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Cristo Amou A Igreja - 07

07/01/1917 – 25/12/2007
Transcrito por autorização especial da Escola Bíblica Emaús ©

CAPITULO 7
A EXPANSÃO DA IGREJA

Outra verdade importante a respeito da igreja que a assembleia local deve pôr em prática é que os dons são dados para edificação da igreja. Visto que edificação implica em crescimento ou expansão, nos ocuparemos agora com o programa de Deus sobre a expansão da igreja.

Hoje a igreja é o meio pelo qual Deus se apraz em espalhar a fé cristã na terra. Cada igreja devia estar sempre preocupada em se espalhar, em alcançar novos territórios, em se propagar, e assim ver outras igrejas estabelecidas.

Como já previamente nos referimos, Cristo, como Cabeça da Igreja, deu dons para que a igreja cresça na medida em que esses dons sejam convenientemente usados.

OS DONS PARA HOJE

Em outro capítulo dissemos que, originalmente, havia cinco dons: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. Sugerimos que os primeiros dois relacionavam-se especialmente com a fundação da igreja e que, de um modo geral, a necessidade deles passou logo que toda a Palavra de Deus acabou de ser escrita.

Isto significa que hoje, na igreja, existem três dons: evangelistas, pastores e mestres (notem que os dons são homens, e assim serão considerados no restante deste capítulo). Voltemos agora para o propósito dos dons e como funcionam.

POR QUE OS DONS SÃO DADOS?

O propósito dos dons é revelado em Efésios 4:12-13... “tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo”.

Ao lermos estes versículos nesta versão somos inclinados a pensar que há três razões por que estes dons foram dados, a saber:

  • Para o aperfeiçoamento dos santos;
  • Para a obra do ministério;
  • Para a edificação do Corpo de Cristo.

Mas será mesmo isso que a passagem ensina? Um estudo cuidadoso indica que não. A própria preposição “para” no-lo indica. Não temos, neste versículo, três razões sem nexo a respeito do motivo por que os dons foram dados, mas uma única razão – a edificação dos santos na fé, para que estes, por sua vez, possam fazer obra do ministério (ou serviço), a fim de que o Corpo de Cristo seja edificado numérica e espiritualmente. São os santos que fazem a obra de ministrar.

UMA ILUSTRAÇÃO DESSA VERDADE

Ela pode ser ilustrada por meio de um círculo. O centro do círculo representa, digamos, o dom daquele que ensina. Ele ensina aos que o cercam para que sejam aperfeiçoados, isto é, edificados na fé; estes, por sua vez, vão ministrar a outros. Desta maneira a igreja cresce e se desenvolve. É o método divino de evangelizar o maior número de pessoas no mais curto espaço de tempo.

De acordo com o modelo divino, os evangelistas, pastores e ensinadores têm sempre em mente a ideia de procurar alcançar, treinar e preparar outros para o trabalho do ministério.

Apesar de nem todos os crentes terem dons de evangelista, pastor ou ensinador, todos devem se envolver em serviço para o Senhor. Cada membro da igreja devia ser um verdadeiro adorador de Deus, um conquistador de almas, um estudante da Bíblia, um propagador da Fé.

A importância de tais obrigações é salientada em 2 Timóteo 2:2... “o que de mim ouviste de muitas testemunhas, transmite-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros”.

Este plano produz resultados imediatos e visíveis. Resulta em uma expansão rápida da fé cristã. Individualmente, os crentes amadurecem pelo exercício das funções que Deus lhes dá. Em consequência serão menos susceptíveis de se deixarem desviar pelo ensino errado das seitas heréticas que prevalecem tanto no mundo. E a igreja assim expandindo e amadurecendo dá uma representação mais precisa do Corpo de Cristo na terra.

O SISTEMA COMUM NA CRISTANDADE

Contrastemos com este sistema o que é tão comum na cristandade de hoje. Um homem é escolhido para ser pastor de uma igreja. Ele prega, batiza, dirige a Ceia do Senhor, e de outras formas exerce os deveres religiosos da congregação. O povo escuta os seus sermões, semana após semana, mas infelizmente em grande número dos casos a congregação não está disposta a tomar parte ativa, argumentando que está pagando a outro para fazê-lo.

Em suma tornam-se apreciadores profissionais dos sermões, com pouco conhecimento real das verdades da Palavra de Deus. E o perigo sempre presente é dessa gente, embora criada no meio evangélico, permanecer como meros “meninos, inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro” (Efésios 4:14).

 Este sistema eclesiástico pode sintetizar-se assim: o pastor tem a sua congregação, que regularmente assiste aos cultos; depois de cada reunião, voltam para suas atividades sentindo pouca ou nenhuma responsabilidade pessoal de fazer qualquer coisa sobre o que ouviram. É claro que, em tais circunstâncias, o pastor está muito limitado no que pode fazer. Por outro lado, se todos os membros da igreja fossem ativos no serviço do Senhor, o progresso seria admirável.

Foram estas considerações que levaram Alexander Maclaren a escrever: “Não posso deixar de acreditar que a prática atual de se limitar o ensino público da igreja a uma classe oficial tem sido nociva. Porque um só homem deve ficar falando o tempo todo, e centenas de pessoas capazes de ensinar ficarem mudas para ouvi-lo ou fazerem de conta que estão? Detesto revoluções forçadas e não creio que nenhuma instituição, política ou eclesiástica, que precisa de violência para ser varrida está pronta a ser removida, mas creio que se o nível da vida espiritual se elevasse entre nós, novos métodos evoluiriam naturalmente, nos quais haveria um reconhecimento mais adequado do grande princípio em que a democracia do cristianismo se baseia, a saber: “Derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão”.

