeta rotativo em uma de muitas imensas galáxias rodopiantes? Muito pelo contrário! Apenas o homem tem a habilidade de explorar, de compreender e de apreciar a grandeza do universo, e, a partir disso, aprender mais sobre o Criador e adorá-lo. Esse é o nosso significado e propósito verdadeiros!


CAPÍTULO 14

Água – um Líquido Singular

Já tomamos nota de que a Terra é um planeta único, tendo uma temperatura de superfície correta para a vida existir, e o calor do Sol sendo balanceado pela sua distância. Essa distância, por sua vez, depende da massa da Terra, que, se fosse mais pesada, estaria mais perto do Sol e mais quente e, se mais leve, estaria mais longe do Sol e mais fria. A temperatura da superfície permite que a água exista no estado líquido, a única forma que consegue sustentar a vida. Gelo sólido ou vapor de gás escaldante não funcionaria.

De todas as substâncias que encontramos na Terra, a mais comum é definitivamente a água, na sua maioria em grandes quantidades. Embora a tenhamos como um dado adquirido, ela é uma notável substância que é unicamente desenhada e essencial para sustentar a vida. Aqueles que (em vão) procuram pela existência de vida fora da Terra, ou seja, em outros planetas, procuram por água como a primeira pista. Sem água não é possível existir vida. A maior parte da matéria do universo consiste de gases muito quentes (nas estrelas) ou em sólidos profundamente congelados (nos planetas externos). Embora tão comum na Terra, a água é extremamente rara no universo. A Terra é muitas vezes descrita como um "planeta azul". Cerca de 70% da sua superfície é coberta por água. Na forma de vapor, ela também se imbui na atmosfera. Mesmo aquelas áreas chamadas secas ou áridas continuam a conter quantidades significativas de água.

A água possui várias propriedades especiais que a tornam verdadeiramente única e necessária para a vida natural. Antes de olharmos para isso, lembre-se de como nas Escrituras a água frequentemente representa aquilo que é necessário para a vida espiritual. A água é a figura do Espírito Santo, sem o qual a vida espiritual não é possível (João 3:5; 4:14; 7:38-39). Ser "purificado por meio da lavagem de água pela palavra" (Efésios 5:26) é necessário para o cumprimento do propósito de Deus na vida cristã. O último convite da Bíblia é: "Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida" (Apocalipse 22:17). Mesmo no deserto espiritual desse mundo, a alma do crente pode ser como um "jardim regado" (Isaías 58:11; Jeremias 31:12). Para isso, temos de nos nutrir constantemente pelas fontes do Espírito e da Palavra.

Propriedades da Água

Cada uma das propriedades químicas e físicas da água a fazem ser crucial para sustentar a vida em todos os níveis. A mais pequena célula microscópica não funciona sem ela, nem os grandes mamíferos na terra e no mar. Todos os tipos de vegetação precisam de água também, desde os arbustos do deserto à vegetação luxuriante das florestas tropicais. É necessária para necessidades óbvias de consumo potável e irrigação, e para a difusão e distribuição de nutrientes e energia. A água controla a temperatura na Terra e em todas as criaturas vivas, que apenas sobrevivem se as temperaturas não oscilarem demasiadamente. A estrutura molecular especial da água dá-lhe propriedades termais cruciais.

Propriedades Termais

A água líquida consegue absorver calor sem aumentar muito a sua própria temperatura, e esse calor é retido de maneira eficiente. Ela também pode liberar calor em grandes quantidades sem uma grande queda na sua temperatura. A água é a melhor substância comum que faz isso; ela tem uma alta capacidade térmica. A vida se beneficia disso de duas maneiras.

Primeiro, os grandes oceanos mantêm as temperaturas na terra estáveis, sem subir ou descer muito. Os oceanos também são grandes reservatórios e condutores de calor. Grandes correntes oceânicas, como a Corrente do Golfo, transferem grandes quantidades de calor do equador para latitudes mais frias, sendo por esse motivo que o clima de países, como o Reino Unido, é moderado.

Em segundo lugar, quando estamos expostos ao calor ou ao frio, a temperatura dos nossos corpos se mantém relativamente estável, porque nós somos constituídos de cerca de 70% de água (assim como muitos animais). Esse efeito é relacionado à alta capacidade térmica da água. É, no entanto, ainda auxiliada por outra das suas propriedades - a sua temperatura de vaporização também é elevada. Isso significa que, quando a água em estado líquido muda para vapor, muito calor é usado. Assim, quando os nossos corpos precisam perder calor rapidamente, a água evapora-se pela nossa respiração e pela pele - como transpiração em casos mais extremos, permitindo que os nossos corpos mantenham a sua temperatura estável. A perda de uma pequena quantidade de água pode remover uma grande quantidade de calor. A água é a única substância que consegue realizar esse processo de maneira tão eficiente.

Propriedades do Gelo

É normal reparar como a água se torna em gelo quando congela, e notar o gelo flutuando no topo da água. Mas é pouco usual que a forma sólida de qualquer substância flutue no topo do seu próprio líquido no ponto de congelação

- a maioria dos sólidos afundam porque são mais densos ("pesados") que o líquido. Mas o gelo é menos denso que a água a 0 °C quando congelado, por isso, ao contrário de outras substâncias, o gelo flutua na superfície da água.

Esse comportamento excepcional é extremamente importante para todos os tipos de vida aquática. Se o gelo afundasse enquanto era formado, a água iria congelar do fundo para cima, até que tudo ficasse sólido, e todas as criaturas vivas na água seriam empurradas para o topo, onde iriam congelar até morrer. Pelo contrário, o gelo que se forma no topo age como uma camada isolante, impedindo que o ar gelado afete a camada de água inferior que se mantém acima do ponto de congelamento, a cerca de 4 °C, onde a água tem a sua maior densidade.

É outro fenômeno fantástico que a água sólida (gelo) seja um isolante tão bom, porque a água líquida é, na verdade, um excelente condutor de calor, quatro vezes melhor que qualquer outro líquido comum. Essa alta condutividade é outro fator que ajuda ainda mais para que a água regule e distribua calor nos oceanos e nos nossos corpos como descrito acima. Todas as suas propriedades trabalham em conjunto para o benefício da vida.

Propriedades de Solvência e Difusão

Uma grande variedade de substâncias diferentes pode ser dissolvida na água, embora em medidas diferentes. A água já foi chamada do solvente universal. Assim, a água dissolve muitas substâncias e transporta-as, por exemplo, para providenciar nutrientes e remover subprodutos de maneira eficiente em todos os tipos de sistemas vivos e no amplo meio ambiente. Esta é outra razão-chave do porquê seres vivos precisam de água.

A água consegue dissolver grandes quantidades de sal e de açúcar. Também pode dissolver muito dióxido de carbono, e isso ajuda a remover esse gás dos nossos corpos e controla a acidez dos nossos fluidos. Ela também dissolve o oxigênio, outra substância crucial para a vida. Os nossos pulmões absorvem gás oxigênio diretamente do ar. Lá, o oxigênio é dissolvido no sangue de uma forma especialmente eficaz para transferi-lo rapidamente para onde é necessário, nas células e nos músculos. A vida nas águas requer oxigênio dissolvido para a respiração pelas brânquias. Oxigênio dissolvido é também fundamental para a purificação da água - para oxidar contaminantes em substâncias relativamente inofensivas, a fim de que a água seja purificada de poluentes e possa ser reutilizada. A verdadeira natureza versátil da água permite que cada forma de vida viceje em seu próprio habitat.

Algumas outras propriedades da água elevam a sua adaptação única para o sustento da vida. A sua viscosidade é baixa o suficiente para (ao contrário do melado ou do óleo) que passe facilmente por pequenos tubos, tais como capilares sanguíneos. A difusão pela água é rápida o suficiente para que materiais essenciais alcancem os locais requeridos; o oxigênio, por exemplo, chega a uma célula do corpo em um centésimo de segundo. A sua tensão de superfície lhe permite se espalhar em certos tipos de superfície, mas não em outras. Não pode existir uma substância melhor para sustentar a vida do que a água. Realmente, a água incorporada no desenho para a vida é um testemunho eloquente da sabedoria do Criador.

O Ciclo da Água

A água da Terra é constantemente trocada e reciclada conforme o calor do Sol evapora a água superficial para a atmosfera, onde ela se precipita de volta para a terra na forma de chuva, neve ou orvalho, finalmente retornando ao mar. Salomão observou isso muito tempo atrás (ver Eclesiastes 1:7). O ciclo dessaliniza, purifica e distribui a água para o uso de todas os seres vivos. Tem sido calculado que a água atmosférica é mudada e reciclada cerca de 40 vezes por ano, ou seja, quase semanalmente. Enquanto ela está na atmosfera, ela auxilia o aquecimento global, sem o qual as temperaturas da superfície da Terra estariam abaixo do ponto de congelamento, e nada poderia sobreviver.

Essa substância especial chamada água sustenta de forma singular a vida aqui e agora. Mas ela também o fará na terra milenar, como as "águas vivas" que correm de Jerusalém (Zacarias 14:8). E, fluindo do trono de Deus, o "rio da água da vida" irá assegurar o eterno frescor da nova Jerusalém (Apocalipse 22:1).

 


CAPÍTULO 15

Luz – uma Iluminação Singular

Sem luz não é possível existir vida. Tanto a vida natural quanto a espiritual dependem dela. O primeiro ato de criação de Deus foi trazer a luz numa cena de caos obscuro: "E viu Deus que a luz era boa" (Gênesis 1:4). Também no reino espiritual ele agiu, nos salvando do "império das trevas" (Colossenses 1:13) e fazendo-nos "luz no Senhor" (Efésios 5:8).

Para ser eficaz, a luz necessita de, pelo menos, três elementos - uma fonte, um receptor e nenhuma barreira entre eles. A fonte primária de todo o tipo de luz é o próprio Deus: "Deus é luz, e não há nele treva nenhuma" (I João 1:5). Se Deus não tivesse enviado "a verdadeira luz" ao mundo (João 1:9), estaríamos perdidos para sempre na escuridão. Quão gratos deveríamos ser que "as trevas se vão dissipando, e a verdadeira luz já brilha" (I João 2:8), e quão diligentes deveríamos ser para que a nossa luz "brilhe diante os homens", sem barreiras ("alqueires") para que as pessoas ao nosso redor vejam "as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus" (Mateus 5:15-16).

Mas essa luz será desperdiçada se ninguém ou nada a receber. Infelizmente, Satanás tem cegado as mentes daqueles que não creem "para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo" (II Coríntios 4:4). Mas o gracioso e grande Médico que abriu muitos olhos cegos enquanto ele esteve na Terra, e deu clareza de visão (Marcos 8:25), continua a fazê-lo pelo poder do Espírito Santo e pelos seus servos (Atos 26:18; Efésios 1:18). Que o exemplo de João Batista nos inspire, para sermos uma "lâmpada que arde e alumia" (João 5:35), não a fonte da luz, mas os seus portadores, vozes a clamar, sinais que apontam (João 1:23- 29), pregando não a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor (II Coríntios 4:5).

O que é Luz?

Essa luz com a qual estamos acostumados no nosso dia a dia é uma forma única e especial de energia, vinda de certas fontes naturais ou artificiais e recebida pelos nossos olhos. A informação resultante que é então registrada no nosso cérebro é muito complexa e rica em conteúdo. Todas as variedades de cores, formatos e intensidades trazem informações variadas. De todos os nossos sentidos, a visão é o que nos dá uma maior quantidade de informação sobre o meio envolvente.

