Boletim dos Obreiros

A Ceia do Senhor

Não podemos tratar o assunto da Ceia do Senhor sem voltarmos a nossa atenção para a celebração da última Páscoa por Ele celebrada com os Seus discípulos: “Chegou o dia dos pães asmos, em que importava comemorar a páscoa. Jesus, pois, enviou Pedro e João, dizendo: Ide preparar-nos a páscoa para que a comamos. Eles lhe perguntaram: Onde queres que a preparemos? Então, lhes explicou Jesus: Ao entrardes na cidade, encontrareis um homem com um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar e dizei ao dono da casa: O Mestre manda perguntar-te: Onde é o aposento no qual hei de comer a páscoa com os meus discípulos? Ele vos mostrará um espaçoso cenáculo mobilado; ali fazei os preparativos. E, indo, tudo encontraram como Jesus lhes dissera e prepararam a páscoa. Chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa, e com ele os apóstolos. E disse-lhes: Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta páscoa, antes do meu sofrimento. Pois vos digo que nunca mais a comerei, até que ela se cumpra no reino de Deus. E, tomando um cálice, havendo dado graças, disse: Recebei e reparti entre vós; pois vos digo que, de agora em diante, não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus” (Lucas 22:7-18).

Às vezes nos perguntamos: Por que o Senhor não contou aos discípulos onde era o lugar da celebração da Páscoa? Notem que Ele lhes ordenou para seguir um homem com um cântaro de água, e onde ele entrasse, ali seria o local da celebração da Páscoa (uma mulher levar um cântaro de água seria normal, mas um homem com um cântaro na cabeça não era coisa comum naqueles dias). Talvez o Senhor não quisesse ser incomodado, pois sempre havia muitas pessoas seguindo-O, ou por causa das autoridades judaicas que O perseguiam Ele manteve o endereço de forma secreta.

Como servos de Deus devemos notar a pontualidade do Senhor Jesus Cristo. “Chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa”. Esse mau costume que, por vezes, temos de chegar atrasados às reuniões, e quem chegou no horário marcado tem que ficar esperando a chegada dos retardatários. As reuniões devem começar no horário determinado, e muito mais ainda quando nos reunimos para a celebração da Ceia do Senhor.

É de se notar nesta ocasião o desejo que estava no coração do nosso amado Senhor Jesus Cristo: “Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta páscoa”. Esse ardente desejo pela celebração da Páscoa, certamente tem muito a ver com a instituição da Ceia do Senhor. Estava chegando a hora da Sua morte na cruz do calvário, o desejo do Senhor era deixar um memorial para os que nEle criam, e os que posteriormente viriam a crer, assim como a Páscoa que era para os judeus e lhes trazia à lembrança a libertação da escravidão egípcia (Êxodo 12).

Não devemos nos esquecer que a Páscoa é um memorial para a nação de Israel, e que há diferenças entre a celebração da Páscoa e a Ceia do Senhor. A Ceia do Senhor não é para a nação judaica, mas para um povo tirado de todas as nações, para ser de Jesus Cristo, um povo especial, zeloso de boas obras, um povo exclusivamente Seu (Tito 2:14). Um povo de Sua exclusiva propriedade (1Pedro 2:9).

Fazei Isto Em Memória De Mim

E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim (Lucas 22:19) ... porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (1Coríntios 11:24-25).

Memorial significa: “que faz lembrar”. Um memorial é criado para fazer o povo lembrar do acontecido, ou como no caso da Ceia do Senhor, fazer o povo lembrar da pessoa do Senhor Jesus Cristo. Antes de comentarmos mais sobre a Ceia, vamos dar uma olhada em alguns memoriais na história do povo de Israel e com certeza vamos aprender coisas importantíssimas.

