Boletim dos Obreiros

As ofertas do povo de Deus (4) e o sustento dos que se dedicam em regime de tempo integral na obra do Senhor

Leitura: Filipenses 4:15-19; Gálatas 6:9-10

A ADMINISTRAÇÃO DAS OFERTAS QUE ENTRAM NO FUNDO GERAL DA IGREJA

Acredito ser normal que cada igreja tenha uma conta bancária onde depositam semanalmente as ofertas dos irmãos, sendo esta, administrada por dois ou mais irmãos, para que não fique sob a responsabilidade de apenas um. Por outra razão também vejo que há esta necessidade para que as ofertas não fiquem guardadas em casa de algum irmão, isto mais tarde poderá dar problema como já vi acontecer em alguns lugares.

1. Quem deve administrar as finanças da igreja – As ofertas em caixa devem ser administradas por um ou mais presbíteros e diáconos, as quais, serão por eles distribuídas sob oração e orientação de Deus, pois estas não devem ficar paradas na conta bancária, a menos que se tenha algum justo projeto para o futuro.

2. Os responsáveis devem ter discernimento na distribuição das ofertas – O dinheiro que é ofertado pela igreja em cada primeiro dia da semana a meu ver é sagrado, pelo fato de que cada irmão e irmã fazem suas ofertas para o Senhor, portanto não pertence a nenhum irmão e muito menos à igreja, pois a parte que ofertamos é para Deus que o fazemos, por isso pertence a Ele.

Sabedores de que as ofertas não devem ficar paradas na conta bancária, os administradores precisam do temor e direção do Senhor na sua aplicação, pois as mesmas não poderão ser ofertadas a torto e a direito e nem gastá-las em coisas supérfluas que a igreja não tenha real necessidade, mas somente naquilo que seja útil e necessário, como alguns exemplos a seguir:

  • Aplicar na obra de Deus as ofertas, sabendo que todo trabalho local tem diversas despesas, por exemplo: Mensalmente precisa-se pagar água, luz, materiais para higiene e limpeza, sendo que em algumas igrejas incluem também despesas com zeladores ou diaristas para os devidos cuidados do salão; às vezes há gastos com telefone, atendimento social aos crentes ou descrentes, despesas com veículos etc. Também há compromissos mensais que precisam ser pagos como a compra de terrenos, construções e reformas de templos etc.
  • É preciso que se mantenha um fundo em caixa para atender as necessidades mensais, ou algum possível imprevisto, para que não seja preciso fazer ofertas emergenciais. Quando, porém, se cogita por necessidade, a reforma do local de reunião, ou compra de terreno ou nova construção em outro bairro para expansão do evangelho etc., aí será necessário que se vá depositando, gastando somente o que for estritamente necessário, para que, no momento certo, façam uso do que foi economizado.
  • Os administradores do fundo financeiro da igreja precisam enxergar, também, a obra de Deus além das necessidades locais tendo visão missionária. Além dos gastos mensais ou eventuais como já visto, os administradores do fundo geral da igreja, necessitam ter visão missionária, ofertando para creches, abrigos para idosos, literaturas que entre nós circulam gratuitamente, aquisição e distribuição de folhetos e Bíblias, manutenção de programas de rádio, bem como ofertar aos obreiros de tempo integral que não trabalham em serviço secular, porque quem tem responsabilidade de sustentar a obra de Deus e os trabalhadores na Seara em tempo exclusivo é o povo de Deus, como registrado na terceira carta de João versículos 6 a 8... “Bem farás encaminhando-os em sua jornada por modo digno de Deus; pois por causa do Nome foi que saíram, nada recebendo dos gentios. Portanto, devemos acolher esses irmãos, para nos tornarmos cooperadores da verdade”.

