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Cristo Amou A Igreja - 10

07/01/1917 – 25/12/2007
Transcrito por autorização especial da Escola Bíblica Emaús ©

CAPITULO 10
A REUNIÃO DE ORAÇÃO

O Novo Testamento não nos fornece muitos pormenores sobre as reuniões das igrejas locais. Contudo, sabemos que os crentes se reuniam para comunhão, oração, ministério da Palavra e o partir do pão (Atos 2:42), além disso pouco mais nos é revelado. O testemunho do Evangelho parece ter sido praticado por cada cristão fora do recinto em que a igreja se reunia, onde os perdidos podiam ser alcançados, mas sempre com a ideia de trazer os que eram salvos para dentro da comunhão da igreja local.

Nas igrejas primitivas não havia reunião mais importante que a de oração. De fato, a igreja nasceu no despertar de uma reunião de oração (Atos 1:14), e daí em diante os crentes perseveravam em oração (Atos 2:42). Na verdade toda a história da igreja presta homenagem à fidelidade de Deus em atender a oração.

1. Uma promessa especial

É bom constantemente lembrar que a oração coletiva não somente tem a aprovação de Deus, mas a promessa especial de que o próprio Senhor estará presente no meio dos crentes, conforme Mateus 18:19-20, onde lemos: “Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”.

Esta linguagem é clara, nela não se admite qualquer sombra de dúvida. Temos um compromisso duplo que não pode ser quebrado. Primeiro, que quando dois crentes estão unidos na apresentação de uma petição a Deus, o pedido será respondido. Em segundo lugar, que quando os cristãos estão reunidos no Nome do Senhor Jesus, Ele está lá no meio deles. O problema é que não acreditamos nisso. Se o fizéssemos, nossas reuniões de oração seriam bem assistidas e as igrejas seriam animadas para servir a Deus.

2. Como orar em grupo

Ao tratarmos do assunto da oração coletiva, gostaríamos de apresentar algumas ideias elementares acerca da maneira como deve ser dirigida:

  • Em primeiro lugar, só uma pessoa deve orar audivelmente de cada vez. Os outros ficam silenciosos, mas na verdade todos estão orando. Aquele cuja voz é audível está expressando as orações do grupo. Os outros o seguem à medida que ora, e fazem sua aquela oração. Muitas vezes eles expressam essa unidade de espírito, dizendo "Amém".
  • Em segundo lugar, desejamos salientar que há uma grande diferença entre recitar orações e orar. Não há nada mais prejudicial à reunião de oração do que uma série de orações ensaiadas, sem que o coração esteja posto nelas. Com demasiada frequência, apenas se percorre uma lista de petições vazias, mas estas orações não passam do teto. As orações dos novos convertidos são geralmente refrescantes, espontâneas e novas. Crentes de mais idade frequentemente caem em um padrão de oração que é inútil para Deus ou para o homem. As reuniões de oração, onde as orações só se fazem por obrigação, deviam acabar.
  • O perigo das longas orações deve ser evitado. É certo que as Escrituras nos exortam a “orar sem cessar”, mas isso não dá direito a qualquer crente de tomar quase todo o tempo na reunião de oração. Se as orações forem curtas, mais irmãos poderão tomar parte e assim o interesse aumenta.

Além disso, as orações devem ser definidas. Não ore assim: “Ó Deus, salva as almas de todo mundo” – Melhor seria: “Senhor salva o meu irmão Davi”. E quando Davi se converter você vai saber que a sua oração foi respondida, e você será animado a orar por outros pelo seu nome.

(Nota da Redação: Esta é uma prática bastante usual, a de se orar para que determinada pessoa seja salva, todavia entendemos, segundo as Escrituras, que Deus já fez tudo, compete a nós pregar o Evangelho e o perdido converter-se de livre e espontânea vontade. Com isto se evita que o crente, ao orar, simplesmente deixe nas mãos de Deus e não se empenhe em evangelizar, e que ponha a culpa em Deus se uma pessoa, por quem ora, não venha a se converter).

