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Cristo Amou A Igreja - 13

07/01/1917 – 25/12/2007
Transcrito por autorização especial da Escola Bíblica Emaús ©

CAPITULO 13

AS FINANÇAS DA IGREJA

1. DE ONDE PROCEDEM OS FUNDOS DA IGREJA?

Através de todo o Novo Testamento é determinado e também se deduz que a igreja só deve receber dinheiro dos seus membros. Não lemos em nenhuma passagem que algum descrente contribuísse para sustentar a igreja. A contribuição para a igreja é um ato de adoração, e assim só se limita àqueles que foram remidos com o precioso sangue de Cristo. Nem há qualquer referência que nos mostre que uma igreja local fosse ajudada financeiramente ou subsidiada por qualquer outra igreja ou concílio de igrejas. Cada igreja local devia sustentar-se a si própria. Os principais ensinos do Novo Testamento sobre este importante assunto podem ser resumidos da seguinte maneira:

  • Tudo o que o crente tem, pertence a Deus

O crente deve ser despenseiro, da melhor maneira possível, de tudo o que possui para a glória do seu Mestre (Lucas 16:1-12). F.B. Meyer escreveu sobre este assunto: “Fomos designados despenseiros; não para entesourar, mas para servir ao Senhor com tudo o que não é indispensável ao nosso sustento e ao dos nossos entes queridos, segundo a vocação com que Deus nos chamou. Na Terra, o nosso único alvo deve ser: usar da melhor maneira possível o que o Senhor nos concede, a fim de Lhe darmos conta da nossa mordomia, com prazer, quando Ele vier para Lhe prestarmos contas”.

  • O crente é instruído a contribuir para a Obra do Senhor.

1. Quando o deve fazer?

No primeiro dia da semana, cada um de vós, ponha de parte o que puder” (1 Coríntios 16:2);

2. Quanto deve dar?

a) “Conforme tiver prosperado” (1 Coríntios 16:2);

b) Conforme Cristo deu. Ele era rico, mas fez-se pobre, para que fôssemos enriquecidos (2 Coríntios 8:9);

c) Devemos dar do que nos faz falta e não da nossa fartura (Marcos 12:44);

d) Em suma, o crente deve dar liberalmente. O dízimo era o mínimo que o israelita dava. Ele trazia dízimos e ofertas. Nenhum crente, sob a graça, devia ficar satisfeito em contribuir só com o mínimo que a Lei requeria.

3. Com que espírito deve dar?

a) Primeiro deve dar-se a si mesmo ao Senhor (2 Coríntios 8:5), reconhecendo assim que todas as coisas são do Senhor;

b) A contribuição deve ser ditada pelo amor (1 Coríntios 13:3), doutro modo não tem valor;

c) Deve ser feita em oculto (Mateus 6:1-4), tão ocultamente que, usando uma figura de retórica, a mão esquerda não sabia o que fazia a direita;

d) Deve ser feita com alegria, e não com tristeza nem por constrangimento (2 Coríntios 9:7);

e) Lemos que os crentes primitivos vendiam as suas propriedades e partilharam o que era seu com os outros (Atos 2:44-45; 4:31-37). Isto era uma expressão visível da sua verdadeira comunhão espiritual. Em parte nenhuma do Novo Testamento somos ordenados a seguir o mesmo exemplo. Na realidade, as instruções acerca da contribuição pressupõem a posse particular de bens materiais. O ato da igreja primitiva era puramente voluntário. Não deve, pois, ser confundido com monasticismo ou o comunismo dos nossos dias.

4. Qual é a recompensa da dádiva?

a) Quando somos fiéis nas riquezas injustas (isto é, no uso do dinheiro), Deus nos confiará as verdadeiras riquezas (tesouros espirituais) (Lucas 16:11);

b) O fruto abunda para crédito da conta do contribuinte (Filipenses 4:17). Terá um tesouro no Céu (Mateus 6:19-21), porque as suas dádivas serão “como cheiro suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus” (Filipenses 4:18);

c) Os que tratam das finanças da igreja devem usar métodos irrepreensíveis. “Pois zelamos o que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens” (2 Coríntios 8:21). Dois, pelo menos, devem tomar conta do ofertório. Em Atos 6:1-6 lemos que sete homens foram designados para tratarem da distribuição de fundos entre as viúvas da igreja. As Epístolas não contêm instruções determinando exatamente quantos homens devem lidar com o dinheiro, mas é evidente segundo 1 Coríntios 16:3-4 e 2 Coríntios 8:18-19, que era costume confiar essa responsabilidade a mais de uma pessoa. Na primeira passagem, Paulo diz que mandaria “os” que os Coríntios aprovassem por carta para levar a sua dádiva para Jerusalém, e se valesse a pena ele iria também. Note-se o plural “os que” (v. 3); e “irão” (v.4). Na segunda passagem, Paulo explica que outro irmão fora escolhido para ir com ele para distribuir a dádiva da igreja.