Como inicialmente escrevi que os administradores não poderão distribuir as ofertas a torto e a direito, seguem alguns exemplos para que tomem cuidado de não usarem indevidamente o dinheiro das ofertas:

  • Tenham cuidado com os apelos sobre necessidades, pois estes podem causar comoção nos administradores das ofertas. Este é um ponto que venho escrevendo nesta série de artigos que estão sendo publicados no Boletim dos Obreiros. Não são poucas às vezes em que os apelos feitos por lideranças ou obreiros que são de fato comoventes, como por exemplo: viagem missionária, conserto ou compra de veículo para obreiros, término, reforma ou construção etc., que facilmente fazem com que os responsáveis pelas finanças da igreja sejam comovidos e, sem a devida direção do Senhor, acabam lançando mão do dinheiro em caixa ofertando para aquela causa ou obreiro. Irmãos, apelos e solicitações comoventes de ajuda são o que não faltam! Permitam-me citar outra vez parte do comunicado do irmão Dr. Jayro, no Boletim dos Obreiros do dia 03/02/2019: “Temos recebido nos últimos meses vários pedidos de ajuda, porém não estamos podendo atender, pois se faz necessário rever os recursos disponíveis da igreja para que não tenhamos surpresas no futuro”. Que bom seria se os responsáveis pelas finanças das igrejas agissem pensando, não só no presente, e não ofertassem só pelo fato de que alguém fez um pedido direto ou por insinuação para si ou para a obra, pois a tendência no momento é, como diz o ditado: “quem não chora não mama”, cujo significado fornecido pelo dicionário é: “Se você não pedir, ninguém vai te dar”. É chorando que se mama!
  • Outra forma que comove os corações dos responsáveis pelo fundo geral da igreja para ofertar, são os obreiros que vão de igreja em igreja (como o beija-flor vai de flor em flor em busca do néctar), sem serem convidados. No passado, estes eram chamados de “cata-níqueis”. Por vezes estes ficam numa igreja por um ou dois dias, indo depois para outra e outra sem um real compromisso. Aí os irmãos ficam constrangidos em despedi-los de mãos vazias, logo fazem uma oferta do dinheiro do caixa para eles dizendo: “coitados, eles precisam!” Depois de estarem longe da família e da igreja local por um bom tempo, retornam ficando na localidade por uns dias, escrevem seus relatórios de visitas para oito ou mais igrejas, e já ficam planejando nova viagem para “cooperarem” com outras igrejas.

Resumidamente quero abordar a questão: 

Por que existem obreiros que não param em suas localidades e vivem de igreja em igreja?

Talvez a resposta mais clara e direta fosse: porque recebem ofertas. Certa vez um filho de um obreiro me escreveu dizendo: “você sabe que os obreiros brasileiros precisam viajar para receberem ofertas, pois se ficarem apenas nas suas localidades vão morrer de fome”. Neste mesmo sentido, ouvi uma conversa entre dois obreiros. 

Quando alguém se sente chamado pelo Senhor para dedicar-se integralmente à Sua obra, está ciente, ou pelo menos deveria estar, de que continuará tendo as mesmas, ou até mais, despesas quanto tinha antes. A diferença que precisa ser considerada é que quando estava em seu trabalho secular, seja como empregado ou autônomo, gozava, ele e sua família, da garantia e até regalias que seu ganho lhes proporcionava e que uma vez se dedicando exclusivamente no serviço do Senhor, com rara exceção, não tem garantia de ganho fixo e nem regalias.

Contudo, a princípio atende a esse chamado unicamente no Senhor para suprimento de todas as necessidades pessoais e da obra, na certeza de que Deus jamais o abandonará, e, nessa confiança, saem para atender ao chamado de Deus. Mas, às vezes, as coisas no aspecto financeiro vão apertando de tal forma que o obreiro se vê em apuros e, ao invés de confiar, orar um pouco mais e esperar tão somente no Senhor para a solução, apela desesperadamente para suas próprias habilidades e sabedoria humana, decidindo por: visitar as igrejas sem ser convidado e receber ofertas, ou voltar definitivamente ao serviço secular para ganhar o sustento, deixando de confiar unicamente no Senhor para o suprimento das necessidades como foi no início.

Sugiro a cada companheiro na obra de Deus de tempo exclusivo:

O que devemos fazer quando surgem as necessidades?

