Boletim dos Obreiros

Emanuel, Deus Conosco

Nestes dias marcados por incredulidade, dureza de coração e desvios, vamos parar um pouco para considerar a grandeza, a santidade e o poder do Deus eterno e ver como todas estas características de Deus são vistas no Senhor Jesus Cristo – “Deus foi manifestado na carne” (1 Timóteo 3:16).

O NOME DE DEUS


Há preciosos pensamentos acompanhando os nomes bíblicos de Deus. Em Êxodo 3:13-14, Moisés pergunta a Deus “Qual é o seu nome?” Deus responde: “Eu Sou o que Sou, assim dirás aos filhos de Israel: Eu Sou me enviou a vós outros”. Em Êxodo 6:2, Deus diz: “Eu sou o Senhor”. A palavra que é traduzida como Senhor, que em muitas Bíblias aparece com todas as letras maiúsculas, é a palavra hebraica YEHOVA, que é às vezes aportuguesada para Jeová. O significado deste nome sagradíssimo, “Eu Sou”, dá ênfase à eternal existência de Deus: “Aquele que é, era e sempre será”.

No Salmo 146 o nome Jeová, que geralmente é traduzido como Senhor, aparece 11 vezes. É especialmente precioso para nós, os crentes, a declaração do versículo 5: “Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, e cuja esperança está posta no Senhor seu Deus".

Neste Salmo, nos versículos 1 a 4, somos exortados a louvar o Senhor e tirar nossos olhos dos homens “em quem não há salvação”. No versículo 5 vemos o segredo da felicidade daqueles que têm o auxílio do Deus de Jacó, pois sua confiança está no Deus eterno. Nos versículos 6 a 10, vemos algumas características de Jeová: 1 - Seu poder criador; 2 - Seu absoluto desejo de verdade; 3 - Seu cuidado pelos oprimidos; 4 - Sua provisão para os famintos; 5 - Ele é o que pode libertar os encarcerados; 6 - Abrir os olhos dos cegos; 7 - Levantar os abatidos; 8 - Seu amor para os justos; 9 - Sua guarda pelos estrangeiros; 10 - Seu alívio pelos órfãos e viúvas; 11- Seu julgamento para os ímpios; 12 - Seu reinado será eterno. E termina como começou, com uma exortação de louvor ao Senhor Jeová.

SUA HABITAÇÃO


Em Isaías 57:15, lemos que Sua habitação é na eternidade: “assim diz o Alto e Sublime, que habita na eternidade". Em Jeremías 10:10, lemos: “mas o Senhor Deus é a verdade: Ele mesmo é o Deus vivo e o rei eterno” (ou o Rei da Eternidade). Agora vamos para uma verdade mui gloriosa, em Miquéias 5:2, a famosa profecia onde lemos que o Senhor de Israel (o Messias) nasceria em Belém Efrata, e que viria da eternidade. Sim, o Eterno Filho do Eterno Deus, O acompanhava desde a eternidade. Assim podemos afirmar com certeza que o Jeová do Velho Testamento é o Senhor Jesus do Novo Testamento, como nós lemos em João 1:1, “o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”.

Lendo as características de Deus, descritas no Salmo 146, é praticamente impossível deixar de ver nelas as características demonstradas pelo Senhor Jesus Cristo em Sua vida aqui. Em João 14:8, Felipe diz ao Senhor: “Senhor, mostre-nos o Pai”, e o Senhor responde: “Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido? Quem vê a mim vê o Pai” (João 14:9) Em João 10:30 Ele diz: “Eu e o Pai somos um”.

É uma maravilha sem igual que este Ser da Eternidade, que podia dizer em João 8:58 “antes que Abraão existisse, Eu Sou”, tomou um corpo humano, sem pecado, e deu-Se na cruz do Calvário por nossos pecados.

SUA HUMANIDADE


Vemos no Senhor Jesus Cristo alguém que nunca deixou de ser Deus, tendo poder sobre a natureza, doenças e morte, e, ao mesmo tempo, era um ser humano que sentia cansaço (João 4:6), fome (Mateus 4:2) sede (João 19:28), e em três ocasiões lemos de Suas lágrimas: Em João 11:35, compadecendo-se dos enlutados, com a morte de Lázaro; em Lucas 19:41, triste com a dureza de Jerusalém e prevendo as calamidades que iriam cair sobre ela; e em Hebreus 5:7, uma referência ao jardim do Getsêmani, quando o Senhor previa o grande fardo de pecados que Deus iria pôr sobre Ele e o castigo que eles mereciam; que Ele iria sofrer das mãos de Deus por nós (Isaías 53:5-6).

SEU POVO


Em Êxodo 6:3 Deus diz a Moisés: “Eu apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó, como o Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome, O Senhor, não lhes fui perfeitamente conhecido”. Vemos que Deus estava revelando algo a Moisés, e ao povo da época, que não tinha sido revelado aos patriarcas.

