Boletim dos Obreiros

A caminho do Apocalipse

Capítulo 11

Neste capítulo continuaremos a examinar o segundo grande parêntese existente no Apocalipse, aberto no capítulo 10:1 e encerrado no versículo 13 deste capítulo 11. Em seguida veremos João declarando, no versículo 14, que é passado o segundo “ai” e sem demora virá o terceiro cujas terríveis consequências estão reveladas no capítulo 16. A última trombeta soará.

Nos versículos 1 e 2 João recebe ordens, por certo do anjo forte que vimos no capítulo anterior (10:1), para que medisse o santuário e os que nele adoram, sendo instruído para que não mensurasse o “átrio exterior” porque ele será dado por “quarenta e dois meses” aos gentios que subjugarão a cidade santa. Esse tempo é equivalente a “três anos e meio” de 360 dias no calendário judaico, que representa a metade do período da grande tribulação.

De imediato nos vem a pergunta: Que santuário é esse? Alguns afirmam que seria o templo construído por Herodes em Jerusalém, todavia na época em que João estava escrevendo essas revelações esse santuário já não mais existia, fora destruído pelo império romano que lá deixou somente um resto do muro que o cercava e é conhecido em nossos dias como o “muro das lamentações”.

Inobstante a isso, naquele santuário havia três átrios: o dos sacerdotes, o das mulheres e o dos incrédulos, e nesta visão de João o templo contém um único átrio, a exemplo daquele que foi construído por Salomão. Conclui-se, portanto, que este será um novo templo a ser erguido por ocasião da “aliança” que o “príncipe” que haverá de vir fará com Israel, tudo de conformidade com a profecia de Daniel: “Ele fará firme aliança com muitos por uma semana (os sete anos da grande tribulação); na metade da semana (três anos e meio)fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares...” (Daniel 9:27).

Por definição, se haverá sacrifícios e ofertas de manjares terá que existir um novo templo que será permitido aos judeus construí-lo mediante essa “firme aliança”. Sabemos que em nossos dias isso é impossível de acontecer tendo em vista que no local original do templo está erguida a mesquita de Omar que é imexível por ser um local sagrado para os muçulmanos. Israel não se atreveria a derribá-la a não ser que houvesse condições para isso, mediante a intervenção de um grande poder político, no caso o do “príncipe” profetizado por Daniel que vem a ser uma das “bestas” que veremos no capítulo 13. Nunca é demais lembrar que a formalização dessa “firme aliança” com Israel iniciará a contagem da setuagésima semana de Daniel.

Diz R. David Jones a respeito desse novo templo: “O templo de Herodes existente ao tempo do ministério do Senhor Jesus sobre a terra foi destruído pelos romanos antes do livro do Apocalipse ser escrito. O santuário mencionado aqui é, portanto, um edifício novo construído antes da tribulação ou no seu início. O ato de medi-lo, incluindo o altar e os que nele adoram, é o anúncio de um julgamento iminente: Jerusalém vai ser ocupada pelos gentios (as nações) durante os últimos três anos e meio, período também chamado o da abominação desoladora (Daniel 9:27; 12:11; Mateus 24:15; 2 Tessalonicenses 2:3-4)”. Portanto, quaisquer outras afirmações a respeito desse santuário, e o motivo da sua medição, são meras especulações.

Nos versículos seguintes – 3 a 13 – João relata acerca do surgimento de“duas testemunhas” que terão significativa atuação por três anos e meio no período da grande tribulação. Muitas têm sido as teorias acerca de ambas. A mais extravagante é que elas representam a Igreja que será arrebatada em meio à grande tribulação e, como respaldo para essa interpretação, usa-se a expressão “subi para aqui” contida no versículo 12 e o toar da sétima trombeta no versículo 15, tendo em vista que Paulo deixou revelado que o arrebatamento da Igreja se dará ao som de uma trombeta (1 Tessalonicenses 4:16-17). Se ao menos continuassem a leitura dessa epístola, veriam Paulo afirmando que Deus não destinou a Igreja para o dia ira, mas para alcançar a salvação mediante o Senhor Jesus Cristo (1 Tessalonicenses 5:9).

Essa afirmação é dar muitas asas à imaginação, pois como tenho asseverado insistentemente ao longo desta série, que aqueles que pertencem a Deus nesta atual era – a da Igreja – não estão destinados para passarem pela ira de Deus (João 3:36; Romanos 5:9; 1 Tessalonicenses 1:10 e 5:9). Sobremodo incompreensível o esforço que fazem para colocar a Igreja nesse angustiante período, contrariando com isso o contexto sacro. A diferença entre as dispensações é claríssima, enquanto a Igreja aqui está a pregar a graça de Deus essas duas testemunhas virão para anunciar o juízo de Deus e a vinda de Jesus Cristo como o Messias que irá restaurar todas as coisas. O realce não estará na graça, mas no governo de Deus.

