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Ganhar dinheiro e aumentar o capital

Introdução:  “Não importa como, o importante é ganhar bastante dinheiro e aumentar meu capital!” O mundo pensa e age assim, porém esse não é e nem deve ser o pensamento de um cristão, pois o crente tem o padrão divino a ser seguido. Ao contrário do que muitos pensam, o crente pode ser ou até mesmo se tornar rico, pois a raiz de todos os males não é o dinheiro em si, mas o amor ao dinheiro (1 Timóteo 6:10). Por outro lado há alguns que apesar de pobres se apegam tanto ao dinheiro que acabam escravizados por ele.

GANHAR DINHEIRO E AUMENTAR OS BENS COM ESFORÇO DO TRABALHO:

Desde o início lemos na Bíblia que Deus sempre valorizou o trabalho, porque o trabalho dignifica o homem. Vemos que Ele, até mesmo antes da entrada do pecado no mundo, deu ao homem a tarefa de lavrar a terra e guardar o jardim do Éden, tarefas estas que não lhe eram exaustivas, pois ainda não havia entrado o pecado no mundo com suas duras conseqüências, portanto, Deus aprova o trabalho e não Se alegra no preguiçoso (Gênesis 2.15; 3.19 e Provérbios 6.6-11).

HONESTIDADE É O QUE DEVE CARACTERIZAR O GANHO DO CRISTÃO

Cada servo ou serva de Deus deve ganhar honestamente para que possa contribuir com a Obra de Deus com uma consciência livre de qualquer acusação. Vamos a alguns exemplos bíblicos:

1. Os servos de Deus que trabalham de empregados – (Efésios 6:5-8) “Quanto a vós outros, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus; servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens, certos de que cada um se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre”. Nestes versículos o apóstolo Paulo escreve aos irmãos que se converteram estando sob o jugo da escravidão, agora servos do Senhor, como eles deveriam se comportar para servir aos seus senhores de maneira a glorificar o Senhor. Sem dúvida temos aqui um texto chave para orientação dos servos e servas de Deus que trabalham como empregados numa multinacional, numa pequena fábrica ou mesmo em casas de família, nestes casos estes cristãos estão servindo ao Senhor dando testemunho pelo seu comportamento que deve diferenciar dos demais colegas descrentes, também perante os encarregados e patrões. Portanto, se o crente não tiver um comportamento digno do Seu Senhor no ambiente de trabalho, estará desonrando ao Seu Senhor. Você já pensou em um crente faltar ao trabalho sem ter motivo justo e depois levar um atestado falso, até comprado, como temos visto em algumas reportagens mais recentes, para ser apresentado ao patrão para não perder o ganho do dia e outros benefícios garantidos pela lei do país? Deus exige de Seus servos que trabalham como empregados que ganhem de forma honesta.

2. Os servos de Deus que são empregadores – (Efésios 6:9) “E vós, senhores, de igual modo procedei para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que para ele não há acepção de pessoas”. Se Deus exige um comportamento correto do empregado crente, Ele também tem estabelecido Seu padrão para os patrões ou patroas crentes em relação a seus funcionários. Como por exemplo, não explorando seus funcionários, mas pagando realmente o que seu trabalho merece. Tiago escreveu: “Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos e que por vós foi retido com fraude está clamando; e os clamores dos ceifeiros penetraram até aos ouvidos do Senhor dos Exércitos” (Tiago 5:4). Outra coisa é o cumprimento das leis trabalhistas, ou seja, seus empregados devem trabalhar seguros com registro em carteira com todos os direitos trabalhistas regularizados, o que sem dúvida, irmão empregador, você estará agradando a Deus e dificilmente terá problemas com a justiça trabalhista. O patrão crente deve ser justo cumprindo rigorosamente seus deveres como empregador e jamais oprimindo o pobre para ter lucros (Provérbios 22:16). Deus exige que Seus servos empregadores tenham lucros de forma honesta.