A carta aos Hebreus começa com: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho”. Enquanto Deus Se revelou mais a Moisés do que aos patriarcas, no Novo Testamento vemos Ele se revelando mais ainda, através do Seu Filho: “Ele, que é o resplendor da sua glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas, pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade nas Alturas” (Hebreus 1:3).

Poderíamos ter benção maior do que ter o Filho de Deus como nosso Salvador? Portanto, assim como o salmista exortou, que o Senhor seja louvado de geração em geração. Seria bom que as palavras deste artigo produzissem em cada cristão um desejo de conhecer mais a Deus e o nosso Senhor Jesus Cristo; fazer a Sua vontade e engrandecer “àquele que nos ama, e pelo seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai, a ele glória e poder para todo o sempre. Amém” (Apocalipse 1:5).

— Nota, por R David Jones: O querido, e agora saudoso, irmão George, foi um dos grandes incentivadores do trabalho desenvolvido pelo Boletim dos Obreiros. O seu apoio nos inspirou a prosseguir em tempos difíceis, na certeza que nosso esforço não era em vão. Muitos têm sido os ataques do inimigo das nossas almas visando nos levar ao desânimo, mas a comunhão que nos é estendida por servos de Deus como ele nos fortalece. Ele deixa muitas saudades e um grande espaço vazio em nosso meio, apesar da avançada idade à qual chegou.
Pessoalmente, eu o conheci quando primeiro chegou ao Brasil, e depois tive contato com ele e com a sua família várias vezes, até que a distância geográfica reduziu o nosso convívio. A impressão que me deixou foi a de um servo de Deus que mais se parecia com um alto executivo de uma empresa: dinâmico, hábil transmissor de idéias, muito simpático, firme em suas convicções, disposto a viajar longas distâncias, dando pouco valor ao seu conforto pessoal.
Transmitida a notícia do seu passamento para a presença de Deus, recebemos um inusitado volume de mensagens, várias ressaltando os benefícios que o nosso irmão George trouxe mediante o seu testemunho pessoal, sua pregação do Evangelho, e seu ministério da Palavra. Vou transcrever algumas passagens tiradas ao acaso desses tributos, que ilustram o valor da vida deste homem de Deus:
“... Ele era franco, direto e não fazia rodeios. Era simpático com o pecador, mas não tolerava o pecado. Trazia sempre o genuíno ensino da Palavra de Deus. Em seriedade era nota 10. Suas palavras eram sim… sim, não …não! Não suportava ver as pessoas tomando o nome de Deus em vão, dizia: “irmão, Deus não tomará por inocente aquele que tomar Seu Santo Nome em vão”! Nos seus sermões não admitia a conversa paralela ou falta de respeito à Palavra de Deus, dizia: “Deus não aceita concorrentes”! Sua maneira de se dirigir ao Senhor Jesus era: “Senhor Jesus Cristo!” - “O Eterno Jeová!” - “A Brilhante Estrela da Manhã!”. Era admirável o seu zelo pela reunião da Ceia do Senhor: almejava que realmente todos os irmãos estivessem preparados para o evento e que fossem dirigidos pelo Espírito Santo. Em suas pregações do Evangelho os pecadores saiam chocados com o seu pecado”.
“… sempre com ele aprendendo, pela maneira dócil de tratar as pessoas, pela sua inquestionável consagração ao aplicar-se no serviço do Senhor, pela firmeza de convicção demonstrada na exposição das verdades bíblicas, sempre feita com muita clareza e profundo conhecimento, e, enfim, pelo seu exemplar comportamento cristão em todas as áreas de sua vida abençoada”.
“... Lembro-me de algumas crianças no acampamento na última vez que ele trouxe os estudos (já faz muito tempo) dizendo que ele era como ‘um vovozinho simpático’ e eles gostavam muito dele, sem algumas vezes perceber a profundidade dos estudos que ele apresentava, enquanto eles ouviam atentamente”.
“... Ele fez questão de estar e tomar parte nos funerais do meu pai em julho de 1987, quando ele viajou mais de mil quilômetros num Fusca”.
“... Posso só imaginá-lo com sua coroa de ouro, cheia de jóias, uma das quais é pelo tempo que tomou para conversar com um pequeno menino que estava se sentindo muito perdido e precisando de um Salvador…” (deduzimos que era o próprio missivista!).
“... O sorriso, atitude para o Evangelho e a maneira com que tratou o povo, seja cristão ou não, era espetacular”.
“... E ele era assim, bondoso, perdoador, um amigo e irmão de fato”.
“... Eu me lembro dele como sendo um homem alegre, bem-humorado e bondoso”.