• Português

O ser humano e seu destino (2)

O SER HUMANO E SEU DESTINO

Que a meditação nestas coisas encha o nosso ser com a grandeza dos propósitos de Deus em relação a cada um de nós, levando-nos a viver, aqui neste mundo, no temor do Senhor

“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”
(1 Tessalonicenses 5:22)

Ronaldo E. Watterson
Nasceu em 21/11/1935, espiritualmente em 1952,
veio para o Brasil em 1960, e faleceu em 30/05/2016

 


CAPÍTULO 2

O CORPO
Romanos 6:6-14

O corpo é a parte material do nosso ser. Para formar este corpo, Deus usou o pó da terra — material insignificante e sem valor. O corpo, porém, é de grande importância. É difícil, senão impossível, calcular o seu valor, mas podemos formar uma ideia disto vendo o prazer que aquele corpo de Adão proporcionou a Deus. Ao completar cada etapa dos trabalhos relatados em Gênesis, capítulo 1, Deus viu que era bom (veja versículos 4, 10, 12, 18, 21, 25). Porém, quando Deus criou o homem, Ele tornou a contemplar a obra das Suas mãos, e eis que era muito bom (Gênesis 1:31).

Deus viu a perfeição daquele corpo e alegrou-Se. Era um corpo dotado de grande capacidade; um instrumento ideal para Lhe servir e realizar os Seus propósitos. Além disto, era um corpo capaz de viver eternamente, sem enfraquecer nem envelhecer. Poderia servir a Deus de forma perfeita e perpetuamente.

Mas Adão pecou! E o pecado afetou o seu corpo, estragando a bela criação de Deus.

OS EFEITOS DO PECADO SOBRE O CORPO 

Para entendermos os efeitos do pecado no corpo humano, vamos examinar algumas expressões que o Novo Testamento usa em relação a este corpo.

  • Corpo do Pecado (Romanos 6:6) – Neste versículo Deus chama o corpo de “corpo do pecado” porque é um corpo que serve ao pecado. Deus fez o corpo humano para o Seu serviço, mas o homem tomou (e ainda toma) este instrumento e o emprega no serviço do pecado (Romanos 6:16). O corpo agora é controlado e condicionado pelo pecado.
  • Corpo da Carne (Colossenses 2:11) – O Novo Testamento usa a palavra “carne” para indicar aquela natureza pecaminosa que está em cada ser humano. Adão e Eva tornaram-se pecadores e, consequentemente, toda a sua descendência nasce com uma natureza que deseja o pecado. Agora o corpo, que deveria fazer a vontade de Deus, satisfaz os desejos da carne, obedecendo aos impulsos depravados desta natureza perversa. Descrevendo o estado natural do homem, a Bíblia diz que ele anda nos desejos da sua carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos.

Estas duas expressões, “corpo do pecado” e “corpo da carne” mostram o exterior e o interior do problema. O corpo é um corpo do pecado, porque é um corpo da carne. Ele se entrega ao pecado, porque é dominado pelos desejos da carne.

  • Corpo Abatido (Filipenses 3:21) – A palavra traduzida “abatido” significa baixeza ou humilhação. O moço não pode orgulhar-se da sua força física, nem a moça da sua beleza, pois, em breve, a força diminuirá e a beleza murchará como a flor apanhada e lançada fora. Como é frustrante querer fazer e não poder. A fraqueza do corpo, a enfermidade, o cansaço ou a falta de destreza nos impõem tantas limitações que sentimos realmente que este corpo é de humilhação. Bem que a Bíblia diz: “Toda a carne é como erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor” (1 Pedro 1:24).

  • Corpo Mortal (Romanos 6:12). Eis a humilhação máxima! O corpo que Deus fez para viver e servir eternamente agora está sujeito à morte. De todas as suas limitações, a mais triste é esta: “o homem, nascido de mulher, é de bem poucos dias, e… não permanece” (Jó 14:1-2).

Recapitulando, temos visto que o corpo maravilhoso e útil que Deus fez foi, pelo homem, entregue ao pecado para servir aos desejos da carne. Em consequência disto, ele sofre atualmente a ira de Deus (Romanos 1:18-32) e está sujeito a muitas limitações devido ao seu enfraquecimento, envelhecimento e morte. De fato, o corpo humano, que uma vez causou tanto prazer a Deus, agora é o corpo da nossa humilhação.

Mas Deus ainda tem planos grandiosos para este corpo!

Muitos ignoram isto. Alguns até chegam a dizer que a carne para nada se aproveita (citando João 6:63, sem porém, entender o versículo). Pensam que o corpo não tem importância. Mesmo praticando o adultério, o homicídio ou o roubo, pensam que podem viver em espírito de santidade, pois “foi apenas o corpo que pecou”! Nada pode ser mais errado. É muito importante o que fazemos através do nosso corpo. Deus se interessa por ele a tal ponto que enviou o Senhor Jesus Cristo para ser o Salvador do corpo.

