Boletim dos Obreiros

Mentes corrompidas

Qual é o nosso nome?

Uma coisa que muito nos preocupa e vemos crescendo a cada dia entre os irmãos, é a preocupação com o “nosso” nome, isto é, qual é nossa identificação diante de um mundo, no sentido religioso, tão identificado por diversas bandeiras?

Lembremo-nos de uma ilustração bíblica: No tempo dos juízes a característica era o governo Teocrático, isto é, Deus governava Seu povo através deles. Ele os levantava na medida da necessidade para um serviço específico, em muitos casos era escolhido um exército improvisado sem armas, até objetos estranhos, mas o mais importante é que sempre houve vitória. Porém, não era assim nas nações vizinhas, todas tinham seus reis, seus exércitos, suas armas, seus carros ferrados, logo o povo de Deus se sentiu diminuído com o seu tipo de governo e pediram um rei (1Sm. 8:5-7).

Como naqueles dias, o “nosso povo” atual também parece viver angustiado por não ter um “nome” que o identifique como uma denominação, com sede e governo centralizados no homem. Desejam um “nome de destaque” entre as denominações e por isso já estão inventando coisas estranhas, como “encontro mundial”, “comunhão nacional, ou “conferência das casas de oração”, e vários outros que tendem a mostrar grandeza e poder a fim de que muitos saibam que nós também “somos”.

Em Gênesis 4:16 lemos: “E saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Node, do lado oriental do Éden. E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu, e deu à luz a Enoque; e ele edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade conforme o nome de seu filho Enoque”. Diz a Bíblia que Caim “saiu de diante do Senhor” e edificou uma cidade e deu a ela o nome de seu filho. Quando o homem ou uma igreja local saem da presença do Senhor, buscam alternativas para sua satisfação pessoal a fim de ocupar o lugar de Deus, como Caim, que afastado de Deus queria mostrar aos homens poder, grandeza e glória. Para isso até edificou uma cidade e deu a ela o nome de seu filho, deixando para as gerações futuras um legado que tivesse em quem se gloriar.

Em Gênesis 11:4 achamos outro exemplo “E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra”. Lamentamos que hoje muitas igrejas locais estão à procura de um nome para ostentarem e figurarem entre os demais já existentes.

Ao lermos em Atos dos Apóstolos, e nos três primeiros capítulos de Apocalipse, nas cartas dirigidas às igrejas, percebemos que havia plena comunhão e cooperação entre as igrejas locais, mas uma coisa que caracterizava cada uma delas era sua autonomia.

Hoje, devemos preservar este exemplo, que na verdade é um princípio bíblico, independentemente do seu número de membros, ou freqüentadores, ou se reúnem-se em casas de irmãos ou em locais próprios, a igreja local tem que ser caracterizada por sua autonomia, pois desde que uma igreja está filiada a outra, ela não é autônoma e entra em conflito direto com o princípio da Igreja de Cristo, passando a ser uma organização religiosa com sede e filial, e esta filial (podendo ser até mais que uma), chamada “entre nós” de “congregações da igreja” e o presbitério da “sede” é quem dita o que deve ou não ser feito. Procurando no Novo Testamento, nunca encontraremos uma igreja subordinada a outra, nem mesmo como “congregação”.

Quando um grupo de irmãos se reúne regularmente numa localidade e unicamente em nome do Senhor Jesus, ainda que sejam dois ou três numa sala de casa, o Senhor garante a Sua presença ali (Mt.18:20), logo é uma igreja local que deve ter respeitada sua autonomia e ser considerada por todos.