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A história da Criação (21)

Da versão original Creation´s Story
Publicada pela John Ritchie Ltd., Escócia
Versão em português autorizada pela Editora A Verdade
www.editoraverdade.com.br

CAPÍTULO 21

O ESTUDO DA NATUREZA

Selecionamos alguns exemplos da natureza para ver mais da glória e da sabedoria do Criador, para nos maravilhar com os detalhes do desenho inteligente, e para notar as comparações e os contrastes entre as descobertas da pesquisa científica e as revelações das Escrituras.

Estudar a natureza é estudar diretamente um dos livros de Deus, escrito em glorioso colorido e cheio de animação, à frente dos nossos admirados olhos e mentes! Ela oferece uma vitrine em constante mudança, porém consistente, do trabalho das mãos de Deus, uma galeria de arte divina, um museu vivo, uma experiência direta interativa, que transcende qualquer outra experiência que possamos encontrar. A natureza lá está para que aprendamos dela, conforme as Escrituras nos relembram (1 Coríntios 11:14). Há muito tempo, Jó deixou esse conselho: "Mas pergunta agora às alimárias, e cada uma delas to ensinará; e às aves dos céus, e elas to farão saber. Ou fala com a terra, e ela te instruirá; até os peixes do mar to contarão" (Jó 12:7-8).

Algumas Lições da Natureza

Nosso Senhor Jesus nos exortou: "Observai os corvos... Deus os sustenta... Observai os lírios... nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles" (Lucas 12:24-27). Considere-os, não os observe simplesmente de passagem! Olhe e pense sobre eles, pois eles nos ensinam sobre o cuidado incansável de Deus por toda a Sua criação; e disse Ele, "quanto mais" o nosso Pai celestial cuida de nós! Por que estamos ansiosos tão constantemente? Por que não confiamos mais n’Ele? No mesmo contexto, Ele chamou a atenção para o pardal quase sem valor, para nos lembrar de detalhes desse cuidado - "Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais! Bem mais valeis do que muitos pardais" (vs. 6-7).

O livro de Provérbios muitas vezes chama a nossa atenção para insetos, animais e pássaros. Por exemplo, "Vai ter com a formiga... considera os seus caminhos e sê sábio" (6:6-8). Esta é uma chamada à nossa diligência e prudência, pois confiar em Deus para prover e cuidar de nós, como Ele faz aos corvos e aos lírios, não elimina a necessidade de estarmos envolvidos no processo dessa provisão! 2 Tessalonicenses 3:10 enfaticamente realça esse ponto!

Em Provérbios 30, criaturas tão diferentes como a sanguessuga, a águia, a serpente, o leão e o bode têm importantes lições para ensinar. Mas provavelmente mais conhecido naquele capítulo é o grupo das quatro coisas "pequenas... que, porém, são mais sábias que os sábios". As formigas (outra vez) ensinam o segredo da sobrevivência- preparação na hora certa. Os arganazes ensinam o segredo da segurança - fortificação no lugar certo. Os gafanhotos ensinam o segredo da força - congregação na companhia certa. Os gecos ensinam o segredo do sucesso - conexão com o destino certo - o palácio do rei! Será que aprendemos esses quatro segredos?

Isaías 40:31, é um versículo muitas vezes repetido, por boas razões. Lá lemos sobre como esperar no Senhor pode ter resultados tão maravilhosos! Poder subir "com asas como águias", como podemos mover sem nos fatigar. Qualquer que seja a subespécie da águia, a sua distinção é o seu poder de voo. Ver o "caminho da águia no céu" é um dos grandes espetáculos da natureza, um que Agur descreveu como maravilhoso demais para ele! (Provérbios 30:18-19). Sem nenhum esforço aparente, com suas grandes asas abertas, desenhadas para subir nas correntes de ar, a águia pode subir a alturas impressionantes, superando a força da gravidade pelo grande poder da aerodinâmica contido nessas magníficas asas. Da mesma maneira, nós podemos, pelo poder do Espírito de Deus que habita em nós, ultrapassar e vencer as forças da nossa velha natureza ou as circunstâncias que nos tentam puxar para baixo - ver Romanos 8:2.

