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O ser humano e seu destino (3)

Que a meditação nestas coisas encha o nosso ser com a grandeza dos propósitos de Deus em relação a cada um de nós, levando-nos a viver, aqui neste mundo, no temor do Senhor

“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”
(1 Tessalonicenses 5:22)

Ronaldo E. Watterson
Nasceu em 21/11/1935, espiritualmente em 1952,
veio para o Brasil em 1960, e faleceu em 30/05/2016

CAPÍTULO 3

A ALMA
Gênesis 2:7-19; Ezequiel 18:20

A palavra “alma” aparece com muita frequência na Bíblia — mais de 750 vezes no Velho Testamento e 105 vezes no Novo.

Este número elevado de ocorrências deve ser mais do que o suficiente para eliminar toda dúvida quanto ao sentido da palavra, mas infelizmente, constatamos exatamente o contrário. Existe muita confusão a respeito da alma, e muita ignorância.

Examinando os versículos onde aparece a palavra “alma”, descobrimos que a Bíblia a emprega de diversas maneiras, dando-lhe diversos significados. Mas isto não deve nos confundir, pois muitas palavras comuns são usadas com vários sentidos, sem que haja confusão. Aliás, este fato é tão comum que passa quase despercebido.

Veja por exemplo a palavra “corpo”. Quando se usa esta palavra, geralmente se refere à nossa carne e aos nossos ossos. Geralmente, mas nem sempre, pois na expressão “corpo legislativo” todos entendem que o significado é outro. Quando se fala de “corpo de doutrina” todos entendem que se refere a uma coleção de dogmas. O contexto em que a palavra é usada determina o seu significado.

Assim é também com a palavra “alma”.

Alma, às vezes, significa pessoa, ou ser; às vezes refere-se à vida que aquele ser possui, e às vezes significa uma parte imaterial daquele ser. A Bíblia também emprega esta palavra figurativamente.

Vamos observar três usos diferentes desta palavra, encontrados no primeiro livro da Bíblia — Gênesis:

a)    Capítulo 1:20... “E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente” (ARC). Esta é a primeira ocorrência da palavra “alma” na Bíblia, e vemos que alma significa “ser”. Se compararmos este versículo com os versículos 21 e 24 do mesmo capítulo, e com os versículos 7 e 19 do capítulo 2, aprendemos que “alma” pode significar um ser animal, ou um ser humano.

b)    Capítulo 1:30... “E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente”. Neste versículo encontramos um uso diferente da palavra, pois aqui “alma” é algo que o ser possui.

c)     Capítulo 12:13… “para que me vá bem por tua causa, e que viva a minha alma por amor de ti”. Aqui “alma” significa a vida, pois o contexto deixa claro que Abraão estava pensando em salvar a sua vida.

Consideremos mais detalhadamente estes três usos da palavra “alma”.

ALMA: UM SER                                                                                                                      

“E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou nos seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gênesis 2:7).

O ser humano é uma alma.

Confirmando esta afirmação, notamos que Moisés escreveu: “Todas as almas, pois, que procederam da coxa de Jacó, foram setenta almas” (Êxodo 1:5). No Novo Testamento, encontramos o mesmo uso de “alma”, em Atos 2:41 onde lemos: “e naquele dia agregaram-se quase três mil almas”. Ezequiel também usa “alma” neste mesmo sentido, dizendo: “A alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18:20). Ele explicou, no mesmo versículo, o que isto quer dizer. O filho não morrerá pelo pecado do pai, nem o pai pelo pecado do filho, mas a alma (isto é, a pessoa) que pecar, essa morrerá.

Convém ressaltar, porém, que não somos as únicas almas na criação de Deus. Já vimos em Gênesis capítulo 1 que os animais, os peixes, os répteis e os pássaros também são almas. A primeira ocorrência de “alma”, na Bíblia, refere-se a estas criaturas e, até ao fim, as Escrituras continuam chamando estas criaturas de “almas”, pois lemos em Apocalipse 16:3 que “o segundo anjo derramou a sua salva no mar, que se tornou em sangue como de um morto, e morreu no mar toda a alma vivente”.

Assim entendemos que somos almas, tanto nós como os animais, os peixes, os répteis e os pássaros.

