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A Participação Dos Obreiros No Serviço De Deus - 2

1 Timóteo 2.15; 1 Coríntios 14.40

Transcrito por Hacy Senghi Soares

Este estudo não tem em vista a parte técnica propriamente dita da homilética, isto é, a arte de preparar e apresentar sermões. O que temos em mira nesta série de estudos é apresentar ao leitor algumas sugestões práticas que poderão ajudá-lo a participar publicamente com maior acerto nas várias reuniões da igreja, para maior proveito de todos. Quem toma parte pública nas reuniões precisa saber qual é a reunião de que está participando, a fim de que as suas expressões sejam apropriadas a cada ocasião.

O leitor não encontrará aqui um comentário das lições, mas um simples esboço, cuja finalidade é ajudá-lo a lembrar-se da matéria apresentada.

3. A PARTICIPAÇÃO NA CEIA DO SENHOR

1 Coríntios 11.23-26

1 - Qual é a “ordem do Culto” na Ceia?

A Bíblia não estabelece normas fixas para a celebração da Ceia (embora os homens o façam). A ordem deve ser ditada pelo Espírito Santo – 1 Coríntios 12.11.

Não deve haver ritualismo. O cristianismo não é baseado em ritos como o judaísmo. Os hinos, as pessoas que participam, o momento da distribuição dos elementos, as várias “secções” da Ceia, degeneram-se em mero ritualismo quando apresentados mecanicamente sempre do mesmo modo.

Quando damos lugar à ordem ditada pelo Espírito há variedade e proveito geral:

  • O Espírito não Se utiliza sempre das mesmas pessoas para as mesmas coisas.
  • Nem dos mesmos hinos e dos mesmos textos bíblicos que, muitas vezes, são usados em momentos já determinados pelos participantes.
  • O Espírito promove harmonia na adoração, de modo que os que são espirituais podem acompanhar a verdadeira ordem do culto. Ele é o Grande Maestro. Se o Espírito está dirigindo, a mínima participação de cada um (e às vezes, mesmo o silêncio) é “para edificação”. Qualquer ministério antes da distribuição dos elementos levará os participantes a ocuparem-se com o Senhor e com a Sua obra; qualquer adoração será dirigida no mesmo sentido. O Espírito só pode nos dirigir no objetivo da reunião que é “EM MEMÓRIA” DO SENHOR.
  • Todos os irmãos podem tomar parte, embora não tenham necessariamente de fazê-lo. A liberdade é do Espírito e não de cada um para fazer o que bem entende.

A única ordem para a nossa participação no culto é:

  • Nossa presença – Quando vos ajuntais. O Senhor espera que nos ajuntemos na mais importante atividade da Igreja, quando se reúnem os adoradores aos quais Deus procura – João 4.23-24. É a mais expressiva manifestação de comunhão, e nada, a não ser o pecado ou impedimento imperioso, deve nos afastar da Ceia do Senhor. A ordem é eliminar os obstáculos e reunir – 1 Coríntios 11.28.
  • Nossa pontualidade – Chegada a hora. O Senhor não nos espera depois da hora, Ele é pontual – Lucas 22.14.
  • Nossa reverência – Ali estou no meio – Mateus 18.20. Ele é o motivo da reunião e não deve ficar esquecido.
  • Nosso discernimento – Em memória de Mim é o objetivo da reunião. Há muita importância em andar no Espírito” – Gálatas 5.25, para poder observar rigorosamente a Sua ordem para a nossa participação no culto.

2 - Sugestões sobre a Pessoa do Senhor que podemos recordar na Ceia

O Seu Nome incomparável – Filipenses 2.9.

  • Ele é Jesus, que é Jeová-Salvador – Mateus 1.21.
  • Ele é o Cristo (Messias), que é o Ungido de Deus, escolhido e santificado para Ele e cumprindo fielmente a vontade do Pai em tudo – Isaías 61.1-2, Atos 2.36; 10.37-38.
  • Ele é o Senhor, o Deus da Glória, um Nome exaltado – João 13.13; Atos 10.36; 1 Coríntios 2.8.

