Boletim dos Obreiros

Viver pela fé

TESTEMUNHO PESSOAL SOBRE NOSSO CHAMADO E UMA EXPERIÊNCIA


Em dezembro de 1981, atendendo ao chamado do Senhor, saímos para servi-Lo em regime de tempo integral na cidade de Paranavaí. Naquela ocasião, deixar o emprego estável e rejeitar duas propostas tentadoras, para viver tão somente pela fé, tendo um casal de filhos pequenos, não foi fácil. Muitos acharam que estávamos loucos, e que, principalmente eu, tinha perdido o juízo e a coragem de trabalhar.

Na ocasião, eu era representante comercial de uma firma de Ribeirão Preto–SP. Além das duas propostas de empregos que tive de renunciar para trabalhar na Obra do Senhor integralmente, também tive de rejeitar uma proposta do meu patrão que não queria que eu me demitisse da firma, e mesmo mudando para Paranavaí ele queria que eu continuasse representando sua firma, abrindo nova clientela no Paraná, me oferecendo certas vantagens difíceis de rejeitar, sabendo, que daquele dia em diante nós iríamos viver tão somente pela fé e na exclusiva dependência do Senhor para nosso sustento.

Certo dia, antes de nossa mudança para Paranavaí, estive na casa de nosso estimado irmão Sr. Jaime Crawford e, dentre muitas coisas que conversamos concernente a Obra de Deus e o servir ao Senhor de tempo integral e sustento etc, ele me perguntou: “Severo, se for necessário você pegar a pasta e vender novamente, você fará?” Minha resposta foi que não somente a pasta, mas se fosse preciso, eu pegaria na enxada, machado etc, para qualquer serviço, pois sempre fui acostumado a pegar no pesado desde meus 6 anos de idade com meu pai na roça.

Era assim que se conduzia o saudoso e consagrado irmão Sr. Ricardo Jones. Durante alguns anos ele deu aulas particulares de inglês para suprir as necessidades da sua família, especialmente durante a última grande guerra. Viviam de arroz, feijão, chuchu, e alguma coisa mais barata que conseguiam comprar no açougue, como rins, fígado e coração de boi, mas nunca em sua vida pediu dinheiro a alguém, nem fez os outros saberem das suas necessidades, Deus sabia e isso lhe era suficiente.

Irmãos, são passados mais de 21 anos e neste tempo decorrido temos passado por inúmeras e difíceis provas financeiras, mas sempre O Senhor nos tem dado a saída e suprimento, até abrindo-me portas de trabalho temporário remunerado para suprimento de necessidades eventuais.

Permita-me contar uma das experiências que mais marcou a nossa vida até o dia de hoje. Em junho de 1982, realizamos em Paranavaí um trabalho evangelístico usando a tenda de lona do irmão Theodor Hählen. Os irmãos Theodor e Alberto Trinck cooperaram com esse trabalho na primeira semana e aguardávamos a chegada do Sr. Jaime Crawford para continuar nas pregações. Segundo o nosso trato, ele, sua esposa e meu tio Sr. Joãozinho, chegariam para o almoço, mas acontece que nossa alimentação tinha acabado e não havia nada para fazer para aquela refeição.

Orei ao Senhor diversas vezes sobre o assunto e fui até ao correio com a certeza de que teria lá algum dinheiro, mas, ao abrir a caixa postal, o que encontrei foi um pacote de folhetos e pensei, folheto é bom, mas não enche o estômago de ninguém. Voltei para casa e me pus a orar e a meditar na Bíblia até que a buzina tocou anunciando a chegada dos irmãos para o almoço, logo pensei, e agora o que vamos fazer!

Passados alguns minutos, tomei uma sacola e convidei meu tio para irmos até a casa de um irmão, pois, segundo meu pensamento, a única esperança de salvar aquela situação era que aquele casal nos emprestasse algumas coisas, mas, chegando lá estava tudo fechado, simplesmente, demos meia volta e meu tio parou e me disse: “porque voltamos?” Eu disse a ele que eu devia pegar algumas coisas naquela casa, mas como não tinha ninguém eu ia deixar para mais tarde. Sem me perguntar mais nada ele disse: “Severo, tua prima te mandou esse envelope”, ao abri-lo era uma oferta, a qual jamais esqueceremos, pois foi o suficiente para as despesas daqueles dias, e ninguém, nem mesmo meu tio, ficou sabendo a situação em que nos encontrávamos naqueles dias.