ALMA: A VIDA                                                                                                                     

Consideremos agora alguns versículos onde “alma” não significa um ser e sim, a vida que aquele ser possui.

Já citamos Gênesis 12:13, onde Abraão pediu que Sara dissesse que era sua irmã, pois ele temia os egípcios e pensava que poderia salvar a sua vida com esse estratagema: Dize, peço-te,queés minha irmã, para que me vá bem por tua causa, e que viva a minha alma por amor de ti”. Há muitos exemplos bíblicos onde “alma” é empregada assim, como por exemplo, quando o anjo do Senhor disse a José: “já estão mortos os que procuravam a morte [a palavra grega no texto original significa ‘alma’] do menino” (Mateus 2:20). O Senhor Jesus usou a palavra neste sentido quando disse: “Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida [literalmente, ‘alma’]” (Mateus 6:25). Veja também Mateus 10:39; Romanos 11:3; Filipenses 2:30; Apocalipse 12:11 etc. Em todos os versículos mencionados neste parágrafo, Deus usou a palavra grega psuche (“alma”) para significar a vida que cada ser possui.

ALMA: UMA PARTE IMATERIAL DO SER                                                                  

Há muitos versículos na Bíblia onde a palavra “alma” não significa um ser, nem tão pouco a vida que o ser possui. Refere-se, nestes casos, a uma parte imaterial do ser, a algo que ele tem, sem poder enxergá-lo, nem apalpá-lo. Contudo, é algo muito real.

O apóstolo João, escrevendo a Gaio, disse: “Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como vai bem a tua alma” (3 João v. 2). João queria que Gaio prosperasse quanto à sua vida (“que te vá bem em todas as coisas”), e quanto ao seu corpo (“que tenhas saúde”), porém ele estava absolutamente certo de que a alma de Gaio estava prosperando. A alma, como João aqui emprega a palavra, não é o ser, nem a vida, mas algo que aquele homem possuía.

O Senhor Jesus usou a palavra “alma” no mesmo sentido. Certa vez Ele disse aos discípulos: “Não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma” (Mateus 10:28). Os homens podem matar o corpo; eles podem tirar-nos a vida, mas não podem matar a alma. Este fato já deixa bem claro que, neste sentido da palavra, alma não é o corpo, nem a vida, mas algo que nós temos. A alma é uma parte imaterial e invisível do nosso ser.

A melhor maneira de entender o que é a alma que está em nós é considerar as suas funções.

AS FUNÇÕES DA ALMA                                                                                                        

A maneira mais segura e simples de descobrir o que a alma faz, é notar os verbos que a Bíblia usa com a palavra “alma”. Citaremos apenas alguns, porque são muitos.

Aprendemos que a alma chora (Jeremias 13:17); ela também lamenta (Jó 14:22). Ela pode alegrar-se (Salmo 35:9) e comprazer-se (Isaías 42:1). Isto mostra que a alma é influenciada por circunstâncias e acontecimentos que lhe dão alegria ou tristeza.

Esta conclusão é reforçada quando notamos que a alma ama (Cantares 1:7) e se aborrece (Salmo 107:18). Ela é capaz de gozar (Eclesiastes 2:24) e de enfadar-se (Levítico 26:15). Ela pode abominar (Jó 33:20) ou deleitar-se (Isaías 55:2). Por meio destes verbos, vemos que a alma é o centro das nossas emoções, e que ela nos emociona através de coisas terrestres e materiais — isto é, as circunstâncias ou o ambiente em que nos achamos.

Além disto, aprendemos ainda que a alma é dotada de inteligência, pois ela sabe (Josué 23:14 e Salmo 139:14). Ela se lembra (Lamentações 3:20). Ela é capaz, tanto de raciocinar e de recordar e, por este meio, ela nos emociona, proporcionando-nos alegria ou tristeza.

Das coisas acima escritas, podemos deduzir que a alma nos dá consciência das coisas terrenas e materiais e dá-nos, assim, certas emoções. Devido a este fato, a alma pode abençoar outras pessoas (Gênesis 27:4) e bendizer a Deus (Salmo 103:1). Ela pode louvar a Deus (Salmo 146:1) e engrandecê-Lo (Lucas 1:46).