As Suas obras – Salmo 92.4.

  • A Criação – Salmo 33.6-9; Provérbios 8.22-31; João 1.3; Colossenses 1.16-17; Hebreus 1.2.
  • Suas obras de beneficência – João 21.25; Atos 10.38.
  • Sua obra suprema – a Redenção – João 4.34; 19.30; Hebreus 10. 10, 14; Efésios 1.7.

O Seu amor infinito – João 13.1; 15.13; Efésios 3.19.

  • Esvaziou-Se para Se manifestar - Filipenses 2.6-7.
  • Empobrece para enriquecer a outros – 2 Coríntios 8.9.
  • Perdoa para restaurar – João 8.10-11.
  • Morre para salvar - João 15.13; Efésios 5.2.

Sua humilhação, sofrimentos e morte.

  • Dor moral por ter de enfrentar o pecado – Mateus 26.37-42; João 12.27.
  • Pela rejeição, escárnio e ingratidão dos homens – Hebreus 12.2-3; Mateus 27.27-31, 40-44.
  • Pelo desamparo de Deus – Salmo 22.1; Mateus 27.46.
  • Dor física pelos açoites – Mateus 27. 26, pelos espinhos – Mateus 27.29 e pelos cravos que O traspassaram Salmo 22.16; Zacarias 12.10; João 19.37; Apocalipse 1.7.

Sua exaltação – Atos 2.32-33.

  • Ressuscitado e assunto ao céu – Lucas 24.5-7, 51; 1 Coríntios 15.3-4; Marcos 16.19.
  • Glorificado – Efésios 1.20-23; Filipenses 2.8-10; Hebreus 2.9.

3 - Quais as condições para participar da Ceia?

Ser discípulo do Senhor. Na Bíblia só os tais participam do “Partir do Pão” – Mateus 26.26; Atos 20.7.

Estar preparado espiritualmente pela comunhão com o Senhor e a separação do mundo e do pecado – 1 Coríntios 10.20-21.

  • Todo pecado conhecido deve ser confessado e abandonado – 1 João 1.9; 2.2.
  • A falta nesse sentido sujeita o crente à disciplina do Senhor – 1 Coríntios 11.27-32.
  • Feito isto, a ordem é “comer o pão e beber do cálice”.

4. A PARTICIPAÇÃO NA REUNIÃO DE ORAÇÃO

1 - Os elementos da oração

  • Adoração. É a exaltação do Senhor pela Sua natureza e Seus atributos singulares – Salmo 95.1-2; 96.6-9.
  • Louvor. Ações de graças ao Senhor pelas bênçãos e favores que nos dispensa constantemente, física, material e espiritualmente – Salmo 103.1-2; Efésios 1.3.
  • Petição. Apresentação a Deus das necessidades da Sua obra, do Seu povo, e as necessidades pessoais.
  • Intercessão. Petição a Deus em favor de outrem. O crente pode interceder a Deus em favor dos seus irmãos ou a favor de outros suplicando a Deus pela salvação deles – Tiago 5.16.
  • Confissão. O reconhecimento de nossas culpas perante Deus.
    1 - Pode ser pública ou particular. A confissão pública deve ter sempre em vista a coletividade não o indivíduo. 
    2 - Confissão não é apresentação generalizada: “Perdoa os nossos pecados”, mas o relato de todos os pecados acompanhado de sincero arrependimento – 1 João 1.9.