Quando isto ocorrer, por algum motivo pessoal ou da obra, confiemos no Senhor que nos chamou, pois Ele é Fiel. Se estivermos confiados n’Ele, não será preciso o uso de mecanismo algum, nem de viajar visitando igrejas para receber ofertas, e muito menos voltar definitivamente ao serviço secular para se obter sustento, basta somente orar a Deus sobre o assunto e aguardar por Sua resposta, isto será o suficiente (Filipenses 4:6).

A recompensa dessa decisão 

Quando chegam os recursos, seremos supridos; toda honra e glória vão unicamente a Deus que nos socorreu e, com certeza, aqueles a quem Ele usou para isso, receberão o devido galardão e, ainda, a nossa fé estará mais fortalecida. Quando, porém, nos desviamos dessa conduta e cogitamos viagens pensando em receber ofertas ou expondo as necessidades pessoais ou da obra, e alguém tomando conhecimento disso, sente-se comovido e com muita pena da nossa situação fazem ofertas ou até uma campanha de arrecadação entre as igrejas e as nossas necessidades são supridas. Nisto Deus não será glorificado, nem galardoado os esforços dos irmãos que ofertaram, nem trará benefício algum para nossa fé. Por quê? Porque aquele socorro, na verdade chegou, mas não veio de Deus e sim porque simplesmente passamos por aquela igreja e recebemos ofertas, ou alguém que se sentindo comovido com nosso pedido, teve pena de nossa situação, e por causa disso foi que ofertou.

Uma atitude que nos serve de exemplo 

Há pouco tempo conversando com um experiente obreiro sobre o assunto da exposição de necessidades, ele me contou que sentia que precisava ter um notebook que muito o ajudaria no seu trabalho, mas sua condição financeira não dava. Ele me contou que passou a orar por isso diariamente. Certo dia um irmão de outro Estado telefonou para ele e disse que sentia o desejo de lhe fazer uma oferta, não em dinheiro, mas num bem que pudesse ser útil para ele na obra. Ele poderia de imediato expor o que estava precisando, concluindo que tinha sido a resposta de Deus as suas orações, mas não o fez e disse para aquele irmão que Deus sabia do que ele precisava e sobre tal orava. Desta forma a conversa foi encerrada. A conclusão foi que dentro de menos de um mês após a conversa, chegou para ele o notebook da parte daquele irmão.

Irmãos obreiros, será que cremos que fazer conhecida somente a Deus as nossas necessidades é o suficiente, ou achamos que para Deus fazer Sua obra hoje e suprir-nos, é preciso reclamarmos e expormos nossas necessidades, ou visitarmos igrejas para recebermos ofertas? Está me parecendo que esta geração de obreiros e de crentes nesta era digital, é uma geração que não conhece o que Deus é capaz de fazer, quando tão somente nos colocamos perante Ele com sinceridade, fé e completa dependência.

Finalmente: Podem irmãos e irmãs ofertarem para algum obreiro ou outro fim específico fora da igreja em que se reúnem?

Até agora vimos sobre a administração das ofertas que entram no fundo geral da igreja, mas os crentes podem sim, sendo guiados por Deus, ofertar para algum obreiro ou outro fim específico, contudo, devo ressaltar que a responsabilidade de ofertar, em primeiro lugar, é para o fundo geral da igreja onde o crente é membro, caso contrário, se todos os irmãos vão contribuir com o total de suas ofertas para outros fins, a igreja local ficará sem fundos, e não poderá saldar seus compromissos e nem mesmo contribuir com missões. 

Em resumo, cada crente deve ser fiel em ofertar de conformidade com a sua renda; os administradores financeiros de cada igreja devem buscar a direção de Deus na aplicação das ofertas; e cada igreja precisa manter em caixa uma quantia para suas despesas mensais ou emergenciais, mas não é justo ter, sem um projeto futuro, uma conta bancária que aumenta a cada semana com as ofertas enquanto há muitas necessidades na obra de Deus que poderiam ser supridas, se os responsáveis pelo financeiro e a igreja local tivessem visão missionária.

Meu sincero desejo e oração é para que este artigo seja de despertamento e bênçãos a todos os leitores.