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O Servo Que Deus Chama - 3

3. RESPONDER AO CHAMADO DO SENHOR

Eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6:8). Todos o que ouvem o chamado de Deus para servir em tempo integral devem:

*   Ter um propósito firme

Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus” (Lucas 9:62). No contexto deste versículo, o Senhor Jesus está recebendo propostas de pessoas que queriam segui-Lo. Devemos lembrar que enganar ao Senhor é impossível! Enganamos os homens, a igreja local, mas ao Senhor nunca podemos enganar. Se o irmão lança a mão no arado, tem que ser com propósito, tem que ter disposição para fazer o trabalho com dedicação. Olhar para trás pode trazer grandes prejuízos para nós e para obra que estamos a fazer.

Cabe aqui nos lembrarmos dos Israelitas que olharam para trás, os desejos pela vida no Egito voltaram ao coração deles: “E o populacho que estava no meio deles veio a ter grande desejo das comidas dos egípcios; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar e também disseram: Quem nos dará carne a comer? Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos. Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão este maná” (Números 11:4-6). Eles erraram por desejar de volta a vida que tinham no Egito. Pode ser que uma pessoa saia para a obra pensando que vai ter muita fartura, muito conforto e, de repente, a coisa é diferente, ele tem o necessário, mas não é só isso, ele quer mais! Então começa a se lembrar do seu trabalho secular, “olhando para trás”. Portanto, o servo de Deus tem que ter um propósito firme.

*   Desprender-se dos laços comerciais

Não temas; doravante serás pescador de homens. E, arrastando eles os barcos sobre a praia, deixando tudo, o seguiram” (Lucas 5:10-11). Tiago, João e Simão Pedro eram sócios no serviço secular, mas nada os impediu de atender ao chamado do Senhor, “deixando tudo”, para irem à busca das almas perdidas. Muitas vezes o bom lucro é o grande inimigo, pois o lucro maior é aquele que vem do nosso trabalho espiritual. O grande sábio Salomão, usado por Deus, disse: “o que ganha almas é sábio” (Provérbios 11:30). Devemos lutar para ganhar aquilo que não podemos perder.

*   Desprender-se dos laços amistosos

Deixando eles no barco a seu pai Zebedeu com os empregados, seguiram após Jesus” (Marcos 1:20). A amizade é uma coisa importante na vida de qualquer pessoa, é bom ter verdadeiros amigos, pessoas da nossa confiança, mas quando se trata de atendermos ao chamado de Deus essas amizades não devem interferir. Os amigos que temos no mundo descrente nunca irão compreender que o Senhor está nos chamando para uma obra especial, para eles, o serviço secular é o mais importante. Se vocês têm um bom emprego, eles vão dizer que vocês não podem deixar esse emprego porque poderão não achar outro igual. Se têm uma firma e ganham bem, eles acharão uma loucura deixar isto para se dedicar ao ministério. Jamais eles irão compreender a Obra de Deus. Se vocês ouviram a voz do Senhor, não deixem que suas amizades os desviem do caminho do Senhor.

*   Desprender-se dos laços familiares

Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:26). Talvez, para o obreiro chamado por Deus, a parte mais difícil seja a de se desprender dos laços familiares, pois duas famílias estão envolvidas, a do marido e a da esposa. Geralmente as famílias não querem que o servo de Deus vá para longe, outras vezes pensam na perda financeira e, esquecendo-se do lucro espiritual, fazem pressão para que continuem como estão. Nós precisamos entender que embora amemos muito os nossos familiares, o nosso maior amor deve ser para com o Senhor que nos chama à Sua obra. Se não nos desprendermos dos laços familiares, podemos até ir para o campo, quem sabe começar uma igreja, ou ajudar um pequeno trabalho, mas com certeza mais cedo ou mais tarde daremos um jeito de correr para perto da família, ou retornarmos à vida que vivíamos antes de irmos para o campo.

 

4. COLOCAR-SE À DISPOSIÇÃO DO SENHOR

Dispõe-te, e vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim” (Jonas 1:2). Jonas ouviu a voz do Senhor o chamando para pregar em Nínive, a grande cidade. Não sabemos ao certo a sua população, mas a Palavra de Deus diz que era uma cidade em que se gastava três dias para percorrê-la. Seus habitantes eram maus, sanguinários (Naum 3:1), quando venciam seus inimigos, cortavam suas mãos, pés, narizes e orelhas, vazavam os olhos dos cativos e faziam pirâmides com as suas cabeças. Parece os nossos dias, quando a maldade impera em todos os cantos, principalmente nas grandes cidades.

