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Batizados em Cristo

Muito tem se falado acerca do batismo com “água,” e suas formas, pelo “fogo” e pelo “Espírito Santo”, todavia desejo nesta oportunidade considerar apenas o significado da palavra “batismo”. Por definição, nas Escrituras, batismo significa “identificação” com uma pessoa ou com a sua obra.

Em 1 Coríntios 10:1-5, o apóstolo Paulo, buscando os exemplos da história de Israel, afirma que outrora todos foram batizados em Moisés, isto é, identificados na pessoa de Moisés; todos participaram das figuras: nuvem, mar, maná e água da Rocha; porém Deus não Se agradou da maior parte deles. Por que Deus não se agradou deles? Não foram todos identificados em Moisés? Moisés não via a face de Deus?

O texto revela que eles foram reprovados porque se identificaram apenas com as figuras daquilo que era o verdadeiro, ou seja, com o líder Moisés e não com o Deus de Moisés. O Salmo 78 se refere a esse período no deserto com expressões muito fortes: “tentaram a Deus nos seus corações” (v.18); “falaram contra Deus” (v.19); “não creram em Deus, nem confiaram na sua salvação” (v.22). Seus corações se voltaram para o Egito. A maioria nunca assumiu o compromisso de lutar pela promessa de Deus. Foram batizados na pessoa de Moisés, mas não na sua obra, obra que Deus lhe deu a fazer.

O Novo Testamento apresenta a nossa identificação com Adão, com suas obras e, conseqüentemente, com a sua herança (1 Coríntios 15:21-23 e 47-49). Observamos isso nas seguintes afirmações: “Porque assim como a morte veio por um homem ... assim como Adão todos morrem ... o primeiro homem, Adão, é terreno ... tais são também os demais homens ... e, assim, trouxemos a imagem do que é terreno”.

Deus em Seu plano eterno para nos livrar dessa “identificação” em Adão, decidiu enviar Seu Filho para Se identificar conosco e para que fôssemos identificados com Ele. Ele Se identificou com a nossa natureza humana (Isaías 53), no aspecto físico tornou-Se homem de dores e experimentado nos trabalhos; em Sua alma sentiu o desprezo, pois foi o mais rejeitado entre os homens e de quem escondiam o rosto, “era desprezado ... e não fizemos dele caso algum”, nos diz Isaías; no sentido espiritual, ao receber sobre Si os nossos pecados, Ele Se fez pecado por nós e, portanto, o maior pecador. O Senhor fez cair sobre Ele a iniqüidade de nós todos, Ele assumiu sobre Si toda a penalidade dos nossos pecados.

Quando Cristo venceu a morte Ele o fez para que fôssemos identificados nEle e não mais em Adão. Ele foi batizado em nosso estado físico, em nossas culpas, em nosso juízo de fogo e no nosso Hades (1Pedro 3:19), porém Ele venceu a morte para que nEle sejamos batizados.

Em 1 Coríntios 15:20-21 lemos: “Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem. Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem”. Somos chamados a nos identificar com Cristo em dois aspectos:

  1. Posicional – Pela fé em Sua obra perfeita somos elevados da posição de homem terreno para homem do céu (v.47). Em Colossenses (3:3) a palavra diz: ”Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”; em Efésios, “nele ... fomos também feitos herança” (1:11) ... “e juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (2:6). Será que ainda temos dúvidas sobre a nossa elevada posição em Cristo? Pena que, na prática, a maioria não adquira a viva consciência dessa posição pessoal. 

    Nesse ponto, de certa forma, estamos em estado semelhante ao povo de Israel quando saiu do Egito. Deus lhes chamava de filhos; foram redimidos do poder do Egito como nós do poder de satanás; foram identificados com a presença de Deus nas figuras de Cristo que os seguia, “e a pedra era Cristo”, mas não O conheceram e por isso foram reprovados. 

    Em 2 Coríntios 13:5 lemos: “Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados”. Reprovados em quê? No versículo 6, Paulo assevera: “espero que reconheçais que não somos reprovados”.

    Pelo “novo nascimento” fomos batizados em Cristo quanto à nossa posição de “aprovados”, entretanto precisamos considerar não apenas a nossa posição, mas a nossa relação, pois nesse sentido, quanto às obras, ainda vamos passar pelo “batismo do fogo” e poderemos ser reprovados (1 Coríntios 3:13).

  2. Relacional – É o segundo aspecto da nossa identificação com Cristo. Israel tinha a posição, mas não aprendeu a relacionar-se com Deus; ficaram presos às figuras, “mas Deus não se agradou da maior parte deles, por isso foram prostrados no deserto”. Não tinham visão espiritual. Creio que podemos afirmar que o Senhor não Se agrada de grande parte daqueles que estão posicionados em Cristo pela mesma razão que O levou a não Se agradar de Israel, pois perdemos a visão da “realidade”, estamos presos às figuras. 

    Mas o que é a realidade? A realidade não é o aparente e nem o que é deste tempo. A nossa realidade está no Céu e por isso Paulo diz, em Colossenses 3:1-2, “portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra”. 

    A luz que hoje vemos não é a realidade, a verdadeira luz é Cristo. Quando partirmos, a luz desta vida não poderá mais nos servir; as riquezas que hoje possuímos não são as verdadeiras riquezas, não poderemos levar nada dessa riqueza para a eternidade; o alimento que hoje nos alimenta não é o verdadeiro, pois Cristo é o Pão da Vida, precisamos comer dEle, nos saciar nEle; a água que hoje sacia a nossa sede não é a verdadeira, Cristo é Água da Vida. Por que tantos crentes ainda estão vazios e insatisfeitos murmurando e se identificando mais com o Egito do que com a terra de Deus?

Essas figuras foram-nos deixadas para que possamos buscar e pensar naquilo que é verdadeiro, mas em vez disso muitos cristãos estão presos às figuras e seus corações se “voltam” para o Egito.

Podemos fazer um teste simples para verificar a nossa realidade: Basta-nos perguntar onde está o nosso investimento! Em quê investimos nosso tempo? Onde investimos nossas riquezas?

Para que em nosso rosto brilhe a imagem de Cristo (Romanos 8:29), e sejamos criados em Cristo à imagem de Deus, é necessário termos sido “batizados em Cristo” nestes dois aspectos: Posicional e Relacional. Foi assim que aconteceu conosco quando um dia descemos às águas, símbolo do batismo em Cristo? Tínhamos consciência de que não simbolizava somente a mudança de posição, mas também a nossa relação com Ele?

Se já fomos “batizados em Cristo” estejamos revestidos de Cristo, com viva participação nas realidades eternas. Amém!

autor: Claudio Martinowski.