Quem sabe, se tivéssemos contado a situação para o irmão Theodor, ele nos teria socorrido, mas isso não fizemos, não foi por vergonha, mas porque tínhamos a certeza de que O Senhor sabia de tudo e Ele, de uma forma ou de outra nos socorreria dando-nos o suprimento como fez.

GRANDE PRIVILÉGIO

Trabalhar integralmente na Obra de Deus é um grande privilégio, pois tal pessoa está envolvida na causa mais sublime que pode haver sendo isto reconhecido desde o Velho Testamento, como em Pv.11:30 “... o que ganha almas é sábio”. Ouvi contar de um servo de Deus que trabalhava numa refinaria de petróleo e que teve a certeza do chamado do Senhor para deixar aquele serviço com remuneração garantida e dar tempo total no Seu serviço, sem nenhuma garantia de salário, depender somente dEle para o sustento seu e de sua família.

Ao ser informada, a direção da empresa o chamou e lhe ofereceu a chefia de outro departamento de nível mais elevado e de salário muitas vezes maior, e mesmo assim ele rejeitou a proposta. Então lhe perguntaram se ele achava o salário pequeno para ocupar tal cargo, ele respondeu que não, “o salário é ótimo”, mas, continuou ele, “o problema é que ante ao que eu vou fazer ao me demitir da empresa, o cargo de gerente é que é muito insignificante”, então lhe perguntaram o que ele ia fazer, ele simplesmente respondeu “eu estarei a serviço do Rei dos Reis e vou ganhar almas!”

Sem dúvida, ninguém entendeu nada, mas ele tinha a plena certeza de que o Senhor o havia chamado para Seu serviço e que servir ao Rei dos Reis era uma honra muito mais elevada do que ser gerente de um departamento de uma refinaria de petróleo.

EXEMPLOS DE PESSOAS CHAMADAS PARA SERVIR INTEGRALMENTE NA OBRA DE DEUS E QUE VIVERAM TOTALMENTE PELA FÉ

Quando o nosso Senhor esteve na terra e deixou o serviço secular da carpintaria, para nos próximos três anos e meio finais de Sua vida dedicar-se totalmente ao ministério da Palavra, Ele e os discípulos que escolhera, que também deixaram seus serviços seculares e atenderam ao chamado do Senhor, viveram totalmente pela fé e na dependência de Deus, o Pai, para o suprimento básico de Suas necessidades.

Não lemos que o Senhor fizesse milagres para sustentar a Si ou aos Seus apóstolos, mas ao contrário, Ele e Seus servos viviam das generosas ofertas do povo de Deus daqueles dias: “Aconteceu, depois disto, que andava Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus, e os doze iam com ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Suzana e muitas outras, as quais lhe prestavam assistência com os seus bens” (Lc.8:1-3).

Paulo e Barnabé também são exemplos disso. Paulo tinha como profissão fazer tendas, mas uma vez chamado e enviado pelo Senhor, deixou seu serviço secular e passou a uma dedicação integral na Obra de Deus, sem nenhuma garantia de salário fixo, vivendo pela fé e na certeza de que Deus o sustentaria através das ofertas voluntárias das igrejas daquele tempo, semelhantemente o mesmo aconteceu com Barnabé (At.13:2).

Elias, no Velho Testamento, é outro exemplo digno de nota, pois ali estava um homem chamado por Deus para o ministério de profeta em meio à corrupção política e religiosa em Israel, em que o governo de Acabe sustentava com o dinheiro do povo a 450 profetas de Baal e mais 400 do poste-ídolo (1Rs.18:19), mas Elias nada recebia de Acabe e vivia na inteira dependência do Senhor.

Sem dúvida, poderíamos enumerar vários outros exemplos, mas creio que estes são suficientes, mas, antes de terminar este tópico, quero salientar mais uma coisa! Todo servo de Deus, genuinamente chamado por Ele, não está vivendo de favores das igrejas nem muito menos de esmolas, pois a estes a quem Deus tem chamado estão respaldados por uma ordem (mandamento) do Senhor, conforme escreveu Paulo: ”Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho” (1Co.9:14).

