Boletim dos Obreiros

A caminho do Apocalipse

Capítulo 7

No sétimo capítulo contemplamos o primeiro dos quatro grandes “parênteses” existentes neste Livro. Este primeiro, inserido entre o sexto e o sétimo selo, não segue a ordem cronológica dos acontecimentos descritos nos sete selos, mas nos traz o entendimento indispensável para a compreensão das condições na Terra durante o período da grande tribulação. Seria como uma pausa para resposta à indagação contida ao final do capítulo anterior: “quem poderá subsistir?” (6:17).

Há os que não aceitam a existência desses “parênteses” no Apocalipse e com isso acabam complicando sobremodo a interpretação correta do texto sagrado. Assim como o fazem com os “intervalos proféticos”, apesar de eles estarem claramente evidenciados no Antigo Testamento.

Somente para exemplificar esses “intervalos”, quando Isaías anunciou o advento do Messias que viria para Israel, que sabemos que é o Senhor Jesus, ele profetizou o nascimento de um menino, cujo governo de paz não haveria fim, todavia há um “intervalo profético” entre o Seu nascimento e o estabelecimento do Seu reino, que é exatamente o período em que vivemos:"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu... (intervalo profético)...e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Do aumento do seu governo e da paz não haverá fim...” (Isaías 9:6-7).

Entre o primeiro advento do Senhor Jesus até o Seu retorno para estabelecer o Seu reino milenar já se passaram mais de dois mil anos, portanto estamos no “intervalo” dessa profecia. É evidente que até hoje os judeus aguardam o nascimento do Messias que virá restaurar todas as coisas para Israel e sob nenhuma hipótese aceitam esse “intervalo”. Por isso rejeitaram o Messias sofredor, o Senhor Jesus, e deixaram de considerar que isto também tinha sido profetizado pelo mesmo profeta (Isaías 53:1-12). Podemos observar outros “intervalos proféticos” nas Sagradas Escrituras, tais como Joel 2:28-32 e Daniel 9:20-27.

Neste primeiro “parêntese” em Apocalipse, as revelações nos conduzem para o período após o arrebatamento da igreja e o início da grande tribulação que ocorrerá sobre toda a Terra, quando 144 mil judeus serão selados para passarem ilesos por ela (vs. 1 a 8), e para o final desse período com a descrição de uma incontável multidão de pessoas de todas as nações que serão salvas durante os tenebrosos acontecimentos da grande tribulação (vs.9 a 17).

Por certo, esses judeus assinalados serão aqueles que, fortemente impactados pelo desaparecimento súbito dos verdadeiros cristãos, concluirão que se trata do Arrebatamento da Igreja prometido pelo Senhor Jesus (João 14:2-3) e predito pelo apóstolo Paulo (1 Tessalonicenses 4:17). Em virtude desse notável acontecimento esses judeus mudarão a sua equivocada atitude e passarão a crer que o Senhor Jesus é o Messias prometido para Israel.

Portanto, essa visão de João é claramente retrospectiva, ou seja, antecede à abertura dos selos que até aqui ele vinha narrando, e isso é claramente observado nos versículos 1 a 3 pela revelação da presença dos anjos predeterminados a participarem do grande juízo de Deus sobre a Terra. A ordem é claríssima, nenhum dano será causado à Terra até que esses servos de Deus, somente judeus, tiverem suas frontes assinaladas (vs. 4 a 8).

A esta altura você poderá questionar: “Pera lá! Quer dizer então que na próxima dispensação os anjos é que levarão os incrédulos à conversão para salvação”? Não é isso que o texto diz. Os anjos efetuarão uma tarefa – a marcação do sinal sobre as frontes – mas antes esses judeus se converterão por um ato divino, através do Espírito Santo, que é Deus.

O Espírito Santo que fora retirado por ocasião do Arrebatamento da Igreja retornará aos procedimentos que fazia antes da Sua morada nos “nascidos de novo” que atualmente constituem a Igreja (João 3:5-7), pois nenhuma alma foi salva no passado – antes da Igreja –, assim como no futuro – depois da Igreja –, sem a Sua intermediação, pois é o Espírito da Verdade que convence os incrédulos do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8).

Diz James Allen: “Estes santos não serão marcados para morrer, mas para viver”. Ao final do período da grande tribulação veremos essas mesmas 144.000 testemunhas incólumes na companhia do Senhor, como as primícias daqueles que entrarão no reino milenar do Senhor Jesus (Apocalipse 14:1-5). Ao passo que, aqueles que receberão o outro sinal – o da besta –, estarão marcados para a morte, não para vida (Apocalipse 19:20-21).

