Boletim dos Obreiros

O reino de Cristo (2)

Durante os primeiros mil anos do reinado de Cristo, período que chamamos de “Milênio”, as condições de vida na terra serão as melhores desde que Deus a amaldiçoou por causa do pecado de Adão (Gênesis 3:16). Mas não serão ainda perfeitas, e no Milênio ainda haverá pecado e morte dentre a população sobrevivente à “Grande Tribulação”, embora em escala reduzida por causa da prisão de Satanás.

O Milênio terminará com a soltura de Satanás que ”sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar” (Apocalipse 20:7-10). Há aqui uma semelhança com a invasão descrita em Ezequiel 38:1 até 39:16, que terá acontecido antes da Grande Tribulação. Nas duas ocasiões haverá invasão da terra de Israel.

Nesta segunda invasão, no término do Milênio, o engano do mundo será imenso, provocando uma revolta de âmbito mundial, e a cidade de Jerusalém do Milênio será cercada pelos exércitos das nações enganadas por Satanás. Mas assim que chegarem à montanha da casa do Senhor essas forças invasoras serão consumidas instantânea e mortalmente com fogo do Céu.

O diabo, o sedutor destes revoltosos, será “lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos” (Apocalipse 20:10). A besta e o falso profeta já terão sido lançados no “lago de fogo e enxofre” antes do Milênio (Apocalipse 19:20). Os outros que têm o mesmo destino são: a morte, o inferno, quem não for inscrito no Livro da Vida, os covardes, os incrédulos, os abomináveis, os assassinos, os impuros, os feiticeiros, os idólatras e todos os mentirosos (Apocalipse 21:8).

O tempo do Milênio também terminará com esta revolta final, e haverá uma transferência de autoridade, descrita em 1 Coríntios 15:24-28: “E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés.  O último inimigo a ser destruído é a morte, porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés. E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, certamente, exclui aquele que tudo lhe subordinou. Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará Àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos".

Como resultado da Sua morte e ressurreição, o Senhor Jesus tem toda a autoridade de Rei no Seu reino: Ele disse em Mateus 28:18b... “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra”.

Mas o poder e autoridade sobre o Reino devem ser finalmente passados novamente para Deus, o Pai, e isto só ocorrerá depois que todos os inimigos tenham sido destruídos e não houver mais desafio ao governo, autoridade e poder de Deus. Por esta mesma razão, vemos no versículo 25 que o Senhor Jesus deve governar até que Seu último inimigo Lhe tenha sido sujeitado. Em 1 Coríntios 15:24 aprendemos que o último inimigo não é Satanás, mas a própria morte (versículo 26).

Haverá ainda morte no Reino. Somente depois da derrota final de Satanás e do seu confinamento no lago de fogo é que a morte será eliminada. Foi Satanás que levou o homem à morte ao tentar Eva. Somente quando ele, o originador da morte, estiver eternamente confinado no lago de fogo é que a morte será terminada. Este é o fim do Milênio. Neste ponto, “o próprio Filho também se sujeitará Àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos” (1 Coríntios 15:28).

A duração do Milênio será de mil anos, mas de acordo com as promessas feitas ao rei Davi, dele procederia uma dinastia, um reino e um trono, todos eternos! A existência eterna da dinastia é assegurada porque culmina na pessoa eterna de Cristo Jesus. A forma milenial do reino termina mil anos após sua inauguração, mas o reino de Deus, no sentido de autoridade suprema, é eterno e pertence à dinastia de Davi na pessoa do Senhor Jesus, seu descendente.

Tudo o que sabemos sobre a continuação do Reino de Deus após o Milênio se encontra nos capítulos 21 e 22 de Apocalipse, revelado em visão pelo Senhor Jesus ao Seu discípulo João, para nosso conhecimento. Não há indicação de tempo, apenas dos acontecimentos e das coisas que viu.

João relata “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe” (Apocalipse 21:1). A substituição das coisas materiais foi completa, podendo ser tudo muito diferente. João observa que o mar já não existe mais... ele cobria a terra quando foi formada, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas (Gênesis 1:2).

Embora novos céus e nova terra tenham que ser criados, a nova Jerusalém já existe no céu desde a antiguidade, tendo sido aguardada por Abraão (Hebreus 11:10). Ela é mencionada por Paulo em sua epístola aos Gálatas 4:26... “Mas a Jerusalém lá de cima é livre, a qual é nossa mãe”. Também é referida em Hebreus 11:9-10 e 12:22-24, onde é chamada “cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador” e “cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial...”.

A Jerusalém celestial descerá para a nova terra (sendo chamada de “nova” porque tomará o lugar da cidade atual) e será adornada com a beleza de uma noiva preparada para a cerimônia de casamento. Temos muitos detalhes da Nova Jerusalém celestial, não só em Apocalipse 21, mas também em Hebreus 12:22-24, onde é descrita como o lar eterno de todos os remidos: “tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembleia  e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados, e a Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão que fala coisas superiores ao que fala o próprio Abel”. Os “justos aperfeiçoados” são os homens e mulheres praticantes da justiça e justificados pela sua fé em Deus, como os do Velho Testamento. Foram feitos perfeitos pela morte de Cristo. Embora não especificados aqui, também se incluem os santos do tempo da Tribulação e do Milênio.

Após a magnífica visão da nova Jerusalém, João ouviu uma grande voz vinda do trono, dizendo: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Apocalipse 21:3-4). Aprendemos aqui que Deus habitará junto com os homens – como habitava com os israelitas no deserto – e que as consequências da maldição que se encontra em Gênesis 3:16-19 serão eliminadas, portanto não haverá mais lamentações, morte ou dor.

Em seguida veio outra declaração por Aquele que estava no trono: Ele, que é o Princípio e o Fim, havia renovado tudo, e a quem tem sede Ele dará de graça água da fonte da água da vida. O vencedor (o crente fiel) herdará tudo isso (novos céus, nova terra e a nova Jerusalém) e terá um relacionamento íntimo com Ele: Deus como Pai e o crente como filho. Mas os covardes, os incrédulos, os abomináveis, os assassinos, os impuros, os feiticeiros, os idólatras e todos os mentirosos passarão pela segunda morte que consiste no lago que arde com fogo e enxofre.

Fora da nova Jerusalém, os sobreviventes do julgamento do grande trono branco, preservados em seus corpos naturais através do cataclisma da destruição dos atuais céus e terra e da nova criação, ocuparão a nova terra livres dos males resultantes do pecado original de Adão.

Estes sobreviventes e sua descendência formarão “as nações” que andarão mediante a luz da nova Jerusalém, e seus reis lhe trarão a sua glória (Apocalipse 21:24, 26 etc.).