VIVER SOMENTE PELA FÉ

O que significa alguém viver pela fé? Viver pela fé não é simplesmente alguém depender do Senhor para o suprimento de todas as suas necessidades, mas sim, ter a plena certeza que Deus é fiel e não falhará em suprir a cada necessidade surgida, até mesmo as emergenciais.

Contudo, quando tal servo(a), ao passar, o que é inevitável, por alguma prova e lhe faltar dinheiro, não deverá se lamentar com ninguém acerca da sua necessidade a não ser tão somente ao Senhor, e Ele haverá de Se encarregar de suprir suas necessidades, e após ter provado a boa mão do Senhor estendida a seu favor, e receber o que estava precisando, tal servo(a) terá maior regozijo no Senhor e sua fé ficará mais fortalecida (1Pe.1:6-7).

Isto não é utopia, mas algo tão real como você sabe que está vivo e lendo este artigo, mas somente terá esta experiência aquele que realmente vive pela fé e na total dependência do Senhor para o suprimento de todas as necessidades.

Não adianta alguém, depois de tornar pública as suas necessidades, e vier a receber o que faltava, dizer que isto veio de Deus em atendimento às suas orações, isto é faltar com a verdade, pois recebeu porque tornou conhecida as necessidades e alguém ficou compadecido e ofertou. Nisto vejo que não haverá recompensa no tribunal de Cristo nem para quem recebeu, nem para quem ofertou.

Certa vez numa reunião em Londrina, ouvi o nosso saudoso e estimado irmão Sr. Henrique King contar uma experiência que se passou com ele no tempo da segunda guerra mundial. Ele contou que por motivo da guerra, por algum tempo, não receberam ofertas das igrejas da Escócia, e apesar das constantes orações, as coisas foram ficando cada dia mais difíceis, ao ponto de certo dia não ter nada para dona Lilian pôr na panela e fazer a comida para eles. De repente, bateram na porta e ao atenderem era alguém da igreja trazendo-lhes uma compra que foi suficiente para muitos dias.

QUEM CHAMA, ENVIA E SUSTENTA OS OBREIROS

O Senhor é Quem chama, envia e sustenta Seus servos. O crente que é chamado pelo Senhor para um serviço especial é também por Ele enviado e sustentado, isto não quer dizer que tal servo(a), não passará por momentos de falta de dinheiro, como já temos visto neste artigo, até como provação de sua fé, mas nestas horas, ele tem que ter convicção de que Quem o chamou e o enviou foi Deus e é a Ele que tem de recorrer, fazer somente a Ele conhecido suas necessidades: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças” (Fp.4:6).

Caro irmão(ã), que dá tempo exclusivo na Obra do Senhor, você está certo do seu chamado para esse serviço? O que motivou você a sair, foi o Espírito Santo ou algum apelo humano? Você está certo(a) de que está onde Ele te quer e está fazendo o serviço que Ele te ordenou? Então, não exponha suas necessidades a ninguém a não ser a Ele, e Ele é fiel e nunca falhará. Crês nisto?

ALGO PREOCUPANTE

Tem uma coisa que está sendo preocupante nestes últimos dias! Está havendo uma onda crescente de irmãos “obreiros”, aproveitando dos meios de comunicação entre nós, inclusive o Boletim dos Obreiros, para exporem suas necessidades e lamentarem suas desventuras financeiras e seus “grandes” projetos ficando sem execução por falta de dinheiro. Temos conhecimento que Instituições de apoio missionário têm recebido cartas de irmãos lamentando seus infortúnios financeiros e, até mesmo, abertamente pedindo dinheiro para suprimento de suas necessidades, ou para a conclusão de seus projetos inacabados, mas, não só as Instituições, nós também, temos recebido cartas e e-mails desta natureza.

Muitos estão lamentando que “nossas igrejas” não têm visão missionária, bem pode ser que muitas sejam verdadeiramente míopes nesta área, mas uma boa parte delas não, o problema é que às vezes o “obreiro” está confiando nas igrejas e nos homens para o seu sustento, ao invés de confiar somente no Senhor, e acham que estas têm por obrigação, desde que são “obreiros”, a darem suas ofertas a eles.

Se é o Senhor Quem chama e envia é Ele Quem sustenta e não será preciso a divulgação das necessidades para comover igrejas ou irmãos que não têm nenhuma sensibilidade com a Obra de Deus e com os missionários, ou, caso contrário, não é Deus Quem sustenta.

