Boletim dos Obreiros

O tempo da inocência

Gênesis 1:26 a 3:24

 

Uma das maneiras usadas para “manejar bem a palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15) é distinguir as fases na administração, ou dispensação, do relacionamento de Deus com o homem. A palavra grega traduzida como “manejar bem” aqui é “orthotomeo” que se traduz como “dividir corretamente”. Identificamos sete fases consecutivas na dispensação de Deus com relação ao homem, cada uma correspondendo a um “tempo” bem definido.

Cada fase contém:

  1. Uma pessoa principal
  2. A responsabilidade do homem
  3. O teste de obediência
  4. A falha do homem
  5. O julgamento do homem
  6. A graça de Deus

Desde o passado do infinito, antes da criação do homem, Deus já existia, e já havia criado seres espirituais inteligentes em grande quantidade, comunicáveis entre si, para Seu serviço. Um deles aparece no fim deste tempo da Inocência do homem, e agiu para terminá-lo (leia adiante).

No sexto dia da criação Deus criou o homem do pó da terra, e a partir dele criou sua mulher (Gênesis 1:26 a 31). O homem recebeu o nome de Adão (hebraico Adamah, ou Ish que significa “terra”) e a mulher Eva (hebraico Ishá, feminino de Ish). Aos dois foi dado o domínio sobre toda a terra (Gênesis 1:29). É esclarecedor saber que no capítulo 1 de Gênesis a palavra “Deus” é a tradução do grego “Eloim”, plural de “Eloi”, devido à pluralidade da Pessoa de Deus (Pai, Filho e Espírito Santo). Por isto está escrito no versículo 26: “façamos...”.

A criação do homem à imagem e semelhança de Deus significa que, tendo o homem sido colocado na terra no ápice da criação, ele se assemelha a Deus em certos aspectos. Como Deus, o homem tem intelecto, uma natureza moral, o poder de se comunicar com os outros e uma natureza emocional que transcende o instinto, mas não há nenhuma sugestão de semelhança física. É também tripartite, integrando corpo, alma e espírito. Em contraste com os animais, o homem é um adorador, um comunicador articulado e até certo ponto, um criador.

O tempo da Inocência foi o tempo inicial da dispensação de Deus aos seres humanos, começando com a criação do homem até o seu afastamento da comunhão de Deus por causa da sua desobediência. Sem datas definidas, podemos deduzir que foi um tempo curto, possivelmente compreendendo só alguns poucos dias.

O homem principal durante este tempo foi Adão, criado inocente de qualquer pecado, através de quem Deus revelava a Sua vontade e a quem deu responsabilidade sobre a terra e o jardim do Éden.

Em todos os tempos da humanidade Deus tem dado uma lei específica, e, com ela, um determinado teste para provar seu cumprimento ou desobediência. Ao casal, Adão e sua mulher Eva, Deus mandou:

1.     Que fossem férteis e se multiplicassem (Gênesis 1:28).

2.     Que se alimentassem com todas as plantas que produzem sementes e todas as árvores que dão fruto com sementes (Gênesis 1:29); no início, os animais eram todos herbívoros e o homem era vegetariano. Depois do dilúvio, isto foi mudado (Gênesis 9:1 a 7).

3.     Que enchessem e subjugassem a terra, incluindo peixes, aves, e todos os animais que se arrastam pela terra (Gênesis 1:28).

4.     Que cuidassem e cultivassem o jardim do Éden. Podiam comer o fruto de todas as árvores do jardim, com exceção de uma, a do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 2:8 a 17). No dia em que comessem, certamente morreriam.

O teste de obediência naquele primeiro tempo foi feito através deste último comando. Adão e Eva tinham autoridade e liberdade absoluta sobre todo o nosso planeta, só não lhes era permitido comer esse fruto cuja árvore estava no Jardim do Éden, sob pena de morte imediata.

Mas falharam (Gênesis 3:1 a 6)! Foram comê-lo, acreditando na mentira da serpente que convenceu Eva que aquilo que Deus falara a Adão não era verdade. A serpente que lhe falou, o “mais astuto entre os animais da terra”, era, na realidade, o “grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás” (Apocalipse 12:9 – veja AQUI).

