Boletim dos Obreiros

O sublime nascimento do Senhor Jesus

A Bíblia nos ensina que Deus é eterno, isto é, sempre existiu e sempre existirá. Para nós, isso é difícil de compreender por causa das nossas limitações, mas não existe base para negá-lo.

A Bíblia também ensina que há um só Deus, e que Ele é triuno, ou seja, compõe-se de três pessoas que se apresentam a nós como a Trindade de Pai, Filho e Espírito Santo. Todas essas três pessoas são Deus, atuando individualmente, mas em perfeita comunhão entre si.

A vinda de Deus o Filho a este planeta do universo feito por Ele próprio (João 1:1-5), tomando um corpo humano, pessoalmente, foi um acontecimento extraordinário e maravilhoso, inacreditável se não houvesse as provas incontestáveis de que dispomos. Não vamos aqui tratar delas, mas apenas focalizar em alguns fatos dos muitos ligados à Sua encarnação.

Para revestir-se com um corpo humano, a Palavra (ou Verbo), nome dado ao Filho nesse mesmo texto, nasceu de uma virgem, Maria. Como toda a humanidade, ela era descendente de Eva, que fora criada a partir de uma costela do primeiro homem, que por sua vez fora criado por Deus do pó da terra. Maria mostrou grande surpresa e humildade pela imensa honra que lhe era dada. 

Pouco mais é revelado na Bíblia sobre Maria, mas alguns homens têm construído sobre a sua figura uma crescente variedade de lendas e proposições mentirosas, estátuas, edifícios, devoções e rituais religiosos, chamando-a de “rainha dos céus”. No entanto, precisava de salvação do pecado, como o resto da humanidade, e “se alegrou em Deus, seu Salvador” (Lucas 1:47).

O evangelista Lucas descreve uns poucos mais detalhes em seu Evangelho, concluindo que “nada é impossível para Deus" (Lucas 1:34,35,37). Este acontecimento inédito já havia sido profetizado séculos antes por Isaías "... o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel (Deus conosco)" (7:14)".

A Bíblia, portanto, ensina claramente que o Messias nasceu de uma virgem, sem a intervenção de um homem. Dois evangelistas o dizem claramente, um dos quais, Lucas, que era médico, e as profecias da antiguidade já o haviam previsto. Assim também se explica o que Deus disse à serpente, depois que ela induziu Eva ao pecado de desobediência: "E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça …" (Gênesis 3:15). A semente da mulher (não do homem), feriria a serpente, que era o diabo.

Maria era noiva de José: estava comprometida a se casar com ele, um compromisso que tinha maior valor do que o noivado de hoje em dia, e só podia ser quebrado com o divórcio. A infidelidade da noiva era tratada como se fosse adultério e era punida com a morte. Deus havia escolhido Maria para ser a mãe do Messias, mas também havia escolhido José para ser o seu pai legalmente, embora não biologicamente. Ele era da dinastia real de Davi, legítimo herdeiro do trono de Israel, um homem notável. Neste episódio José demonstrou a sua pureza de caráter, o seu brio, o seu amor por Maria, a sua mansidão e sabedoria.

Quando o povo via uma mulher grávida antes do casamento, só sabiam de duas possibilidades: o noivo teria se antecipado ao casamento, ou ela lhe teria sido infiel. O primeiro caso seria desonroso para os dois, o segundo incriminaria a noiva. A pureza de caráter de José estava em jogo, pois se admitisse ser o pai estaria mentindo, se o negasse estaria condenando Maria à desonra pública.

A única solução honrável que José conhecia para o problema foi deixar Maria e anular o casamento secretamente, o que planejou fazer. Era dos males o menor, pois Maria ficaria na situação de divorciada e ele teria liberdade para continuar a sua vida sem ter que responder perguntas. Mas não deixava de ser uma solução trágica, e não servia aos propósitos de Deus.

Era uma situação humanamente impossível e exigia a intervenção divina. Um anjo do Senhor apareceu portanto em sonhos a José para tirar as suas dúvidas e esclarecer a magnífica realidade do que estava acontecendo: ele não devia temer em receber Maria como esposa, pois o que nela foi gerado procedia do Espírito Santo; ela daria à luz um Filho a quem José deveria dar o nome de Jesus, porque Ele iria salvar o Seu povo dos seus pecados.

Jesus é uma transliteração do hebraico "Yoshua" que significa "Javê é salvação". Sendo "Javê" a segunda pessoa da Trindade, fica claro que este Filho era a segunda pessoa da Trindade, o Salvador do Seu povo.

Mateus estava escrevendo o seu Evangelho para o povo de Israel, e fez questão de salientar que tudo isto foi feito em cumprimento à profecia de Isaías 7:14 (ver acima). Ele apelava ao seu povo para que entendesse o cumprimento da profecia.

É possível achar mais de trezentas profecias no Velho Testamento a respeito da primeira vinda do Messias, todas cumpridas. Encontramos mais referências do Velho testamento no Evangelho de Mateus do que em todos os três outros Evangelhos juntos, o que nos faz entender que o seu objetivo não foi tanto fazer uma biografia do Senhor Jesus, como de provar o cumprimento das profecias do Antigo Testamento concernentes a Ele.

Naquela profecia de Isaías, o filho que iria nascer da virgem seria chamado Emanuel, que quer dizer "Deus conosco". Esta palavra aparece novamente em Mateus 1:23, identificando-o com Jesus Cristo. O nome mais usado, “Jesus”, “porque Ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mateus 1:21).

Ele também é chamado "o Cristo", ou simplesmente "Cristo" que é a tradução do hebraico "Messias". Essa palavra traduz-se como simplesmente "ungido", mas entende-se que "o Cristo" é um título enquanto que, sem o artigo, simplesmente "Cristo", a palavra denota Seu caráter e o Seu relacionamento com os crentes.

Mas nesta passagem lemos que Ele será chamado Emanuel, que se traduz como "Deus conosco". Ele não pode ser Deus conosco se não for nascido de uma virgem, pois não existe outra maneira de Ele assumir nossa humanidade se não for nascido de uma mulher.

Também não pode ser "Deus conosco" se não for "Javê é salvação" (Jesus): Ele é chamado o Salvador porque ele é Deus conosco. Lemos em Hebreus 2:9: "vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos".

Ele tinha que ser inocente, um sacrifício aceitável pelos pecados de todos, e só "Deus conosco" podia ser inocente: não nasceu de homem, mas nasceu através de uma virgem mediante semente divina, e assim não herdou a natureza pecaminosa de Adão.

Mediante a intervenção do anjo, José abandonou o plano de dar carta de divórcio a Maria, e continuou a reconhecer o seu noivado até o nascimento do Senhor Jesus, quando então passou a ter relações maritais com ela. Ao se casar com Maria, José recebeu Jesus como seu próprio filho adotivo, tornando-o herdeiro legal ao trono de Davi.

A teoria surgida mais tarde que Maria continuou virgem até morrer é contradita pelo versículo 24. Temos outras passagens que mencionam os filhos que Maria teve com José: Mateus 12:46, 13:55,56, Marcos 6:3, João 7:3,5, Atos 1:14, 1 Coríntios 9:5 e Gálatas 1:19.

Desta forma nasceu o Messias-Rei, o Eterno entrou no tempo, o Onipotente se tornou um pequeno Bebê, o Senhor da Glória cobriu aquela glória em sua forma humana, e "nele habita, corporalmente, toda a plenitude da divindade” (Colossenses 2:9).