O SALVADOR DO CORPO
1 Coríntios 6:12-20; Efésios 5:23

Pela Sua morte no Calvário, o Senhor comprou-nos (1 Coríntios 6:20), e o contexto deste versículo destaca o corpo. Ele comprou o nosso corpo.

Ao examinarmos 1 Coríntios, capítulo 6, encontramos algumas referências ao corpo do cristão, e através delas podemos ter uma ideia do propósito de Deus em salvar o nosso corpo.

  • O corpo é para o Senhor
  • O corpo é membro de Cristo
  • O corpo é o templo do Espírito Santo

Portanto, “glorificai… a Deus no vosso corpo” (1 Coríntios 6:20).

COMO? 

O apóstolo Paulo escreveu a respeito das perseguições e perigos que ele constantemente enfrentava e revelou o segredo da sua vitória sobre tais circunstâncias. Ele se expressou assim: “Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos” (2 Coríntios 4:10).


Paulo conhecia, no seu corpo, uma identificação real com os sofrimentos e morte do Senhor Jesus Cristo. Não no sentido expiatório, mas nos Seus sofrimentos pela justiça. Paulo estava sendo perseguido e maltratado por causa da sua fidelidade a Cristo, e estas perseguições que ele sofreu atingiram o Cabeça, Cristo.

O que devemos notar nisto é que Paulo sofria tudo isto “para que a vida de Jesus se manifestasse também em nossos corpos” (2 Coríntios 4:10), e “para que a vida de Jesus se manifeste também em nossa carne mortal” (2 Coríntios 4:11). Assim vivendo, ele podia dizer: “… e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20). É desta maneira que podemos glorificar a Deus no nosso corpo.

Observe bem o que Paulo escreveu aos filipenses: “Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte” (Filipenses 1:20).

Deus quer usar o nosso corpo para manifestar Cristo aos outros, e assim engrandecê-Lo. Ele comprou o nosso corpo pela morte no Calvário e, consequentemente, tem todo o direito sobre ele. Que Deus ajude a cada um de nós a apresentar os nossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Romanos 12:1). Isto é o nosso culto racional.

Apresentar o nosso corpo a Deus implica em uma renúncia dos nossos supostos direitos; é negar-nos a nós mesmos; é dizer com Paulo: “…não mais eu, mas Cristo…”; é não permitir mais que o corpo seja um instrumento do pecado; é permitir que o nosso corpo seja controlado pelo Senhor.

Fazer assim, porém, não é fácil; é o início de uma luta ferrenha.

Falando a respeito disto, Paulo disse: “Subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão” (1 Coríntios 9:27). O verbo aqui traduzido “subjugo” significa “trato severamente”, e o substantivo “servidão” é literalmente “escravidão”. Para que ele pudesse apresentar o seu corpo a Deus, Paulo achou necessário tratá-lo severamente, reduzindo-o à escravidão, pois a natureza velha e pecaminosa procurava tornar aquele corpo em corpo do pecado, fazendo a vontade da carne.

É necessário que o cristão discipline o seu corpo, pois este ainda é influenciado pela carne e pelo pecado. Precisamos dominá-lo e tratá-lo como escravo submisso à vontade do Senhor, para que Cristo seja manifesto através dele.

O FUTURO DO CORPO

Podemos ter uma ideia ampla do futuro deste corpo ao considerar três palavras que o Novo Testamento emprega a este respeito: redenção, ressurreição, e recompensa.

Redenção (Romanos 8:23) – “Nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”. O preço da redenção foi pago. O Senhor Jesus Cristo deu-Se a Si mesmo em preço de redenção (2 Timóteo 2:6). Pela Sua morte no Calvário, Ele nos remiu. Observe bem o que diz Romanos 8:23... “a redenção do nosso corpo”. A redenção feita no Calvário alcança o nosso corpo!

Embora o preço já fosse pago, ainda não desfrutamos da redenção do corpo. Ele ainda está sujeito às limitações impostas pelo pecado. Ele ainda sofre, enfraquece, envelhece e morre, mas o cristão aguarda ansiosamente a chegada do dia da redenção do corpo, quando este vaso de barro será liberto, definitivamente, das consequências do pecado.

Isto acontecerá por ocasião do arrebatamento, quando os que morreram em Cristo ressuscitarão e os vivos, que estão em Cristo, serão arrebatados e transformados (1 Coríntios 15:25).

O corpo humano foi feito para existir eternamente, mas o pecado o tornou mortal. Deus, porém, remiu o corpo daquele que crê, e este redimido viverá eternamente na presença do Senhor, no seu corpo redimido.

