• Português

Cristo Amou A Igreja - 11

07/01/1917 – 25/12/2007
Transcrito por autorização especial da Escola Bíblica Emaús ©

CAPITULO 11
OS BISPOS 

Nenhuma discussão sobre a igreja seria completa sem considerarmos a provisão que Deus fez para a sua assistência espiritual e de supervisão. Veremos que este trabalho é realizado pelos que são reconhecidos como bispos ou anciãos. Desde o início, convêm-nos esclarecer alguns pontos:

1. O que vem a ser um bispo?

Em primeiro lugar, devemos distinguir entre o conceito do Novo Testamento de um bispo com o título usado hoje. No tempo dos apóstolos, o bispo era simplesmente um entre vários outros cristãos maduros em uma igreja local que cuidava do bem-estar espiritual da igreja. Hoje em dia, nos sistemas eclesiásticos, o bispo é um dignitário nomeado para exercer jurisdição sobre muitas igrejas.

No Novo Testamento a palavra “bispo” nunca significa um prelado ou superior eclesiástico. Em 1 Timóteo 3 ou qualquer outro lugar do Novo Testamento nunca denota alguém que tem o encargo sobre a diocese composta de uma determinada zona do país que abrange um número de igrejas com o seu clero.

Segundo o Novo Testamento, os bispos não constituem uma classe de homens para mediar entre Deus e o homem. Talvez tenha sido em reprimenda a tal pretensão que pudesse surgir no futuro que o Espírito de Deus tenha classificado os bispos em segundo lugar, não em primeiro lugar, quando Paulo escreveu à igreja de Filipos: "a todos os santos em Cristo Jesus... com os bispos e diáconos” (Filipenses 1:1).

O pensamento de oficialismo está ausente do Novo Testamento. Em vez de um elevado cargo com títulos magníficos, um serviço humilde entre o povo de Deus nos é indicado. Assim podemos ler: "Se alguém aspira à supervisão, excelente trabalho deseja" (1 Timóteo 3:1). Supervisão é o trabalho, não a dignidade do cargo.

Finalmente, devemos observar, a guisa de introdução, que as palavras “bispo”, “ancião”, “supervisor” e “presbítero” no Novo Testamento referem-se todas à mesma pessoa, como podemos verificar comparando as seguintes passagens:

  • Em Atos 20:17, faz-se referência aos anciãos da igreja (há versões que traduzem a palavra por “presbítero” em vez de “ancião”, que significa o mesmo).
  • Em seguida, em Atos 20:28, os mesmos “anciãos” ou “presbíteros” são chamados de supervisores, e a palavra traduzida é “bispo”.
  • Em Tito 1:5, Paulo instrui para que Tito estabeleça anciãos e no versículo 7 descreve algumas das suas qualificações, referindo-se a eles como “bispos”, indicando mais uma vez que “anciãos” e “bispos” significam o mesmo.

2. Como são selecionados ou designados os bispos

Em última análise, somente o Espírito Santo pode fazer de um homem um ancião (Atos 20:28). A igreja pode se reunir em sessão solene para nomear presbíteros, mas o seu voto não coloca o coração de um supervisor em um homem. A ordem segundo as Escrituras parece ser que Deus faz com que homens sejam supervisores, depois, à medida que executam o seu trabalho, a igreja os reconhece como bispos (ou anciãos), divinamente nomeados.

É certo que Paulo e outros selecionaram ou designaram anciãos (Atos 14:23; Tito 1:5), mas isso foi antes do Novo Testamento estar todo escrito e ao alcance das igrejas. Na falta de instruções escritas sobre as qualificações dos anciãos, as igrejas dependiam dos apóstolos ou nas pessoas nomeadas por eles.

Devemos também notar que Paulo nunca designou anciãos na primeira visita a qualquer igreja; antes esperava até que os anciãos, eleitos por Deus, manifestassem o seu dom pelo seu próprio trabalho. Depois os indicava à igreja para que fossem reconhecidos.

