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O tempo da Promessa

Este foi o tempo em que o Senhor indicou Seu propósito de criar um povo especial para Si na terra.

Um homem, Abraão, da linha de Sem e Eber, foi separado por Ele dentre as nações com a promessa de que todos os povos do mundo seriam abençoados com a sua descendência (Romanos 4:1-25, Gálatas 3:15-19, Hebreus 6:13-15 e 11:9). Por “descendência” devemos compreender que foi um só, o Senhor Jesus (Gálatas 3:16). No ínterim o Senhor usou Sua autoridade de Governador Supremo por meio dos patriarcas Abraão, Isaque, Jacó, José e outros descendentes de Abraão.

Abraão foi chamado para deixar a sua terra e a sua família, para entregar-se a uma vida de peregrinação sob a direção do Senhor (Hebreus 11:9).  O Senhor mudou seu nome de Abrão (pai exaltado) para Abraão (pai de muitas nações), e fez uma aliança especial com ele, que incluía as seguintes promessas, altamente significativas:

1.     Dar-lhe uma terra — isto é, a terra de Canaã (este foi um dos netos de Noé).

2.     Fazer uma grande nação da sua descendência (realizada a partir de seu neto Jacó, cujo nome foi mudado para Israel, que significa “ele reinará como Deus”).

3.     Dar prosperidade material e espiritual para Abraão e sua semente.

4.     Fazer um grande nome de Abraão e sua posteridade; eles seriam um canal de bênção a outros; os seus amigos seriam abençoados e seus inimigos seriam amaldiçoados; todas as famílias da terra seriam abençoadas em Abraão (promessa cumprida pela vinda do Senhor Jesus Cristo, seu descendente). Este pacto foi renovado e ampliado em Gênesis 13:14-17, 15:4-6, 17:10-14 e 22:15-18.

Depois de "anos perdidos em Harã", isto é, sem progresso, Abraão se mudou para Canaã com sua esposa Sarai, seu sobrinho Ló, outros parentes, servos e posses. Vieram primeiro para Siquém, onde Abraão construiu um altar para o Senhor. A presença hostil dos cananeus não foi obstáculo para quem andava pela fé como ele. Abraão em seguida foi morar entre Betel (casa de Deus) e Ai. Tipicamente ele não só armou uma tenda para si mesmo, mas também construiu um altar para o Senhor. Isto diz muito sobre as prioridades deste homem do Senhor. Depois seguiu novamente em direção ao sul (onde está o deserto do Negebe).

A fé, no entanto, tem seus lapsos. Durante um tempo de grande fome, Abraão deixou o lugar da escolha do Senhor e fugiu para o Egito, um símbolo do mundo. Ali, porém, Abraão temeu ser morto pelo Faraó a fim de se apoderar de sua esposa, Sarai, e por isso a persuadiu a dizer que era sua irmã. Realmente tinham o mesmo pai, mas diferentes mães. A trapaça serviu para Abraão (foi recompensado generosamente), mas prejudicou Sarai (foi transferida para o harém do Faraó). No entanto, Faraó (com sua família) adoeceu. Quando soube do ludíbrio que lhe trouxera a doença, Faraó apenas repreendeu Abraão e o mandou de volta para Canaã com Sarai.

Este incidente nos lembra que não devemos travar uma guerra espiritual com armas carnais, que o fim não justifica os meios, e que não podemos pecar e escapar das suas consequências. O Senhor não abandonou Abraão, mas permitiu que lhe viessem as consequências do seu pecado. Abraão foi publicamente humilhado pelo Faraó e vergonhosamente expulso do Egito com a sua família.

Tempos depois, lemos em Gênesis 14 que houve uma guerra entre quatro reis da Babilônia e cinco reis de Sodoma, Gomorra e outras cidades da planície do Mar Morto. Os reis da Babilônia foram vitoriosos e voltavam para a Babilônia com seus espólios e cativos, entre eles Ló, o sobrinho de Abraão.