EXAME DO SISTEMA ECLESIÁSTICO

Esta discussão sobre o ministério de um só homem na igreja dá relevância às seguintes perguntas: “E o sistema clerical? É bíblico?” Procuraremos responder a estas perguntas pertinentes.

Por “clero” identifica-se uma classe separada de homens ordenados de forma humana para o serviço a Deus, a quem é geralmente outorgada autoridade exclusiva no que diz respeito a pregar, ensinar, batizar e administrar a Ceia do Senhor. Reconheceríamos com prazer que muitos homens que tinham posições clericais foram notáveis servos de Cristo, e foram usados por Ele maravilhosamente. Devemos a eles e ao seu ministério, tanto oral quanto por escrito, uma dívida profunda de gratidão que admitimos com satisfação. Abraçamos prontamente como irmãos todos esses que são crentes no Senhor Jesus. Contudo, devemos encarar honesta e diretamente o fato de que não encontramos a ideia de um clérigo no Novo Testamento. Em nenhum lugar encontramos um homem encarregado de uma igreja.

O QUE DIZ O NOVO TESTAMENTO?

A ideia de uma classe sacerdotal não é apoiada pelo Novo Testamento e cremos que é contrária aos seus ensinamentos.

Em primeiro lugar, viola o princípio do sacerdócio de todos os crentes (1 Pedro 2:5-9). No Velho Testamento havia uma classe separada de homens que atuavam entre Deus e o povo. No cristianismo todos os crentes são sacerdotes, com todos os privilégios e responsabilidades desta posição. Na prática, a ideia do ministério exclusivo de um homem na igreja, impede efetivamente o serviço e a adoração dos sacerdotes cristãos.

Em segundo lugar, o sistema clerical proíbe o livre exercício dos dons na igreja (1 Coríntios, capítulos 12 e 14), pois limita arbitrariamente o ministério sacerdotal a uma pessoa ou grupo de pessoas. Também limita a administração das ordenanças a uma casta sacerdotal, enquanto que as Escrituras não fazem tal distinção.

O princípio de um ministério assalariado, que quase invariavelmente se encontra no sistema clerical, inevitavelmente implica responsabilidade para com uma pessoa ou pessoas mais elevadas. A autoridade superior pode exercer pressão no ministro, impondo-lhe padrões de realização artificiais e não espirituais. Por exemplo, é comum avaliar a efetividade de um homem segundo o número de pessoas que consegue agregar à igreja durante o ano. Não somente é esta uma falsa medida de efetividade ministerial, mas cria uma grande tentação para rebaixar os padrões de admissão de novos membros a fim de exibir um resultado melhor. O servo do Senhor não devia ser amarrado, acorrentado ou embaraçado dessa maneira. Devia sempre ser o homem livre pertencente ao Senhor (Gálatas 1:10).

O clericalismo contribui para o perigo sempre presente de atrair pessoas para o homem ao invés do Nome do Senhor. Se um homem for o poder atrativo numa igreja local, então a atração desaparece quando o homem sai. Por outro lado, se os crentes se reúnem porque o Senhor está no meio deles, então permanecerão fiéis por causa d’Ele.

Na prática, para não dizer na teoria, o clericalismo tem contribuído para efetivamente obscurecer a verdade da liderança de Cristo (Efésios 1:22) e, em certos casos, negá-la completamente.

Se alguém argumentar que os bispos do Novo Testamento são a mesma coisa que o clero dos nossos dias, responderemos que o Novo Testamento tem em vista vários bispos em uma igreja (Filipenses 1:1), e não um único bispo a presidir sobre uma igreja ou um grupo delas.

É inegável que muitos homens em posição clerical são servos talentosos dados por Cristo para a igreja. No entanto, eles não se tornaram dons por nomeação ou ordenação humana, mas por obra do próprio Senhor Jesus. Eles têm a responsabilidade de ministrar de tal forma que os santos sejam edificados para o serviço ativo e não para continuarem na sua permanente dependência.

Os males resultantes de se ordenarem para o ministério homens que não foram chamados por Deus são manifestos e dispensam comentários.

Finalmente, onde um só homem é o principal responsável pelo ministério do ensino na igreja, não há um sistema de controle mútuo e assim há o perigo de interpretações unilaterais, quando não mesmo de má doutrina. Por outro lado, quando o Espírito Santo tem liberdade de falar à igreja por meio de vários dons (pessoas que Ele dá), mais facetas da verdade são trazidas à luz e existe maior imunidade do erro onde todos os santos estão comparando passagens das Escrituras de forma persistente.

CONCLUSÃO

Assim, embora muitas bênçãos tenham vindo através do ministério de homens que representavam o sistema clerical cremos que, além de não ser o melhor que vem de Deus, também é seriamente prejudicial aos melhores interesses da igreja. O método de Deus é que os dons ministrem aos santos, e depois que os santos, por sua vez, vão avante para fazer o trabalho do ministério. A igreja local devia reconhecer este princípio importante, e nada fazer que impeça o seu livre desenvolvimento. Na medida em que os santos ministrem assim, os descrentes serão salvos, os santos serão edificados e novas igrejas virão a existir.

Nota da Redação: Promovam este excelente curso por correspondência que é editado pela Escola Bíblica Emaús. Entrem em contato com o irmão Warren Brown pela Caixa Postal 464, Franca-SP, 14400-970, telefone (16) 3703-1034 ou e-mail: wjbrown@com4.com.br">wjbrown@com4.com.br

autor: Warren Brown.