3. As qualificações dos bispos

As Escrituras revelam-nos indubitavelmente as qualificações dum verdadeiro bispo ou ancião. Encontramo-las em 1 Timóteo 3:1-7 e em Tito 1:6-9, e podem ser resumidas da seguinte maneira:

  1. Em primeiro lugar o bispo deve ser irrepreensível. A sua reputação deve estar muito acima de qualquer crítica. Não diz que é impecável, mas que deve ser irrepreensível. Se contra um homem se provar, publicamente, qualquer acusação, deve se abster de exercer os deveres de ancião.
  2. Em segundo lugar deve ser marido de uma mulher. Alguns pensam que isto implica que o ancião deve ser casado; a outros que é proibido a um polígamo jamais tornar-se ancião. Podemos definitivamente dizer que o segundo pensamento é verdade, mas é difícil ser dogmático quanto ao primeiro.
  3. Também deve ser temperante. O ancião não deve ser dado a excessos. Há pessoas que dificilmente se moderam. Caem sempre em extremos. Embora homens assim possam estar na igreja, não podem ser supervisores.
  4. O ancião deve ser sóbrio (moderado). Deve provar pela sua vida que o cristianismo não é um passatempo agradável ou frivolidade. O ancião luta e vive com as questões eternas.
  5. Deve ser honesto e também ordeiro. Ser descuidado ou desmazelado não fica bem aos que servem numa casa onde deve haver ordem.
  6. Depois lemos que deve ser hospitaleiro ou amante da hospitalidade. O seu lar deve estar aberto ao povo de Deus. Deve ser como o lar de Lázaro, Maria e Marta em Betânia – lugar que Jesus tinha prazer em visitar.
  7. O bispo deve estar apto a ensinar. Conquanto não seja um mestre notável, deve saber manejar suficientemente as Escrituras de modo a poder ajudar o povo de Deus a resolver os problemas que surjam.
  8. Não dado ao vinho. Qualquer homem que não domina os seus apetites, certamente não é digno dum lugar de confiança na igreja.
  9. Não deve ser espancador. O sentido literal da palavra é que não deve usar de violência para com os outros. Usar de violência contra o seu subordinado, por exemplo, não é compatível com a supervisão de uma igreja.
  10. Não deve ser ganancioso. O verdadeiro bispo compreende que o dinheiro deve ser usado para o Senhor e para o progresso da Sua Obra. Um crente ganancioso e cobiçoso é um paradoxo.
  11. Deve ser paciente. O Mestre era manso e humilde e o servo não é superior ao Mestre. Mansidão e paciência podem não ser virtudes deste século, mas ainda o são no Reino de Deus.
  12. Não deve ser contencioso. Alguns estão prontos a contender por coisas mínimas e a discutir por causa de assuntos de pouca importância. Isto não seria próprio dum bispo.
  13. Além disso, não deve ser cobiçoso. Cobiçar é querermos aquilo que Deus nunca quis que possuíssemos. A cobiça é idolatria, porque põe a vontade própria acima da de Deus.
  14. O ancião deve governar bem a sua própria casa, tendo os seus filhos em sujeição, com toda a modéstia – filhos crentes, que não sejam rebeldes nem desregrados. A necessidade deste requisito é evidente: pois, se alguém não sabe governar a sua própria casa, como cuidará da igreja de Deus? (1 Timóteo 3:5).
  15. Não deve ser neófito. Isto está implicado no termo “ancião”. É necessária a maturidade espiritual. A pessoa pode ser de idade e, contudo, não ter as qualificações para supervisão devido a pouca experiência da vida cristã. O perigo com o neófito é de se ensoberbecer e cair na condenação do diabo.
  16. Deverá também ter bom testemunho dos que estão de fora. O mundo precisa saber que tem integridade e caráter de um cristão.
  17. Não deve ser obstinado, nem iracundo, mas deve seguir o bem. Importa ser justo e santo.
  18. Finalmente, deve reter a palavra da verdade; isto é, ser um defensor da Fé.

Resumindo as qualificações do ancião, podemos dizer que deve ser capaz de exercer domínio próprio, de governar bem a sua própria casa e de lutar pela Verdade de Deus.

Notemos que a Bíblia não diz que bispo deve ser um clérigo ordenado; não diz que tem que ter um diploma universitário; não diz que deve ser um empresário bem sucedido; não importa que tenha influência social ou não. Nada se diz sobre sua aparência pessoal ou seus recursos financeiros. Pode ter deformidade física, ser desajeitado, pobre, de humilde condição, e ainda ser um ancião na igreja de Deus. Meditemos nisto seriamente.

Sem dúvida que um dos maiores males da igreja em nossos dias é o reconhecimento de anciãos sem as indispensáveis qualificações espirituais. Porque um crente tem sucesso nos negócios, ele é projetado a um lugar de liderança na igreja, apesar da sua pouca ou nenhuma espiritualidade. O resultado é uma abundância de tudo aquilo que o dinheiro pode comprar e ausência de poder espiritual.

