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A História da Criação (7)

Da versão original Creation´s Story
Publicada pela John Ritchie Ltd., Escócia
Versão em português autorizada pela Editora A Verdade
www.editoraverdade.com.br

CAPÍTULO 7

OS DIAS DA CRIAÇÃO

Agora é hora de voltar a Gênesis 1 para considerar alguns dos detalhes desse notável capítulo. Vale a pena relê-lo mesmo agora, se você não o fez recentemente. Isto é o que Deus revelou sobre o princípio, o que acreditamos ser o que verdadeiramente aconteceu.

Hebreus 11:3 diz que, "pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus". Lá não diz: "Nós entendemos como...", porque nós não entendemos como. Deus não nos revelou isso e, mesmo que ele o tivesse feito, poderíamos não ser capazes de compreender. Mas nós entendemos que Ele o fez, porque Ele nos disse assim. Pela fé entendemos, porque a fé é a nossa resposta à revelação de Deus. Esta fundação é firme como a rocha. Existe muita especulação sobre como a criação aconteceu, mas isso é o arrazoamento humano, constantemente em mudança, cujas pesquisas são baseadas em evidências dos dias atuais, que poderiam ser completamente irrelevantes às condições do princípio. Tais especulações não têm lugar em Gênesis 1.

Alguns Dias

Existiram muitos debates sobre o que um "dia" significava em Gênesis 1 – particularmente o que a palavra significava, ou quão longo era cada "dia". Algumas pessoas sugeriram que os dias eram dias de revelação a Moisés, conforme ele escreveu sobre isso. Outros usaram 2 Pedro 3:8 para "provar" que cada dia se estendeu por milhares de anos (esse versículo não possui tal sentido ou aplicação, ele simplesmente afirma que a medida de tempo é completamente irrelevante para Deus). Em alternativa, desde que lemos sobre o "dia da graça", o "dia do Senhor" etc., os dias poderiam ser (longos) períodos de duração indeterminada. Certamente a palavra dia por vezes realmente tem tal significado. Mas, como iremos ver, essas ideias não ajudaram de maneira alguma a resolver os problemas que se pensava existir.

Mais legitimamente, interessantes lições espirituais foram tiradas das atividades dia a dia da criação, por exemplo, em paralelo com o trabalho de Deus para a nova criação (como em Efésios 2:10). A luz ilumina a manhã, a vida começa, frutos são produzidos, e assim por diante. Todos esses dias têm sido vistos como uma imagem ou tipo das dispensações das interações de Deus com o homem por toda a história deste mundo, movendo ultimamente para o dia do descanso eterno.

Então, como foi um dia de criação em Gênesis 1? Foi simplesmente um dia, a maneira de medir o tempo mais comum e reconhecível por todos os povos em qualquer lugar, através da história. A duração das horas, ou mesmo anos, não foi sempre reconhecida por todos, antes de relógios e calendários existirem, mas a regularidade da "noite e dia" dificilmente seria ignorada. Deus escolheu essa unidade fundamental de tempo tão conhecida, para nela realizar os seus vários atos da criação.

A explicação mais simples e óbvia de um "dia" de criação (e as explicações mais simples são sempre as melhores!) é confirmada por um comentário feito em Êxodo 20:11, sobre o sábado de Israel, um dia da semana normal, para seguir a seis dias similares: "Porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou". A palavra "dia" significa o mesmo através da passagem. Nós também teríamos de olhar ao uso da palavra em todos os capítulos iniciais de Gênesis e ser coerentes. Por exemplo, no capítulo 1 lemos sobre a noite e o dia (v. 5), estações, dias e anos (v. 14). Também, quais são "os dias da vida [de Adão]" (3:17), ou os "quarenta dias", "cento e cinquenta dias" etc., do dilúvio (7:17-24). Seria difícil, até mesmo absurdo, fazer uma palavra significar algo diferente daquilo que é óbvio.

Algumas Dificuldades

A razão principal pela qual se pensou ser necessário interpretar um "dia" para significar outra coisa foi para fazer longos períodos de tempo ficarem disponíveis para a história geológica, que, no século XIX, foi (e ainda é) insistida como algo fatual e indiscutível. Nunca tinham existido problemas com um "dia" antes disso. Mas tentativas de "estender" o dia ainda assim não conseguiram ir de encontro aos requerimentos dos registros geológicos aceitos, outra vez causando mais problemas do que resolvendo, algo semelhante à teoria do Intervalo que já descartamos anteriormente. Nós iremos ver numa parte mais à frente desta série que a história geológica é melhor explicada pelos efeitos do grande dilúvio de Gênesis 7. Nunca é uma boa ideia interpretar as Escrituras para encaixá-las com as ideias do homem, que são estranhas a ela e que são possíveis de mudarem de qualquer maneira.