Tendo considerado os verbos, vamos agora pensar em alguns substantivos que a Bíblia usa em relação à alma.

Vemos que a alma sente prazer (Isaías 66:3), e também pode sentir tristeza (2 Reis 4:27) ou amargura (1 Samuel 1:10). Ela tem desejos (Isaías 26:8) e sede (Salmo 42:2). Às vezes ela tem tédio (Jó 10:1) ou fastio (Números 21:5). Em Provérbios 2:10, aprendemos que a alma tem conhecimento.

Como podemos ver, isto confirma o que notamos acima. A alma é o centro das emoções que resultam de coisas terrenas e materiais. Ela é dotada de inteligência.

Podemos também considerar os adjetivos que a Bíblia usa para descrever a alma, e isto nos leva à mesma conclusão.

A Bíblia fala de uma alma abatida (Salmo 42:5) e de uma alma anelante (Salmo 84:2). Lemos de uma alma sedenta e faminta (Salmo 107:9). Ela pode estar cheia de angústias (Salmo 88:3) ou farta de zombarias (Salmo 123:4).

A ORIGEM DA ALMA                                                                                                                João 5:24-29; Apocalipse 6:9-11

Foi Deus quem fez esta alma. O rei Zedequias disse ao profeta do Senhor: “Vive o Senhor que nos fez esta alma…” (Jeremias 38:16). Neste versículo, no texto original, encontramos a mesma palavra que Deus havia usado quando disse: “Façamos o homem à nossa imagem” (Gênesis 1:26), e mais tarde quando disse: “Far-lhe-ei uma adjutora” (Gênesis 2:18). Deus fez o corpo, tanto de Adão como de Eva, e fez também a alma de cada pessoa, por um ato criatorial.

As palavras do Senhor, por intermédio de Isaías, confirmam isto: “Para sempre não contenderei, nem continuamente Me indignarei; porque o espírito perante a Minha face enfraqueceria, e as almas que Eu fiz” (Isaías 57:16).

Já mostramos que esta alma que Deus fez, dá ao homem consciência do mundo em que ele vive e, através deste conhecimento, lhe causa certas emoções. No seu estado original, a alma funcionava em perfeita harmonia com o corpo e o espírito, levando o homem a deliciar-se com as coisas que Deus havia feito, e através delas, engrandecer a Deus, o Criador. Ele sentia prazer, ele adorava, vendo e conhecendo as obras maravilhosas de Deus.

Mas o pecado estragou tudo isto.

OS EFEITOS DO PECADO SOBRE A ALMA                                         

Agora a alma dá-nos consciência das coisas materiais, como no dia em que Deus fez Adão, porém ela nos prende a estas coisas, afastando-nos assim de Deus. Ela nos faz materialistas e, portanto, prejudica-nos espiritualmente.

O Novo Testamento fornece amplas provas disto, mas para o presente estudo será suficiente considerar as seis ocorrências do adjetivo grego psuchikos.

Não há na língua portuguesa uma palavra que traduza satisfatoriamente este vocábulo, mas podemos entender o seu significado, notando alguns casos paralelos. Da mesma forma que o adjetivo “espiritual” é derivado do substantivo “espírito”, o adjetivo psuchikos é derivado do substantivo psuche (“alma”).

A primeira vez que encontramos psuchikos no Novo Testamento é em I Coríntios 2:14, onde lemos que “o homem natural (psuchikos) não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”. Apesar da alma ser dotada de inteligência, ela impede o homem de compreender as coisas espirituais. O homem natural é um ser caracterizado pelo domínio da alma (o uso de psuchikos em 1 Coríntios 2:14 indica isto). Ela lhe dá conhecimento de coisas materiais, mas não das coisas espirituais; até impede que ele as entenda. Enquanto o ser humano permanece neste estado, sob o controle da sua alma, é impossível que ele entenda as coisas de Deus.