2. O DISPÊNDIO DOS FUNDOS DA IGREJA

O Novo Testamento revela três propósitos especiais para os quais os fundos disponíveis são usados: às viúvas da igreja, aos crentes pobres e aos que dedicam todo o seu tempo à pregação e ensino da Palavra.

a) Para as viúvas da igreja (Atos 6:1-6).

A fim de se qualificar, uma viúva crente tinha de preencher os seguintes requisitos (1 Timóteo 5:3-16):

1. Tinha de estar desamparada, isto é, sem parentes para socorrê-la, e inteiramente dependente do Senhor quanto às suas necessidades (1 Timóteo 5:4-5 e 16);

2. Tinha de ter pelo menos sessenta anos de idade;

3. Devia gozar de boa reputação quanto a: Boas obras; nobre maternidade; hospitalidade; caridade (v. 10).

b) Para os crentes pobres

Na Sua Palavra, Deus exorta-nos muitas vezes a lembrarmo-nos dos crentes pobres (Gálatas 2:10; Romanos 12:13), e no Velho Testamento vemos que a prosperidade material do Seu povo estava intimamente ligada à maneira como tratavam os seus irmãos necessitados (Deuteronômio 14:29).

Pelo ano 45 DC, na Judeia, muitos dos crentes foram atingidos pela miséria. Isto talvez fosse devido à grande perseguição e fome que alastravam por toda a parte. Os crentes em Antioquia ajudaram os irmãos pobres da Judeia, e mandaram o seu auxílio por intermédio de Barnabé e Saulo (Atos 11:27-30). A Igreja em Corinto foi exortada a fazer o mesmo (1 Coríntios 16:1-3; 2 Coríntios 8:8-9). Nós também temos a responsabilidade de cuidar dos necessitados. O Senhor Jesus disse: “Os pobres sempre os tendes convosco” (Marcos 14:7). É bom para uma igreja ter pobres em seu meio de quem pode cuidar mediante um exercício piedoso. Barnes indicou que uma ótima maneira de unir os cristãos e impedir a alienação, ciúme e contenda é ter um objeto comum de caridade, em que todos estão interessados e para o qual todos possam contribuir. Contudo, a igreja não tem a responsabilidade de socorrer os que são pobres por não quererem trabalhar. Neste caso, o decreto divino é: “Aquele que não quer trabalhar não coma” (2 Tessalonicenses 3:10).

c) Para os que dedicam seu tempo à Obra do Senhor

1. É um princípio divino que os que pregam o Evangelho e ensinam a Palavra têm o direito ao apoio dos crentes. “O que está sendo instruído na Palavra faça participante em todas as coisas boas aquele que o instrui” (Gálatas 6:6; 1 Coríntios 9:4-14; 1 Timóteo 5:17-18);

2. Contudo, Paulo preferia frequentemente trabalhar com as suas mãos do que aceitar a colaboração das igrejas (Atos 18:3). As razões eram as seguintes:

a) Para servir de exemplo aos Efésios, a fim de que eles também trabalhando vissem a necessidade de socorrer os enfermos e conhecer o valor prático das palavras do Senhor Jesus: “Coisa mais bem-aventurada é dar do que receber” (Atos 20:33-35);

b) Para impedir que os críticos em Corinto o acusassem de motivos mercenários (2 Coríntios 11:7-12);

c) Para evitar que os crentes em Tessalônica se sentissem sobrecarregados com o encargo de ajudá-lo (1 Tessalonicenses 2:9; 2 Tessalonicenses 3:7-9). Os crentes daquela cidade eram pobres e estavam a ser perseguidos.

3. A igreja em Filipos foi louvada por ministrar as necessidades de Paulo. Note-se que Paulo não procurava dádivas por causa da sua necessidade, mas porque queria fazer abundar o fruto espiritual para crédito deles (Filipenses 4:10-19).

4. Note-se também que, se por um lado, Paulo nunca dava a conhecer as suas necessidades pessoais, por outro lado não hesitava em mencionar as necessidades dos outros crentes (2 Coríntios 8 e 9). Há, pois, uma grande diferença entre informação e solicitação, como indicou o Dr. Chafer: “Todos concordarão que há necessidade de informação, sem ela não se pode contribuir inteligentemente, mas o problema real se encontra em torno da questão da solicitação”.

3. CONCLUSÃO

Quem lê o Novo Testamento notará quão encantadoramente simples é o financiamento da igreja. Não há regras pesadas e legalísticas nem uma elaborada e complexa organização financeira. Se os simples preceitos das Escrituras fossem observados, dois resultados importantes se seguiriam:

a) As necessidades da igreja seriam supridas liberalmente, sem ser preciso pedir;

b) A igreja não teria que ser censurada pelo mundo como se fosse uma instituição para fazer dinheiro.

Nota da Redação: Promovam este excelente curso por correspondência que é editado pela Escola Bíblica Emaús. Entrem em contato com o irmão Warren Brown pela Caixa Postal 464, Franca-SP, 14400-970, telefone (16) 3703-1034 ou e-mail: wjbrown@com4.com.br">wjbrown@com4.com.br

 

autor: Warren Brown.