2 - Sugestão para uma participação correta

  • Reverência à presença do Senhor. Ao orar entramos perante o Seu Trono – Efésios 3.14; Hebreus 4.16. Devemos evitar leviandades na presença do Senhor.
  • Fervor, baseado na certeza de que como nosso Pai, Ele pode e quer nos dar o melhor - Efésios 3.20.
  • Humildade que resulta em submissão à vontade do Senhor. Nada podemos exigir de Deus mas temos que reconhecer que a Sua vontade é soberana – Mateus 26.39.
  • Brevidade. Orações longas podem ser sintomas de egoísmo ou exibicionismo, pois quem quer pedir tudo está egoisticamente impedindo aos demais de participar, ou está querendo exibir “fervor” ou “capacidade” para fazer orações bonitas. Devemos ser breves, ainda que tenhamos de participar duas ou três vezes – Salmo 27.4; Mateus 6.5-6.
  • Objetividade. Especificar os pedidos, indicando nomes, pessoas, lugares e fatos reais que requeiram a ajuda divina. Exemplos: Romanos 15.30-33; Efésios 6.18-19; Colossenses 4.2-4. Evitar sermões ou estudos bíblicos na oração. Deus não tem nada a aprender conosco – Eclesiastes 5.1-3.

3 - Assuntos para oração

  • As várias atividades da igreja local: suas atividades normais ou qualquer novo empreendimento em que ela esteja empenhada.
  • Outras igrejas locais conhecidas, suas atividades ou prováveis problemas.
  • Os membros da igreja e seus problemas espirituais, físicos ou materiais.
  • Os servos do Senhor, pregadores ou ensinadores da Palavra. Seu ministério, sua saúde, seus problemas, etc.
  • Os anciãos da igreja. Antes de críticas, protestos ou insubmissão, ORAÇÃO.
  • As autoridades constituídas – 1 Timóteo 2.2.
  • Os crentes nos países onde há oposição ao Evangelho.
  • A conversão das pessoas: familiares dos membros da igreja, os esforços unidos na evangelização de amigos, conhecidos e vizinhos.

5. A PREGAÇÃO

2 Timóteo 4.2

1 - Elementos indispensáveis ao pregador

  • Certeza e experiência da própria salvação - 2 Timóteo 1.12; 1 João 5.12-13.
    1 - Garantida pela Palavra de Deus – João 3.36; 5.24. 
    2 - Confirmada pela transformação da vida – 2 Coríntios 5.17 e pelo testemunho do Espírito Santo – Romanos 8.14-16; 1 João 2.20-23, 27. Ele é um porta-voz, um embaixador de Deus e deve falar com convicção - 2 Coríntios 5.18-20.
  • Experiência vitoriosa na vida cristã – 1 Coríntios 9.23-27.
    1 – Vida santificada perante Deus e os homens – Romanos 12.1-2; Tito 2.12; Mateus 5.14-16; Filipenses 2.15.
    2 – Sinceridade nas palavras e no trato; amor verdadeiro e não artificial – Romanos 12.9; 1 João 3.18; Efésios 4.25. 
    3 – Humildade. Não cultivar idéias elevadas sobre si mesmo – Romanos 12.3,16. Não se envaidecer com elogios nem andar a cata deles. A glória pertence ao Senhor – 1 Pedro 4.10-11. Reconhecer e apreciar o que os irmãos têm de bom – Filipenses 2.2-4. 
    4 – Honestidade, cumprimento fiel da palavra empenhada - Mateus 5.37; procedimento correto nos negócios – Romanos 12.8; no lar e no trabalho – Colossenses 3.19-4.1; Tito 2.7-10.
  • Fé na mensagem que prega. 
    1 – Não é nenhum produto humano. 
    2 – Não é fábula ou fantasia – 2 Pedro 1.16. 
    3 – É a Palavra inspirada, poderosa e infalível de Deus – 2 Timóteo 3.16-17; 2 Pedro 1.17-18; 1 João 1.1-4.
  • Conhecimento das Escrituras. 
    1 – Ler muito, memorizar, deixar a Palavra falar ao coração – Josué 1.8; Salmo 119.7-13. 
    2 – Aprender a fazer uso das Escrituras corretamente, de acordo com a necessidade. Como espada, ou ferramenta, a Bíblia tem de ser bem manejada – Efésios 6.17; 2 Timóteo 2.15.
  • Exercício na oração. É a fonte de auxílio, direção, autoridade e poder do alto – Efésios 6.18; Colossenses 4.2; 1 Tessalonicenses 5.17.
  • Dom. Todos os recursos já enumerados têm de ser acompanhados pelo dom conferido por Deus ao Seu servo, como membro do Corpo de Cristo – Romanos 12.4-8; 1 Coríntios 12.4-7.
  • Motivação no amor. 1 Coríntios 13.1-3. É o coração e não a cabeça que deve motivar o pregador no exercício da sua função. É verdade que ele precisa fazer uso da inteligência para aplicar corretamente os conhecimentos disponíveis, mas se isto não for equilibrado pelo amor, a sua pregação será fria e inoperante. 
    1 – O amor ao Senhor e consagração integral a Ele devem ser a sua primeira preocupação - 2 Coríntios 5.14-15; Filipenses 3.7-10; Gálatas 2.19-20. Isto resultará em: 
    2 – Paixão pelas almas perdidas - Romanos 1.14-15; 1 Coríntios 9.16. 
    3 – Paixão pela edificação de seus irmãos na fé – Romanos 1.9-12; Gálatas 4.19-20. Uma vida assim será cheia do Espírito Santo, em cujo poder a Palavra será pregada - Atos 13.52; 14.1.