Outra dificuldade para algumas pessoas é que isto parecia um tempo muito curto para tudo aquilo acontecer! Ainda assim, é possível detectar a ridicularização quando eles dizem, "Você de certo não acredita que o mundo foi feito em seis dias!" Na verdade, nós acreditamos e não pedimos desculpa! Repare em duas coisas sobre isso.

Primeiro, Deus podia ter feito tudo em apenas um instante, se isso fosse da Sua vontade. Nós precisamos de tempo para fazer um trabalho, os evolucionistas postulam milhões de anos. Mas Ele não precisou, Ele é o Todo-Poderoso. De certa maneira, é de se admirar que Ele levou “tanto tempo” com isso! O que Ele nos mostra é uma manifestação progressiva do Seu poder e da Sua sabedoria numa forma ordenada, um dia por vez, para ensinar-nos sobre Ele mesmo. O Seu método de ensino é sempre "preceito sobre preceito... regra sobre regra" (Isaías 28:10). Isso é também como Ele deseja que vivamos a nossa vida, dependendo d’Ele, um dia de cada vez.

Em segundo lugar, existe uma teoria muito popular chamada o “Big Bang”, no qual é proposto que toda a matéria no universo foi feita numa pequena fração de segundo, a partir de um pequeno grão de algo, por uma enorme explosão. É estranho que não são feitas questões, nem sobrancelhas se levantam à ideia de todo o material desse imenso universo aparecer em apenas uma pequena fração de segundo, de repente, do nada! Uma mentalidade completamente diferente é aplicada à criação em seis dias pela Palavra de Deus.

A teoria do “Big Bang” é popular por razões óbvias, mas é baseada em argumentos muito tênues, e enormes extrapolações. Ela começa por algumas observações astronômicas, que sugerem um universo presentemente em expansão, projetado de volta no tempo em que começou a expandir, quando foi sugerido ser apenas um pequeno grão. É calculado que isso foi há bilhões de anos, sem nenhuma mudança acontecer durante todo aquele tempo. De onde o grão original veio não é explicado, nem como uma explosão poderia acontecer do nada, sem energia para desencadeá-la, nem como essa explosão fez algo útil, quando todas as explosões que conhecemos destroem as coisas! Está faltando lógica nessa teoria. Muitos irão admitir, "Não conseguimos entendê-la, mas acreditamos que isso aconteceu". Aqueles que põem a confiança na Palavra infalível de Deus podem estar infinitamente mais confiantes, mesmo em relação à lógica, quando dizemos: "Pela fé, entendemos..." Na verdade, se você pensar sobre isso, o termo "Big Bang" (Grande Explosão) seria muito mais corretamente aplicado ao fim de tudo, não ao começo, de acordo com 2 Pedro 3:10.

Algo Definitivo

Conforme você lê o primeiro capítulo de Gênesis (outra vez), a imagem geral é clara para você, assim como era para o leitor devoto das Escrituras no começo dos tempos judaicos, para aqueles que viveram nos dias do Novo Testamento, na Idade das Trevas e na Idade Média, na verdade, durante todos os séculos anteriores, a.C. e d.C., e para a maioria das pessoas por todo o mundo nos dias de hoje. A maneira como o capítulo foi escrito permitiu que fosse compreendido por qualquer pessoa, muito antes de uma linguagem científica ter sido inventada, e antes de a era científica ter trazido objeções e emitido as suas questões e críticas. O capítulo foi escrito, não para ensinar ciência ou lógica, mas para ensinar sobre Deus e a Sua grandeza. No entanto, é completamente consistente com fatos científicos reais e lógicos.

A Criação foi um conjunto progressivo de atos soberanos por Deus para preparar um mundo adequado para o homem viver, para preparar um palco sobre o qual o grande drama da redenção seria representado. Cada dia trouxe o objetivo mais próximo. Do caos vazio, Deus elaborou um ambiente ideal para o homem que Ele tinha em mente, para viver uma vida cheia e realizada em harmonia com Ele mesmo. No sétimo dia esse ambiente já estava terminado, e Deus descansou em harmonia com o homem que ele tinha criado. Isso era "muito bom".

As atividades do Criador são diferentes todos os dias, como "Ele falou, e tudo se fez" (Salmo 33:9). Mas certas frases são repetidas vezes e vezes, como "e disse Deus", "e assim se fez", e "isso era bom". Isso mostra-nos a contínua conexão entre o propósito de Deus, o seu poder e a sua satisfação, temas que irão desenvolver-se pelas páginas da Escritura e que, por graça sem par, também nos incluíram.

autor: Bert Cargill.