Boletim dos Obreiros

As ofertas do povo de Deus e o sustento dos que se dedicam em tempo integral na obra do Senhor (2)

Leitura: 2 Coríntios 8:2-3

Deixando os exemplos dos sacerdotes e levitas, vamos agora nos ocupar com alguns assuntos pertinentes à Igreja sobre o tema proposto.

Princípio bíblico de como ofertar na dispensação da graça:

Nesta dispensação em que o povo de Israel se encontra estacionado até ao arrebatamento, Deus trabalha com e através da Igreja, sendo que esta é ensinada a contribuir, não segundo a legalidade da lei, mas da espontaneidade dos crentes, ficando isto muito claro no Novo Testamento, em especial nos ensinos dados às igrejas no assunto referente à coleta das igrejas para o suprimento dos crentes pobres da Judeia, como segue:

Em 2 Coríntios 8:1-5 encontramos alguns exemplos das igrejas da Macedônia (Filipos, Tessalônica e Bereia) que foram estabelecidas e instruídas por Paulo na maneira de ofertar que, juntamente com outros, temos o princípio doutrinário da contribuição para a Igreja:

1 – “... porque, no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade” (v. 2). Neste versículo vemos que as provas, tribulações e mesmo uma profunda pobreza, não são motivos para os crentes não ofertar, a menos que tais não tenham rendimento algum, o que acho quase impossível haver. Ofertar para a obra de Deus independe do tamanho do salário ou posses do crente, é um privilégio de todos os salvos, sejam ricos ou pobres, e isto vem muito antes que um dever – é um privilégio. Nisto temos o exemplo das igrejas da Macedônia, cujos crentes, estavam passando por muita prova de tribulação e eram extremamente pobres, que Paulo fazendo referência sobre eles à igreja em Corinto, fala da “profunda pobreza deles”, mas mesmo assim, o desejo deles em ofertar era tão grande, que o apóstolo afirma no v. 4 que eles não somente pediram para participar desta contribuição, mas rogaram muito, conforme ele escreveu: “pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos”.

Irmãos, que tenhamos a mesma disposição e sentimento dos crentes da Macedônia em ofertar para a obra de Deus mesmo nas tribulações e extrema pobreza, e que os presbíteros e ensinadores nas igrejas locais venham a ensinar os membros sobre a necessidade de todos contribuírem, conforme segue:

2 – “Porque eles (os crentes da Macedônia), testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos” (vs. 3 e 4). Gostaria de nestes versículos estar estudando dois princípios de contribuição para a igreja:

  • Na medida das posses (leiam também: Atos 11:29; 1 Coríntios 16:2; 2 Coríntios 8:11) – Traduzindo-se isso para hoje, significa que cada crente deve ofertar conforme o que ganha, Deus não exige mais do que isso, conforme 2 Coríntios 8:12... “Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem”. Mas, no caso dos crentes das igrejas da Macedônia, o desejo e a alegria em ofertar era tão grande que, mesmo na extrema pobreza contribuíram além das suas posses; foi mesmo um real sacrifício, do qual, estou certo de que Deus Se agradou. Contudo, o segredo dessa atitude deles, foi que antes de pedir com muitos rogos para participarem da assistência aos santos, eles “deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor...” (v. 5), exemplo este, que deveria ser normal entre os crentes deste século.

Um detalhe importante, é que a exemplo dos irmãos macedônios, às vezes, por alguma razão especial, (exemplos: construção ou reforma do local de reunião, compra de terreno ou veículo para a igreja etc.), se faz necessário por parte de cada irmão ou irmã, um esforço maior, ou seja, uma enfiada mais funda de mão no bolso, bolsa ou carteira e ofertar um pouco mais do que estamos acostumados, contudo, não como uma obrigação, mas com alegria. Os irmãos agindo assim, com certeza ninguém ficará sobrecarregado e o que precisa realmente ser feito será feito e não será preciso infligir a doutrina bíblica com a exposição de necessidades pessoais ou do trabalho e nem, à semelhança das religiões católica, espírita ou evangélica, promover eventos como almoço, jantar ou bazares beneficentes para arrecadação de fundos para determinado fim.