3. Os servos de Deus que são comerciantes – (Levítico 19:35-36) “Não cometereis injustiça no juízo, nem na vara, nem no peso, nem na medida. Balanças justas, pesos justos, efa justo e justo him tereis. Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito”. Na Lei, Deus exige de Seu povo justiça nos negócios não sendo injustos nas medidas ou pesos, contudo, quando chegamos aos dias do profeta Amós, a situação é das mais tristes, pois a ganância dos homens os tornou cegos e a loucura pelo ganho ilícito os fez repugnáveis na presença de Deus, e Ele pronuncia o Seu julgamento como vemos em Amós 8:4-6... “Ouvi isto, vós que tendes gana contra o necessitado e destruís os miseráveis da terra, dizendo: Quando passará a Festa da Lua Nova, para vendermos os cereais? E o sábado, para abrirmos os celeiros de trigo, diminuindo o efa, e aumentando o siclo, e procedendo dolosamente com balanças enganadoras, para comprarmos os pobres por dinheiro e os necessitados por um par de sandálias e vendermos o refugo do trigo? Jurou o Senhor pela glória de Jacó: Eu não me esquecerei de todas as suas obras, para sempre!”. Neste tempo da Igreja temos muitos irmãos que são comerciantes e Deus quer destes a honestidade nos seus negócios nunca passando seu próximo para trás ou qualquer transação comercial desonesta ou duvidosa. Deus não aprova o uso inadequado de pesos e medidas, Ele tão somente aprova medidas e pesos que forem genuinamente justos. Portanto, Deus exige que os comerciantes crentes tenham seus lucros de forma honesta sendo justo para com seu próximo não lhe roubando nenhum centavo.

DEUS NÃO APROVA GANHO POR MEIOS DUVIDOSOS

1. Sonegação de impostos – (Mateus 22:17-22) “Então, retirando-se os fariseus, consultaram entre si como o surpreenderiam em alguma palavra. E enviaram-lhe discípulos, juntamente com os herodianos, para dizer-lhe: Mestre sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus, de acordo com a verdade, sem te importares com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens. Dize-nos, pois: que te parece? É lícito pagar tributo a César ou não? Jesus, porém, conhecendo-lhes a malícia, respondeu: Por que me experimentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo. Trouxeram-lhe um denário. E ele lhes perguntou: De quem é esta efígie e inscrição? Responderam: De César. Então, lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Ouvindo isto, se admiraram e, deixando-o, foram-se”. Os fariseus enviaram seus discípulos juntamente com os herodianos para tentar o Senhor Jesus experimentando-O na questão tributaria achando que Ele estaria cercado e seria julgado em qualquer que fosse a Sua resposta. Quando o Senhor Jesus foi interpelado se era lícito pagar imposto ao império romano, Ele ensinou que o que é do governo (César) deve ser entregue ao governo e o que é de Deus a Deus. Tempos atrás um cristão me disse: “Se formos pagar os tributos corretamente, vamos à falência e não sobreviveremos!”. Tal colocação parece ser razoável neste mundo de esperteza, porém, como cristãos, temos outra diretriz, somos e devemos ser dirigidos por Deus através da Sua Palavra. Quando o Senhor Jesus disse que se deve entregar a César o que lhe pertence, Ele está dizendo exatamente que o crente não deve, em hipótese alguma, sonegar impostos. Da mesma forma quando se ofertar a Deus, que se faça com coração voluntarioso e alegre, entregando aquilo que não é nosso, mas dEle. Assim mais uma vez repito que Deus exige que Seus servos tenham seus lucros de forma completamente honesta.

2. Conseguir alguma coisa através de suborno – Um conhecido meu disse a seu pai: “Vou mostrar ao senhor que um homem vale por aquilo que ele tem e não por aquilo que ele é”. Saiu com dinheiro no bolso e sem fazer qualquer exame comprou uma carteira de motorista. “Juízes e oficiais constituirás em todas as tuas cidades que o Senhor, teu Deus, te der entre as tuas tribos, para que julguem o povo com reto juízo. Não torcerás a justiça, não farás acepção de pessoas, nem tomarás suborno; porquanto o suborno cega os olhos dos sábios e subverte a causa dos justos. A justiça seguirás, somente a justiça, para que vivas e possuas em herança a terra que te dá o Senhor, teu Deus” (Deuteronômio 16:18-20). Nestes versículos Deus ordenou aos juízes do povo de Israel a não aceitar suborno porque “o suborno cega os olhos dos sábios e subverte a causa dos justos”. Diz Salomão em Provérbios 17:8... “Pedra mágica é o suborno aos olhos de quem o dá, e para onde quer que se volte terá seu proveito”. Neste caso o suborno é como uma pedra mágica para conseguir o impossível, e vicia a pessoa que fica contagiada e vê nesta prática um meio de se livrar de alguma situação embaraçosa. Como exemplo, quando uma pessoa é flagrada ultrapassando a velocidade permitida numa rodovia e o guarda vai lhe aplicar uma multa alta, ela oferece para o policial “cinqüentão” para se livrar da multa. Se o policial aceitar, o infrator estará livre da pena e da perda de alguns pontos na carteira de motorista. É claro que isto acontecerá se o policial também for corrupto. O mesmo poderá acontecer com fiscais de tributos, mas o verdadeiro cristão nunca deverá oferecer qualquer tipo de suborno para se livrar de uma situação difícil, nem tampouco aceitar, pois doutra sorte como ele contribuiria com consciência tranqüila para a Obra de Deus?