4. A responsabilidade dos bispos

Em primeiro lugar, devem apascentar o rebanho de Deus (1 Pedro 5:2; Atos 20:28). Eles fazem isto pelo ministério da Palavra de Deus e não implica necessariamente no ministério público, mas pode ser feito em visitas domiciliares.

Em segundo lugar, devem fazer o trabalho dos supervisores que cuidam do rebanho, segundo o que Pedro nos diz (1 Pedro 5:1-4). Que significa isto? Os versículos 2 e 3 explicam o que não significa e também o que significa:

  • Não significa serviço imposto, deve ser espontâneo;
  • Não é trabalho com fins lucrativos, “nem por torpe ganância”, mas de boa vontade;
  • Não significa dominar sobre a herança de Deus. O ancião não é um ditador, nem um capataz, nem um chefe;
  • Mas significa ser um exemplo do rebanho. O ancião deve lembrar-se de que o Bom Pastor não impele as suas ovelhas – guia-as. Todo o “pastor subalterno” devia fazer o mesmo. Do ponto de vista humano, parece mais fácil ter uma autoridade humana centralizada na igreja, para que as ordens sejam dadas pelo centro de operações e seja exigida obediência, mas esse não é o caminho de Deus. Os anciãos fazem a supervisão da igreja como exemplos do rebanho.

De uma maneira muito prática, os anciãos estabelecem o ambiente da igreja. Onde houver anciãos piedosos, que deem ao Senhor o primeiro lugar nas suas vidas e que irradiem a graça do Senhor Jesus, aí podemos esperar encontrar uma igreja sadia e espiritual; por outro lado, onde os anciãos se deixem dominar pelas coisas do mundo, ocupando-se com outros interesses externos, a ponto de lhes faltar tempo para ler a Palavra de Deus e orar, é de se esperar encontrar frieza e falta de vida no rebanho.

Os anciãos também são exortados a suportar os fracos: “Em tudo vos dei o exemplo de que assim trabalhando, é necessário socorrer os enfermos, recordando as palavras do Senhor Jesus, porquanto ele mesmo disse: Coisa mais bem-aventurada é dar do que receber”(Atos 20:35). O contexto implica que deviam estar prontos a ajudar os que estavam em necessidade, contribuindo para o seu sustento. Em vez dos anciãos serem sustentados pelo rebanho, são exortados a repartir o seu sustento com o rebanho.

Finalmente, os anciãos devem reprovar, repreender e exortar (2 Timóteo 4:2, Tito 1:13; 2:15). Tudo o que for contrário à fé deve ser repreendido com toda a autoridade. Todos os que não suportam a sã doutrina devem ser reprovados e exortados. O ancião deve batalhar diligentemente pela fé.

5. Qual deve ser a atitude da igreja para com os anciãos?

Segundo lemos em 1 Timóteo 5:17-18, é evidente que alguns anciãos devem ser ajudados financeiramente pela igreja: “Os anciãos que governam bem sejam tidos por dignos de duplicada honra, especialmente os que labutam na pregação e no ensino. Pois diz a Escritura: Não atarás a boca ao boi quando debulha. E ainda: Digno é o trabalhador do seu salário”.

É igualmente claro nas Escrituras, que outros trabalhavam para assegurar o seu próprio sustento. O próprio Paulo é um exemplo notável disto (1 Coríntios 4:12). Além disso, um ancião não deve ser repreendido asperamente, mas rogado como a um pai (1 Timóteo 5:1). Os crentes não devem admitir acusações contra os anciãos, senão com duas ou três testemunhas (1 Timóteo 5:19).

Os bispos devem ser lembrados, reconhecidos e obedecidos: “Tende-os em grande estima e amor por causa da sua obra” (1 Tessalonicenses. 5:13); “Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos falaram a palavra de Deus, e, atentando para o êxito da sua carreira, imitai-lhes a fé. Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.” (Hebreus 13:7-8).

Finalmente, atentemos para a recompensa dos anciãos: “E, quando se manifestar o sumo Pastor, recebereis a imarcescível coroa da glória” (1 Pedro 5:4).

Nota da Redação: Promovam este excelente curso por correspondência que é editado pela Escola Bíblica Emaús. Entrem em contato com o irmão Warren Brown pela Caixa Postal 464, Franca-SP, 14400-970, telefone (16) 3703-1034 ou e-mail: wjbrown@com4.com.br">wjbrown@com4.com.br

 

autor: Warren Brown.