  • LÂMINAS PARA COBERTURA DO ALTAR - O altar foi coberto com lâminas feitas dos incensários que os rebeldes Coré, Datã e Abirão usaram para acender o incenso perante o Senhor. Embora eles fossem levitas, não tinham esse direito, pois esse serviço pertencia a Arão e sua descendência. Esses homens tinham inveja de Moisés e Arão e por isso preparam uma rebelião, além de suas famílias conseguiram mais 250 homens, isso mostra que eles tinham influência sobre muitas pessoas. Notem: “se ajuntaram contra Moisés e contra Arão e lhes disseram: Basta! Pois que toda a congregação é santa, cada um deles é santo, e o Senhor está no meio deles; por que, pois, vos exaltais sobre a congregação do Senhor?” (Números 16:3). Todo esse povo pagou com a vida por essa desobediência a Deus: “E aconteceu que, acabando ele de falar todas estas palavras, a terra debaixo deles se fendeu, abriu a sua boca e os tragou com as suas casas, como também todos os homens que pertenciam a Coré e todos os seus bens. Eles e todos os que lhes pertenciam desceram vivos ao abismo; a terra os cobriu, e pereceram do meio da congregação. Todo o Israel que estava ao redor deles fugiu do seu grito, porque diziam: Não suceda que a terra nos trague a nós também. Procedente do Senhor saiu fogo e consumiu os duzentos e cinqüenta homens que ofereciam o incenso” (Números 16:31-35). Toda vez que os israelitas olhassem para o altar coberto com as lâminas, haveriam de lembrar a divisão que Coré, Datã e Abirão quiseram promover entre o povo do Senhor. Os irmãos que dividem o trabalho de Deus, hoje, também não ficarão impunes.
  • PÁSCOA - “Desta maneira o comereis: lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão; comê-lo-eis à pressa; é a Páscoa do Senhor. Este dia vos será por memorial, e o celebrareis como solenidade ao Senhor; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo” (Êxodo 12:11-14). A Páscoa é um memorial que lembra a saída dos israelitas do Egito, cada vez que eles celebravam a Páscoa estariam comemorando o dia em que com mão forte e poderosa o Senhor os tirou da escravidão egípcia. Ao comemorar a Páscoa eles teriam a oportunidade de explicar aos filhos o que o Senhor fez por eles, e levar os filhos a confiarem no Senhor.
  • CEIA DO SENHOR - “Fazei isto em memória de mim” (Lucas 22:19). Nós louvamos ao Senhor Jesus Cristo por criar para nós - a Igreja - esse lindo memorial, uma reunião que nos faz lembrar dEle, da obra que Ele fez no calvário para a nossa salvação. Cada servo de Deus deve obedecer esta ordem: “Fazei isto em memória de mim”. Quando um irmão fica em casa, ou se ocupa com coisas de menos importância na hora em que a igreja local está celebrando a Ceia, está desobedecendo ao Senhor Jesus Cristo. É uma pena que muitos de nós não temos tido consciência desta verdade, e faltamos sem motivo justificável à “Ceia do Senhor”.

Nomes Bíblicos Para Esta Reunião

  • CEIA DO SENHOR - “Quando, pois, vos reunis no mesmo lugar, não é a ceia do Senhor que comeis” (1Co.11:20). Nesta ocasião Paulo estava censurando os irmãos em Corinto, pois o que eles estavam fazendo era um tipo de festa onde as pessoas comiam e bebiam, por isso ele disse que aquilo não era a Ceia do Senhor que eles estavam comendo. A Ceia é uma reunião simples, onde a ênfase não está no comer e beber, mas sim na lembrança do Senhor e de Sua Obra no calvário. O nome Ceia do Senhor usado por Paulo é muito sugestivo. Nós sempre devemos lembrar que a Ceia não é nossa. Embora alguns irmãos pensem que a Ceia é deles, a Bíblia não nos ensina assim. Devemos sempre seguir o ensino do Senhor, e não o ensino dos homens, por mais sinceros que eles pareçam ser, pois mesmo que sejam conhecidos como grandes ensinadores, podem errar. O homem é sempre falho.
  • PARTIR DO PÃO - “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (Atos 2:42). “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até à meia-noite” (Atos 20:7). É bem provável que a reunião da Ceia tomou esse nome devido ao que o Senhor Jesus fez no dia da sua instituição. Observem: “E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim”. Eles estavam celebrando a Páscoa, por certo havia mais pães ali, mas o Senhor Jesus ao instituir a Ceia tomou um pão e o partiu e lhes deu, dizendo “isto é o meu corpo oferecido por vós”. O pão representa o Seu corpo, o pão ao ser partido representa o Seu corpo ferido por causa dos nossos pecados, é o memorial que Ele nos deixou, não devemos mudar isso.

A Ceia do Senhor é uma reunião de Comunhão

 “Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão” (1Coríntios 10:16-17).