“Depois destas coisas” (v. 9), a visão de João é levada para o final da Tribulação. Em vez do grupo dos 144.000 judeus ele agora está a contemplar um segundo grupo de pessoas, uma imensa multidão “que ninguém podia contar” que são os salvos de todas as raças e nações saindo da Tribulação com seus corpos físicos, certamente frutos da grande pregação do primeiro grupo. Estes são os mencionados pelo Senhor Jesus: “aquele que preservar até o fim será salvo” (Mateus 24:13). Essa multidão que alcançou a Salvação (v. 10) não pode ser confundida com Israel e muito menos com a Igreja; essas pessoas passaram pelos horrores da grande tribulação (v. 14), a Igreja não estará aqui por ocasião desses acontecimentos.

Tendo em vista que essa inumerável multidão estará diante do Trono de Deus, com os anjos ao redor, os anciões que simbolizam a Igreja arrebatada, e os quatro seres viventes que caracterizam a morada divina (v. 11), em um momento de indescritível adoração a Deus (v. 12), não são poucas as divergências existentes entre os comentaristas bíblicos se os salvos aqui mencionados estarão presentes em alma e espírito no Céu, ou com os seus corpos naturais no reino milenar do Senhor Jesus?

As dúvidas deixarão de existir na medida em que tenhamos uma melhor compreensão das revelações no Antigo Testamento acerca desse acontecimento. Daniel revela que o “príncipe que virá” fará uma firme aliança com Israel aos inícios da primeira metade da grande tribulação, na metade seguinte fará cessar “os sacrifícios e as ofertas” (Daniel 9:27). Para que haja esse ritualismo é necessário que exista um templo em Jerusalém, e certamente isso fará parte do “firme pacto que ele [o anticristo] fará com muitos”, incluindo nestes “muitos” o mundo arábico, pois para essa construção será indispensável que seja demolida, sem conflito, a grande mesquita que se encontra no local do antigo templo em Jerusalém. Semdúvida será uma irresistível artimanha que a “besta” lançará para conquistar a submissão de Israel, pois com isso estará acenando que seria o Messias prometido.

Esses conflitos de interpretação são esclarecidos, como convém, quando se atenta para as revelações dos antigos profetas. Diz Jeremias 3:17... “Naquele tempo chamarão a Jerusalém o trono do Senhor; e todas as nações se ajuntarão a ela, em nome do Senhor, a Jerusalém”. Por sua vez, descreve Zacarias 6:12-13... “Eis aqui o homem cujo nome é Renovo; ele brotará do seu lugar, e edificará o templo do Senhor. Ele mesmo edificará o templo do Senhor; receberá a honra real, assentar-se-á no seu trono, e dominará”. Não deixe de ler o que diz Isaías 2:1-5 sobre os acontecimentos dos últimos dias. Face à perspectiva esplendorosa do Reino Milenar do Senhor Jesus o consagrado profeta roga ao povo de Judá que se arrependa de imediato.

Mais recentemente, R. David Jones esclarece: “O Senhor está tratando com o povo de Israel desde os tempos de Daniel (interrompidos durante o atual período da Igreja), e ao seu fim Ele atingirá os seguintes objetivos... ungirá o Santo dos Santos, quando Cristo se assentará sobre o trono no novo templo do milênio em Jerusalém”. Portanto, não pode existir nenhuma dúvida de que haverá um templo e um trono no Reino Milenar do Senhor Jesus e daí todos os acontecimentos descritos nos versículos 15 a 17.

Perante essas coisas que vimos, outros questionamentos poderão estar em ebulição na sua mente, prezado leitor. Dentre elas: “Quer dizer então que após o Arrebatamento da Igreja os incrédulos ainda terão chance de serem salvos”? “Caramba, pode ser que as pessoas que me são queridas, não salvas, estejam entre as que se converterão durante a Grande Tribulação”?

Esta forma de pensar não é apropriada, pois esses entes queridos poderão partir desta vida antes do retorno do Senhor Jesus e por serem inconfessos não terão ido para o regaço do Senhor. Se está difícil uma conversão na presente época – a da Graça – imagine então a dificuldade que será na próxima dispensação. Esteja certo: a Salvação é agora! Estas crônicas têm esse escopo, o de conscientizar as pessoas da realidade dos acontecimentos por vir e previstos neste notável Livro, para que você e os seus não sejam colhidos de surpresa. Permita Deus que assim seja!