3. Seja específico

Não há razão para que as reuniões de oração sejam enfadonhas. Há uma abundância de pedidos específicos que podemos trazer diante do Trono da Graça. Aqui estão algumas sugestões:

  • Ore por aqueles que estão em autoridade sobre nós, citando-os pelo nome. Ore para que venham a ser salvos, e que possamos levar uma vida tranquila e sossegada, com toda piedade e honestidade (1 Timóteo 2:2). • Ore pelos doentes na igreja. O Senhor sabe quem são, mas talvez alguns dos crentes presentes à reunião não sabem, portanto mencione os seus nomes.
  • Ore por pessoas de sua família e amigos descrentes. Nunca devemos nos envergonhar de orar pelos nossos entes queridos nas reuniões de oração. Se realmente desejamos a sua salvação, apreciamos as orações da igreja.
  • Ore pelos anciãos da igreja. Eles têm responsabilidades importantes que requerem sabedoria e paciência. Eles merecem o nosso interesse e orações.
  • Ore pelos missionários que foram enviados pela sua igreja. Se você se corresponder com eles, mesmo que seja de vez em quando, saberá quais são os problemas que estão enfrentando e quais poderão ser as suas necessidades.
  • Ore pelo trabalho da Escola Dominical, pelo superintendente, pelos professores, e pelos rapazes e moças que estudam a Palavra de Deus.
  • Ore pelos pobres. Para não envergonhar nenhum que esteja presente seria melhor não mencionar nomes.
  • Ore pelos membros da sua igreja que estejam a prestar serviço militar. Eles passam por tentações e provações, e enfrentam muitos perigos. Precisam das suas orações.
  • Ore pelos que estão envolvidos na obra do Senhor como evangelistas e professores.

Não nos esqueçamos de incluir “ações de graças” em nossas orações. Isto nos é exortado em Filipenses 4:6... “Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças”. O Senhor espera a devida gratidão do Seu povo. Ser ingrato e esquecer as suas misericórdias, é pecado.

4. Condições importantes

Mas não haverá certas condições a preencher para que as nossas orações sejam ouvidas? Certamente que há:

  • Em primeiro lugar, temos de permanecer em Cristo. Ele diz: “Se vós permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será feito” (João 15:7). Permanecer em Cristo é guardar os Seus mandamentos, fazer a Sua vontade e obedecer à Sua Palavra.
  • Em segundo lugar, as nossas orações devem ser de harmonia com a Sua vontade: “esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1 João 5:14). Desde que o delineamento geral da vontade de Deus se encontra na Bíblia, nossos pedidos devem se conformar com ela.
  • Em terceiro lugar, os nossos pedidos devem ser feitos em Nome do Senhor Jesus Cristo: “tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho” (João 14:13). “Em verdade, em verdade vos digo, que tudo quanto pedirdes ao Pai, ele vo-lo concederá em meu nome” (João 16:23). Quando verdadeiramente pedimos em Seu Nome, é como se fosse Ele mesmo a fazer o pedido a Deus.
  • • Finalmente, os nossos motivos devem ser puros. Tiago diz-nos que “pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites” (Tiago 4:3). Se os nossos motivos forem egoístas e pecaminosos, não podemos esperar ser ouvidos.

5. Algumas regras para lembrar

Antes de terminar, é preciso mencionar mais algo que se deve ou não fazer a fim de que as nossas reuniões de oração se tornem em “força motriz” da igreja, por exemplo:

  • Não ore para ser visto. Lembre-se que os hipócritas gostam de orar às esquinas das ruas para serem vistos pelos homens (Mateus 6:5).
  • Não peça a Deus para fazer algo que você mesmo pode fazer. Pedimos a Deus para trazer os incrédulos às nossas reuniões de evangelização, mas será que Ele não espera que usemos os nossos lábios para convidá-los e os nossos carros para trazê-los?
  • Tenha cuidado em não pedir algo que você sabe que não deve ter. Deus às vezes concede esses pedidos, mas envia o definhamento para a alma (Salmo 106:15).
  • Não desanime se a resposta não vier imediatamente. As respostas de Deus nunca chegam cedo demais, a fim de não perdermos a bem-aventurada experiência de esperar nEle; nunca chegam tarde demais, para não virmos a recear ter esperado nEle em vão.
  • Se a resposta de Deus não for exatamente o que você pediu, lembre-se disto: o Senhor reserva-Se o direito de nos dar alguma coisa melhor do que aquilo que Lhe pedimos. Não sabemos o que é melhor para nós, mas Ele sabe, e assim nos dá mais do que pedimos ou pensamos.

Ao terminar, desejamos salientar que não pode haver progresso real na igreja sem oração. Podemos seguir uma rotina e até vermos um resultado aparente, mas nada se faz para Deus se não houver verdadeira intercessão. Se do estudo das Escrituras não tirarmos esta conclusão seremos mais tarde levados a compreendê-lo por imperiosa necessidade.

Nota da Redação: Promovam este excelente curso por correspondência que é editado pela Escola Bíblica Emaús. Entrem em contato com o irmão Warren Brown pela Caixa Postal 464, Franca-SP, 14400-970, telefone (16) 3703-1034 ou e-mail: wjbrown@com4.com.br">wjbrown@com4.com.br

autor: Warren Brown.