 Ao celebrarmos a Ceia do Senhor estamos revelando a comunhão que temos com o Seu sangue, no qual fomos lavados dos nossos pecados, e ao participar do pão estamos mostrando a comunhão com o Seu corpo, corpo que suportou as maiores dores por nossa causa. Em outras palavras, na Ceia do Senhor revelamos de maneira prática a nossa comunhão com o nosso amado Salvador, mas não é somente isso, manifestamos também a nossa comunhão com os nossos irmãos em Cristo. Notem: “Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo”. Paulo explica que somos um corpo, porque participamos do único pão. Fica evidente que temos comunhão uns com os outros em Cristo Jesus. Isso nos leva a entender que a comunhão entre irmãos não se baseia na doutrina que se segue, nos pensamentos que temos, ou na forma de vida que levamos, mas no fato de todos nós termos a fé num único Salvador “porque todos participamos do único pão”. 

A Ceia do Senhor é uma proclamação da sua morte no Calvário.

 “Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (1Coríntios 11:26). 

Nós podemos anunciar a morte de Cristo usando nosso falar, falando dEle aos nossos amigos do dia-a-dia, pode ser no trabalho, na escola, nos passeios etc. Podemos sair nas horas de folga e visitar conhecidos  em seus lares, levando-lhes o conhecimento de Cristo. Podemos também anunciar a Sua morte através de uma vida santa, mostrando por nossas obras que pertencemos a Deus. Como igreja, quando nos reunimos para celebrar a Ceia, estaremos então anunciando a morte do Senhor até que Ele venha. Portanto, irmãos, é um lindo privilégio participar da Ceia do Senhor. 

Qual deve ser a nossa ocupação na Ceia do Senhor? 

Como é uma reunião em memória dEle, nós devemos estar ocupando todo o nosso tempo com a Sua pessoa, louvando-O: “E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras” (Mateus 26:30). 

Eu creio que nós devemos entender o que é louvor, e procurar colocar em prática o verdadeiro louvor. O louvor ocupa-se com as obras realizadas pelo Senhor. Engrandece ao Senhor por aquilo que Ele fez. O salmista nos dá um exemplo disto: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Salmo 19:1). Quando na Ceia vamos escolher hinos, se queremos louvar ao Senhor temos que escolher as palavras certas. Em nosso hinário temos hinos: 

  • ·De evangelização - Esses hinos são dirigidos aos pecadores, pessoas que ainda não se converteram a Cristo, o objetivo ao cantarmos esses hinos é levar o pecador a pensar no seu pecado, e sentir o desejo de crer no Salvador. As palavras do hino vão mostrar isso ao pecador, pois são direcionadas a ele. 
  • ·De edificação - Ao cantarmos hinos de edificação, estamos visando os próprios cristãos. Então, vamos escolher hinos que falam ao coração dos salvos, animando-os na fé, encorajando-os a servir melhor ao Senhor. O hino de edificação é uma mensagem ao coração do povo de Deus. 
  • De louvor - O hino de louvor leva-nos a engrandecer o Senhor pelas obras realizadas por Ele. Então ao escolher um hino de louvor vamos escolher aqueles que engrandecem ao Senhor por Suas obras, não podemos esquecer que o louvor é dirigido ao Senhor Jesus Cristo, enaltecendo-O por aquilo que Ele tem feito. Exemplo: “Pois me alegraste Senhor com os teu feitos; exultarei nas obras das tuas mãos. Quão grande Senhor são as tuas obras! (Salmo 92:4-5). 
  • De adoração - A adoração ocupa-se com a pessoa do Senhor. Vejam bem, se o louvor nos leva a pensar nas obras que o Senhor faz, e O engrandecemos por isto, a adoração nos leva a pensar no Senhor mesmo, na Sua magnitude, grandeza, glória etc. Disse o salmista: “A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo” (Salmo 84:2). “Uma cousa peço ao Senhor e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo” (Salmo 27:4). “Como suspira a corça pelas águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Salmo 42:1-2). Observe como nestes versos o salmista se ocupa com a pessoa de Deus, “ele está adorando”. 

