Boletim dos Obreiros

Os santos e o seu futuro

As palavras “crente” e “cristão”, no singular, plural, masculino e feminino são pouco usadas na Bíblia. Geralmente podem ser aplicadas às mesmas pessoas, mas têm sentidos diferentes: o “crente” é quem crê, mas a Palavra não indica em quem ou em que; o “cristão” é o crente em Cristo. Infelizmente, devido em grande parte aos ensinos e práticas de instituições eclesiásticas que falsamente se dizem ser cristãs, as palavras “crente” e “cristão” estão vulgarizadas, e até mesmo ridicularizadas pelas massas, não tanto por rejeição ao Evangelho que deveria ser testemunhado pelos que tomam esses qualificativos para si, mas por causa do mau comportamento de muitos deles.

Já a palavra “santo” é muito mais usada na Bíblia, também nessas quatro formas (singular, plural, masculino e feminino). Assim, somente a palavra “santo” é usada para distinguir o que é separado exclusivamente para Deus, tanto os anjos fiéis, como homens e mulheres que foram salvos pela sua fé em Jesus Cristo, e também certos objetos e lugares. Notemos o cuidado com que o divino Inspirador da Bíblia, o Espírito Santo, escolheu a palavra correta ao nos fornecer a Sua Palavra. É uma lição para nós.

Ser santo, no sentido bíblico, não é uma qualidade moral, mas é estar na posição de isenção da culpa do pecado diante de Deus, tendo sido justificado em nome do Seu Filho e pelo Seu Espírito. A Bíblia diz clara e incondicionalmente a todos os que se convertem a Cristo e O recebem como Seu Senhor e Salvador, não importando o seu passado: “… haveis sido lavados, … santificados, … justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus” (1 Coríntios 6:11). D’Ele é a promessa divina “Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos” (Apocalipse 20:6).

Talvez tenhamos receio de nos chamar de “santos” por causa do uso secular incongruente feito da palavra em razão de doutrinas heréticas dos apóstatas. O verdadeiro sentido bíblico da palavra nos encoraja, no entanto, a usá-la, pois assim não só evitamos as dúvidas sobre quem é “crente” ou “cristão”, mas a própria palavra “santo” glorifica a Deus, não se referindo aos nossos méritos, mas à graça de Deus que nos fez santos mediante a obra expiatória de Cristo. Aos que Deus declara ser santos, Ele adota como Seus filhos, e demonstra todo o seu amor divino.

Destacamos algumas outras promessas, entre muitas, feitas aos santos:

  1. Os santos serão preservados para sempre: “O Senhor ama a justiça e não desampara os seus santos. Eles serão preservados para sempre...” (Salmo 37:28). A justiça de Deus é perfeita. A prova está na maneira em que Ele justifica o pecador: “Como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram… assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida” (Romanos 5:12,18). Deus não dá a vida eterna para novamente tirá-la. Os santos serão preservados por Ele por toda a eternidade.
  2. O Senhor os ama porque odeiam o mal: “O Senhor ama aos que odeiam o mal; ele preserva as almas dos seus santos, ele os livra das mãos dos ímpios” (Salmo 97:10). Odiar o mal é uma característica dos santos. Tendo eles próprios se arrependido do mal que praticavam, em obediência ao seu Senhor aprendem a odiar o mal em todas as suas formas e o Senhor os ama por isto.
  3. O Senhor preserva o caminho dos seus santos nas veredas da justiça: “O Senhor é escudo para os que caminham em integridade, guardando-lhes as veredas da justiça, e preservando o caminho dos seus santos” (Provérbios 2:8). Em sua caminhada, os Seus santos dispõem da armadura de Deus: “Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça, e calçando os pés com a preparação do evangelho da paz, tomando, sobretudo, o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; com toda a oração e súplica orando em todo tempo no Espírito e, para o mesmo fim, vigiando com toda a perseverança e súplica, por todos os santos” (Efésios 6:14-18).
  4. O Espírito Santo intercede por eles: “Aquele que esquadrinha os corações sabe qual é a intenção do Espírito: que ele, segundo a vontade de Deus, intercede pelos santos” (Romanos 8:27). Que melhor intercessor poderia haver do que o Espírito Santo, traduzindo em intercessão aquilo que é necessário, mas o santo não sabe pedir? E é da vontade de Deus que Ele faça assim, suprindo as necessidades deles apesar das suas fraquezas e falta de habilidade.
  5. Deus fará com que suas provações sejam suportáveis: “Fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar” (1 Coríntios 10:13).
  6. Os santos do Senhor não temem a morte, pois ela é preciosa para Ele: “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos” (Salmo 116:15). A morte do Senhor Jesus foi uma vitória, garantindo a vida eterna para os Seus eleitos, que são os que O recebem como Senhor e Salvador; a morte dos Seus santos é preciosa ao Senhor porque irão à Sua presença e gozarão da Sua comunhão eternamente. Como expressa o apóstolo Paulo: “tragada foi a morte pela vitória“ (1 Coríntios 15:54). Não há mais temor da morte para os santos, especialmente sabendo que ela é preciosa para Deus.
  7. Eles terão autoridade no reino de Deus na terra: “Os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para todo o sempre, sim, para todo o sempre” (Daniel 7:18). O grande profeta Daniel anunciou esta promessa vinte e cinco séculos atrás. Em seu tempo, estas palavras não seriam bem compreendidas, e assim ficaram por cinco séculos, até a vinda do Senhor Jesus ao mundo. Até a Sua morte, a maioria do povo esperava que Cristo inaugurasse o Seu reino político na terra, embora este não fosse o Seu ensino. O Reino dos Céus, espiritual, começou com a Sua obra no Calvário, e sobre esse Reino Ele com os Seus discípulos haviam pregado. Pouco antes de morrer, o Senhor Jesus disse a Pilatos: “O meu Reino não é deste mundo. Se fosse, os meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem. Mas agora o meu Reino não é daqui” (João 18:36). Note a palavra “agora”. “O reino, e o domínio, e a grandeza dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo. O seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão” (Daniel 7:27). Com este suplemento, Daniel se refere ao reino político, sobre todo o mundo, que ainda está para vir. Os santos participarão ativamente, pois deles será “o reino, e o domínio, e a grandeza dos reinos debaixo de todo o céu”. O apóstolo Paulo recorda essa profecia ao escrever aos santos da igreja de Corinto: “Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo?” (1 Coríntios 6:2). O apóstolo João também recebeu e escreveu esta profecia: “Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele durante os mil anos” (Apocalipse 20:6). A “primeira ressurreição” é a dos justos, os santos, e eles reinarão com Cristo durante o milênio que, segundo a profecia do Apocalipse, se segue à chamada “grande Tribulação“. Continuando, depois do juízo final, e após a criação de novos céus e nova terra em lugar dos atuais, “reinarão pelos séculos dos séculos” (Apocalipse 22:5), assim confirmando o teor dessa profecia de Daniel.

Oro também para que os olhos do vosso coração sejam iluminados, a fim de conhecerdes a esperança para a qual Ele vos chamou, as riquezas da gloriosa herança d’Ele nos santos” (Efésios 1:18).