Boletim dos Obreiros

Três criaturas malignas

 

 

 

O Dragão

 

“Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e o amarrou por mil anos”

Apocalipse 20:2

 

Este curto versículo toma quatro palavras encontradas na Bíblia e as une para descrever um só ser que um anjo poderosíssimo colocará fora de ação durante o milênio.

É também notável porque, fora a Serpente, um animal conhecido no mundo inteiro, o resto é negado pelo mundo cego incluindo muitos que se dizem cristãos. Dragão... Diabo... Satanás... Mas Deus em Sua santa Palavra confirma a existência destes seres, sendo o Diabo e Satanás um só. 

As primeiras duas palavras (dragão e serpente) se referem a uma espécie de animal, e as duas seguintes a um ser espiritual (Diabo e Satanás). Logo, então, nos perguntamos: de que forma pode esse animal servir para ilustrar um espírito?

Vamos analisar a primeira palavra: “dragão”. Esse bicho realmente existe, ou existiu, ou é apenas lendário ou mitológico?

Inegavelmente as lendas sobre dragões vêm desde a antiguidade e são encontradas ao redor do mundo, desde a Ásia até às Américas, e em toda a terra entre os polos. Representações imaginárias dele aparecem mesmo em algumas bandeiras nacionais. Parece muito improvável que apenas uma figura de linguagem abstrata pudesse ter sido inventada por tantos povos diferentes. Mais importante ainda, é inconcebível que uma figura abstrata resultante da imaginação dos povos viesse a ser usada na Palavra de Deus como se fosse uma realidade física histórica.

No Novo Testamento encontramos a palavra grega drakon, que entrou no idioma português como “dragão”. Só é encontrada no livro do Apocalipse em seus capítulos 12, 13, 16 e 20, onde o nome do animal enigmático representado por essa palavra é aplicado a Satanás.

Mas no original hebraico, do qual temos várias traduções e de onde também procede a versão grega conhecida como Septuaginta, encontramos duas palavras-chaves quase iguais para denominar esse bicho assustador: tan e tanin. Ambas foram traduzidas como drakon no grego e palavras derivadas ou equivalentes em outros idiomas. Mais recentemente, nas traduções para o vernáculo, em certos idiomas essas duas palavras foram substituídas por outras mais específicas, de animais conhecidos que teriam as qualidades cabíveis no texto, segundo o entendimento do tradutor.

Por exemplo, entendeu-se que a palavra que se lê tan (plural tanim) no hebraico podia ser aplicável a certos animais terrestres como:

  • Um animal desconhecido que habitava em lugares desertos (Jó 30:29; Salmo 44:19; Isaías 12:22, 34:13, 43:20; Jeremias 10:22; Miqueias 1:8; Malaquias 1:3). Por ter semelhança com o chacal em suas habitações, os tradutores mais modernos da Bíblia têm escolhido esse animal ao invés de “dragões”.
  • Uma serpente venenosa (Deuteronômio 32:33).
  • Uma serpente do deserto (Salmo 91:13; Isaías 34:13; Jeremias 9:11; 51:37; Malaquias 1:3).

Permanecendo como dragão, foi usada como símbolo de Faraó (Isaías 51:9, Ezequiel 29:3) e Satanás (Apocalipse 20:2).

A palavra hebraica que se lê tanin (plural taninim) tem sido entendida como aplicável a alguns animais aquáticos como:

  • Um grande monstro aquático (Gênesis 1:21, Jeremias 51:34).
  • Um crocodilo (Ezequiel 29:3-4, Isaías 51:9).
  • Uma serpente (Êxodo 7:9, Isaias 27:1).
  • Uma baleia (Jó 7:12, Ezequiel 32:2).

É usada simbolicamente no Salmo 74:13 e Ezequiel 29:3.

Considerando todas essas comparações, chegamos a uma descrição bastante compreensível do animal que a Bíblia chama de “dragão”: Enorme como uma baleia, o dragão era um monstro marinho que vivia na água e também na terra como um crocodilo; era encontrado em lugares desertos como o chacal, e era venenoso como uma serpente.