Luz é uma forma de radiação, o que, na verdade, significa que é radiada ou emitida de alguma fonte maior de energia. Para a vida na Terra, a mais comum e importante fonte de luz é o Sol. O seu calor nos aquece, a sua luz nos sustém e nos permite aprender e descobrir o que está ao nosso redor. Mas essa grande fonte teria sido ineficaz se a luz tivesse sido, de alguma maneira, bloqueada, ou se nós (e outras formas de vida) não fôssemos equipados com receptores eficientes de luz. Na verdade, as características desses receptores (nossos olhos) correspondem à fonte de luz exatamente, e o que está no meio não é uma barreira, mas uma forma efetiva de filtrar a luz. Esse é outro exemplo do maravilhoso esquema desenhado, no qual podemos reconhecer a sabedoria e a perícia do nosso Todo-Poderoso Deus.

Aquilo que chamamos luz é uma pequena seção de um  enorme  espectro  de  radiação  chamado  de  ondas eletromagnéticas, que viajam numa incrível velocidade de 299.793 km/segundo. Numa extremidade desse espectro, a radiação tem comprimentos de onda muito longos. As ondas de rádio são as ondas com comprimento muito longo, de vários quilômetros; as ondas com cerca de 1 cm de comprimento são chamadas de micro-ondas. Elas podem carregar quantidades muito pequenas de energia. Na outra extremidade está a radiação de ondas muito curtas, os raios X e raios gama, que carregam grandes quantidades de energia. No meio está o espectro visível, feito de cores, às quais os nossos olhos são sensíveis, as familiares "cores do arco-íris" em toda a sua beleza. Mais além, na extremidade vermelha, com onda mais longa, existe o infravermelho e, na extremidade violeta, com onda mais curta, a ultravioleta. Não podemos ver nenhuma delas, mas podemos sentir o efeito de ambas, uma como calor, a outra como aquela que bronzeia a nossa pele quando nos expomos ao Sol.

Luz Visível

Todos os tipos de radiação existem pelo espaço, mas nós e outras formas de vida na Terra podemos apenas usar a luz do espectro visível. Igualmente importante, precisamos de proteção da outra radiação. Algumas das ondas de comprimento longo são prejudiciais à vida (as micro-ondas) e as ondas de pequeno comprimento são letais, pelo fato de a sua energia ser tão alta - elas iriam partir as nossas células e rasgar as moléculas que as compõem. Não é maravilhoso que a Terra receba tão pouco dessas ondas prejudiciais, enquanto, ao mesmo tempo, recebe grandes quantidades de radiação visível - apenas uma pequena fração de todos os tipos existentes! O Criador e Sustentador da vida na Terra faz isso acontecer da seguinte maneira.

Primeiro, o Sol que Deus criou emite radiação com cada uma das ondas de que a vida na Terra precisa. Com a sua temperatura superficial de cerca de 6.000 °C, ele emite mais radiação no meio do nosso intervalo visível. Já vimos como o Sol permite que a Terra tenha a temperatura correta para a vida existir, mas também essa radiação é exatamente aquele tipo ao qual os nossos olhos respondem. Adicionalmente, esse é o tipo de radiação que provoca reações no nosso ambiente para providenciar o fornecimento básico de alimentação, em processos conhecidos, como foto biologia ou fotoquímica. Ele também emite alguma radiação infravermelha, que fornece o significativo efeito de aquecimento para a Terra, e alguma radiação ultravioleta, que também é utilizada em alguns processos fotoquímicos.

A seguir, conforme a radiação se aproxima das barreiras exteriores da Terra, ela é parcialmente filtrada pelo ozono e pelo vapor de água no alto da atmosfera superior. O que é filtrado é a maior parte das ondas de comprimento menor, ultravioleta, a maior parte dos raios de alta energia gama do espaço sideral, e a maior parte das micro-ondas prejudiciais de comprimento longo. Assim, uma barreira de vapor de água está colocada para proteger a Terra da maioria dos tipos de radiação prejudicial. Mas a água não absorve a luz visível, e assim essa radiação útil e benéfica continua em rota, para alcançar a superfície da Terra.

Quanta coincidência! - processos completamente diferentes, um relativo ao Sol a milhões de quilômetros de distância, o outro acontecendo aqui na atmosfera da Terra é outro exemplo das propriedades benéficas sem par da água. "Que variedade, SENHOR, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste!" (Salmos 104:24)

Água e Luz

Essa interação de água e luz também beneficia a vida aquática. A pequena quantidade de ultravioleta que chega à superfície da Terra é rapidamente absorvida nas camadas milimetricamente superficiais da água, protegendo os muitos organismos e criaturas que vivem nos mares, lagos e rios. Mas a luz visível, essencial para a fotossíntese, não é absorvida e pode penetrar até cerca de 100 metros. O infravermelho também é absorvido nas camadas superiores de água, aquecendo-as a partir do topo, para que estejam mais leves que as camadas inferiores. A água mais quente, dessa maneira, continua mais perto da superfície, evitando que a massa de água sobreaqueça e perca muito do seu conteúdo vital de oxigênio. As camadas superficiais também transferem calor para o ar, influenciando o clima, e ajudando a manter temperaturas estáveis. Se o calor estivesse espalhado na água em profundidade, isso não poderia acontecer.

Visão e Luz

O olho é uma estrutura notável, operando de uma forma semelhante (mas muito superior) a uma câmera moderna. A luz entra por uma abertura ajustável automática chamada de pupila, é focada numa lente variável na retina e registra um sinal por uma pequena reação fotoquímica. Apenas as ondas de luz visível podem desencadear essa reação - outras ondas não são capazes de fazê-lo.

Ademais, para um ótimo desempenho e claridade de visão ao usar as ondas de luz visível, o tamanho dos nossos olhos é correto. Ondas de maior comprimento precisariam de olhos muito maiores para fazer o mesmo - se as ondas fossem dez vezes maiores, o "olho" teria de ter pelo menos 25 cm de tamanho. Por outro lado, ondas menores seriam absorvidas pelos fluidos dos olhos, até mesmo destruindo o tecido biológico e os fotorreceptores da retina. Para uma visão clara usando a luz do Sol, o melhor tamanho é exatamente aquele que Deus desenhou e nos deu, que não é demasiadamente grande para a cabeça, com aspecto grotesco, nem tão pequeno que fosse insignificante.

Visão e luz são maravilhosos presentes de Deus. Mas não podemos diminuir a nossa visão espiritual. "Visto que andamos por fé e não pelo que vemos." (II Coríntios 5:7) "Se ... andarmos na luz, como ele está na luz." (I João 1:7) Que a sua Palavra seja uma lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (Salmos 119:105), pois na sua luz vemos a luz (Salmos 36:9).

 

 


CAPÍTULO 16

Carbono – um Elemento Químico Singular

Qualquer pessoa que estude ou observe o mundo natural deve ficar impressionada pela sua imensa variedade. No espaço sideral, aqui na Terra, dentro dos nossos corpos e tudo ao nosso redor, tanto a criação inanimada quanto o mundo vivo revelam variedade e beleza e, dessa forma, refletem a glória e a sabedoria do Criador. Nada que Deus faz é aborrecido ou monótono.

Apenas pense em milhões de substâncias ao nosso redor - do papel ao plástico, da cal ao queijo, da madeira à pedra, da água ao petróleo, do oxigênio ao aço, da vitamina C à aspirina ou clorofila... A lista de materiais com os quais estamos familiarizados é praticamente sem-fim. E todos eles são feitos de menos de noventa elementos diferentes, substâncias primárias para as quais cada material poderia ser reduzido. Na verdade, os materiais mais comuns são feitos de apenas cerca de vinte elementos. Os elementos mais comuns na Terra são o oxigênio, o silício, o alumínio e o ferro. Os mais importantes para a vida são o carbono, o hidrogênio, o nitrogênio e o oxigênio.

Os Elementos Químicos

Esses elementos químicos primários são os mesmos materiais básicos com os quais tudo é feito. Deus desenhou e fez cada elemento com o seu próprio tipo de átomo, diferente de qualquer outro elemento, para que eles pudessem combinar entre si de maneiras específicas para produzir milhões de compostos que agora reconhecemos. Assim, o oxigênio é um elemento, mas, combinado com silício e alumínio, cria a rocha; combinado com cálcio e carbono, faz a cal; combinado com hidrogênio, é água; combinado com carbono e hidrogênio, faz a vitamina C e a aspirina além de madeira e muitos plásticos e um grande número de outras substâncias.

A Química é a ciência que estuda a composição e as propriedades de todos os materiais e tenta explicar por que eles se comportam de certas maneiras, ao examinar as suas partículas menores, chamadas moléculas. Moléculas são coleções de átomos ligados um ao outro, por vezes apenas poucos átomos ligados, como no caso da água ou do dióxido de carbono ou do metano, por vezes, em grandes quantidades de átomos, como na clorofila ou nas proteínas ou nos plásticos (chamados polímeros). Moléculas possuem formas, tamanhos e propriedades distintas, e a maioria delas é menor que um milionésimo de centímetro. A Química revela o trabalho das mãos de Deus nesse nível submicroscópico e fascinante.

Os vários átomos que compõem as moléculas têm a sua estrutura única. Cada átomo contém um certo número de partículas ainda menores, chamadas de prótons, nêutrons e elétrons. A maneira como essas partículas se arranjam é outra maravilha, pesquisada e descoberta por cientistas, mesmo que ainda não seja compreendida na sua totalidade, mas desenhada e feita por Deus. O número de elétrons na parte de fora de um átomo decide o tipo de ligação química a ser feito ao seu átomo vizinho.

Arquitetura atômica e molecular proclamam a sabedoria e a glória de Deus. O Senhor Jesus disse um dia, "Asseguro- vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão" (Lucas 19:40). Cada átomo e cada molécula nas pedras, ou em qualquer outra coisa, realmente clamam àqueles dispostos a ouvir o eloquente testemunho ao seu Criador.

Carbono - a Base da Vida

De todos os elementos, um é especial e único, o elemento carbono. É aquele do qual é composta a estrutura de todos os seres vivos. Por causa disso, o estudo dos compostos de carbono tem sido tradicionalmente chamado de Química Orgânica. Compostos de carbono são muito mais numerosos de que compostos de qualquer outro tipo de elemento, e muitos desses são encontrados em seres vivos.

Todos os organismos vivos são feitos de compostos de carbono ligado a hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e, com menos frequência, enxofre. Desses poucos elementos foram construídas todas as formas de vida e as suas funções metabólicas. É verdadeiramente maravilhoso que tão poucos elementos conseguem produzir tanta variedade, e produzi-la em condições que suportam a vida. Em adição a moléculas menores, como aquelas de dióxido de carbono, água, amônia e aminoácidos, existem moléculas maiores, como aquelas dos carboidratos, proteínas, gorduras e óleos, e, em cada classe, centenas e centenas de variações na estrutura molecular. É essa larga variedade de substâncias que permite existir tanta diversidade nas formas de vida.

Carbono é o único elemento que consegue formar uma variedade tão grande de compostos diferentes. Cada átomo consegue formar quatro ligações com átomos de outros elementos ou com outros átomos de carbono, e essas ligações podem ser simples, duplas ou triplas. Isso abre caminho a possibilidades sem fim para o carbono fazer moléculas diferentes de praticamente qualquer tamanho e forma tridimensional. O elemento mais similar ao carbono é o silício, mas ele não pode criar ligações como estas em nível significativo. Claramente, Deus desenhou e fez o átomo do carbono para se adequar às necessidades especiais da vida.