2 – Conhecimentos úteis ao pregador

  • Conhecimentos de história: 
    1 – Dos povos bíblicos, seus costumes, sua política, suas religiões, sua influência no mundo daqueles tempos. Isto ajuda a compreender melhor certos fatos narrados na Bíblia que nos parecem estranhos. 
    2 – História geral como elemento de aplicação às necessidades espirituais. Pode-se tomar fatos e aplicá-los para ilustrar verdades práticas.
  • Conhecimentos lingüísticos. 
    1 – Da língua nacional: conjugação correta dos verbos e os conhecimentos gramaticais necessários para que se fale corretamente, além de bom vocabulário. 
    2 – Outras línguas modernas, de cuja literatura teológica ou secular seja possível encontrar instrução útil à pregação. 
    3 – As línguas originais em que foi escrita a Bíblia. Isto nem sempre é possível, mas é um dos mais úteis, talvez o mais útil auxílio para o pregador.
  • Conhecimento das ciências de interpretação e exposição. A hermenêutica ensina os princípios da interpretação e a exegese é a ciência da exposição.
  • Conhecimentos geográficos. Tanto a geografia bíblica, quanto a geografia moderna são de utilidade ao pregador.

3. As ferramentas do pregador

  • A Bíblia é uma grande caixa de ferramentas que devem ser sabiamente usadas de modo adequado a cada necessidade. É impossível pensar no pregador do Evangelho sem a Bíblia.
  • Comentários bíblicos. Estes ajudam a entender o texto bíblico. É preciso cuidado na escolha dos mesmos, pois devemos procurar comentários que sejam fiéis à sã doutrina.
  • Dicionário bíblico. Este explica os termos bíblicos e dá informações doutrinárias, geográficas ou históricas. Também neste caso é preciso escolher o livro de confiança.
  • Livros de cunho espiritual: doutrinários, devocionais, históricos, biográficos ou apologéticos (escritos em defesa da Verdade). Todos eles instruem e inspiram.
  • Dicionário da língua portuguesa.
  • Livros seculares: História, geografia, filosofia e ciências, cuidadosamente selecionados, podem proporcionar instrução que auxiliem o pregador em sua tarefa.
  • Freqüência às reuniões, a fim de aprender através do ensino e experiência de outros irmãos.
  • Nada disto terá o mínimo valor, se faltarem ao pregador as qualidades espirituais exigidas por Deus para o desempenho do seu serviço.

 

autor: Luiz Soares.