Boletim dos Obreiros

A imposição de mãos e suas consequências

“A ninguém imponhas precipitadamente as mãos. Não te tornes cúmplice de pecados de outrem. Conserva-te a ti mesmo puro”.

(1Timóteo 5.22)

O que querem dizer estas palavras? Será que elas nos falam de “ordenação” de bispos e de pastores, de presbíteros e de missionários?

O que é a imposição de mãos? Lemos a seu respeito em Levítico 16.21 quando, no Dia da Expiação, o sumo sacerdote, representando o povo israelita, punha suas mãos sobre a cabeça do bode emissário e confessava todos os pecados do povo, transferindo-os, figurativamente, para o animal que, a seguir, era levado para o deserto e ali abandonado.

Tal ato era um símbolo do que o Senhor Jesus faria com os nossos pecados, o qual, “carregando Ele mesmo em Seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1Pedro 2.24), nos libertou da pena que pesava sobre eles.

Com aquele ato, o sumo sacerdote, representando o povo, identificava-se com a vítima inocente, que assumia o pecado do povo.

Em Atos 13.3, após o Espírito ter manifestado à igreja em Antioquia Seus planos em relação a Saulo e a Barnabé, lemos que, “impondo sobre eles as mãos, os despediram”. Aqui vemos uma nova identificação entre os que saíam e os que ficavam e nesta identificação os que permaneciam em Antioquia reconheciam também como sua a responsabilidade que o Senhor, o Espírito, entregava àqueles dois servos.

Seria bom se, em nossos dias, seguíssemos também esta prática. Não para fazer pastores ou missionários, mas para nos identificarmos e assumirmos a nossa parcela de responsabilidade em relação àqueles que Ele envia.

O versículo em estudo fala de uma imposição de mãos precipitada. A que se refere?

Pode ser uma identificação da igreja local com “obreiros” precipitadamente reconhecidos como tais. Em nossa ansiedade para avançarmos com a mensagem do Evangelho, irmãos têm sido recomendados à Obra e depois demonstraram que não estavam em condições, nem moralmente e nem doutrinariamente. Vexames e mau testemunho teriam sido evitados se não tivesse havido precipitação em tal recomendação.

Pode ser, também, uma identificação da igreja ou de um irmão com determinada organização “evangélica” ou denominação. Infelizmente, irmãos estão de braços dados com entidades e organizações denominacionais e interdenominacionais sem perceber o perigo espiritual com tal identificação.

Títulos, atitudes e maneiras que não seriam adotados e nem tolerados por eles mesmos em sua igreja local o são em tais meios. Identificam-se com os que agem daquela maneira em suas igrejas. Identificação quer dizer reconhecer como sua tal atitude, pensamento ou maneira de agir.

Irmãos, cuidado com nossas ligações com grupos e entidades denominacionais ou interdenominacionais. Cuidado com nosso envolvimento com grupos ou pessoas, mesmo chamados evangélicos, fora de nossa igreja local.

Isso não é ser denominacional; é agir de conformidade com a Palavra; é ser fiel ao Senhor.

2. “Não te tornes cúmplice de pecados de outrem

Esta é uma conseqüência de nossa identificação com pessoas ou grupos dos quais deveríamos manter distância.

Pode ser que não concordemos com seus erros bíblicos (e um erro doutrinário é um pecado por ser um afastamento da vontade de Deus), com sua maneira de agir ou de coletar fundos, mas pode ser que, por amor à honra que nos dão (talvez para agradar-nos nos tenham dado até mesmo um cargo na diretoria), abafamos a nossa consciência e assinamos as atas, concordando com tudo que fazem. Somos seus cooperadores.

A Bíblia diz que tal atitude é cumplicidade nossa com os pecados dos outros, isto é, somos tão culpados perante Deus como eles o são.

E provavelmente sejamos até mais culpados, pois lembremo-nos que Deus vai pedir contas de nossos atos em função da luz, do entendimento, da instrução que Ele nos deu. “Aquele que sabe fazer o bem e não o faz, nisso está pecando” (Tiago 4.17).

3. “Conserva-te a ti mesmo puro

Eu não sou responsável pelos erros dos outros. Sou responsável por ensinar a Palavra àqueles que o Senhor coloca junto a mim. Assim mesmo, não sou responsável por eles seguirem ou não a exortação ou o ensino bíblico. Esta responsabilidade é individual.

Mas eu tenho uma grande e intransferível responsabilidade no que diz respeito a andar e a agir de acordo com o ensino que recebi da Palavra, em relação à luz e ao esclarecimento que Deus me deu.

Quanto mais esclarecido eu tenha sido, maior a minha responsabilidade em seguir aquela instrução. E eu devo conservar-me puro, isto é, livre da culpa e dos erros que outros, a meu redor, estejam cometendo.

Hoje em dia, estamos vendo crescer o número daqueles que ouvirão do Senhor as palavras: “Nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim os que praticais a iniqüidade” (Mateus 7.23). Quem são os tais? São pessoas que, embora dizendo-se cristãs, não confiam unicamente em Cristo para sua salvação; embora carregando a Bíblia, não praticam o que ela ensina; embora presentes em organizações ou entidades chamadas cristãs, não são seguidoras de Cristo.

Saibamos escolher aqueles com quem mantemos comunhão e que estes sejam cristãos que não nos atrapalhem em nosso testemunho, agora, e nem na apreciação do Senhor pelo que fazemos, naquele dia.