Compostos de Carbono

Os processos que sustentam a vida são muito complexos, mas também muito eficientes. Pense, por exemplo, no consumo e na digestão de produtos alimentares, na reparação de tecido danificado, no transporte de nutrientes, na respiração para suprir oxigênio que é transportado pelo sangue, produzindo energia para a ação muscular ou para funções complexas dentro das células.

Para tudo isso acontecer, as substâncias envolvidas precisam passar por mudanças (reagir) às temperaturas nas quais a vida existe. Se elas fossem muito estáveis nessas temperaturas, elas não seriam usáveis e, se fossem muito instáveis, iriam mudar muito rapidamente antes de poderem fazer o seu trabalho ou chegar ao seu destino. É um fato fascinante que apenas na temperatura onde a vida se desenvolve, esses mesmos compostos de carbono possuem essa estabilidade correta intermédia. As propriedades dos compostos e a força das ligações químicas entre as suas moléculas vão ao encontro da sua utilidade apenas nas temperaturas requeridas - será coincidência? Não, foi desenhado assim!

Repare como isso se encaixa na imagem geral. A vida precisa de uma temperatura estável entre 5 e 40 °C. Nestas condições, os compostos de carbono relevantes podem reagir e mudar, e a água necessária é líquida. Isso combina perfeitamente com a temperatura da superfície da Terra. Já temos visto como essa temperatura é alcançada pelo efeito de aquecimento do Sol, moderado pela sua distância de nós e pelo efeito da atmosfera. Essa distância, por sua vez, foi determinada pela massa do planeta. Não houve correções posteriores, mudanças acidentais, ou condições evolventes para produzir a vida. É tudo um grande desenho realizado pelo nosso fiel Criador para o benefício de todas as suas criaturas! Do padrão dos elétrons ao minúsculo átomo de carbono, à posição da Terra no magnífico sistema solar - tudo isso reflete a imensa sabedoria de Deus.

As Moléculas da Vida

Os nossos corpos contêm cerca de 100 milhões de milhões de células, sendo a maioria delas cerca de dois centésimos de milímetro em tamanho. Cada célula tem a sua própria função - pele, cérebro, músculo, sangue, e aí por diante. Cada célula tem uma estrutura similar e carrega toda a informação necessária para realizar muitas tarefas complexas, a mais importante de todas sendo replicar-se a si mesma.

Células podem ser comparadas a minúsculos computadores, perfeitamente desenhadas para funcionar em materiais biologicamente codificados para produzir resultados biológicos. A informação é armazenada no núcleo da célula numa substância chave chamada de DNA (ácido desoxirribonucleico) que armazena dados de maneira mais eficiente e compactada que qualquer outro sistema conhecido (você esperava alguma coisa inferior vinda do Criador?) Tem sido calculado que a informação de cerca de um bilhão de livros poderia ser armazenada numa amostra de DNA do tamanho de uma cabeça de agulha. A estrutura e a função da molécula de DNA são verdadeiramente espantosas.

Uma célula também pode ser comparada a uma fábrica em miniatura, operando de acordo com regras específicas, usando transportes de energia e materiais eficientes para produzir certos compostos químicos. O mais importante desses são as proteínas, sintetizadas dos seus blocos de construção, feitas exatamente como o organismo precisa. Milhões de diferentes moléculas podem ser feitas desses materiais-base, mas apenas um vai ter o tamanho certo, formato tridimensional e reatividade para o seu uso final. Os complexos processos na célula (fábrica) selecionam apenas aquele que é necessário, sem nenhum subproduto hostil ou bens defeituosos! Todos os componentes de átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio se encaixam de acordo com o desenho do Criador, conforme codificado no DNA de cada célula. Proteínas fazem uma incrível variedade de trabalhos. São construtores estruturais de tecido, catalisadores (enzimas) para reações, mensageiros e receptores de informação, defensores contra toxinas, apenas para mencionar alguns. As suas moléculas são todas diferentes e distintamente dobradas ou em espiral, mantidas em seus lugares por fracas ligações e pela interação pelo seu ambiente aquoso, dando a cada uma o formato tridimensional que é crítico para a sua função.

Central a isso tudo está o insubstituível átomo de carbono - uma parte fundamental do plano para dar a esse mundo variedade e beleza, forma e função. "Que isso tudo funciona, e funciona tão bem, é nada menos que miraculoso." [1]

1.            De um livro de ensino secular: General, Organic and Biological Chemistry de autoria de DM Feigl & JW Hill

 


CAPÍTULO 17

Homem – um Ser Singular

O número de espécies vivas na Terra é imenso. Elas são primeiramente classificadas pelos biologistas nos reinos vegetal e animal, depois em numerosos ramificações e tipos, até as espécies individuais. O ponto de vista da evolução é que todas elas vieram de um antepassado em comum, mudando ao longo do tempo para as suas formas atuais. O ponto de vista daqueles que acreditam na Bíblia como a Palavra de Deus é que todas foram criadas por ele, diferenciadas entre si desde o início. Modificações ("microevoluções") aconteceram dentro de espécies estabelecidas pela reprodução seletiva e isolamento de habitat, mas a evolução a longo termo de novas espécies é uma teoria não provada, embora muito popular.

Entre milhões de espécies diferentes, uma é única. Essa é o homem. O homem não é relacionado biologicamente a qualquer animal com o qual ele possa ter uma semelhança superficial, nem a qualquer outra criatura ou ao seu ambiente, embora processos químicos semelhantes impulsionem o seu metabolismo, ou fluidos semelhantes sejam encontrados em suas células. Partilhar tais traços não é uma evidência de ligação biológica ou ancestral, embora possam argumentar tal coisa! Isso apenas significa que o Criador desenhou processos bioquímicos e estruturas de unidades perfeitos e efetivos e usou-os nos muitos seres vivos que ele criou de acordo com a sua própria vontade. É como um arquiteto desenha diferentes tipos de edifícios, ou como um engenheiro produz máquinas extremamente diferentes. Mas uma fábrica não é igual a uma ponte ou uma escola, nem um motor de carro a um motor de avião ou uma máquina de costura!

Antes de olharmos para as muitas características do homem que são clara evidência da sua posição única na criação, vejamos primeiro com cuidado o que a Bíblia diz sobre a singularidade do homem.

"Que é o Homem?"

Essa pergunta aparece quatro vezes na Bíblia: Jó 7:17; Salmos 8:4; 144:3; e Hebreus 2:6. Em cada caso, o contexto é a aparente pequenez ou até mesmo insignificância do homem no grande esquema das coisas - a efemeridade da vida perturbada de um homem em Jó 7, o imenso universo estrelado em Salmo 8 e a grandeza e bondade de Deus em Salmo 144. Mas a questão é o fato maravilhoso de que Deus colocou um interesse pessoal apenas no homem - "ponhas nele o teu cuidado", "o visites", "dele tomes conhecimento... o estimes". Embora seja evidente que Deus se importa com a sua criação, o homem é um objeto de especial atenção, afeto e propósito para ele.

O homem foi criado de maneira diferente. No sexto dia da criação, quando o homem foi feito, Deus disse algo sobre aquele ato que ele não disse sobre mais nenhum. Os trabalhos da criação de Deus eram precedidos por "Haja..." (ou o equivalente), mas, na vez do homem, lemos "Façamos..." (Gênesis 1:26-28). A Divindade realizou uma atividade deliberada, propositada e unida. Foram acrescentados outros detalhes especiais: (1) "Tenha ele domínio..." O homem foi, certamente, parte da criação, mas foi-lhe dado um domínio único, e a sua intendência. (2) "Criou Deus o homem à sua imagem." Nenhuma outra criatura teve tal dignidade e tanto potencial. (3) Deus "lhe soprou nas narinas o fôlego de vida" (Gênesis 2:7). Por um ato divino, pelo fôlego direto de Deus, o homem se tornou uma alma vivente. O seu corpo foi feito do pó da terra, ou seja, composto fisicamente dos mesmos elementos químicos que compõem a Terra, assim como "[Produziu] a terra seres viventes...segundo a sua espécie" (1:24). Mas Adão era diferente, recebendo a vida e uma alma pelo toque pessoal e sopro do Criador.

O homem é constituído de maneira diferente. O homem é um "ser tripartido", constituído de "espírito, alma e corpo" (I Tessalonicenses 5:23), à imagem do seu Criador, o Deus triúno, Pai, Filho e Espírito Santo. O espírito é a parte mais importante do homem- ele permite que entremos em contato com Deus de uma maneira espiritual (João 4:24). Na morte, o espírito do homem retorna a Deus (Eclesiastes 12:7). A alma é a verdadeira pessoa ou personalidade, capaz de se envolver emocional e mentalmente com outras pessoas e coisas. A alma é imortal, vivendo para sempre no céu ou no inferno depois da morte. O corpo é a estrutura física que acomoda o espírito e a alma, por onde nos expressamos, por onde nos fazemos conhecidos aos outros, no qual somos chamados a glorificar a Deus (I Coríntios 6:20). Ele se decompõe depois da morte, para ser trocado por um novo corpo como o de Cristo na ressurreição (Filipenses 3:21). O espírito faz-nos conscientes de Deus, a alma faz-nos autoconscientes, o corpo nos faz conscientes do mundo.

O homem foi chamado para ser diferente. Deus criou o homem para que ele tivesse uma comunicação significativa e desejada com ele. O homem feito (1) "à imagem de Deus" supõe uma habilidade essencial de representar Deus e mostrar o seu caráter e, (2) "conforme a (sua) semelhança", demonstra uma potencial habilidade de se parecer com ele e cooperar com ele. Apenas o homem possui essas habilidades. Elas foram grandemente comprometidas pelo pecado de Adão, e muito do potencial foi perdido. Mas, pela redenção, o que antes estava perdido foi restaurado e adicionado.

Existe uma outra razão muito importante pela qual Deus fez o homem único e diferente. A morte de Cristo estava planejada antes da fundação do mundo (I Pedro 1:20). Para morrer e se sacrificar, para carregar o pecado do mundo, o Filho de Deus teria de se tornar homem. Então o homem foi criado de tal maneira que Deus pudesse se expressar perfeitamente em "carne e sangue" (Hebreus 2:14). A natureza única do homem iria cumprir aquilo que Deus tinha em mente para si mesmo na encarnação do seu Filho, assim como para o lugar especial do homem na criação.

Como o Homem é Diferente?

Será o homem apenas uma criatura muito evoluída, diferente apenas numa medida de sofisticação de "irmãos" ou "primos" no reino animal? Especificamente, terá sido o homem um "descendente" de um símio, ou de um ancestral semelhante a um macaco? Não - a prova está claramente contra isso.

Nem argumentamos que o homem tem o melhor de tudo. Por exemplo, certos pássaros e animais têm uma visão muito mais apurada, assim como melhor audição e olfato. Certamente, em termos de comportamento, o homem pode fazer e já fez coisas muito piores do que qualquer outra criatura. Animais não abusam pecaminosamente dos seus filhotes, nem assassinam cruelmente ou torturam sadicamente um ao outro, nem organizam e fazem guerras dentro das suas próprias espécies. Quando predadores matam, eles o fazem pela comida, sem ódio, vingança ou desejo de magoar. O homem é capaz do mais nobre dos gestos para ser muito admirado, mas homens caídos em desgraça são também capazes dos crimes mais deploráveis e terríveis, desconhecidos no mundo natural.

Em relação às diferenças principais e à evidência da singularidade do homem, aqui está uma lista interessante. Repare em como o homem é completamente diferente de tantas maneiras de qualquer outra criatura, incluindo os "primatas".