  • Mostraram-se voluntários, isto é ofertar segundo o proposto no coração não com tristeza ou por mera obrigação, mas de forma voluntária. Dentro desse mesmo contexto do assunto das ofertas para os crentes necessitados da Judeia, Paulo instrui os crentes de Corinto a ofertarem “segundo o proposto no coração, não com tristeza ou necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria” (2 Coríntios 9:7). Este ensino de Paulo para a igreja em Corinto casa certinho com o exemplo das igrejas da Macedônia que ao ofertarem, os crentes “manifestaram abundância de alegria”. Neste assunto, me chama a atenção quando Paulo reproduz em Atos 20:35 o que foi dito pelo Senhor Jesus “... Mais bem-aventurado é dar que receber”. Entre outros significados da palavra, “bem-aventurado” é feliz ou alegre. Neste caso, quem dá, ou seja, oferta para a obra de Deus, mesmo que a exemplo dos irmãos da Macedônia que viviam na profunda pobreza, deve se sentir feliz e alegre por ter esse tamanho privilégio em ofertar.

Ainda dentro do assunto de 2 Coríntios 8:1-5, mais duas coisas precisam ser enfatizadas:

  1. Nenhum dos crentes deve ficar sem ofertar (leiam: Atos 11:29; 1 Coríntios 16:2; 2 Coríntios 9:7) – Em todos estes textos, encontramos a expressão “cada um”, ficando claro que todos os crentes em comunhão que recebem qualquer valor, seja uma irmã trabalhadora do lar que recebe para si algum valor, mesmo que esporádico, do marido ou dos filhos, ou uma diarista, ou estudante que recebe mesada ou o rico etc., todos têm sobre seu rendimento diário, quinzenal ou mensal a responsabilidade de separar uma parte para ofertar ao Senhor.
  1. Segundo a posse, significa que cada irmão ou irmã vão aumentar ou diminuir o valor de suas ofertas conforme seu rendimento, além do exemplificado no parágrafo anterior, também nos ensina que os irmãos e irmãs que trabalham de empregados e têm uma renda fixa mensal, baseado na qual vão contribuir segundo proposto no coração, mas se fizerem horas extras ou recebem o décimo terceiro salário, ou o rico e o da classe média que em seus negócios tiveram renda maior, sendo fiéis, irão contribuir proporcional ao recebido, isto é, a mais do que o normal, isso vale também para os aposentados, pensionistas e para aqueles que trabalham como autônomos bem como para os obreiros que dão tempo integral. Todos, ou seja, cada um igualmente deve ofertar proporcionalmente ao seu ganho.

Ofertar com compromisso, estabelecendo uma porcentagem sobre a renda:

A esta altura de nosso estudo, a grande e importante pergunta seria: Com quanto devo contribuir sobre meu rendimento?

Quando eu nasci de novo havia um irmão que nos tornamos bons amigos. Como novo convertido, sem ninguém me ter ainda falado nada, sentia grande desejo e necessidade de ofertar; foi aí que perguntei para ele como funcionava isso e com quanto a gente devia contribuir. Ele me explicou quando e como ofertar, quanto à quantia, me disse: “você oferta o quanto quiser”. Confesso que sua resposta não me satisfez plenamente, mas, felizmente, mais tarde vim aprender sobre este assunto.


Como o assunto bíblico de ofertar para o Senhor é coisa muito importante e séria, não menos importante do que qualquer outra doutrina, caso alguém hoje me fizesse a mesma pergunta que fiz àquele irmão, eu responderia que a quantidade a ser ofertada deve ser estabelecida mediante um percentual de toda sua renda, assumindo assim, em oração, um compromisso pessoal com Deus – não barganha –, sendo que esse percentual a ser proposto, deve estar acima dos 10%, que era o mínimo exigido na lei para os israelitas, devendo fazer isto sem alardear. Porque, caso o ofertar não seja algo assumido, compromissado e sério entre o crente e Deus, a meu ver, fica uma coisa muito vaga, e bem semelhante a “ofertar o que quiser”, como me orientou o já referido irmão.

Aí está minha sugestão para os leitores deste artigo a que se estabeleça, sem nenhuma propaganda, uma porcentagem acima dos 10% sobre toda a sua renda e, estou inteiramente certo de que está em pleno acordo com 2 Coríntios 9:7... “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria”.

Meu sincero desejo e oração é para que este artigo seja de bênçãos a todos os leitores.