Não vejo nenhuma vantagem nas mobilizações apelativas que irmãos fazem às igrejas para arrecadarem fundos para um determinado “obreiro” em particular só porque ele direta, ou indiretamente, expôs suas necessidades, enquanto outro que está, talvez, em maior angústia do que aquele, mas como não “chorou”, nada recebeu daquela igreja.

A GRANDE DIFICULDADE

Talvez a maior dificuldade para alguém, chamado por Deus, responder em obediência e sair em tempo integral na Obra é deixar suas garantias financeiras e viver totalmente na dependência de Deus para suprimento de CADA necessidade, mas se o irmão(ã) tiver a certeza deste chamado e a igreja onde você se reúne tiver a mesma convicção, você pode sair com fé e na total dependência do Senhor para o suprimento de TODAS as suas necessidades e da Obra a qual você estará envolvido, pois DEUS É FIEL e jamais te abandonará.

TRÊS EXEMPLOS DEIXADOS POR PAULO, OS QUAIS NOS AJUDARÃO

  1. Ele nunca reclamou dos momentos de escassez financeira – Procurei na Bíblia um só momento em que ele expôs suas necessidades deixando transparecer que Deus falhou, pois quem diz ser chamado por Deus para o serviço de tempo total na Obra, e vive a reclamar e a lamentar, é como se tivesse dizendo entre linhas, que Seu Deus falhou. Minha procura foi em vão, pois nada encontrei, ao contrário, achei o que ele diz em 2 Coríntios 11:7-9 - “Cometi eu, porventura, algum pecado pelo fato de viver humildemente, para que fôsseis vós exaltados, visto que gratuitamente vos anunciei o evangelho de Deus? Despojei outras igrejas, recebendo salário, para vos poder servir, e, estando entre vós, ao passar privações, não me fiz pesado a ninguém; pois os irmãos, quando vieram da Macedônia, supriram o que me faltava; e, em tudo, me guardei e me guardarei de vos ser pesado”. Na carta aos Filipenses 4:10-14 ele diz que estava alegre com a oferta generosa oriunda daquela igreja e declara ter aprendido a viver CONTENTE em toda e qualquer situação fosse ela de fartura ou escassez. Irmãos, precisamos aprender com ele ao passarmos por momentos de falta de dinheiro e não ficarmos contando para os outros, lamentando e reclamando das igrejas, mas que estejamos contentes com o que Deus nos dá a cada dia.
  2. Ele agradecia as ofertas que recebia do povo de Deus – Muitos irmãos, chamados “obreiros”, são péssimos em comunicação, para não dizer ingratos. Pois quantas vezes recebem ofertas e nem se quer se lembram de enviar ao irmão, igreja ou instituição ofertante uma palavra de gratidão, às vezes em desculpas dizem: “não gosto de dar relatórios”, ou, “falta-me tempo”, ou, “sou péssimo para escrever”, etc. Sem dúvida, que estes argumentos não passam de meras desculpas. Tenho para mim que, principalmente, nós que trabalhamos integralmente na Causa do Senhor, faz parte de nosso ministério a comunicação com aqueles que se acham em nossa retaguarda, orando e contribuindo financeiramente conosco, por isso não se justifica alguém dizer que “falta tempo”, ou que “não gosta de dar relatório”. Temos o dever de escrever uma carta aos ofertantes dando uma satisfação sobre a oferta recebida e quando possível algumas notícias do trabalho em que estamos envolvidos.
  3. Em dias de dificuldades financeiras, ele trabalhou com as próprias mãos, para o suprimento dele e dos que estavam com eles – Não vejo haver motivos de censura para alguém que tendo deixado suas atividades seculares para se dedicar em tempo integral na Obra de Deus, por motivo de necessidade voltar a uma atividade secular remunerada para o seu suprimento, mas isso deverá ser somente até que a situação se normalize, porque não é correto que alguém conhecido como quem dedica seu tempo integralmente ao serviço do Senhor continue mantendo seu trabalho secular recebendo normalmente as ofertas do povo de Deus, tirando a oportunidade daqueles que não têm empregos, ou outros meios de renda. Não é feio alguém que esteja trabalhando em tempo exclusivo na Obra de Deus, trabalhar com as mãos para suprimento de alguma necessidade, Deus honra os que trabalham assim, feio é expor as necessidades e falar mal das igrejas locais porque não ofertam para eles o tanto que querem. Louvamos a Deus por tantos obreiros do Senhor que trabalham duro para ganharem seu sustento e esmeram-se no serviço do Senhor não recebendo nenhuma ajuda financeira, até ao contrário, empregando seus recursos na Obra. O Senhor que a tudo vê, haverá de recompensar a cada servo, segundo suas obras, no tribunal de Cristo.