Encontramos este adjetivo mais três vezes em 1 Coríntios capítulo 15, mostrando algumas diferenças entre o corpo no seu estado atual, e o mesmo corpo no seu estado futuro, depois da ressurreição. Agora, o nosso corpo é um corpo animal (veja 1 Coríntios 15:44). A palavra “animal” é a tradução de psuchikos, e indica um corpo controlado pela alma. Na ressurreição, porém, teremos um corpo espiritual — isto é, um corpo sob a influência do espírito.

Devido ao pecado, as influências que a alma exerce são maléficas e prejudiciais, fazendo do homem uma criatura materialista e sensual. Ele não sente o valor das coisas espirituais, antes, dá valor excessivo às coisas que se veem.

Encontramos a quinta ocorrência desta palavra em Tiago. Ele escreveu sobre uma sabedoria que não vem do alto, e a descreveu como sendo “terrena, animal [psuchikos] e diabólica” (Tiago 3:15). Isto é assustador! A sabedoria humana — o que os homens naturalmente chamariam de sabedoria — é primeiramente terrena, porque origina-se na Terra; é animal, porque é o produto da inteligência da alma, adquirida através da contemplação das coisas terrenas e materiais; é diabólica, porque o diabo usa a alma humana para encher e prender a mente humana com coisas terrenas, a fim de que o homem ignore as realidades espirituais e eternas. Isto mostra, em termos dramáticos, a condição da alma humana, e a sua influência diabólica sobre o homem.

A última ocorrência deste adjetivo na Bíblia se encontra em Judas v. 19, onde lemos: “Estes são os que causam divisões, sensuais [psuchikos], que não têm o Espírito”. O contexto revela que são pessoas escarnecedoras, andando segundo as suas concupiscências ímpias. Não são guiadas pelo Espírito Santo, porque não O têm. Vivem sob a influência da alma.

A ALMA DO CRISTÃO                                                                                                             

Devido ao pecado, a alma exerce uma influência maléfica no ser humano, mas a salvação que Deus dá modifica tudo isto.

Quando Deus salva um pecador, Ele salva o ser completo. Já notamos que o Senhor Jesus Cristo é o Salvador do corpo, e que Ele comprou o corpo por bom preço, mas é bom saber também que esta salvação alcança a alma. Pedro menciona a salvação da alma (1 Pedro 1:9). Em Hebreus lemos daqueles que creem para a salvação da alma (Hebreus 10:39), e Tiago nos diz que a Palavra de Deus pode salvar nossas almas (Tiago 1:21).

O fato de Cristo ter salvado o corpo não o livra das consequências presentes do pecado. Ele ainda está sujeito à doença; ele sente fraqueza; ele morre. Da mesma forma, a alma salva ainda sofre os efeitos do pecado, e ela pode prender o cristão às coisas materiais e sensuais, desviando-o do seu verdadeiro caminho.

O apóstolo Pedro falou da alma, várias vezes, na sua primeira carta, e um estudo destas referências nos ensina muito sobre a alma de um cristão. Já notamos como ele falou da salvação da alma (1 Pedro 1:9). Aqueles cristãos estavam sofrendo uma forte perseguição, e teriam de sofrer mais ainda. Talvez alguns perderiam bens, e até a própria vida, mas quão bom saber que a alma estava salva.

Em seguida, Pedro exortou os cristãos a purificarem a sua alma (1 Pedro 1:22). Eles poderiam purificá-la obedecendo a palavra do Senhor. Em vez de obedecer aos impulsos materialistas da alma, eles deveriam obedecer a verdade. A palavra acima citada reforça isto, pois a Palavra de Deus pode salvar as nossas almas do erro (Tiago 1:21). Na medida em que o cristão obedece a verdade, naquela mesma medida ele será salvo das influências do pecado, e esta alma purificada poderá agir novamente em harmonia com os propósitos de Deus, dando ao homem sede de Deus e assim levando-o a adorar o seu Criador.

No segundo capítulo da sua carta, Pedro nos avisa que as concupiscências carnais combatem contra a alma (a Pedro 2:11). Estas “concupiscências” (isto é, desejos fortes), são carnais, e o cristão precisa se abster de tais desejos, negando-se a si mesmo, para que a alma não opere sob o controle da natureza pecaminosa que a Bíblia chama de “carne”.

