Boletim dos Obreiros

Vivendo pela fé

“Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará; todavia, o meu justo viverá pela fé; e se retroceder, nele não se compraz a minha alma”

(Hebreus 10:37-38)

 

Essa é sem dúvida a vontade de Deus: Nossa vida espiritual começou pela fé no Senhor Jesus Cristo como nosso único e todo suficiente Salvador.  A salvação se alcança mediante a fé, observemos o que a Palavra do Senhor nos diz: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Efésios 2:8). Não há como sermos salvos por outra maneira, temos que crer somente no Senhor Jesus Cristo, mas se não O vemos como vamos crer em alguém que não vemos?  Aí entra a fé, Pedro disse: “A quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória” (1 Pedro 1:8).  Começamos pela fé e devemos continuar essa vida espiritual vivendo pela fé, com uma confiança inabalável naquele que nos salvou, e vive para interceder por cada um de nós. 

Se retroceder é deixar de confiar no Senhor para confiar em nós mesmos, ou mesmo em alguém, ou numa igreja local.  Há muitos anos os religiosos deixaram de confiar no Senhor para viver pelas emoções, se uma reunião não é movimentada, feita com emoções carnais, eles não se interessam por ela, não vivem pela fé, vivem pelas emoções, tiram as emoções e acabou o ânimo espiritual deles.  As religiões mais recentes levam as pessoas a confiarem em objetos tais como água do Rio Jordão, óleo de Jerusalém etc. Isso é retroceder do caminho da fé.  Não devemos esquecer que o Senhor não tem prazer no cristão que deixa de confiar n’Ele. Outros querem trabalhar na obra de Deus, mas querem garantias, como salário fixo, salário família, décimo terceiro, férias etc.

Vamos observar agora algumas pessoas que Deus separou para se dedicarem exclusivamente a Sua obra neste mundo:

1 – O Senhor Jesus Cristo

Nasceu em Belém de Judá (Mateus 2:1), foi criado em Nazaré, uma cidade da Galileia (Mateus 2: 23), viveu uma vida normal como qualquer homem nesta terra, até aos trinta anos trabalhou como carpinteiro (Marcos 6:3). Aos trinta anos foi batizado por João Batista no Rio Jordão (Marcos 1:9), iniciando o Seu ministério público em tempo integral na obra de Deus.

Agora chegamos ao ponto importante para nós, sem dúvida Ele deixou o serviço de carpinteiro para dedicar-Se totalmente ao ministério. E como Ele viveu daí por diante? Ele é o modelo por excelência para aqueles que hoje querem dedicar suas vidas ao trabalho do Senhor.  Quando analisamos a Sua vida, descobrimos que a partir de então, Ele confiou inteiramente no Pai para o Seu sustento aqui na terra. Nunca voltou ao serviço secular, o Pai O sustentou através dos irmãos, as pessoas salvas por Ele. Veja João 13:29... “Pois, como Judas era quem trazia a bolsa, pensaram alguns que Jesus lhe dissera: Compra o que precisamos para a festa ou lhe ordenara que desse alguma coisa aos pobres”. O Senhor tinha uma bolsa onde as pessoas lançavam suas ofertas para sustento d’Ele e dos Seus apóstolos.

Note mais ainda: “Aconteceu, depois disto, que andava Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus, e os doze iam com ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Suzana e muitas outras, as quais lhe prestavam assistência com os seus bens” (Lucas 8:1-3). Nunca lemos que o Senhor Jesus Cristo fizesse qualquer apelo aos homens para receber o sustento, Ele sempre confiou no Pai.

2 – Pedro

Sabemos que Pedro era um pescador profissional juntamente com Zebedeu, Tiago e João que eram seus sócios (Lucas 5:10).  Foi chamado pelo Senhor para ser um pescador de almas. Veja: “Disse Jesus a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens”. Pedro deixou o seu serviço secular e durante o ministério do Senhor ele O acompanhou em todos os momentos vivendo pela fé, isto é, na dependência do Senhor para o seu sustento.

Nos dias imediatos à morte de Cristo, esse servo estava fraco na fé: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortaleça os teus irmãos” (Lucas 22:31-32). Logo após a ressurreição do Senhor Jesus Cristo, Pedro falhou novamente, e desta vez na sua dependência do Senhor para o seu sustento material.  Vamos dar uma olhadinha no Evangelho de João 21:2-5... “Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e mais dois dos seus discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Disseram-lhe os outros: Também nós vamos contigo. Saíram, e entraram no barco, e, naquela noite, nada apanharam. Mas, ao clarear da madrugada, estava Jesus na praia; todavia, os discípulos não reconheceram que era ele. Perguntou-lhes Jesus: Filhos, tendes aí alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não. Pedro fora chamado para ser um pescador de homens, já tinha vivido alguns anos pela fé, dependendo somente do Senhor para o seu sustento, agora chega o momento de viver e fazer a obra sem a presença visível do Senhor Jesus Cristo, e houve sem dúvida uma grande falha na fé, vamos observar isto de perto, pode ajudar àqueles que foram verdadeiramente chamados a viver pela fé, e dar o seu tempo exclusivamente para a obra do Senhor.