Temos que ter isto em mente quando queremos louvar ou adorar ao Senhor. Ocorre às vezes, que mesmo na Ceia do Senhor, um irmão escolhe um hino de evangelização, ou de edificação, e diz: “vamos louvar ao Senhor com o hino tal”. A intenção do irmão é louvar, mas se o hino não expressa louvor, o nosso louvor está prejudicado. Pode ser que o irmão diga: “vamos adorar a Deus com o hino tal”, mas escolhe um hino de edificação dos crentes, a adoração não foi realizada. Temos que ter cautela na escolha dos hinos, não devemos escolher hinos só porque gostamos deles, mas devemos pensar nas palavras que queremos expressar diante do nosso amado Senhor. 

O nosso hinário já tem uma seção específica de hinos de adoração, isso para ajudar os irmãos com menos conhecimento no assunto, a fim de que usem os hinos certos para aquele tão importante momento de adoração. Na oração também é preciso sermos cautelosos, se vamos para a Ceia do Senhor para louvar e adorar, não devemos fazer petições, não é um momento para súplicas, mas um tempo quando devemos derramar nossos corações em apreciação, louvor, e adoração do Senhor Jesus Cristo.  Se estudarmos o livro dos Salmos nós vamos aprender muito sobre o louvor e a adoração. 

Qual deve ser o dia da celebração da Ceia?

 Alguns religiosos mal entendendo do assunto, confundem a Ceia do Senhor com a Páscoa, e desta forma dizem que a Ceia deve ser celebrada uma vez por ano. A Páscoa, sim, deve ser celebrada uma vez por ano, mas a Páscoa não pertence à Igreja, ela está ligada ao povo de Israel. Outros religiosos até entendem quando a Ceia deve ser realizada, mas como pertencem a organizações humanas, eles têm que seguir as regras daquela organização, então eles celebram o que chamam de Ceia do Senhor a cada trinta dias, essa prática na verdade não tem fundamento bíblico. 

Vamos agora observar qual foi a prática dos apóstolos em relação ao Partir do Pão: Todo estudioso da Bíblia vai notar que houve uma mudança na prática de se reunir após a ressurreição do Senhor Jesus Cristo. No mesmo dia da Sua ressurreição os discípulos já se reuniram no cenáculo, ainda que com as portas trancadas devido ao medo que tinham dos judeus: “Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana, trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio, e disse-lhes: paz seja convosco!” (João 20:19).  “Passados oito dias (primeiro dia da semana), estavam outra vez ali reunidos os seus discípulos, e Tomé, com eles. Estando as portas trancadas, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco” (João 20:26). Antes da ressurreição sempre estavam no templo ou nas sinagogas no sábado, mas agora passaram a se reunir no primeiro dia da semana. O primeiro dia da semana, não somente é dia da ressurreição do Senhor Jesus Cristo, como também é o dia ligado à Igreja de Deus. A própria Igreja de Deus surgiu no primeiro dia da semana. Vamos provar isso: “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar” (Atos 2:1). A igreja nasceu nesse dia, o dia da festa de Pentecostes. 

A festa de Pentecostes era realizada cinqüenta dias depois da festa das Primícias, a própria palavra pentecostes significa 50 dias após. A festa da Páscoa apontava para a morte do Senhor Jesus Cristo na cruz do calvário, a das Primícias falava da Sua ressurreição, e a de Pentecostes apontava para o nascer da Igreja de Deus. Vemos, portanto, a importância do primeiro dia da semana para os salvos que pertencem a Igreja de Deus. 

Agora vamos a uma evidência mais clara de que a Ceia do Senhor deve ser celebrada no primeiro dia da semana: “Depois dos dias dos pães asmos, navegamos de Filipos e, em cinco dias, fomos ter com eles naquele porto, onde passamos uma semana. No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até à meia-noite”  (Atos 20:6-7). Devemos notar que o apóstolo Paulo e seus irmãos em Cristo esperaram por uma semana para celebrarem a Ceia do Senhor em Trôade, “no primeiro dia da semana”. Eles poderiam tê-la celebrado nos dias da semana, mas não o fizeram, isso indica de maneira forte que o dia para a celebração da Ceia do Senhor é sem dúvida o primeiro dia da semana (o nosso domingo).

Agora vamos estudar um pouco mais do assunto, olhando para o exemplo deixado pela igreja em Corinto, e considerar a censura apostólica e os ensinos que Paulo nos dá: “Nisto, porém, que vos prescrevo, não vos louvo” (1Coríntios 11:17). O servo de Deus censura os irmãos em Corinto pelo descuido no realizar a Ceia do Senhor. Muitos erros havia na igreja em Corinto, entre eles destaca-se o erro quanto a celebração da Ceia. É muito triste sermos censurados no tocante a nossa vida com Deus, e especialmente nesta tão importante reunião. “Porquanto vos ajuntais, não para melhor; e sim para pior” (1 Coríntios 11:17).