Outro grande esforço é para identificar quem seriam essas duas testemunhas. Uma das opções lançadas é que elas seriam dois anjos poderosos aparelhados por Deus para uma missão específica, ou então que seriam a reencarnação de Moisés e o reenvio de Elias que não passou pela morte, ou até mesmo Enoque, que a exemplo de Elias também foi arrebatado vivo. Tudo tremendamente especulativo, devemos tão somente nos ater ao texto sagrado. Essas duas testemunhas são duas pessoas físicas naturais com uma missão extraordinária em tempos tão difíceis. O texto é claro: “minhasduas testemunhas para que profetizem por três anos e meio” (v. 3).

Portanto, essas duas testemunhas são Dele, escolhidas por Ele e dotadas por Ele com imenso poder para um importante ministério. A sugestão que elas fariam parte do grupo dos 144 mil de Israel selados por Deus (Apocalipse 7:4-8) é completamente insustentável, pois essas duas testemunhas serão mortas (v. 7), ressuscitadas por Deus (v. 11) e arrebatadas ao céu (v. 12), ao passo que os 144 mil aqui permanecerão intocáveis por toda grande tribulação. Diz-nos William MacDonald em seu comentário sobre Apocalipse 14:1-5: “O Cordeiro é visto em pé sobre o monte Sião com os Seus 144 mil seguidores... Essa cena antevê o momento em que o Senhor Jesus voltará à terra e aparecerá em Jerusalém com esse grupo de cristãos... Os 144 mil são as mesmas pessoas mencionadas no capítulo 7. Agora, estão prestes a entrar no reino de Cristo”. Como vemos, o texto não diz 143.998.

Ao descrevê-las em sua visão, João revela o caráter de seus testemunhos. Suas vestimentas tipificam a natureza sombria das suas mensagens acerca do pesado juízo que recairá sobre os homens rebeldes a Deus (v. 3). Os símbolos – oliveiras e candeeiros – nos remetem à quinta visão do antigo profeta – Zacarias 4:3, 11 e 14. Portanto, essas duas testemunhas são dois judeus ungidos que reconhecerão o Senhor Jesus como o Messias prometido a Israel (v. 4). Elas terão poder sobre a vida e a morte, e autoridade para alterarem os elementos da natureza quantas vezes desejarem enquanto aqui estiveram profetizando (vs. 5-6).

Ao se completar o tempo estabelecido por Deus para a sua missão – três anos e meio – o “príncipe” visto por Daniel, que é uma das “bestas” descritas por João no capítulo 13, será permitido matá-las (v. 7). Seus corpos ficarão expostos na cidade que tipifica a idolatria do Egito (identificação espiritual) e a imoralidade de Sodoma (identificação moral), que de fato serão as características que haverá em Jerusalém, a cidade “onde o Senhor foi crucificado” (v. 8). A morte das duas testemunhas será motivo de alegria extremada para muitos (vs. 9-10), mas após três dias e meio elas serão ressuscitadas e arrebatadas ao céu e com grande medo os seus inimigos as contemplarão (vs. 11-12).

Após o arrebatamento dessas duas testemunhas a Terra voltará a tremer fortemente! A décima parte de Jerusalém será destruída e sete mil vidas serão ceifadas pela morte, por certo de seguidores da “besta”. As demais pessoas que lá estiverem ficarão atônitas e darão glória a Deus, não necessariamente em autêntica adoração ou conversão, mas porque serão levadas, à vista do que viram, a entender que aquilo é a confirmação do que ouviram ao longo daqueles três anos e meio de testemunho (v. 13). Encerra-se aqui o segundo grande parêntese contido em Apocalipse.

João volta às trombetas. Antes deste parêntese ele havia descrito os terríveis acontecimentos que advirão sobre a humanidade com o soar das seis trombetas anteriores a esta: “Passou o segundo ai. Eis que sem demora, vem o terceiro ai” (v. 14) com o soar da sétima trombeta cujas peripécias estão descritas no capítulo 16.

Antes, porém, João narra a visão do grande alarido no céu por ocasião do toque desta sétima trombeta. É chegado o grande momento que o Senhor Jesus virá para derrotar Satanás e estabelecer o Seu reino milenar (v. 15). A Igreja que fora arrebatada antes da tribulação e aqui representada pelos vinte e quatro anciãos, conforme comentado no capítulo 4, prostrar-se-á perante Deus e O adorará (vs. 16-18). Magnífico momento será esse! Será o dia da antecipação do júbilo pela vitória absoluta do bem sobre o mal. Os que destroem a terra serão completamente derrotados através desta batalha final.

Abre-se o santuário de Deus que se acha no céu. A visão de João é estupenda, ele vê a arca da aliança. A antiga era um símbolo transitório da nova, que é superior e eterna, da qual Jesus Cristo é o mediador (Hebreus 8). O santuário e a arca que aqui estavam eram apenas símbolos, ou sombras, destes que João está contemplando. Diante da majestosa presença do Deus Todo-Poderoso sobrevêm grandes sinais: relâmpagos, vozes, trovões terremotos e grande saraivada (v. 19).

Portanto, resta saber, meu caro leitor, onde você e os seus próximos estarão? Entre aqueles que estarão adorando a Deus nessa oportunidade ou entre os que sofrerão as terríveis consequências da rebeldia para com Deus. Reflita sobre isso e tenha certeza de que a sua escolha seja a acertada. Permita Deus que assim seja!