“Filhos, tendes aí alguma coisa de comer?”. Quando o Senhor faz essa pergunta, Ele não a faz sem motivo, e isto está escrito para o nosso ensino. Sabemos que a resposta de Pedro foi que eles não tinham nada para comer. O que o servo de Deus faz numa hora de dificuldade? Na grande maioria os obreiros fazem o que Pedro fez, ele não foi pescar apenas para descansar um pouco e alcançar novas forças para prosseguir no trabalho do Senhor, Ele confiou na sua habilidade profissional de pescador e disse que não tem problema eu posso resolver essa situação, eu sei pescar muito bem! E lá foi Pedro confiando em si mesmo para o seu sustento. 

Pode ser que você não seja um pescador, mas um professor, ou um pedreiro, vendedor etc. Com certeza essa decisão de Pedro desonrou o nome do Senhor e foi por isso que o Senhor atuou imediatamente para corrigir esse erro.  Em primeiro lugar, Ele fez Pedro ver que confiar na sua profissão não era o caminho certo (pescaram a noite toda e nada apanharam). Em segundo lugar, Ele mostrou a eles e a nós a sua capacidade de sustentar os Seus servos e a obra que lhes confiou: “Veio Jesus, tomou o pão, e lhes deu, e, de igual modo o peixe” (João 21:13).  Eu creio que Pedro e os outros que seguiram com ele nunca mais esqueceram aquela manhã.  Quando saíram para pescar já estavam com fome, imagine você depois de pescar a noite toda e nada apanhar, a fome por certo aumentou muito e estavam bem fracos, como nós dizemos: estavam mortos de fome!  Aquele pão e aquele peixe foram tão saborosos que eles jamais esqueceriam aquela manhã, mas valeu à pena, pois eles aprenderam a confiar no Senhor.

3 – Paulo

Esse servo de Deus foi sem dúvida um exemplo para nós.  Antes de se converter teve o privilégio de estudar nas escolas do seu tempo, conhecia e falava várias línguas, religiosamente teve a sua formação aos pés de um renomado professor chamado Gamaliel, um homem preparado para uma vida secular de destaque na sociedade. Depois de convertido a Cristo foi separado por Deus para o ministério. Paulo viveu pela fé, foi sustentado por Deus, veja: “E sabeis também vós, ó filipenses, que, no início do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja se associou comigo no tocante a dar e receber, senão unicamente vós outros; porque até para Tessalônica mandastes não somente uma vez, mas duas, o bastante para as minhas necessidades” (Filipenses 4:15-16).

Durante alguns meses em Corinto, Paulo trabalhou fazendo tendas, isso, em especial, para fortalecer os laços entre ele e o casal Áquila e Priscila que trabalhavam com isto, não creio que estava confiando em sua profissão para o seu sustento. Quando Silas e Timóteo desceram a Macedônia, Paulo se entregou totalmente à Palavra (Atos 19:5). Não podemos usar esse tempo da vida de Paulo como uma desculpa para nos entregarmos ao serviço secular, abandonando dessa forma a senda da fé no Senhor. Paulo não quis receber ofertas dos irmãos de Corinto, mas depois pede perdão a eles pelo seu erro. “Porque, em que tendes vós sido inferiores às demais igrejas, senão neste fato de não vos ter sido pesado? Perdoai-me esta injustiça” (2 Coríntios 12:13). Paulo afirma neste texto que a igreja em Corinto foi inferior às outras, porque não contribuiu para a obra missionária. Em nenhum momento lemos que estes irmãos que gastaram suas vidas no serviço de Deus, fizessem um apelo para os irmãos mandarem dinheiro para eles, eles viveram pela fé n’Aquele que tudo pode.

Esses três exemplos são suficientes para entendermos o plano de Deus, eles não tinham um salário, nem qualquer garantia de sustento material, viveram pela fé, crendo que Deus ia sustentá-los, e isso Deus fez. Assim é o plano de Deus, que o Seu povo viva pela fé. “Todavia, o meu justo viverá pela fé; e se retroceder, nele não se compraz a minha alma” (Hebreus 10:38).           

No dia que a igreja em São Joaquim fez a reunião de despedida para nós, pois atendendo ao chamado de Deus sairíamos para começar a obra em Londrina e região, um irmão fez a seguinte declaração: “Tem que ser pela fé para que seja seguro”.