Anatomicamente, apenas o homem tem uma postura naturalmente direita, com pés e dedos oferecendo uma base única de suporte, enquanto a mão é a ferramenta de manipulação mais eficiente à disposição. Primatas têm ossos das coxas mais compridos e costas mais curtas, o que naturalmente impede a postura ereta. Os seus pés são similares às mãos, destinadas para escalar, mas não andar.

Mentalmente, apenas o homem tem a habilidade de pensar profundamente, de avaliar provas complexas, tomar decisões difíceis, de ser criativo e inventivo. Podemos fazer isso, pois somos feitos à imagem de Deus e assim podemos também admirar e desfrutar da beleza e da harmonia. Podemos compor música, inventar e tocar instrumentos musicais, criar objetos artísticos, resolver palavras-cruzadas e problemas matemáticos, compreender conceitos abstratos de filosofia, ciência e justiça, e aplicá-los com a consciência de distinguir o certo do errado.

Apenas o homem consegue falar, ler e escrever. Essas fantásticas capacidades estão baseadas num sistema complexo de sons ou sinais  que  temos  de  aprender, de maneira a nos expressarmos. Podemos comunicar sentimentos e fatos, informações numéricas e espirituais. Podemos chorar e rir.

Apenas o homem é capaz de fazer e usar ferramentas, algumas muito complexas e especializadas - por exemplo, um torno de giro, uma fechadura e chave, um computador, um submarino.

Para o homem, trabalho é uma atividade com sentido que promove a satisfação, com objetivos além da mera sobrevivência. Nós não trabalhamos apenas para podermos comer, ou comemos para sobreviver, como acontece no reino animal.

Um homem pôde fazer, dominar e controlar o fogo, levando-o ao desenvolvimento da metalurgia, tecnologia e comércio, assim como para conforto e confecção de alimentos.

Apenas o homem pode organizar sistemas complexos, seja de informação, materiais ou sociedades completas (civilizações). E o homem pode causar a desordem desses como nenhum outro!

Bebês humanos são muito mais vulneráveis e dependentes que os de qualquer outra espécie, com maturação lenta e longos tempos de desenvolvimento. O cuidado familiar e um ambiente seguro para o aprendizado são muito importantes.

O homem se interessa pelo passado e futuro, procurando por respostas sobre questões a respeito de origens e destinos e pelo propósito da vida. Nós ponderamos sobre a morte. Nós enterramos os nossos mortos.

O homem pode amar, ser fiel e verdadeiro tanto um ao outro quanto a Deus. Podemos comunicar com Deus assim como ele pode comunicar conosco. É por isso que ele nos criou da maneira como somos.

 

 


CAPÍTULO 18

Nosso Cérebro Impressionante

No decorrer de um dia, fazemos centenas de coisas e falamos ou lemos centenas de palavras. Mas podemos pensar milhões de pensamentos. Todos os nossos pensamentos são gerados e coordenados no cérebro numa estrutura verdadeiramente fantástica e complexa. Muitos pensamentos são tão passageiros, que mal os notamos ou relembramos, enquanto outros são deliberados e profundos. Alguns provocam sorrisos, outros trazem ansiedade e tristeza. Alguns irão originar ações, outros iremos rejeitar. São os nossos pensamentos que criam as nossas palavras e ações, para o bem ou para o mal. Assim, pensamentos diretos e controlados são essenciais para uma vida que agrada a Deus e é útil para o próximo. Assim diz a Bíblia - "tudo o que é verdadeiro,...justo, ...puro,,...amável,...de boa fama,...virtude... e louvor, seja isso o que ocupe o vosso pensamento" (Filipenses 4:8).

Quando Deus criou o homem à sua imagem, ele criou o corpo, a alma e o espírito. O cérebro faz parte do corpo - cirurgiões podem removê-lo da sua estrutura protetora (o crânio), segurá-lo em suas mãos, e muitas vezes até corrigir algum dano causado por acidente ou doença. Mas ninguém consegue segurar um pensamento - não faz parte do corpo.

Nem ninguém consegue ter as mãos na mente - ela também não é algo físico. A mente é muito próxima da alma, de fato, por vezes nas Escrituras ela é identificada com isso. A mente e a alma usam e direcionam os pensamentos - intangíveis e invisíveis, mas de tão grande valor potencial para Deus e para o homem. Meditações, resoluções, decisões, avaliações, tudo envolve a mente e a alma; na verdade elas dão forma e moldam a mente e a alma, a verdadeira e significante personalidade, a pessoa que é você, apenas você e eternamente você. Meditações e resoluções são muito importantes!

Assim como a mão é necessária para a execução e os lábios para o falar, também o cérebro é necessário para o pensamento. Ainda não é completamente conhecido como pensamentos são criados, como memórias são guardadas e relembradas e como ideias são inventadas e expressadas. Também é apenas parcialmente compreendido como o cérebro controla todas as partes funcionais do corpo, inconscientemente mantendo os nossos sistemas em funcionamento. O cérebro, que nos ajuda a compreender tanta coisa, tem sido descrito como além do nosso entendimento. Ele é justificadamente chamado da mais complexa estrutura do universo.

A Estrutura do Cérebro

O cérebro tem sido comparado a um computador, mas as suas capacidades de memória, função, rapidez e durabilidade vão muito além do melhor computador alguma vez criado, ou que possa vir a ser criado; ou comparado com o centro de controle de um aeroporto movimentado, mas gerindo um sistema muito mais complexo do que tudo isso junto; ou a uma rede de circuitos de informação centenas de vezes mais complexa que o sistema de telefonia do mundo - se o diagrama de circuito pudesse ser desenhado, ele cobriria uma área de várias milhas quadradas. De todos os ângulos, o cérebro excede a todos em complexidade e eficiência.

Alguns fatos bem estabelecidos sobre o cérebro humano. É a mais poderosa máquina pensante que pode ser construída a partir de átomos neste mundo.

Pesa cerca de 1,4 kg, maior que o de qualquer mamífero, exceto a baleia e o elefante. Mas, em termos proporcionais, o cérebro humano é bem maior, com cerca de 2% do peso do corpo. O cérebro do elefante, cerca de quatro vezes maior, tem apenas 0,1% do seu peso corporal. Esse tamanho proporcional é outra característica que faz do homem o único na criação.

Ele contém aproximadamente uma centena de bilhões de neurônios, cada um conectado a cerca de outros 10.000. Um pedaço de "matéria cinzenta" do cérebro do tamanho de uma cabeça de alfinete contém cerca de 60.000 neurônios. Durante o desenvolvimento do bebê no útero, são formados em média 250.000 neurônios por minuto. Os neurônios de apenas um cérebro são mais numerosos que as estrelas da Via Láctea.

O nosso cérebro usa cerca de 20% da energia do nosso corpo. Nos outros mamíferos esse número é de 5 a 10%. O cérebro recebe energia e nutrientes pela via sanguínea através de um intrincado sistema de pequenos vasos capilares.

O cérebro consegue processar aproximadamente 1.000.000.000.000.000.000 sinais por segundo (cem milhões de vezes mais rápido do que qualquer supercomputador).

Fibras nervosas transmitem informação entre células cerebrais. No cérebro, o seu tamanho total é de cerca de 300.000 milhas, enquanto fora tem mais cerca de 240.000 milhas de fibras nervosas (com um milésimo de milímetro de espessura) carregando ordens e informações para cada parte do corpo. Os sinais são enviados a em média 100 milhas por hora (40 metros num segundo).

Células Cerebrais ou Neurônios

Cada neurônio é em si mesmo uma maravilha de complexidade e funções. Como todas as nossas células, ele tem um núcleo no qual o DNA é guardado e usado. O corpo do neurônio tem muitos filamentos longos, ou dendrites (como os ramos de uma árvore), que se estendem para encontrar outras células e receber impulsos vindos delas. Também tem uma fibra mais longa e espessa chamada axônio, que envia impulsos para outras células. A conexão entre os neurônios vai do fim do axônio para uma das dendrites de outro neurônio através de uma fenda estreita chamada de sinapse, pelos sinais químicos chamados de neurotransmissores. Assim, quando um sinal é transmitido, é como uma tomada sendo ligada. Usualmente, uma série de tomadas são ligadas ao mesmo tempo, criando um caminho entre centenas de células, sendo talvez um caminho de um pensamento, ou um traço de memória. O resultado disso pode disparar sinais através das fibras nervosas para outras partes do corpo para causar ação. Você consegue sentir a grandeza de tudo isso - de como um pensamento é produzido? - e depois é tornado numa palavra ou ação?

Quando   aprendemos   certas   habilidades, como ler, escrever ou contar, são criados caminhos que são constantemente reforçados pelo uso regular. Quando relembramos memórias, esses caminhos são ativados outra vez, mas, com a diminuição do seu uso, eles se tornam cada vez menos efetivos, o que nos faz "não lembrar". Também com a idade, alguns neurônios podem morrer e usualmente não são substituídos. Algumas conexões não podem ser feitas, então esquecemos mais!

Existem vários tipos de neurônios. Neurônios sensoriais transportam informação dos nossos órgãos dos sentidos (por exemplo, olhos, ouvidos); neurônios motores transportam informação para os músculos e as glândulas; interneurônios conectam entre os neurônios sensoriais e motores - eles compõem cerca de 97% de todo o sistema nervoso central. A maioria dos neurônios tem menos de um milímetro de comprimento, mas alguns dos neurônios motores na coluna vertebral, por exemplo, têm 1 metro de comprimento. Cada um foi individualmente desenhado e feito para o seu propósito, desde o formato e tamanho da célula até aos processos elétricos e químicos que fazem as conexões. O todo é desenhado para cooperar como um cérebro e identificar um ser humano. Quanto tempo isso tudo iria levar para evoluir? Nunca poderia ou conseguiria! Ele foi criado, uma maravilha e um milagre da iniciativa do próprio Deus.

Setores do Cérebro

Visto como um todo, o cérebro consiste de dois hemisférios, cada um controlando o lado oposto do corpo. Cada um é coberto por uma camada de células nervosas com 3 milímetros de espessura chamada de córtex cerebral. Ele é extensivamente convoluto (com dobras) para obter uma área de superfície maior. O córtex possui tanto funções motores quanto sensoriais, e diferentes seções podem estar relatadas a diferentes habilidades. Por exemplo, as seções que controlam e sentem as mãos, com os seus movimentos intrincados, e os lábios também, são muito maiores do que aquelas que controlam o pescoço ou os quadris.

O cérebro também contém órgãos-chave que coordenam a atividade, como a glândula pituitária e o hipotálamo. A pituitária segrega hormônios que são transportados pelo sangue para outras glândulas para estimulá-las. O hipotálamo, do tamanho de uma ervilha, é um maravilhoso centro de controle para o comer, o beber, o dormir, o regular a temperatura corporal e muitas outras importantes funções automáticas, como a respiração e o batimento cardíaco. Ele também controla a pituitária.

A Mente

Além do cérebro, mas ainda dependente dele, está a mente. O cérebro recebe informação pelos sentidos, processa-a por pensamentos e memórias, e a mente interpreta tudo isso de uma forma que influencia e é influenciada pela alma ou personalidade do indivíduo.

As Escrituras, muitas vezes, referem à mente e, por vezes, ao "coração" como o centro das nossas emoções e dos nossos desejos. Assim, "como imagina em sua alma, assim ele é" (Provérbios 23:7). "Do coração dos homens é que procedem os maus desígnios." (Marcos 7:21) "Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma..." (Marcos 12:30) "Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus." (Filipenses 2:5)

É tão importante usarmos o nosso cérebro para bons pensamentos, para focar e treinar as nossas mentes para amar a Deus. Quão necessário é refletirmos a mente de Jesus Cristo, o nosso Senhor.