UM ALERTA!

Há um perigo ante nossos olhos de sermos tentados na dificuldade financeira, procurarmos visitar igrejas locais, com pretexto de saudades dos irmãos, ou, senti do Senhor em vir visitá-los, mas que no fundo, está atrás de receber alguma oferta daquela igreja, não pense que isto seja exagero, pois tenho visto essa prática lamentável entre nós que precisa ser corrigida.

PROJETOS MISSIONÁRIOS

É muito importante termos projetos visando o avanço da Obra de Deus, porém, antes de qualquer coisa, devemos perguntar a Deus se tal projeto é da Sua vontade, ou será que achamos que tudo quanto projetamos será bom para a Obra de Deus e que a tudo Ele deve dizer para nós amém! Se nossos projetos estiverem de acordo com a vontade de Deus, Ele será Fiel no suprimento pleno, como no exemplo de George Muller, que transcrevo a seguir:

Em novembro de 1835, Jorge começou a orar em relação à fundação de um orfanato. No dia 5 de dezembro ele escreveu no seu diário: “Esta noite, ao ler as Escrituras, fiquei impressionado com estas palavras: Abre bem a tua boca e ta encherei” (Sl.81:10). Até hoje não tinha orado acerca dos meios e pessoas necessários para o Orfanato. Agora, sendo dirigido a aplicar este texto à obra do Orfanato, me ajoelhei e pedi ao Senhor um prédio, mil libras e pessoas capazes de cuidar das crianças”. Uma reunião pública foi realizada quatro dias depois. Em 11 de abril de 1836 o Orfanato foi aberto numa casa alugada com dinheiro suficiente e com ajudantes a altura.

Foi o início de um enorme empreendimento de fé. Desde o princípio Jorge recusou categoricamente fazer apelos, dependendo unicamente de Deus para o sustento das crianças... Ele nunca fez dívidas e nunca usou finanças já designadas para certas finalidades a fim de cobrir outras necessidades.

O trabalho cresceu e outras casas precisaram ser alugadas. Em 1849 abriu-se a primeira casa própria do Orfanato. Foi dada por Deus com acomodações suficientes para 275 crianças. Logo uma outra casa foi construída, depois uma outra, e até possuírem cinco casas com acomodações para 2.500 crianças desamparadas, além dos ajudantes e empregados necessários.

Até 1898 mais de 10 mil crianças tinham passado pelo Orfanato e mais de um milhão de libras esterlinas foi gasto nas despesas deste trabalho. Além disso, mais de 460.000 libras foram gastas nas atividades da Instituição para o Conhecimento das Escrituras. Todo este dinheiro o Senhor providenciou por meio de ofertas voluntárias (grandes e pequenas) de Seu povo. “Grande é a tua fidelidade” (Lm.3:23).

Para finalizar este artigo, gostaria que as igrejas locais não fossem omissas em relação àqueles a quem o Senhor chamou, enviou e sustenta, pois isso Ele faz através das Suas igrejas. Bem pode ser que algumas igrejas estejam com suas contas bancárias ou poupanças gordas ajudando os banqueiros a ficarem cada dia mais ricos emprestando seu dinheiro a juros exorbitantes ou, bem pode ser que haja aquelas que estão projetando a construção de casas de oração que serão verdadeiros castelos tanto em estrutura como em luxo. Sendo assim, estou convencido de que está faltando a direção do Espírito Santo quanto à distribuição e aplicação das ofertas do povo de Deus e a referida igreja deve urgentemente se colocar de forma humilde na presença do Senhor, e Lhe perguntar: “Senhor que queres que façamos com os fundos financeiros que esta igreja possui?” Espere um pouquinho e Ele dará a resposta, e haverá uma alegria muito maior em ver resultados muito mais excelentes oriundos desta decisão tomada.