3. Aproveitar da ignorância alheia e passar o próximo para trás – (Provérbios 20:14) “Nada vale, nada vale, diz o comprador, mas, indo-se, então, se gaba”. É muito fácil para as pessoas, inclusive crentes, em suas atividades fazer diversos negócios de compra e venda e cometer um erro deste tipo ao usar de astúcia, conforme citado neste texto, comprando algo por um preço muito abaixo do valor de mercado e depois se gaba dizendo: “Graças a Deus consegui um ótimo negócio, paguei a metade do preço que valia e agora vou vender e ganhar muito mais”. Irmãos, Deus jamais Se satisfará de um cristão que consegue bens trapaceando o seu próximo aproveitando-se de sua ignorância. Se um crente age desta forma em seus negócios como poderá estar em paz com Deus? Os irmãos que trabalham fazendo negócios diversos devem vender ou comprar sem usar língua falsa (Provérbios 21:6).

4. Ganhar dinheiro usando de agiotagem – Primeiro vamos recorrer ao dicionário Aurélio para vermos o que ele diz acerca da palavra “agiotagem”: 1. Especulação sobre fundos, câmbios ou mercadorias, com o fim de obter lucros exagerados; usura. 2. Lucro resultante dessa especulação. 3. Empréstimo de dinheiro a juros exorbitantes. Observando a Palavra de Deus sobre emprestar e tomar emprestado, pode-se notar que ela fala de empréstimos diversos, desde dinheiro até comida e não proíbe tal prática como foi o caso registrado em Neemias 5:10... “Também eu, meus irmãos e meus moços lhes demos dinheiro emprestado e trigo. Demos de mão a esse empréstimo”. Não está proibido ao crente emprestar dinheiro a seu próximo, mas a Palavra de Deus se apresenta contra os empréstimos feitos com usura (Ezequiel 18:13). Neste assunto, resta dizer que a agiotagem é uma prática ilegal pela lei de nosso país e que o cristão nunca deveria aumentar seu patrimônio emprestando com usura. O Salmo 37:21 diz: ”O ímpio pede emprestado e não paga”, com certeza este não é o papel do cristão verdadeiro. Nunca se deve tomar emprestado com intuito, ou hipótese, de não pagar, pois aquele que emprestou o fez de boa fé.

5. O que falar da tentação de ficar rico em um jogo de azar – Este tipo de jogo é aquele em que a perda ou o ganho dependem mais da sorte que do cálculo, ou somente da sorte, como por exemplo, o jogo da roleta, loto, loterias, bingo etc. Certa vez preguei em um lugar e abordei sobre o perigo, que corremos, de cairmos na tentação de nos envolver com tais jogos. Quando terminou a reunião, um irmão da liderança daquela igreja disse-me que agradeceu a Deus pela mensagem e me contou que naquela igreja muitos crentes estavam envolvidos nesta prática. Reconheço que esta tentação é muito forte nos dias de hoje diante de tanto jogos legalizados pelo próprio governo. As propagandas nos meios de comunicação são tentadoras e o crente vê na TV pessoas recebendo boladas de dinheiro e pagaram “tão pouco” por uma simples aposta em alguns números, os quais foram sorteados. Logo o cristão pensa: “Ah se fosse eu!”. Irmãos, a Bíblia nos adverte em Provérbios 13:11... ”Os bens que facilmente se ganham, esses diminuem, mas o que ajunta à força do trabalho terá aumento”. Paulo escreve a Timóteo sobre a forte tentação de ficar rico: “Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição” (1 Timóteo 6:9). Anos atrás um irmão me contou que antes de se converter ele preenchia uma cartela e orava a Deus para ganhar e até fazia voto que caso ganhasse daria a metade para a igreja. Existe o perigo de muitos cristãos estarem agindo da mesma forma hoje, mas é preciso ser lembrado que Deus não aceita uma eventual oferta desta.

O que hoje significa o cristão ter um ganho honesto em que pode contribuir com a consciência limpa? Creio que ganhar honestamente é não estar envolvido com estes exemplos tão comuns e negativos que abordamos e outros mais, também duvidosos, mas ganhando pelo esforço do trabalho – (1 Tessalonicenses 4:10-12; 2 Tessalonicenses 3:12). É licito ao crente ganhar muito dinheiro e ficar rico, desde que ele seja honesto ao ganhar cada centavo (Efésios 4.28).

autor: Severo Miguel de Oliveira.