 


CAPÍTULO 19

Nosso Fluxo Sanguíneo Vital

Por vezes prestamos atenção ao nosso batimento cardíaco, à nossa pulsação e até mesmo à nossa pressão. Se fazemos um corte ou uma pequena ferida, notamos o sangue fluir e depois parar. Outras vezes estamos conscientes da nossa respiração a acelerar com o esforço, e do suor, ou de uma dor de indigestão indicando que alguma coisa estranha está acontecendo. Mas, na maioria das vezes, não pensamos muito sobre o funcionamento contínuo das diferentes partes do nosso corpo, desconhecendo quão inteligentes, complexas e cuidadosamente desenhadas essas partes são.

Assim, quanto mais você aprender sobre os órgãos internos e suas funções, mais você ficará maravilhado em relação a quão aptos eles são e quão grande e sábio é o seu Criador. Quando Davi escreveu, "Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste" (Salmos 139:14), ele tinha tirado tempo para pensar sobre isso. E, com base no seu limitado conhecimento, ele fez o que deveríamos fazer muito mais vezes - dar a glória e o crédito a Deus por tudo isso. Eleve o seu coração admiração e em adoração!

Essa admiração se torna ainda maior e mais profunda quanto mais vai sendo descoberto sobre Anatomia, Fisiologia e Bioquímica. Aqui iremos elaborar apenas alguns contornos. Nós somos assombrosa e maravilhosamente formados! - não evoluídos, não adaptados, não existentes graças a mutações aleatórias ou acidentes cósmicos! "Foi ele quem nos fez, e dele somos... rendei-lhe graças e bendizei lhe o nome." (Salmos 100:3-4)

O Coração

O nosso coração é uma bomba eficiente e fantástica que normalmente dura muito tempo, ao contrário de outras bombas que, muitas vezes, têm de ser desligadas para reparações ou manutenção. É uma estrutura oca feita de músculo que contrai e relaxa ritmicamente a cerca de 70 vezes por minuto, o que é cerca de 100.000 vezes por dia, algo como 2.500 milhões de vezes no decurso de uma vida normal! Quatro válvulas abrem e fecham em sequência para controlar a direção do fluir do sangue. Ele pesa apenas cerca de 300 gramas, circulando o sangue continuamente para permitir que um corpo de 70 kg viva e funcione.

Ele tem dois ventrículos para bombear. O ventrículo direito recebe sangue pelas veias de todas as partes do corpo onde o oxigênio foi esgotado e bombeia-o para os pulmões para ser reoxigenado. O ventrículo esquerdo recebe o sangue oxigenado oriundo dos pulmões e bombeia-o pelas várias artérias para todo o corpo. O coração tem o seu próprio fluxo sanguíneo separado, sem o qual não poderia funcionar. As artérias coronárias levam o sangue aos músculos do coração, e as veias coronárias coletam o sangue no círculo sanguíneo mais curto, porém provavelmente mais vital de todo o corpo. Quando o coração fica sem sangue, os seus músculos não trabalham e, se o coração para, nós paramos!

O coração responde instantaneamente às exigências por mais sangue provenientes de qualquer parte do corpo que esteja em esforço. Os batimentos podem ir até 200 vezes por minuto, e o volume de sangue, sendo bombeado durante cada batimento, pode aumentar. A respiração fica muito mais rápida para suprir o oxigênio extra requisitado, já que agora passa mais sangue pelos pulmões. O sangue rico em oxigênio é então distribuído pelas artérias para alcançar a ramificações muito mais finas em pequenos tubos, até eventualmente chegar a vasos muito finos chamados capilares, que entregam o oxigênio e os nutrientes a cada célula de cada parte do corpo. Depois, uma sequência similar de capilares se junta a veias maiores, para retornar o sangue para o coração. O comprimento total dos nossos vasos sanguíneos é calculado com cerca de 9700 quilômetros, sim, 9700 quilômetros, a distância entre Londres e a Cidade do Cabo! Pare outra vez e diga, "As tuas obras são admiráveis!" (Salmos 139:14).

O sangue bombeado do coração vai encontrar alguma resistência de fluxo pelas artérias que se dividem. A pressão desenvolvida pode ser facilmente medida, e os limites para a pressão arterial são bem estabelecidos. Se algum bloqueio acontecer numa artéria ou se as artérias se tornam rígidas, o esforço requerido para circular o sangue terá de aumentar, e o coração terá de trabalhar com esforço. Na verdade, pressão arterial alta é um indicador de doença arterial que pode potencialmente causar ataques cardíacos ou acidente vascular cerebral, o que irá impedir o sangue juntamente com o seu oxigênio vital de chegar a algum órgão crítico, como o coração ou o cérebro. É sempre importante verificar a pressão arterial, porque a detecção e a prevenção são sempre melhores! Deus nos desenhou e nos deu um maravilhoso e funcional coração e circulação sanguínea, e nós devemos fazer a nossa parte ao cuidar deles. Dieta, exercício e estilo de vida são importantes!

O Sangue

"A vida da carne está no sangue..." (Levítico 17:11) Escritas há centenas de anos, essas palavras englobam a conexão entre o sangue e a vida muito antes de as pesquisas médicas e científicas mostrarem quanto próxima e detalhada é essa conexão. O sangue é um fluido maravilhoso, realizando muitas tarefas vitais para um organismo.

Para um adulto, o volume do nosso sangue é cerca de 5 litros, toda essa quantidade sendo bombeada pelo coração a cada minuto enquanto em descanso. É composto de plasma (líquido, 56%) e partículas sólidas em suspensão (células ou corpúsculos sanguíneos, 44%). Estas células se dividem em três tipos - glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.

Uma gota de sangue tem cerca de 250 milhões de glóbulos vermelhos. Cada um dura por cerca de 120 dias, sendo assim continuamente renovados (na medula óssea) numa taxa de cerca de 3 milhões por segundo! A sua função mais importante é transportar o oxigênio, absorvendo-o dos pulmões e distribuindo-o onde for necessário. Cada glóbulo vermelho (hemácia) é uma unidade fantasticamente eficiente para o seu propósito específico, com a sua forma circular em disco que permite a rápida difusão do oxigênio, pela estrutura da sua molécula-chave de proteína, chamada hemoglobina. Cada molécula de hemoglobina (constituída de cerca de 10.000 átomos) consegue conter quatro moléculas de oxigênio nos quatro átomos de ferro no seu centro, de tal maneira que eles podem ser reusados quantas vezes forem necessárias, sem que nenhum se danifique. O detalhe químico envolvido é maravilhoso, assim como o sistema num todo!

Glóbulos brancos (leucócitos) são diferentes e em menor quantidade. A sua função é monitorar e defender o corpo contra corpos estranhos e invasores, como bactérias, vírus e fungos. Glóbulos brancos reconhecem esses invasores e, numa maneira fantástica, alguns lutam contra eles com um vasto arsenal de "armas químicas", outros os absorvem e digerem. Milhões de glóbulos brancos morrem nesse processo, sacrificando-se para o benefício do corpo.

As plaquetas ficam inativas  até  ser  detectada  uma ruptura num vaso sanguíneo. Então elas acumulam-se, formando um tampão que impede a perda de sangue. Essas plaquetas podem também se dividir para lançarem substâncias químicas que promovem a coagulação do sangue, exatamente onde é necessário parar de sangrar, mas não demasiado ou numa área muito extensa que venha a inibir a circulação normal, o que causaria outros problemas sérios. Esta é outra sequência bioquímica maravilhosamente eficiente que opera constantemente e até mesmo regula a sua própria atividade de acordo com o desígnio do Criador.

Cada proteína nessa sequência complexa em escala molecular, cada componente do sangue em escala microscópica e cada membro do corpo numa escala maior, todos são necessários para o bem-estar do corpo. Você se lembra da importante lição sobre esse tema em I Coríntios 12, aplicada à igreja local? Todos precisamos uns dos outros, nenhum membro é sem importância ou supérfluo - talvez sejam os menos visíveis os mais vitais? E todos têm de cumprir a sua parte - "pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte" (Efésios 4:16).

O sangue tem muitas outras importantes funções. Ele controla a temperatura do corpo a 37 °C e distribui o calor pelo corpo. Ele transporta para todas as partes do corpo os nutrientes derivados da comida digerida no estômago e nos intestinos e depois processada no fígado. Ele também elimina os produtos residuais para serem filtrados pelos rins, outra estrutura fantasticamente efetiva. Ele transporta os hormônios, os mensageiros químicos do corpo (por exemplo, adrenalina e insulina), para dar andamento a processos quando e onde forem necessários. Verdadeiramente, "a vida da carne está no sangue".

O Sangue de Cristo

Assim como o sangue é importante fisicamente, também é o precioso sangue de Cristo para nós, espiritual e eternamente: se não partilharmos do seu sangue pela fé, não temos a vida em nós (João 6:53); sem o derramamento do seu sangue não há remissão de pecados (Hebreus 9:22), nem purificação do pecado (I João 1:7). Nós somos justificados pelo seu sangue (Romanos 5:9); aproximados de Deus pelo seu sangue (Efésios 2:13). Nós estamos no próprio coração de Deus. Que maravilha do propósito divino e que milagre pela graça divina isso é! Eleve o seu coração outra vez em admiração e adoração!

 


CAPÍTULO 20

A Maravilha do Nosso Nascimento

O desenvolvimento e o nascimento de um bebê estão entre os acontecimentos mais maravilhosos, complexos e fantásticos que se pode pensar. Atualmente, sabemos mais sobre o processo do desenvolvimento pré-natal, mas a sua maravilha continua tão grande quanto sempre foi. Talvez ainda maior, conforme as ultrassonografias oferecem cada vez mais fascinantes informações sobre os vários estágios de desenvolvimento.

Apenas o poderoso Deus, o autor e arquiteto de todas as coisas, poderia criar tal maravilha. Apenas o autor da vida poderia desenhar e dar vida de uma forma que ela fosse sustentável e reprodutiva. As teorias humanas não têm nenhuma maneira aceitável de explicar isso. Nenhum tipo de vida poderia simplesmente evoluir, incluindo as formas de vida tão sofisticadas e maravilhosas que preenchem o mundo, muito menos o homem, com todas as suas características únicas e especializadas que já estudamos. Iremos ver mais uma dessas características agora - o nascimento, o clímax de incontáveis eventos, intrincados, coordenados e sincronizados.

“Assombrosa e Maravilhosamente Formado"

Em Salmos 139:13-16 há uma bela descrição do processo de desenvolvimento pré-natal, realçando essas palavras: "Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste". Numa linguagem poética, no entanto, acurada (toda a Escritura é acurada) o escritor Davi descreve como Deus o cobriu (protegeu) "quando no oculto fui formado", no ventre de sua mãe, "e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado" antes de ele ter nascido, até mesmo a sua "substância ainda informe" vista e orientada por Deus. Pensando sobre essas palavras e o processo que elas descrevem, olhemos esse processo mais de perto, do ponto de vista mais privilegiado dos dias de hoje. Aqui está outra causa para nos maravilharmos, mais do que Davi poderia, da capacidade e da sabedoria daquele que nos fez, o sábio Deus da criação e da providência, e para louvá-lo também.