 

Todo ajuntamento do povo de Deus visa um fim proveitoso, mas os irmãos em Corinto, embora pensando ser assim, se ajuntavam para pior. Que coisa triste! Será que o mesmo não acontece hoje em dia? Tomemos cuidado! Antes de entrarmos em mais detalhes da Ceia do Senhor, consideremos alguns aspectos que são os motivos dos problemas em Corinto. Nesse exame convém que perguntemos a nós mesmos: Porventura não ocorre o mesmo conosco? 

  1. Motivação – “Não tendes porventura casas onde comer e beber?” (1 Coríntios 11:22). Nessa expressão apostólica, percebemos que os coríntios estavam impulsionados pelo sentimento festivo mundano. A atração para eles era o comer e beber. Saiam de seus lares pensando na festa. Erraram o alvo, que é a apreciação e adoração do Senhor Jesus Cristo. Qual tem sido a nossa motivação? Quando vamos para a Ceia o que é que nos atrai? Será que não vamos à Ceia apenas por um mero costume? Ou, quem sabe, porque se não formos os outros irmãos vão reparar? Irmãos, sejamos sinceros, vamos a esta reunião tão importante somente com o desejo de adorar Aquele que deu Sua vida por nós na cruz do calvário? O Senhor Jesus Cristo! 
  1. Divisões - “Estou informado haver divisões entre vós quando vos reunis na igreja” (1 Coríntios 11:18). Que coisa triste! Assentados juntos, mas com o coração separado do seu irmão, é um sério problema. Paulo fala-lhes fortemente, pois não pode ser assim, um ajuntamento desta maneira resultará em juízo, daí vem a expressão, “ajuntar-se para pior”. Consideremos Hebreus 12:15 ... “Atentando diligentemente para que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que brotando vos perturbe e, por meio dela sejam contaminados”. Notem a palavra “brotando”, é no momento que essa raiz de amargura começa a aparecer que providências devem ser tomadas, não deixem o broto crescer, joguem fora do coração essa amargura. Amem o seu irmão ainda mesmo que ele não lhe ame (1 João 4:20). 
  1. Partidos - “Porque até mesmo importa que haja partidos entre vós” (1 Coríntios 11:19). O grande servo de Deus nos informa, por esta carta, a formação de partidos dentro da igreja em Corinto, podemos ver o princípio satânico em vários irmãos. Vejam no versículo 12: (1) O grupo que diz ser de Apolo; (2) O grupo que diz ser de Paulo; (3) O grupo que diz ser de Pedro; (4) E o grupo que diz ser de Cristo. Por esse motivo o apóstolo Paulo exorta ironicamente: “Acaso está Cristo dividido?”. Como podiam eles tomarem a Ceia para melhor? Que assunto solene! Satanás sabe que se ele dividir o povo de Deus, o testemunho cristão cai por terra e outros não se converterão. Vale aqui lembrar as palavras do nosso Senhor Jesus Cristo em João 17:20-23 ... “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um, e como és tu, ó Pai em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia, que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade para que o mundo conheça que tu me enviaste, e os amaste como também amaste a mim”. Observe as palavras grifadas, veja a vontade do nosso Pai, que sublimidade! Quem dera o povo de Deus atendesse a este apelo da Palavra de Deus.

 

Examine-se, pois, o homem a si mesmo 

O modo imperativo indica que é algo que deve ser feito por nós, uma ordem a cumprir. Quando esquecemos de examinar a nós mesmos, estamos em desobediência ao Senhor. Considerando essa ordem, sentimos saltar em nossa mente duas perguntas de suma importância: (1) Por que examinar-se a si mesmo? (2) Quando deve ser feito esse exame? 

Para responder a primeira pergunta temos que olhar para 1 Coríntios 11:27 ... “Aquele que comer do pão e beber do cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor”. Notem que não havendo esse exame em nossa vida, pode dar-se o fato de uma participação indigna, que traria sobre nossas vidas conseqüências trágicas.  Devemos lembrar que não existe em nós dignidade para tão elevado e maravilhoso culto, mas a nossa participação deve ser de acordo com a vontade de Deus, “de modo digno”. 