Existe atualmente um animal denominado dragão-de-komodo, ou crocodilo-da-terra (Varanus komodoensis), habitante das ilhas de Komodo, Rinca, Gili Motang e Flores, na Indonésia, e só foram descobertos por cientistas em 1910. Devido à sua forma e escamas foi classificado como pertencente à família de lagartos-monitores Varanidae. É a maior espécie de lagarto conhecida atualmente, robusto e com aparência de dinossauro, pode medir até 3 m de comprimento e pesar até 100 kg. Sua dieta se baseia em porcos selvagens (javalis), cabras, veados, búfalos, cavalos, macacos, dragões-de-komodo menores, insetos, e até seres humanos. É venenoso e tem a língua bifurcada como a serpente, come carniça como o urubu e pode viver até os cinquenta anos.

Não tem as proporções enormes do dragão da Bíblia, nem vive na água, mas em lamaçais. No entanto torna viável a sugestão que o monstro bíblico realmente existiu e era conhecido na antiguidade, ficando não só no relato bíblico, mas também na memória das várias populações na forma de lendas. O dragão-de-komodo parece ser o remanescente enfraquecido dele.

Além disso, os cientistas estão atualmente aprendendo cada vez mais com a descoberta de fósseis por todo o mundo. Esses fósseis foram denominados “dinossauros” em 1841, um neologismo do cientista britânico Sir Richard Owen, mas, antes disso, essas grandes criaturas reptilianas eram chamadas de “dragões”.  Entre eles se encontram o plesiosauro (réptil gigante marinho) e o pteranodon (réptil voador – veja Isaías 10:29, 30:6) etc., que preenchem boa parte da descrição do dragão bíblico, mais do que o dragão-de-komodo.

Estes animais foram, em sua grande maioria, destruídos por ocasião do dilúvio nos tempos de Noé (2.348 a.C.) mas um casal de cada espécie foi salvo na arca, de quem descendem os répteis e lagartos existentes hoje. Também os animais marinhos teriam sobrevivido, dos quais a baleia é um exemplo.

A Bíblia descreve algumas criaturas fascinantes que já têm sido classificados como dragões, por exemplo:

  • O leviatã, "o poderoso", a criatura do mar impenetravelmente escamada que respirava fogo (Jó 41).O leviatã foi mencionado por Davi no Salmo 104:26, dizendo que fora formado para folgar no mar e vivia em seus dias. Não era uma baleia, tendo outras características como membros, pescoço e escamas. Já Isaías 27:1 o descreve como uma serpente fugitiva e tortuosa.
  • O beemote, descrito como um vegetariano que movia a sua cauda como o cedro e cujos ossos eram como feixes de bronze (Jó 40:15-24). As características do beemote, juntamente com outras características nesta passagem, nos lembram dos poderosos dinossauros saurópodes, como o braquiossauro. Não era um hipopótamo, como traduz uma das recentes versões de Almeida (só a cauda insignificante do hipopótamo já desmente essa tradução, que a NVI não comete o erro de copiar).

Enfim, sem nos aprofundar mais nas línguas originais, concluímos que os dragões da Bíblia são um grupo de criaturas semelhantes a serpentes em muita coisa, algumas vivendo na terra e outras na água, tanto doce como salgada. São frequentemente chamadas de dragões, serpentes, monstros e mesmo leviatã pelos tradutores! Vale considerar a inclusão do que agora chamamos dinossauros, embora seus sistemas de classificação não sejam perfeitos. As características dos dragões que encontramos na Bíblia parecem caber muito bem em alguns tipos de dinossauros, haja vista as do beemote.

Não é, portanto, a concepção de um animal inexistente e apenas mitológico. É alarmante o desaparecimento rápido de qualquer menção a dragões em traduções que surgiram após as disseminações de ideias evolucionistas. É uma boa lição para evitarmos aceitar traduções em que as ideias humanistas se sobrepõem à transcrição literal da Bíblia, especialmente as teorias sobre evolução.

A Bíblia deve ser usada para explicar nosso mundo em seus próprios termos, pois foi inspirada por Quem foi seu Criador, e portanto a conhece em seus mínimos detalhes, o que é imensamente mais do que o conhecimento humano, que muda ao verificar os fatos reais que vai descobrindo.