Boletim dos Obreiros

A escolha Divina para o serviço

A gloriosa salvação do cristão não está limitada apenas à libertação da condenação, mas outorga-lhe o estupendo privilégio de partilhar de uma santa vocação, a qual entre outras bênçãos, faz dele um cooperador de Deus nos santos interesses do Seu reino. Deus nos escolheu e nos chamou, não para ficarmos acomodados aos nossos interesses pessoais, mas para nos envolvermos na Sua obra e nos interesses da Sua Causa. Nosso estudo trata deste aspecto do chamado do Senhor, por um lado, para encorajar o povo de Deus a ouvir o Seu chamado e, por outro, objetivando conclamar as lideranças a reconhecerem a sua responsabilidade com relação às missões.

1. O SOBERANO AUTOR DA ESCOLHA

“Disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo”
(At.13:2)

“O Senhor te escolheu” (1Cr.28:10) “Eu vos escolhi”
(Jo.15:16)

(A) ESCOLHA PELA GRAÇA SOBERANA

"Não fostes vós que me escolhestes a mim". Não foi por nossos méritos, nem por nossa capacidade. Ef.2:1-6: “Deus vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, (2) nos quais andastes outrora, seguindo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; (3) entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. (4) Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, (5) e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, pela graça sois salvos, (6) e juntamente com Ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus”. Em nosso passado nada tínhamos que pudesse nos recomendar.

Era um passado triste, inútil e irremediável: Ef.2:11-13: “Lembrai-vos de que outrora vós, gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas, (12) naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo”... Somente a soberana graça de Deus poderia reverter aquele quadro, transformando aquela situação angustiosa em um passado morto, substituído por um presente feliz e glorioso: (13) “Mas agora em Cristo Jesus, vós que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo”.

A escolha partiu do Senhor: Foi o Espírito Santo Quem enviou a Barnabé e Saulo. Os outros textos do nosso estudo afirmam: “O Senhor te escolheu...Eu vos escolhi”. Ele não baseou a Sua escolha em nenhum fator meramente humano e ninguém de nós tinha nada a reivindicar dEle. Pelo contrário, Ele escolheu-nos não por causa, mas apesar do que nós somos. Trazendo-nos de longe para junto de Si, sem nada fazermos ou merecermos, Ele faz-nos Seus filhos e Seus herdeiros e oferece-nos Sua ampla e preciosa comunhão. Quão maravilhosa é a soberana graça do nosso Deus!

(B) ESCOLHA ESPECÍFICA E IMPARCIAL

I. Fala ao indivíduo: “O Senhor te escolheu”. Ninguém pode se esquivar, pois esta é uma palavra do Senhor para cada cristão.

II. Fala à coletividade: “Eu vos escolhi”. Aquele que nos escolheu, fez de nós seus sacerdotes santos para entrarmos no Seu santuário em adoração e sacerdotes reais para “anunciarmos as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (1Pe.2:6,9). III. Estimula o companheirismo: “Apartai-me a Barnabé e a Saulo”. Nada de isolacionismo egoísta. Nada de individualismo exibicionista. O propósito do Senhor é que os Seus obreiros andem juntos em mútua e cordial cooperação.

IV. É sumamente honrosa. É a escolha do Supremo Criador e, portanto, uma suprema honra para os escolhidos. Somos “embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio” (2Co.5:20).

(C) ESCOLHA COM PROPÓSITO DEFINIDO

“Para a obra a que os tenho chamado ...Vos designei para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça ... Faze a obra”. O Senhor não improvisa. Ele planeja o serviço dos Seus servos e os envia para servir naquela esfera. Ele tem autoridade para designar e, então, enviar. O fruto, nas Escrituras, comunica as idéias de caráter, conduta e serviço. Este é o sentido do vocábulo neste caso, embora o propósito do Senhor sempre compreenda os outros sentidos também. O Senhor deseja fruto que permaneça, que Lhe traga prazer, honra e glória. Ao mesmo tempo Ele requer obediência por parte dos servos e exerce a Sua autoridade ao determinar-lhes: FAZE A OBRA.