Para respondermos a segunda pergunta, devemos olhar para 1 João 1:7-9 ... “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”. “Andar na luz” implica em continuidade, significa que diariamente estamos bem com o nosso Deus e Pai. Como pode ser isso se somos pecadores? O sangue de Jesus faz a purificação! Nós louvamos ao Senhor por tão elevada misericórdia. O que precisamos fazer é confessar os nossos pecados diariamente: “se confessarmos os nossos pecados” (1João 1:9), e como confessar sem um reconhecimento dos mesmos? O reconhecimento vem após o exame, daí vem a ordem do Senhor: “Examine-se o homem a si mesmo, e assim (perdoado) coma do pão e beba do cálice”. Quando deve ser feito esse exame?  Diariamente! 

A disciplina do Senhor.

“Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo” (1 Coríntios 11:32). Toda disciplina vinda do Senhor visa um fim proveitoso para o Seu povo. Atentem para o “não sermos condenados com o mundo”. Que maravilha! Que grande Deus nós temos, estamos seguros em Suas santas mãos, sabendo que não seremos condenados com o mundo. Devemos, portanto, temê-Lo, honrá-Lo e servi-Lo de todo o nosso coração. 

Conforme o versículo 30 há três formas de disciplina. “Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes, e não poucos que dormem (pessoas que morreram)”. Fraqueza, doença e morte são disciplinas do Senhor para o cristão desobediente à Sua Santa Palavra. A única maneira de não incorrermos nestas disciplinas é julgar a nós mesmos. Notem a expressão: “Porque se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados” (1 Coríntios 11:31). Devemos observar que este texto nada diz com respeito às disciplinas que devem ser aplicadas pela igreja, mas a disciplina aplicada pelo Senhor, pois “somos disciplinados pelo Senhor” (1 Coríntios11:32). 

Pode ser que haja em nosso coração pecados ocultos, somente quem os praticou sabe, e é evidente que Deus o sabe também. Vamos considerar 1 Coríntios 4:5 ... “Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus”. 

“Coisas ocultas das trevas”, o que serão? Sem dúvida, serão obras das trevas praticadas pelo cristão, pode ser que a pessoa esteja fazendo coisas erradas e escondendo de todos os irmãos, tais como a prática de jogos considerados impróprios (baralho, loteria etc.) ou a participação em negócios escusos. Também pode ser que o cristão tenha tido, ou até mesmo mantém às escondidas relações sexuais ilícitas. Na verdade ninguém sabe, por vezes a pessoa fica doente, ou até morre, mas uma coisa é certa a pessoa sabe e o Senhor também.  

Todo pecado que se torna notório, e que temos provas suficientes, deve ser tratado pela igreja. Devemos notar que a disciplina do Senhor é mais severa, Ele tem condições de aplicar a fraqueza, doença e morte, mas Ele só o faz quando deixamos de julgar a nossa própria vida: “Se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados” (1 Coríntios11:31). 

Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do Pão e beba do Cálice

Devemos notar que a ordem de Deus é examinar-se a si mesmo e comer do pão e beber do cálice. Tem acontecido muito entre o povo de Deus, quem se afasta da Ceia do Senhor com o pretexto de que não está em condições ou preparado para tomar a Ceia, tal suposição não tem apoio da Bíblia. Em nenhum lugar na Bíblia encontramos ensino de que o cristão deve afastar-se da Ceia. A ordem do senhor é: Examine-se e coma do pão e beba do cálice”. E ainda, “fazei isto em memória de mim”. Portanto, se o cristão fica em casa enquanto seus irmãos estão reunidos para Ceia, está em franca e aberta desobediência à ordem do Senhor Jesus Cristo. 

Devemos lembrar que os recursos, para que nossa vida esteja em dia perante o Senhor, estão a nossa disposição. O mesmo que é o nosso Advogado é também a propiciação pelos nossos pecados: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1 João 2:1-2). Portanto, todo aquele que verdadeiramente é um cristão deve ter sempre sua vida em ordem perante o Senhor e nunca deixar de se lembrar do Senhor no Partir do Pão. 

A minha oração é para que o Senhor leve o Seu povo a uma maior apreciação do Senhor Jesus Cristo e a uma melhor compreensão deste culto sagrado – a ceia do Senhor.