Quando Abraão soube, ele montou uma força de combate de 318 homens treinados, perseguiu os vencedores e derrotou-os perto de Damasco, na Síria, libertando Ló, as mulheres e o povo, e apropriando-se dos despojos. Observamos que nesta ocasião Abraão libertou Ló pela espada, enquanto que, mais tarde, ele o livrou da morte através de intercessão junto ao Senhor, por ocasião da destruição de Sodoma e Gomorra (capítulos 18, 19).

Abraão estava voltando para sua tenda depois do triunfo sobre os reis, quando o rei de Sodoma foi encontrá-lo, e também Melquisedeque (rei de justiça), rei de Salem (paz ou pacífico) e sacerdote do Deus Altíssimo, que trouxe pão e vinho e o abençoou. Temos aqui uma semelhança com o pão e o cálice de que participam os crentes na Ceia do Senhor, símbolos do corpo e do sangue do nosso amado Salvador, que os sacrificou na cruz do Calvário para remir os nossos pecados.

Melquisedeque foi um símbolo de Cristo, Quem é o verdadeiro Rei da justiça e da paz, e o nosso grande Sumo Sacerdote: aprendemos em Hebreus 7:3 que Melquisedeque era uma pessoa "sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo nem início de dias nem fim da vida", ou seja, nenhum destes dados aparecem nas Escrituras. A maioria dos sacerdotes hebreus herdava seu cargo e servia por um tempo limitado. Mas o sacerdócio de Melquisedeque era especial por falta destes detalhes, e assim era da mesma ordem que o Senhor Jesus (Salmo 110:4, Hebreus 7:17).

Melquisedeque abençoou Abraão, e Abraão deu-lhe a décima parte dos despojos conquistados em sua guerra contra os reis. Em Hebreus 7 aprendemos que há um profundo significado espiritual nestas duas ações: no sacerdócio israelita, Arão foi o primeiro sumo-sacerdote, e como Abraão foi o primeiro progenitor de Arão, ele pode representar o seu sistema sacerdotal. O fato de que Melquisedeque (símbolo de Cristo) abençoou Abraão significa que o sacerdócio de Melquisedeque é superior ao de Arão, pois quem abençoa é superior ao que é abençoado. O fato de que Abraão pagou dízimos a Melquisedeque confirma isto, pois o menor é que paga dízimos ao maior. Conclui-se daí que o cristianismo do novo testamento é perfeito, superior e substitui o judaísmo do velho testamento, imperfeito e inferior.

Abraão recusou a oferta do rei de Sodoma, que lhe ofereceu os bens do despojo que lhe pertenciam em troca das pessoas que Abraão resgatara do cativeiro. Abraão jurou que não tomaria coisa alguma de tudo o que era desse rei, nem um fio, nem uma correia de sapato, para que ele não dissesse “eu enriqueci a Abraão”. A riqueza de Abraão era o cumprimento de uma parte das promessas de Deus.

Abraão foi um homem poderoso na fé e um dos homens mais importantes da história. Três religiões mundiais — o judaísmo, o cristianismo e o Islã — o veneram. Ele é mencionado em dezesseis livros do Velho Testamento e onze livros do Novo Testamento.

Durante este tempo a responsabilidade humana se baseou na chamada “aliança abrâmica”, ou seja, na responsabilidade de crer nas promessas que o Senhor fez a Abraão. Mesmo antes das promessas se realizarem, o povo deveria crer nelas. Isso fez Abraão, pois aprendemos em Gênesis 15:6: “E creu Abraão no Senhor, e o Senhor imputou-lhe isto como justiça”.

A fé se prova pelas obras, neste caso sua permanência na terra prometida, onde O Senhor os levou.  No entanto houve falhas, começando pelo próprio Abraão que deixou aquela terra conforme Gênesis 12, e lhe surgiram encrencas. Isaque contemplou sair da terra em Gênesis 26, mas O Senhor o preveniu contra isso. Jacó também deixou a terra, e seus descendentes acabaram escravizados no Egito.

Mas também vemos a graça do Senhor preservando Israel, seja na terra prometida ou no exílio. O Senhor também preservou a “semente da mulher” (Gênesis 3:15) na descendência de Abraão, Isaque e Jacó.