Boletim dos Obreiros

O tempo do Reino (1)

A Preparação

Apocalipse 4:1 a 20:15

Este é o tempo final desta atual criação, dos céus e da terra que conhecemos fisicamente, na carne. Começando no dia do arrebatamento da Igreja, quando ela estará completa, junto com os mortos ressuscitados (1 Tessalonicenses 4:15 a 17), o tempo do Reino vai até o dia do julgamento final, na “vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se dissolverão, e os elementos, ardendo, se fundirão” (2 Pedro 3:12).

No início deste tempo estarão na terra os vivos incrédulos e os falsos crentes, tanto judeus como gentios. Durante os primeiros sete anos eles serão submetidos à ira de Deus, porque recusaram aceitar o dom gratuito de Deus da salvação, oferecido através do Messias Jesus. Esse período é referido na Bíblia por diversos nomes, dos quais predominam Tribulação, O Dia do Senhor e O Dia da Ira. Deus trará catástrofes e grande tribulação para a humanidade, particularmente na segunda parte quando se dará a “grande tribulação dos judeus”, profetizada pelo Senhor Jesus (Mateus 24:21-28, Marcos 13:19-23).

Cronologicamente é o último período dos tempos dos gentios, o último sete dos “setenta setes” (traduzidos como semanas) anunciados por Gabriel a Daniel em sua visão (Daniel 9:27). Vem depois das “coisas que são” (Apocalipse 1:19) de acordo com a visão de João no Apocalipse, que é o período das sete igrejas (Apocalipse 1:19, 2, 3), a última sendo Laodiceia (grego povo reinante), identificada como a maioria das igrejas dos tempos atuais; a tribulação é o que deve acontecer “depois destas cousas” (Apocalipse 4:1).

O Evangelho de Cristo continuará a ser proclamado em todo o mundo por milhares de judeus que se converterão logo depois do arrebatamento da Igreja (Apocalipse 7:9-14). O mundo será subjugado por um indivíduo apresentado na Bíblia como a Besta e vários outros qualificativos, fortemente apoiado pelo diabo em aliança com um falso profeta. 

Ao fim daqueles primeiros sete anos todo o remanescente da nação de Israel terá se convertido ao Messias Jesus (Zacarias 13:9, Romanos 11:26) e suplicará a Ele que venha ao mundo para derrotar os inimigos que estarão ameaçando destruí-lo.

João viu profeticamente a resposta a esta súplica (Apocalipse 19:11 a 21): o Senhor Jesus voltará em grande força com o exército do céu e Seus santos e derrotará a besta (o Anticristo) e seus exércitos. A besta e o falso profeta serão lançados no lago de fogo e enxofre (v.20) e Satanás será preso por “mil anos” (Apocalipse 20:1-10).

Em vista do seu arrebatamento, a Igreja desaparece da profecia no livro do Apocalipse a partir do capítulo 5 - salvo a sua provável representação nas pessoas dos vinte e quatro anciãos - mas retorna como a esposa do Cordeiro no céu, no capítulo 19 ver. 7, significativamente pouco antes da segunda vinda de Cristo à terra para derrotar a besta e os seus exércitos, aprisionar o diabo e assumir o seu reino milenar.

Durante o intervalo entre o seu arrebatamento e a sua volta com Cristo, os membros da Igreja, em seus corpos transformados (1 Coríntios 15:52), terão sido julgados no tribunal de Cristo “para que cada um receba o que fez por meio do corpo, segundo o que praticou, o bem ou o mal” (2 Coríntios 5:10). Não se trata de julgamento pelos seus pecados, pois sua pena foi paga no Calvário, mas do seu serviço ao Senhor. 

No versículo 5 do capítulo 19 é anunciado o início das Bodas do Cordeiro, no versículo 7 vê-se a esposa e não a noiva e logo depois, no versículo 11, o Noivo, que é Cristo, se prepara para descer à terra e assumir o Seu reino. Para explicar as Bodas do Cordeiro é necessário compreender como se faziam os casamentos entre os judeus, particularmente na época quando esta profecia foi escrita; temos algumas descrições informativas nos Evangelhos (Mateus 25.1-13, por exemplo).

O noivo ia buscar a noiva e a trazia para a sua casa, onde se realizava o casamento na presença de alguns familiares e amigos íntimos, depois havia a festa das bodas, para a qual todos os amigos eram convidados. O belíssimo Salmo 45 é uma profecia das bodas do Cordeiro (Hebreus 1.8,9), a primeira metade dirigida ao Noivo, que é Rei, o mais formoso dos filhos dos homens, bem como Deus, e a segunda metade à noiva, que esquece o seu povo e a casa do seu pai, formosa e lindamente ataviada (Apocalipse 19.7,8). O Noivo virá buscar a Sua noiva, a Igreja, nos ares para estarmos eternamente com Ele. Note-se que a Igreja só se compõe daqueles que são salvos mediante a sua fé em Cristo, desde o seu início com o batismo do Espírito Santo no dia de Pentecostes pouco depois da ascensão do Senhor Jesus, até a Sua vinda para arrebatá-la.

Algo significante como a cerimônia de casamento se dará no céu, e depois Cristo e a sua Igreja virão para a ceia das bodas do Cordeiro (Apocalipse 19.9) na terra, quando Ele assumirá o seu reino milenar (e também eterno, porque o reino continuará no novo céu e nova terra).

Todos os santos que morreram antes da volta de Cristo, ou seja, os do Velho Testamento bem como os mortos durante o período da Tribulação, serão ressuscitados no início do milênio, terminando assim a primeira ressurreição; junto com os justos vivos, eles participarão da festa das bodas durante o milênio: esses são os bem-aventurados que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro (Apocalipse 19.9).

Isto posto, percebemos que a Igreja estará com Cristo durante o seu reino na terra - não faria sentido uma festa das Bodas sem a nova esposa. E, como a esposa aprende a viver e a trabalhar em harmonia com o seu marido, a Igreja vai viver e trabalhar em perfeita harmonia com o Senhor Jesus, em toda a Sua glória.

As pessoas que se converterem durante os sete anos e não tiverem adorado ou obedecido a besta e nem a sua imagem, sendo por isso degoladas “por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus”, serão revividas e reinarão com Cristo durante “mil anos” (Apocalipse 20).