Ressurreição (1 Coríntios 15:22) – O capítulo 15 de 1 Coríntios trata pormenorizadamente deste assunto. Nos primeiros 34 versículos, o Espírito Santo prova conclusivamente que haverá ressurreição dos mortos, e o versículo 35 lança uma pergunta cuja resposta ocupa o resto do capítulo.

A pergunta tem duas partes: “Como ressuscitam os mortos? E em que corpo virão?” Para o nosso estudo atual, vamos limitar-nos a quatro contrastes que encontramos nos versículos 42 a 44, pois nestes contrastes aprendemos muito sobre o corpo na ressurreição.

  • Corrupção e incorrupção (v. 42). O corpo que Deus fez do pó da terra poderia ter existido eternamente, mas, devido o pecado, se tornou em corpo mortal. Na morte, ele é semeado na corrupção; ele se desfaz e volta ao pó de onde veio. Na ressurreição, porém, ele ressuscita em incorrupção, reassumindo a condição original de existência eterna.
  • Ignomínia e glória (v. 43). O corpo que Deus fez no princípio era honroso; dava prazer a Deus. O pecado, porém, transformou aquele corpo a tal ponto que as suas limitações, bem como a sua corrupção, tem feito dele um corpo de humilhação. Na morte, a humilhação atinge o seu ponto máximo e o corpo, que deveria ter vivido para sempre, é semeado em ignomínia. Ressuscitará, porém, em glória! Vencendo a morte, ressurgirá um corpo glorioso que, mais uma vez, dará prazer ao Seu Criador.
  • Fraqueza e vigor (v. 43). O corpo humano não pode fazer tudo o que o homem gostaria de fazer. O cristão dedicado quer servir muito mais ao seu Senhor, mas o corpo é fraco e limitado. O próprio Senhor disse aos Seus discípulos: “o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus 26:41). Na ressurreição, porém, o corpo readquirirá o seu vigor original, e durante séculos infindos serviremos a Deus nos nossos corpos, sem as limitações que tantas frustrações nos causam. O corpo será, mais uma vez, útil ao Senhor.
  • Animal e espiritual (v. 44). A palavra traduzida “animal” é um adjetivo derivado do substantivo “alma”, da mesma forma que “espiritual” é um adjetivo formado do substantivo “espírito”. O corpo humano agora, sob os efeitos do pecado, é um corpo sob o domínio da alma; na ressurreição, porém, será caracterizado pelo domínio do espírito. Quando estudarmos as funções da alma e do espírito, num capítulo posterior, veremos como esta mudança nos afetará. Por enquanto, basta dizer que um corpo espiritual não é um corpo imaterial, mas sim, um corpo controlado pelo espírito.

Veremos ainda mais para frente, como a alma exerce uma influência negativa sobre o corpo, devido ao fato que o espírito não está cumprindo a sua verdadeira função. Na ressurreição, porém, o espírito voltará a funcionar como no princípio, e o ser completo trará prazer e glória ao Senhor.

Recompensa (2 Coríntios 5:10) – Somos responsáveis pelos atos feitos através do corpo. Cada cristão terá de comparecer perante o Tribunal de Cristo a fim de que sejam julgadas as suas obras. Perceba bem; o cristão não será julgado (João 5:24), mas o seu trabalho será julgado (I Coríntios 3:13), e cada um receberá segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo (2 Coríntios 5:10).

O CORPO DO PERDIDO

Resta apenas acrescentar algo sobre o futuro do corpo daquele que não tem a salvação. Ele também ressuscitará, transformado, e existirá eternamente nas agonias do lago do fogo (Apocalipse 20:15). O Senhor Jesus avisou que Deus tem poder para lançar o corpo, juntamente com a alma, no Geena, isto é, no lago de fogo (Mateus 10:28).

Todo descrente que já morreu está, mesmo agora, sofrendo nos tormentos no Hades (Lucas 16:19 a 31). O seu corpo, porém, está no pó da terra; é a sua alma e o seu espírito que estão no Hades. No entanto, na ressurreição, estas duas partes deixarão o Hades, juntando-se novamente ao seu corpo, e o ser completo será lançado no lago de fogo.

Ao falar sobre aquele lugar onde o fogo não se apaga, o Senhor disse que cada um seria “salgado com fogo” (Marcos 9:49). O sal conserva e preserva. O Senhor usou esta figura para representar aquilo que Ele dará ao corpo ressurreto, dando-lhe a capacidade de existir eternamente nos tormentos do Geena. Nunca será consumido pelas chamas; existirá para sempre.

                                                                                                                                                       
© 2014 Editora Sã Doutrina
Caixa Postal 241
Pirassununga-SP
13630-970
www.sadoutrina.com

autor: Ronaldo E. Watterson.