O nascimento é o resultado de nove meses de desenvolvimento não visível, a partir de duas células que se unem na concepção. Essa nova unidade depois se subdivide repetidamente, crescendo numa maneira cuidadosamente programada até que tudo esteja no seu lugar. Mesmo no fim do primeiro mês, o sistema nervoso do bebê e os neurônios estão lá e crescendo, o minúsculo coração batendo com o seu próprio sistema circulatório nas suas próprias veias. No próximo mês, os membros começam a se desenvolver, cada órgão no seu lugar, aparecem os olhos e os lábios, até mesmo unhas e impressões digitais estão se formando. Tudo continua a se desenvolver - interna e externamente, da cabeça ao pé, dos olhos e ouvidos às vias respiratórias, tubo digestivo e muito mais, para completar esse maravilhoso milagre, que é um bebê. Adicionalmente toda a estrutura é viva e móvel, e, mesmo depois do nascimento, continuará crescendo por um determinado número de anos, para depois parar no tempo apropriado, muitas de suas partes podem sarar em caso de fratura ou feridas, e cada célula opera tão eficientemente e numa escala tão minúscula! É maravilhoso como tudo foi formado a partir de duas células microscópicas que se fundiram para serem uma, para depois tornarem-se milhões de milhões de diferentes células especializadas. Dessa maneira, Deus cria uma casa para a alma humana, ao mesmo tempo dando vida e personalidade a essa alma.

Para fazer uma comparação, pense numa casa moderna e atual, construída para alguém. Pense em todas as fundações, as paredes, os telhados, a canalização, as janelas, as portas, as conexões elétricas e de telefone, o sistema de aquecimento, a ventilação, todos os aparelhos sofisticados, os móveis, a decoração e tudo o mais. Agora imagine, se você puder, que tudo isso veio de apenas um tijolo! - um que, de alguma maneira, se subdividiu repetidamente para produzir e fabricar toda a casa até que ela estivesse completa e pronta para ser habitada! E toda a informação necessária para construir tudo corretamente, e a habilidade de sintetizar todos os diferentes e necessários materiais de construção estavam também contidas nesse primeiro tijolo, sendo ele próprio feito de duas metades, separadas, mas complementares! Impossível? Bem, algo parecido como isso, porém muito mais complexo acontece na formação de um bebê. Se você seguir essa comparação grosseira, você poderá começar a compreender a maravilha do nascimento e perceber quanto além da nossa compreensão é esse maravilhoso trabalho de Deus! Você se lembra das palavras de Salomão? "Assim como tu não sabes... como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas." (Eclesiastes 11:5)

Nascimento

Durante a gestação, o bebê em desenvolvimento recebe toda a sua nutrição pela placenta da mãe, uma estrutura única, que foi formada durante as primeiras semanas de gravidez. O fluxo sanguíneo do bebê flui para dentro e para fora da placenta, onde ele absorve nutrientes e oxigênio do sangue da mãe e elimina os produtos residuais. A placenta também previne a transferência para o bebê de toxinas e substâncias perigosas. É um filtro e uma barreira muito eficiente, cuidadosamente desenhado para o seu propósito. Está conectada ao bebê em desenvolvimento pelo cordão umbilical até a hora do nascimento, quando a sua função se torna redundante e é descartada.

Durante o nascimento acontece uma importante mudança na circulação sanguínea do bebê. O bebê que ainda não nasceu tem os pulmões não ventilados, sendo o oxigênio fornecido pelo sangue da mãe. Não teria nenhum sentido que o sangue do bebê passasse pelos pulmões, assim o sangue evita os pulmões e circula por todo o resto do corpo. Esse desvio acontece por um canal especial que conecta as duas câmaras do coração e outro canal especial na artéria pulmonar. Durante o nascimento, conforme os pulmões se enchem de ar, esses dois canais fecham completa e permanentemente, e o desvio é fechado. A rota normal para o sangue circular a partir do ventrículo direito do coração, passando pelos pulmões e para o ventrículo esquerdo, está pronta e esperando. Ela se abre e se estabelece para a vida toda exatamente quando é necessário. Fantástico desenho, sincronia e eficiência!

A Preciosidade da Vida

Mais de 300.000 bebês nascem no mundo todos os dias, cada um especial e único. Infelizmente muitos bebês são indesejados. Antes do nascimento, muitos são deliberadamente abortados, principalmente por razões egoístas, numa sociedade que perdeu o rumo, os valores morais e qualquer sentido de prestação de contas - uma consequência do pensamento evolucionário. Em outras sociedades, alguns bebês são comprados e vendidos, e alguns são abandonados. Mas Deus põe um valor tão alto em cada vida, em cada alma, em cada bebê nascido, que ele enviou o seu único Filho para morrer por eles.

Cada criança nasce com uma natureza pecaminosa que irá rapidamente se tornar evidente, e cada uma delas precisa ser salva do pecado e das suas consequências. Para isso, o nosso abençoado Salvador teve de morrer numa cruz de sofrimento e vergonha. Ele disse: "Não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos" (Mateus 18:14).

Juntamente com isso lemos, "para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16). Então, quando esses pequeninos se tornam crescidos o suficiente para entender, eles têm de confiar em Cristo por escolha própria para serem salvos. Mas até que eles sejam maduros o suficiente para fazer essa escolha, se eles morrerem, talvez por acidente ou doença, eles estão cobertos em segurança pelo sacrifício que Cristo ofereceu na cruz, tendo um lugar garantido no céu. Eles podem morrer, porque Adão pecou; mas eles irão viver, porque Jesus morreu.

O Novo Nascimento

Quando o nosso Senhor Jesus falou a Nicodemos sobre a necessidade de nascer de novo, Nicodemos não conseguiu compreendê-lo. Tudo o que ele conseguia pensar era no nascimento natural e logicamente viu a impossibilidade de uma pessoa entrar de volta no útero da sua mãe para nascer de novo.

Mas, mesmo como crianças entram numa família natural pelo nascimento natural, assim indivíduos entram na família espiritual de Deus pelo novo nascimento - não existe outra maneira! O novo nascimento é tão maravilhoso e miraculoso quanto o nascimento natural, pois Nicodemos falou por muitos quando ele disse "Como pode suceder isto?" (João 3:9). Isso só pode acontecer porque Deus tanto amou o mundo que ele deu o seu Filho unigênito (João 3:16).

Assim, homens e mulheres podem receber, e efetivamente recebem, a vida espiritual e eterna como um presente de Deus, ao aceitar e crer na sua Palavra (I Pedro 1:23), e pelo trabalho do seu Espírito Santo (João 3:8). O novo nascimento também é maravilhoso. Ainda mais, as suas consequências são eternas (I João 3:1-2).

 

 


CAPÍTULO 21

O Estudo da Natureza

Estudar a natureza é estudar diretamente um dos livros de Deus, escrito em glorioso colorido e cheio de animação, à frente dos nossos admirados olhos e mentes! Ela oferece uma vitrine em constante mudança, porém consistente, do trabalho das mãos de Deus, uma galeria de arte divina, um museu vivo, uma experiência direta interativa, que transcende qualquer outra experiência que possamos encontrar. A natureza lá está para que aprendamos dela, conforme as Escrituras nos relembram (I Coríntios 11:14). Há muito tempo, Jó deixou esse conselho: "Mas, pergunta agora às alimárias, e elas te ensinarão; e às aves do céu, e elas te farão saber; ou fala com a terra, e ela te ensinará; até os peixes o mar to declararão." (Jó 12: 7-8).

Algumas Lições da Natureza

Nosso Senhor Jesus nos exortou: "Observai os corvos... Deus os sustenta... Observai os lírios... nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles" (Lucas 12:24-27). Considere-os, não observe-os simplesmente de passagem! Olhe e pense sobre eles, pois eles nos ensinam sobre o cuidado incansável de Deus por toda a sua criação; e disse ele, "quanto mais" o nosso Pai celestial cuida de nós! Por que estamos ansiosos tão constantemente? Por que não confiamos mais nele? No mesmo contexto, ele chamou a atenção para o pardal quase sem valor, para nos lembrar de detalhes desse cuidado - "Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais! Bem mais valeis do que muitos pardais" (vs. 6-7).

O livro de Provérbios muitas vezes chama a nossa atenção para insetos, animais e pássaros. Por exemplo, "Vai ter com a formiga... considera os seus caminhos e sê sábio" (6:6-8). Esta é uma chamada à nossa diligência e prudência, pois confiar em Deus para prover e cuidar de nós, como ele faz aos corvos e aos lírios, não elimina a necessidade de estarmos envolvidos no processo dessa provisão! II Tessalonicenses 3:10 enfaticamente realça esse ponto!

Em Provérbios 30, criaturas tão diferentes como a sanguessuga, a águia, a serpente, o leão e o bode têm importantes lições para ensinar. Mas provavelmente mais conhecido naquele capítulo é o grupo das quatro coisas "pequenas... que, porém, são mais sábias que os sábios". As formigas (outra vez) ensinam o segredo da sobrevivência - preparação na hora certa. Os arganazes ensinam o segredo da segurança - fortificação no lugar certo. Os gafanhotos ensinam o segredo da força - congregação na companhia certa. Os gecos ensinam o segredo do sucesso - conexão com o destino certo - o palácio do rei! Será que aprendemos esses quatro segredos?

Isaías 40:31 é um versículo muitas vezes repetido, por boas razões. Lá lemos sobre como esperar no Senhor pode ter resultados tão maravilhosos! - poder subir "com asas como águias", como podemos mover sem nos fatigar. Qualquer que seja a subespécie da águia, a sua distinção é o seu poder de voo. Ver o "caminho da águia no céu" é um dos grandes espetáculos da natureza, um que Agur descreveu como maravilhoso demais para ele! (Provérbios 30:18- 19). Sem nenhum esforço aparente, com suas grandes asas abertas, desenhadas para subir nas correntes de ar, a águia pode subir a alturas impressionantes, superando a força da gravidade pelo grande poder da aerodinâmica contido nessas magníficas asas. Da mesma maneira, nós podemos, pelo poder do Espírito de Deus que habita em nós, ultrapassar e vencer as forças da nossa velha natureza ou as circunstâncias que nos tentam puxar para baixo - ver Romanos 8:2.

Variedade na Natureza

Beleza, variedade e harmonia são marcas distintas de todas as obras de Deus. De todos os milhões de espécies nos reinos vegetal e animal, cada uma é reconhecida pelas suas características próprias. Cada uma tem o seu lugar no sistema ecológico, do tão pequeno que é invisível ao espantosamente grande - dos mais pequenos insetos aos grandes quadrúpedes da África, do minúsculo plâncton aos grandes mamíferos marinhos do oceano Meridional, dos líquenes e musgos em miniatura às gigantes sequoias da América do Norte. Tudo se funde de uma maneira tão bela! Sem conflitos, sem cores dissonantes, sem formas estranhas ou traços grotescos. É um todo harmonioso, com partes individuais tão belas que roubam o fôlego! Deus fez tudo "agradável à vista" (Gênesis 2:9), e assim o é. O Deus que se deleita na beleza também nos deu esse sentido. É por isso que podemos realmente apreciar a beleza e a harmonia como nenhuma outra criatura consegue.

Conhecer as características de criaturas diferentes também é importante para nós por outra razão. O estudo da natureza ajuda o nosso estudo da Bíblia! Não vamos alcançar o completo significado das referências da Escritura sobre diferentes pássaros, bestas, flores, insetos e assim por diante, a não ser que saibamos algo sobre eles. Por exemplo, se não soubéssemos sobre certos animais, não iríamos entender o significado completo daqueles títulos do nosso Senhor Jesus, "Cordeiro de Deus" e "Leão da tribo de Judá" (Apocalipse 5). Se não soubermos algo sobre as diferentes belezas das flores, não iremos compreender a diferença entre a “Rosa de Sarom" e o "Lírio dos vales" (Cantares 2:1), e poderemos não entender algo sobre a beleza do Senhor Jesus. Podemos ver a profundidade do seu cuidado por Jerusalém quando vemos a galinha reunindo os seus filhotes debaixo de suas asas, e similarmente entendemos melhor a sua comparação de Herodes como "essa raposa" (Lucas 13:32-34) quando sabemos que tipo de animal é esse. Lições sobre criaturas puras e impuras serão mais facilmente aplicadas a nós mesmos se soubermos algo sobre esses diferentes animais, pássaros, peixes e insetos que estão listados em Levítico 11.