Devido a este fato, o cristão enfrenta uma luta sem tréguas. As forças inimigas são fortes e persistentes, mas o cristão não está sozinho. Ele tem um Pastor e Bispo da sua alma (1 Pedro 2:25). Como Pastor da alma, o Senhor a guarda dos ataques do inimigo, e lhe dará o alimento necessário da Sua Palavra. Como Bispo da alma, Ele a orientará e amparará. Até mesmo nas horas difíceis de perseguição e perigo, o cristão ainda pode encomendar a sua alma a Deus, como ao fiel Criador (1 Pedro 4:19), sabendo que os homens podem matar-lhe o corpo, mas não podem tocar na sua alma (Mateus 10:28).

O FUTURO DA ALMA                                                                                                              

Na hora da morte, a alma deixa o corpo. Bem no começo da Bíblia o Espírito Santo revela isto, descrevendo a morte de Raquel da seguinte forma: “… saindo-lhe a alma …” (Gênesis 35:18). Na história do filho da viúva de Sarepta, novamente vemos este fato, pois Elias, estendendo-se sobre o cadáver do menino, clamou ao Senhor e disse: “Rogo-te que torne a alma deste menino a entrar nele” (1 Reis 17:21). O Senhor ouviu a voz de Elias e a alma do menino tornou a entrar nele, e ele reviveu (v. 22).

Quando Raquel morreu, a sua alma não morreu; saiu do seu corpo. Quando o filho da viúva morreu, a sua alma não morreu; saiu do seu corpo, e quando tornou a entrar no corpo, o menino reviveu.

Passando para o Novo Testamento, achamos a confirmação deste fato. O apóstolo João viu, em visão, servos de Deus que serão mortos durante a Grande Tribulação (Apocalipse 6:9-11). Considerando bem estes versículos, o leitor verá que as almas daqueles mortos estavam no Céu, enquanto seus corpos apodreciam na Terra. E veja mais uma coisa impressionante! Estas almas estavam conscientes! Elas não estavam dormindo! Elas conversavam com Deus. Elas se lembravam das coisas que lhes aconteceram na Terra. Impressionante! Enquanto seus corpos apodreciam na Terra, as suas almas estavam em plena consciência, na presença de Deus; estavam na posse de todas as suas faculdades.

Certa vez, o Senhor Jesus falou de dois homens que morreram (Lucas 16:19-31) e revelou muita coisa sobre a condição das suas almas depois de saírem do corpo. Aqueles dois homens estavam conscientes na eternidade, pois Lázaro estava sendo confortado, enquanto o rico estava em tormentos. Conforto e tormento são termos que só têm sentido se a pessoa está consciente. Além disto, vemos que o rico possuía memória, pois ele se lembrava dos seus cinco irmãos na Terra (v. 23), e o próprio Abraão lhe disse que deveria lembrar-se da sua vida e das oportunidades que tivera.

Tudo isto deixa bem claro que a alma que sai do corpo não deixa de existir; também é claro que ela não dorme na inconsciência. Ela continua vivendo fora do corpo, depois da morte deste. Ela continua vivendo em plena consciência, possuindo todos os seus sentidos, retendo ainda a memória, a visão e a capacidade de conversar.

Se a alma foi salva em vida, ela deixa o corpo para habitar com o Senhor, em gozo indizível. Se ela não foi salva em vida, ela deixa o corpo para entrar em tormentos eternos. Os textos acima mencionados são suficientes para provar isto.

Porém, ainda não é o fim. Haverá a ressurreição. Todos os que morrem, ressuscitarão (João 5:28-29). A morte entregará os mortos que nela há (isto é, entregará os corpos), e o Hades entregará os mortos que nele há (isto é, entregará as almas e os espíritos) e as três partes se juntarão novamente. Com a alma e o espírito novamente no corpo, o homem reviverá. Este será o seu estado eterno. O incrédulo será julgado perante o Grande Trono Branco, e de lá será lançado no lago do fogo, onde sofrerá eternamente (Apocalipse 20:15). O salvo (corpo, alma e espírito) estará eternamente com o Senhor, desfrutando das delícias da Sua presença (João 17:24 e 1 Tessalonicenses 4:17).
                                                                                                                                          

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autor: Ronaldo E. Watterson.