Nosso Brasil é muito carente do Evangelho puro, o Evangelho de Cristo, o Evangelho que salva. Será que o Senhor não quer um despertamento da nossa parte para alcançarmos as grandes cidades da nossa pátria? Pense um pouquinho nas grandes cidades do Brasil que ainda não têm um testemunho, pelo menos, do Evangelho puro. Vamos orar para que o Senhor envie trabalhadores à esta grande seara que está madura para a ceifa. Para que homens e mulheres se coloquem a disposição do Senhor para este importante serviço é preciso:

A) Pôr a vida no altar para Deus

Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:1-2). Apresentar o nosso corpo em sacrifício é o mesmo que morrer para o mundo e viver para Deus: “Assim, queimarás todo o carneiro sobre o altar; é holocausto para o Senhor, de aroma agradável, oferta queimada ao Senhor” (Êxodo 29:18). Observem neste texto que o carneiro era inteiramente oferecido a Deus, isso é holocausto. Como no holocausto, devemos oferecer a Deus todo o nosso ser como um sacrifício, isso envolve deixar que o Espírito Santo use nossos lábios, nossos ouvidos, nossas mãos, nossos pés e tudo que é nosso todo para servir a Deus com toda dedicação que Ele merece. Vejamos um grande exemplo:

  • Os cristãos da Macedônia – “E não somente fizeram como nós esperávamos, mas também deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor, depois a nós, pela vontade de Deus” (2 Coríntios 8:5). Os irmãos da Macedônia eram pobres ao ponto do apóstolo Paulo querer deixá-los fora da coleta que estava fazendo para ajudar os pobres na Judéia. Eles, por sua vez, imploraram que Paulo os deixasse participar. Como uma pessoa tão pobre pode querer contribuir para a Obra de Deus? O segredo está nestas palavras de Paulo: “deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor”. A vida deles estava no altar! Nós sabemos que no plano sábio de Deus Ele deixou a oportunidade para todos contribuir, uns podiam ofertar um novilho, outros um carneiro, outros um casal de pombos ou um par de rolas, mas o que o Senhor quer é um coração contrito a Ele, como o dos cristãos da Macedônia. Pensem nisso e coloquem-se à disposição do Senhor!

B) O ensino de Paulo

Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou” (2 Timóteo 2:4). Paulo usa a figura de um soldado em serviço. O soldado tem que ter uma postura digna, ser submisso aos seus superiores, respeitá-los e não pode se envolver com nada, senão em fazer a vontade do seu superior. Como servos, temos que estar à disposição do Senhor. Se o servo de Deus sentiu o chamado para se envolver somente com a Obra do Senhor, ele não deve voltar atrás nesse compromisso.

  • Se ele volta ao trabalho secular, ele não terá o tempo disponível para todo o trabalho que tem que ser feito, e se o objetivo é ganhar almas, por que querer ganhar dinheiro?
  • Se ele saiu confiando no sustento vindo da parte do Senhor e volta ao trabalho secular, ele está dizendo na prática que o seu Deus não teve condições de sustentá-lo. Isso é triste demais.

Vejamos um exemplo deste porte, repreendido pelo Senhor Jesus: “Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Disseram-lhe os outros: Também nós vamos contigo. Saíram, e entraram no barco, e, naquela noite, nada apanharam. Mas, ao clarear da madrugada, estava Jesus na praia; todavia, os discípulos não reconheceram que era ele. Perguntou-lhes Jesus: Filhos, tendes aí alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não” (João 21:3-4).

O apóstolo Pedro, quando chamado para servir ao Senhor em tempo exclusivo, deixou tudo e O seguiu, deixou sua profissão e foi trabalhar com o Senhor na propagação da Palavra. Agora o Senhor não está com eles de forma visível, foi morto, mas ressuscitou. Com a ausência visível do Senhor algumas dificuldades foram permitidas, talvez para que eles e nós aprendêssemos a lição. Pedro, que era um líder espiritual, disse: “Vou pescar”. Os que estavam com ele disseram: nós “vamos contigo”. Por que voltaram a pesca? Porque não tinham o que comer. O que fazer quando essas necessidades surgem? Será que devemos logo, e sem mesmo pensar, voltar ao trabalho secular, ou devemos ir ao Trono da Graça e falarmos com o nosso Pai celestial?

Pedro sempre foi muito impulsivo, mas era um líder nato, sua decisão errada levou outros com ele no mesmo erro, pois não confiaram no Senhor, mas em si mesmos. O resultado de quem confia em si mesmo sempre é desagradável. Eles trabalharam a noite toda e nada apanharam. Por certo a fome aumentou muito, agora não somente a fome, mas o cansaço de tentar o que comer sem conseguir, parece mesmo que estão no fundo do poço!

É nessa hora que o Senhor Jesus Cristo aparece para lhes ensinar o que era necessário para uma vida vitoriosa no serviço do Senhor. “Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. Nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? Porque sabiam que era o Senhor. Veio Jesus, tomou o pão, e lhes deu, e, de igual modo, o peixe”. (João 21:12-13). O Senhor não pescou, mas tinha pão e peixe para eles comerem. Pedro por certo aprendeu a lição de confiar no Senhor para o seu sustento, pois não lemos de que ele tenha voltado a pescar, ou lançado mão de qualquer outro trabalho para o seu sustento e de sua família. A lição com certeza não foi somente para ele e seus companheiros, seguramente foi para todos os servos que o Senhor têm chamado a servir com tempo exclusivo para a Sua Obra.

Eis-me aqui! Aquele que lança mão do arado e olha para trás não é apto para o Reino de Deus. Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida.

autor: Alberto Espigari Trinck.