Este texto de Gênesis provoca os descrentes ao ceticismo. Argumentam que só pode se tratar de uma alegoria, pois serpentes não falam! O apóstolo Paulo confirmou sua realidade (2 Coríntios 11:3), bem como o apóstolo João (Apocalipse 12:9 e 20:2). Nem é este o único exemplo de um animal que fala nas Escrituras: O Senhor deu habilidade de falar a uma jumenta para repreender o profeta Balaão (Números 22:28), e o apóstolo Pedro aceita isto literalmente (2 Pedro 2:16). Estes três apóstolos foram inspirados pelo Espírito Santo para escrever como fizeram. Assim, rejeitar a realidade deste fenômeno implica negar a inspiração das Sagradas Escrituras. Há alegorias na Bíblia, mas não são estas.

Observemos os passos que mergulharam a raça humana no pecado.

  • Primeiro Satanás através da serpente insinuou a dúvida sobre a palavra de Deus: "É assim que Deus disse?".
  • Depois negou taxativamente o que Deus havia dito.
  • Eva disse que foram proibidos de comer ou mesmo tocar o fruto da árvore que estava no meio do jardim, sob pena de morte (Deus nada dissera sobre tocar o fruto – Eva exagerou um pouco).
  • Satanás categoricamente contradisse o que Deus dissera sobre a inevitabilidade do juízo sobre aqueles que desobedecessem.
  • Satanás sugeriu que Deus estava querendo impedi-los de ter acesso a algo que poderia ser de benefício para eles, isto é, seriam como Deus, conhecendo o bem e o mal.
  • Eva caiu nas três tentações: a concupiscência da carne (bom para comer), a concupiscência dos olhos (agradável à vista) e o orgulho da vida (desejável para dar entendimento). Ao comer o fruto, ela agiu independentemente de Adão, seu superior, e por não o consultar usurpou a sua autoridade.
  • Eva ainda deu do fruto a seu marido e ele também comeu (fazendo-se cúmplice dela). Percebendo agora que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram aventais para si.
  • Eva foi enganada pela serpente, mas Adão agiu voluntariamente e em rebelião deliberada contra Deus. O humanismo secular perpetua a mentira de Satanás: "Você será como Deus".

Deus imediatamente fez a serpente maldita entre todos os animais e a condenou a andar sobre o seu ventre e a comer o pó durante toda a sua vida. Também colocou inimizade entre a serpente e a mulher, e seus descendentes.

Seu juízo, ou sentença punitiva, ao homem com sua mulher, foi:

1.     Imediatamente sofreram a morte espiritual, pois a desobediência os separou da comunhão com Deus, e foram expulsos do Jardim do Éden onde conversavam com Ele.

2.     Por conhecer agora o bem e o mal, fruto da árvore proibida, foram expulsos do Jardim do Éden para que não comessem também o fruto da árvore da vida, que lhes daria a vida eterna. Assim se tornaram fisicamente mortais também.

3.     O processo de reprodução seria dolorido para a mulher e ela estaria submetida à vontade do seu marido.

4.     Ao marido, a terra que lhe fornecia o alimento seria maldita, produziria cardos e espinhos, e exigiria trabalho duro para obter seu produto, obrigando-o a comer das ervas do campo até sua morte.

Após a condenação e castigo, Deus manifestou a Sua graça: fez túnicas de peles para Adão e sua mulher, e os vestiu” (versículo 21). Adão e Eva haviam feito aventais frágeis e inadequados de folhas de árvore para cobrirem a sua nudez. Deus, porém, os vestiu com túnicas de peles. Subentende-se que eram de animais mortos para esta finalidade. É uma figura do homem que tenta cobrir o seu pecado com rezas, penitências, autopunições e outras coisas igualmente inúteis. A graça de Deus, porém, é tal que Ele mesmo pagou com o sangue do Seu Filho por todos os pecados daqueles que se arrependem e confiam n’Ele, recebendo-O como seu Senhor e Salvador. Estes, chamados os “vencedores”, receberão compridas vestes brancas, símbolo de pureza, no céu (Apocalipse 3:5).

NOTA: Recomendamos a leitura de “A História da Criação” de Bert Cargill, que se encontra na biblioteca deste boletim. Acesse AQUI