Poemas à Natureza

Se a natureza é um assunto digno de ser estudado, também deverá ser digna de ter obras escritas e de se escrever poesia sobre ela. Entre centenas de "poemas à natureza", dois dos mais bonitos são encontrados na Bíblia. Como a maioria dos bons poemas, eles foram lá postos para licitar emoções e admiração.

Veja o Salmo 104, para começar. Ele nos exorta, do começo até ao fim, para "Bendizer ao Senhor". O seu companheiro, Salmo 103, faz o mesmo. Naquele Salmo, bendizemos o seu santo nome como o nosso Redentor, por causa da sua misericórdia e graça para conosco. Nesse, bendizemos a Deus como nosso Criador, por causa do seu trabalho e da sua sabedoria em todo o nosso redor. Examine outra vez a sua "magnificente" obra lançando os fundamentos da terra (v 1-9); admire a provisão da água essencial para nutrir animais e pássaros, para produzir alimento e beleza (v 10- 15); passeie pelas árvores, pelas estações e pelos mares (v 16-26); repare no ciclo de vida e morte sob o comando de Deus (v 27-33); diga com o poeta, "Que variedade, SENHOR, nas tuas obras! ... seja-lhe agradável a minha meditação: eu me alegrarei no SENHOR" (v 24,34).

Ou então agora vá a Jó 38-41. Este é o grande poema do próprio Deus, de palavras comoventes e inspiradoras ditas ao seu servo sofredor Jó, depois de muitos capítulos de "palavras sem conhecimento" (38:2). Isto é agora apontado, preciso, com significância. Deus faz a Jó um total de oitenta questões sobre o mundo natural na sua grande variedade. Ele se move num gigante panorama, desde a habilidade e o poder que tudo criou, do seu controle sobre o mar, a neve, as estrelas, do ciclo de vida de animais e pássaros, até ao poderoso beemote na terra e o invencível leviatã no mar [1]. Isto é uma revelação de um Deus que criou e um SENHOR que se importa. Que grande poema é este! A tremenda magnificência disso tudo deixa Jó sem palavras, prostrado em humildade perante Deus. Ele não consegue compreender tudo isso na mesma medida em que não consegue compreender como o Deus que ele serviu tão fielmente o tenha testado até ao limite. Ele não conseguia ver além das circunstâncias, e nem nós podemos, mas Deus está sempre no controle! Essa é uma das grandes lições da natureza.

1.            Beemote e leviatã poderão muito bem ser diferentes dinossauros – as descrições se encaixam melhor que qualquer outra criatura conhecida.

 

 


CAPÍTULO 22

Desenho e Instinto

Estudos detalhados de muitas criaturas revelaram a maneira tão bela como elas se encaixam no mundo natural. Não é que elas tenham evoluído por "mutações ao acaso" e que, por se adaptarem ao ambiente, uma espécie tenha eventualmente mudado para outra.  Elas foram desenhadas e feitas para ser o que elas são, onde estão. Numa determinada espécie, a adaptação ao meio realmente produz mudanças em algumas de suas características, por exemplo, ursos pardos nas florestas e ursos polares no Ártico, mas novas espécies não são formadas dessa maneira.

No entanto, tais estudos detalhados sobre seres vivos não conseguiram explicar tudo sobre eles; na verdade, alguns dos aspectos mais fascinantes continuam a ser os menos compreendidos. Para ilustrar isso, vamos pensar sobre os pássaros outra vez, criaturas belas e interessantes, comuns em todo o lado, sempre em grande variedade. Tanto aquilo que se sabe como o que não se sabe sobre eles aponta repetidamente à sabedoria e à provisão do Deus Todo- Poderoso.

Pássaros e o Voo

Feitos por Deus no quinto dia da semana da criação (Gênesis 1:20), as suas características óbvias são as asas para voar e a sua reprodução por meio de ovos. Se pássaros fêmea permanecessem grávidas até a hora do nascimento, como acontece com muitos mamíferos, pense em como a habilidade para voar ficaria seriamente comprometida e a sobrevivência prejudicada. Note como essa e outras características que examinaremos a seguir demonstram o desenho integrado de Deus para os pássaros como em nenhum outro tipo de criatura.

A asa de um pássaro preenche todos os requisitos da aerodinâmica, tanto ao bater quanto ao pairar - já fazia isso muito antes dessa palavra ser inventada! Cada pena de voo é desenhada de maneira inteligente: o eixo oco central e as "farpas" de lado, com "bárbulas" menores fechando em conjunto, desenvolvem a estrutura mais forte e mais leve para uma asa. Como poderia essa maravilhosa estrutura ter evoluído das escamas de um réptil? Adicionalmente, penas oferecem isolamento térmico e camuflagem em habitats perigosos.

Os ossos dos pássaros são ocos e de estrutura cruzada por dentro. Engenheiros declaram que esse tipo de estrutura oferece máxima resistência com um peso mínimo - exatamente do que os pássaros precisam! Um exemplo especial são os ossos "absorvedores de choques" no crânio de um pica-pau, que previne danos à sua cabeça, enquanto ele, tal como uma "broca voadora" repetidamente bate o seu afiado bico em madeira sólida.

Os pulmões dos pássaros são basicamente diferentes dos de outras criaturas. Nós respiramos ar para dentro e para fora do topo dos nossos pulmões, mas nos pássaros o ar flui dentro no topo e sai na base dos seus pulmões, enquanto o seu sangue flui na direção oposta. Isso oferece uma absorção de oxigênio muito melhor. Então pássaros podem voar rapidamente e longe, e muitos voam em altitudes onde os níveis reduzidos de oxigênio são um grande problema, tanto para o homem quanto para animais. Isso é fantástico - mas não surpreendente, quando vemos isso como um dos desenhos de Deus!

Alguns pássaros voam muito rapidamente. O falcão peregrino é a criatura mais rápida do mundo, capaz de atacar a sua presa numa velocidade de 290 Km/h. Outras aves conseguem voar longas distâncias. A andorinha do Ártico, que pode ser vista na costa norte da Escócia a cada verão, é a recordista. Ela voa mais de 16.000 quilômetros do norte da Antártica a cada primavera e volta para o sul outra vez, fazendo essa mesma distância a cada outono. Durante a sua vida, esse belo pássaro voa a mesma distância que uma viagem de ida e volta da Terra para a Lua!

Migração

Migrações de primavera e de outono são algo muito bonito. Aos milhões, andorinhas árticas ou bandos de andorinhas, andorinhões e martins, e centenas de outros tipos de pássaros pelo mundo fazem tais jornadas. A cada mês de abril, a chegada da águia marinha na Escócia, vinda da África, é aguardada com ansiedade, voltando para os seus antigos ninhos para se reproduzirem. E poucas experiências conseguem rivalizar à visão e ao som dos bandos de gansos espalhados pelo límpido céu outonal, essas formações em V com talvez centenas de pássaros ao mesmo tempo, piando bem alto para anunciar a sua presença, chegando do círculo Ártico para passar o inverno na Europa.

Como todas essas aves migratórias navegam distâncias tão vastas e repetidamente encontram o seu caminho, exatamente no mesmo lugar, ano após ano, é um mistério sem explicação! Particularmente espantoso é como jovens aves encontram o caminho certo na primeira vez, talvez até mesmo semanas depois de seus progenitores terem iniciado a migração sem eles. Instinto é um dos nomes atribuídos a isso, mas ninguém sabe que mecanismo é esse - apenas Deus, pois foi ele quem o forneceu.

Esse instinto de pássaros é lançado como um desafio a nós em Salmos 84:3. Quanto desse "anseio pela casa" temos pela presença de Deus, pela sua casa, pelos seus altares? Seja viajando grandes distâncias, como a andorinha, ou permanecendo localmente como o pardal, será que nós sempre procuramos a nossa casa espiritual e sentimos que pertencemos a ela? É lá que desejamos estar, vez após vez?

A migração não está confinada às aves. O salmão nasce num rio e desce pela corrente até ao mar, onde ele se desenvolve e cresce. Eles podem passar até quatro anos no oceano, longe do seu rio de nascença. Mas depois eles retornam exatamente à mesma seção de rio onde nasceram, subindo aos saltos fortes cachoeiras, superando enormes obstáculos, para deixar os seus ovos na mesma margem de pedras do rio, para que a próxima geração o repita vez após vez, num espantoso ciclo da natureza. Talvez o maior espetáculo de migração do mundo aconteça nas savanas do Serengeti, na África central, quando anualmente cerca de dois milhões de gnus migram por longínquas distâncias, atravessando rios infestados de crocodilos, para retornar alguns meses depois.

Outros Mistérios

A hibernação é outro acontecimento inusitado. Certos animais, como os ouriços, morcegos, e outros tipos de esquilos entram num sono profundo durante os meses de inverno e depois despertam na primavera. Durante a hibernação, a sua temperatura corporal declina para conservar a energia. Mas como eles permanecem vivos por tanto tempo sem se alimentarem? Como é que eles sabem quando dormir e quando acordar? Algumas fêmeas até mesmo permanecem grávidas durante toda a hibernação e dão à luz pouco depois de acordar!

Como morcegos veem no escuro conforme voam, apanhando insetos em pleno ar? Como eles evitam colidir uns com os outros e com obstáculos? Eles, na verdade, têm um "radar" embutido, ou um sistema de "eco localização". Eles emitem curtos pulsares de som em alta frequência e recebem os ecos de volta em seus ouvidos com tanta precisão de detalhe que eles são capazes de localizar alimentos e "voar às cegas", sem interferência dos ecos dos outros morcegos à sua volta. Eles, na verdade, "veem" no escuro pela audição!

Existem muitos desses mistérios fascinantes e inexplicados por toda a natureza. Como é que uma bela borboleta se desenvolve a partir de uma lagarta rastejante, por meio de uma crisálida rija? Como o sistema automático de camuflagem de um camaleão funciona? Que 'dança de abelhas' estranha é essa, pela qual elas comunicam informações precisas para o resto da colmeia sobre onde encontrar alimento? Por que certos animais criam laços tão íntimos com humanos, enquanto outros não?

Não é apenas sobre o reino animal que existem tais questões. E sobre as plantas e as árvores? Por que e como árvores decíduas perdem as suas folhas no outono, oferecendo-nos um espetáculo glorioso de mudanças de cores, e depois se vestem outra vez em vários tons de verde a cada primavera, enquanto pinheiros mantêm a sua cor durante todo o ano, oferecendo-nos a silenciosa beleza de seus ramos cobertos de geada ou pesados com neve, num gelado dia de inverno?

Ninguém sabe a resposta completa a tais questões. Você pode talvez saber aquilo que os cientistas descobriram, que é por causa da resposta das enzimas a condições, como luz ou temperatura, ou que, no caso dos animais, terá a ver com o fornecimento de alimento, ou um habitat apropriado para a reprodução, e isso é verdade. Como eles sabem quando e como fazer tais coisas e para onde ir? E de onde vieram essas enzimas reguladoras e mecanismos intrincados? Como em tantas ramificações da ciência, quanto mais descobrimos, mais percebemos o quanto não sabemos! Existem mais perguntas que respostas!