Variedade na Natureza

Beleza, variedade e harmonia são marcas distintas de todas as obras de Deus. De todos os milhões de espécies nos reinos vegetal e animal, cada uma é reconhecida pelas suas características próprias. Cada uma tem o seu lugar no sistema ecológico, do tão pequeno que é invisível ao espantosamente grande - dos mais pequenos insetos aos grandes quadrúpedes da África, do minúsculo plâncton aos grandes mamíferos marinhos do oceano Meridional, dos líquenes e musgos em miniatura às gigantes sequoias da América do Norte. Tudo se funde de uma maneira tão bela! Sem conflitos, sem cores dissonantes, sem formas estranhas ou traços grotescos. É um todo harmonioso, com partes individuais tão belas que roubam o fôlego! Deus fez tudo "agradável à vista" (Gênesis 2:9), e assim o é. O Deus que se deleita na beleza também nos deu esse sentido. É por isso que podemos realmente apreciar a beleza e a harmonia como nenhuma outra criatura consegue.

Conhecer as características de criaturas diferentes também é importante para nós por outra razão. O estudo da natureza ajuda o nosso estudo da Bíblia! Não vamos alcançar o completo significado das referências da Escritura sobre diferentes pássaros, bestas, flores, insetos e assim por diante, a não ser que saibamos algo sobre eles. Por exemplo, se não soubéssemos sobre certos animais, não iríamos entender o significado completo daqueles títulos do nosso Senhor Jesus, "Cordeiro de Deus" e "Leão da tribo de Judá" (Apocalipse 5). Se não soubermos algo sobre as diferentes belezas das flores, não iremos compreender a diferença entre a “Rosa de Sarom" e o "Lírio dos vales" (Cantares 2:1), e poderemos não entender algo sobre a beleza do Senhor Jesus. Podemos ver a profundidade do Seu cuidado por Jerusalém quando vemos a galinha reunindo os seus filhotes debaixo de suas asas, e similarmente entendemos melhor a sua comparação de Herodes como "essa raposa" (Lucas 13:32-34) quando sabemos que tipo de animal é esse. Lições sobre criaturas puras e impuras serão mais facilmente aplicadas a nós mesmos se soubermos algo sobre esses diferentes animais, pássaros, peixes e insetos que estão listados em Levítico 11.

Poemas à Natureza

Se a natureza é um assunto digno de ser estudado, também deverá ser digna de ter obras escritas e de se escrever poesia sobre ela. Entre centenas de "poemas à natureza", dois dos mais bonitos são encontrados na Bíblia. Como a maioria dos bons poemas, eles foram lá postos para licitar emoções e admiração.

Veja o Salmo 104, para começar. Ele nos exorta, do começo até ao fim, para "Bendizer ao Senhor". O seu companheiro, Salmo 103, faz o mesmo. Naquele Salmo, bendizemos o seu santo nome como o nosso Redentor, por causa da Sua misericórdia e graça para conosco. Nesse, bendizemos a Deus como nosso Criador, por causa do Seu trabalho e da Sua sabedoria em todo o nosso redor. Examine outra vez a sua "magnificente" obra lançando os fundamentos da terra (vs. 1-9); admire a provisão da água essencial para nutrir animais e pássaros, para produzir alimento e beleza (vs. 10-15); passeie pelas árvores, pelas estações e pelos mares (vs. 16-26); repare no ciclo de vida e morte sob o comando de Deus (vs. 27-33); diga com o poeta, "Que variedade, Senhor, nas tuas obras!... seja-lhe agradável a minha meditação: eu me alegrarei no Senhor" (vs. 24-34).

Ou então agora vá a Jó 38-41. Este é o grande poema do próprio Deus, de palavras comoventes e inspiradoras ditas ao Seu servo sofredor Jó, depois de muitos capítulos de "palavras sem conhecimento" (38:2). Isto é agora apontado, preciso, com significância. Deus faz a Jó um total de oitenta questões sobre o mundo natural na sua grande variedade. Ele se move num gigante panorama, desde a habilidade e o poder que tudo criou, do Seu controle sobre o mar, a neve, as estrelas, do ciclo de vida de animais e pássaros, até ao poderoso beemote na terra e o invencível leviatã no mar [1]. Isto é uma revelação de um Deus que criou e um Senhor que se importa. Que grande poema é este! A tremenda magnificência disso tudo, deixa Jó sem palavras, prostrado em humildade perante Deus. Ele não consegue compreender tudo isso na mesma medida em que não consegue compreender como o Deus que ele serviu tão fielmente o tenha testado até ao limite. Ele não conseguia ver além das circunstâncias, e nem nós podemos, mas Deus está sempre no controle! Essa é uma das grandes lições da natureza.

[1] Beemote e leviatã poderão muito bem ser diferentes dinossauros – as descrições se encaixam melhor que qualquer outra criatura conhecida.

autor: Bert Cargill.