Em Eclesiastes 3:11 nós lemos: "Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo... sem que [o homem] possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim". Mas essa beleza é nossa para desfrutarmos, e a maravilha de tudo é nossa para apreciarmos. Em toda a natureza, em todo o universo, o desenho de Deus é visto em todo o lado. E certamente é um "desenho inteligente", mas é muito mais que isso - é engenhoso, é fantástico! Tudo isso nos direciona para o seu grande Criador. Tanto a beleza dos detalhes já descobertos quanto a maravilha dos mistérios sem resposta chamam para a sua adoração!

"Sei que tudo quanto Deus faz... nada se lhe pode acrescentar e nada lhe tirar; e isto faz Deus para que os homens temam diante dele." (Eclesiastes 3:14).

 


CAPÍTULO 23

A Ciência e as Escrituras

No início deste livro sobre a criação, começamos firmados na posição de que "a fundação do Senhor permanece verdadeira, a sua Palavra é completamente confiável e é fiável crer no relato literal da Bíblia sobre as origens". Essa posição tem sido bem justificada ao examinar extensivamente e em profundidade muitos exemplos do desenho e da eficiência que permeia todo o mundo natural ao nosso redor e os processos fisiológicos dentro de nós. Neste capítulo final, iremos considerar a relação mais ampla entre a ciência e as Escrituras. A nossa tese é que ambas se complementam. Elas não estão em desacordo. Na verdade, muitas vezes foi demonstrado que a ciência confirma a revelação das Escrituras.

Ciência

A busca pela ciência já tem cerca de 400 anos. O seu começo foi lento e modesto, mas, no século XXI ela teve uma grande influência sobre cada aspecto da nossa vida diária, sendo uma componente essencial da educação e da civilização por todo o lado. Muitos de seus resultados e aplicações têm inegavelmente melhorado a nossa saúde e o nosso bem-estar material.

Mas o que é a ciência? A palavra significa "conhecimento", e é este o sentido no qual ela é usada em I Timóteo 6:20 ("o saber"). No primeiro século, não existia a "ciência" no sentido presentemente aceito, mas existiam ameaças de um "sistema de conhecimento" que rejeitava a Deus. Tais sistemas e suas ameaças mudaram de forma através do decurso da história, mas são tão antigos quanto o tempo (ver Gênesis 3:1-5) e tão modernos quanto hoje.

A ciência, hoje, é definida como um corpo organizado e correlatado de conhecimento sobre o  mundo  material, que se baseia em observações e medidas, desenvolvido pela experimentação e análise. A ciência tenta compreender o funcionamento do mundo natural e simplificar ou unificar as leis pelas quais ele opera, muitas vezes usando uma matemática elegante para fazê-lo. Isso a torna misteriosa e ameaçadora para muitas pessoas. O perigo é que aquilo que os cientistas dizem e propõem é muitas vezes simplesmente aceito sem nenhuma crítica. Pode ser difícil distinguir os fatos estabelecidos e as leis básicas da ciência das propostas e teorias que poderão ser propagadas por motivos além dos verdadeiros limites da ciência. A teoria da evolução é um grande exemplo disso - é uma necessidade ideológica para alguns cuja motivação é o ateísmo.

A ciência é limitada. É limitada ao mundo material, "matéria", como é chamado, e pode lidar apenas com aquilo que pode ser medido (em termos das três quantidades fundamentais de massa, comprimento e tempo). De tais medidas são desenvolvidas leis e teorias e então podem ser feitas predições daquilo que não é diretamente mensurável. Isso é chamado de extrapolação. Já reparamos anteriormente que tais extrapolações muitas vezes originam conclusões errôneas, especialmente quando as condições estão muito distantes das condições experimentais. Tais conclusões podem apenas ser aceitas quando testadas e verificadas por meio de novas provas experimentais.

Desses todos pelo menos dois pontos valem a pena repetir. Primeiro, aquelas afirmações que você ouve sobre tais coisas como a origem do universo, a idade da Terra, a origem e o desenvolvimento da vida, todas elas são baseadas em enormes extrapolações, que, por causa da sua própria natureza, não podem ser testadas nem experimentadas. Assim, não são fatos científicos. São apenas ideias populares daqueles que ou seguem o dogma da opinião da maioria, ou não desejam acreditar no contrário. Em segundo lugar, é porque Deus é um espírito, a ciência não é capaz de dizer o que quer que seja sobre ele - Deus não pode ser medido, não pode ser provado ou refutado pela ciência. Ninguém consegue encontrar a Deus apenas por meio da ciência (Jó 11:7). Deus é encontrado pela fé (Hebreus 11:6).

A ciência tenta simplificar as coisas ao usar o princípio do "reducionismo" - reduzindo sistemas até os seus componentes mais simples para o estudo e a explicação. Então a ciência tenta explicar tudo na natureza nos termos de seus componentes materiais. Mas existem muitas outras realidades que encontramos na vida que não são materiais e não podem ser medidas ou explicadas em termos de matéria apenas. Por exemplo, as emoções de amor e de ódio, a apreciação da beleza e da maravilha - essas não são materiais. Também não o é a dimensão espiritual da vida, que os cristãos descobriram ser tão real quanto a material ou natural, na verdade acreditamos que é muito mais importante. Por definição, é supernatural.

Informação

Existe algo mais que é encontrado pelo mundo natural que não é material. É a informação, e a informação é muito importante. Ela existe em todo lado, mas especialmente nos seres vivos que requerem matéria, energia e informação para poderem funcionar. O armazenamento e a transferência de informação usam elementos materiais, como os livros que lemos, as barras de código que identificamos, o DNA em cada célula, hormônios na corrente sanguínea, e assim por diante.

Mas a informação que tais elementos contêm e transmitem é algo além dos símbolos materiais ou códigos. Isso tem a ver com a inteligência e a habilidade de comunicar. Informação não é matéria e não pode ser reduzida a tal. Informação é uma entidade fundamental na natureza, diferente e tão importante quanto os outros fundamentais da energia e da matéria.

As leis da ciência da informação, agora muito relevantes nessa era digital, estipulam que a informação requer uma fonte, um receptor e um código de transmissão. A informação nunca aparece por si mesma, nunca vem do nada ou de lugar nenhum. Também os códigos que transferem a informação nunca aparecem por acaso, eles sempre necessitam de um desenho inteligente. A fonte de toda a informação do universo vem do Único que é a própria Sabedoria (Provérbios 8:12-31).

A informação mais importante de todas foi deixada nas Escrituras Sagradas - essa revelação de Deus (II Timóteo 3:16), da qual somos receptores. Ela foi transferida e comunicada a nós não num código estranho, mas de uma maneira que podemos compreender, por homens santos comunicando de Deus (pela escrita) por meio do Espírito Santo (II Pedro 1:21). O propósito geral disso tudo é que possamos conhecer e obter a salvação pela fé em Cristo Jesus. Isso é muito mais importante do que descobrir mundos distantes no espaço ou detalhes microscópicos de criaturas perto de nós. Esses elementos interessantes realmente declaram a glória de Deus, mas eles não são o assunto mais importante.

Para os criar, Deus falou e foi feito, ele ordenou, e tudo passou a existir (Salmos 33:9), um maravilhoso trabalho de poder! Mas, para nos salvar dos nossos pecados e nos trazer a ele, num relacionamento verdadeiro de graça, ele enviou "o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele" (I João 4:9), um maravilhoso trabalho de amor! Esse é o mais importante e o melhor. A criação não consegue ensinar isso, mas as Escrituras o ensinam com clareza! Nenhuma outra mensagem é melhor, nenhum resultado é maior, nada é mais maravilhoso que esse glorioso Evangelho! Nós que recebemos a informação, a verdade eterna, temos que a transmitir aos outros. Vamos nos assegurar que fazemos isso de maneira que os outros possam compreender, não numa estranha linguagem codificada, peculiar a nós.

Conclusão

A ciência trabalha com fatos observados sobre coisas materiais, depois deduz teorias, apelando ao nosso intelecto. A Bíblia trabalha com as necessidades e os valores espirituais, apelando à nossa fé. Não está escrito para ensinar a ciência, mas algo muito mais importante, pessoal e duradouro. Embora seja um livro tão antigo, a Bíblia não contém nenhuma absurdidade antiga incompatível com a ciência validada moderna. O Livro da Natureza e o Livro das Escrituras deveriam ser estudados lado a lado. Nenhum desacordo ou contradição será encontrado, pois Deus é o autor de ambos.

Encontrar a verdade é importante. Infelizmente muitas pessoas não querem ter esse trabalho, alguns até mesmo acreditam que a verdade não existe, apenas opiniões e valores relativos, e passam pela vida sem nenhum ponto de referência ou propósito. Outros ativamente buscam o conhecimento pela pesquisa, buscando respostas pelas medições, pelo intelecto e pela razão. Muitos fatos fantásticos sobre o mundo natural foram descobertos dessa forma.

Mas respostas a questões mais profundas e relevantes, questões sobre valores espirituais, sobre origens e destinos, sobre o nosso relacionamento com Deus e com o homem, não serão encontradas por esse tipo de pesquisa. Elas estão fora do alcance da ciência. Elas são, no entanto, encontradas na revelação que Deus tão graciosamente deixou na Bíblia e na pessoa de Cristo Jesus, o seu Filho amado. A revelação divina transcende toda a pesquisa humana.    Ela é permanente, realmente eterna, e completamente fiável.

 


 Glossário e Material de Referência

Átomo

A menor partícula de um elemento, composta principalmente de prótons, nêutrons e elétrons mantidos juntos por forças especiais de curto alcance.

Elementos químicos

As formas mais simples de matéria, na qual todas as substâncias poderão eventualmente ser decompostas. Cerca de 90 deles podem ser encontrados na Terra, indo do hidrogênio ao urânio. O mais comum é o oxigênio.

DNA

Ácido desoxirribonucleico, o polímero espiral de cadeia longa que contém a informação genética de todas as células vivas.

Equação de Einstein

Dá a relação entre massa (m) e energia (E), mostrando quanta energia pode ser teoreticamente obtida de certa massa de matéria, por exemplo, numa reação nuclear. Assim, E = mc² onde c é a velocidade da luz (abaixo).

Ondas eletromagnéticas

A forma de radiação que passa pelo espaço vindo de fontes diferentes, vindo de um enorme espectro, das ondas de rádio com comprimento de onda longo (vários kms) até aos raios X com comprimentos de onda muito curtos. A luz que nossos olhos podem ver é uma pequena seção desse espectro. Todos os tipos dessa radiação viajam na mesma velocidade - a velocidade da luz (ver abaixo).

Enzima

Uma estrutura proteica complexa que promove uma reação ou uma mudança dentro de um sistema vivo em nível molecular - um "catalisador vivo".

Extrapolação

Um método da ciência que usa uma relação dada como verdadeira em certas condições limitadas e aplica-a a condições muito diferentes onde ela ainda não foi testada. Não existe garantia de que ela será verdadeira sob as novas condições - outras leis poderão interferir.

Ano-luz

A distância pela qual a luz viaja num tempo de ano, calculada em cerca de 9,46 milhões de milhões de quilômetros (ou 5,88 milhões de milhões de milhas); encontrada pela multiplicação da velocidade da luz (dada abaixo) pelo número de segundos num ano.

Molécula

A menor partícula de um composto, feita de átomos ligados entre si.

Velocidade da luz

A velocidade mais rápida que se conhece do universo, de 299.792,5 km por segundo (ou 186.398 milhas por segundo). A essa velocidade, a luz do Sol, a cerca de 93 milhões de milhas de distância, leva pouco mais do que 8 minutos para chegar à Terra.

 

 

 

 

 

 

 

 

autor: Bert Cargill.