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Mentes corrompidas

"Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam corrompidas as vossas mentes, e se apartem da simplicidade e pureza devidas a Cristo".

2 Coríntios 11:3

 

O princípio denominacional

Lamentavelmente, vivemos dias de grande afastamento dos princípios bíblicos e da simplicidade que há em Cristo, parecendo até que estamos tendo um pesadelo. Muitos dos princípios bíblicos que a bem pouco tempo eram cridos como a pura verdade “entre nós”, agora, devido as fortes influências das grandes denominações, estamos perdendo de vista o que é puro e verdadeiro, e o pior, deixando que falsas doutrinas e certos costumes absurdos entrem nas igrejas locais como coisa normal. Contudo, desejo destacar neste artigo, algumas coisas elementares.

Nenhum princípio denominacional faz parte da vontade de Deus. Não julgamos, com isto, a questão da salvação das pessoas que fazem parte delas, pois muitas lá permanecem por completa ignorância quanto à verdade, todavia não podemos admitir um sistema que está fora do propósito de Deus.

Quando em seu início, a igreja de Corinto teve completa desaprovação do apóstolo Paulo, chegando a chamar de carnais aqueles crentes (1Co.1:10-13; 3:1-4) que, pelas suas atitudes, estavam se dividindo em grupos e dando nomes a estes, dividindo assim a igreja em facções conforme a preferência de cada um.

Havendo a raiz, logo alguém tinha interesse em torná-la pública e oficial. Foi o que aconteceu por volta do ano 306 da era cristã, a “igreja” se uniu ao Estado por meio da suposta conversão do imperador Constantino ao cristianismo, dando assim origem a denominação que hoje conhecemos como “Católica Romana”. Deixando os princípios bíblicos, passou a seguir as tradições meramente humanas, desviando-se do verdadeiro Caminho, não deixando dúvida que a referida denominação se tornou a mãe das denominações da cristandade, pois, direta ou indiretamente, todas saíram dela trazendo explicitamente a sua marca, como o exemplo a seguir:

A organização romana tem sua sede universal, bem como, nacional, estadual e regional, que exige que cada uma tenha um sistema “hierárquico” onde o homem rege como cabeça dando as diretrizes para o funcionamento da organização. Logo, a sede é terrena, o governo é humano e Cristo está posto do lado de fora, o que se enquadra muito bem com a igreja de Laodicéia (Ap. 3:20).

O mesmo acontece nas diversas denominações da cristandade, pois, cada qual, com pequenas diferenças, segue o mesmo sistema da “mãe”. Neste aspecto, é muito sugestivo Apocalipse 17:5, tendo em vista que nestes últimos dias a Grande Babilônia está em franco desenvolvimento buscando, através do ecumenismo, a unificação de todas as denominações. Creio que não será possível isto se consolidar enquanto a verdadeira Igreja de Cristo não for arrebatada, mas tão logo seja tirada deste mundo, aqui ficará uma igreja apóstata, a qual satanás, através de seu agente humano, manipulará e preencherá os anseios da humanidade que aspira uma unificação religiosa universal.

É muito importante sabermos que a formação dos partidos surgidos em Corinto não veio pela vontade de Deus, mas pela manifestação carnal, egocêntrica, para satisfação pessoal de cada um. Não é diferente nestes dias, pois os homens hoje buscam seus interesses pessoais, na ganância pelo poder, status e pelo dinheiro as denominações vão se dividindo e subdividindo entre si. Enquanto estou preparando esse artigo, no início do mês de outubro de 2004, um irmão me informou que a denominação a que sua mãe pertence em Paranavaí, se dividiu e já estão formalizando a documentação para a formação de uma nova denominação.

A igreja que Cristo comprou com Seu sangue é comparada a um corpo que tem somente Ele como Cabeça (Ef.1:20-23; 4:15-16; 5:23,29-30; Cl.1:18), cuja sede é o Céu, onde Ele está. Certamente que todos vão concordar que um corpo não pode ter duas cabeças, se tiver, algo estará muito errado. Assim é com a igreja, ela não pode ter duas cabeças, uma no céu e outra na terra.

Tendo conhecimento destas verdades, tínhamos que sentir aversão e muita tristeza pelo princípio anti-Deus criado pelo homem e que impera no mundo todo. Quanto aos irmãos em Cristo que estão nas denominações, devemos ter por eles verdadeiro sentimento de amor profundo, pois foram também comprados pelo precioso sangue de Cristo na Cruz, e muitos lá estão porque não conhecem a Verdade, mesmo porque talvez não tenhamos falado a eles a esse respeito.

Parece que ao invés de repudiarmos esse sistema existente e esclarecermos os que lá estão, a fim de que saiam desse arraial (Hb.13:13), há muitos que estão estendendo as mãos às denominações, trocando púlpitos e participando em seus seminários e institutos teológicos como professores, ministrando ao lado de homens com títulos eclesiásticos, fazendo trabalhos juntos, participando até de seus cultos ecumênicos, como se tudo fosse normal.

Isto tem se tornado um apresamento para irmãos mais simples, que têm verdadeiro anseio espiritual e até um chamado para servir ao Senhor em tempo exclusivo, e logo querem ir para um instituto ou seminário, para, como dizem, “se prepararem melhor”. Não há preparo mais eficaz do que o seio da própria igreja local, quando moços e moças dispõem-se a trabalhar ao lado de irmãos e irmãs envolvidos na igreja local, vão adquirindo maturidade espiritual e recebendo diretamente do Senhor o preparo devido para servi-Lo.


Qual é o nosso nome?

Uma coisa que muito nos preocupa e vemos crescendo a cada dia entre os irmãos, é a preocupação com o “nosso” nome, isto é, qual é nossa identificação diante de um mundo, no sentido religioso, tão identificado por diversas bandeiras?

Lembremo-nos de uma ilustração bíblica: No tempo dos juízes a característica era o governo Teocrático, isto é, Deus governava Seu povo através deles. Ele os levantava na medida da necessidade para um serviço específico, em muitos casos era escolhido um exército improvisado sem armas, até objetos estranhos, mas o mais importante é que sempre houve vitória. Porém, não era assim nas nações vizinhas, todas tinham seus reis, seus exércitos, suas armas, seus carros ferrados, logo o povo de Deus se sentiu diminuído com o seu tipo de governo e pediram um rei (1Sm. 8:5-7).

Como naqueles dias, o “nosso povo” atual também parece viver angustiado por não ter um “nome” que o identifique como uma denominação, com sede e governo centralizados no homem. Desejam um “nome de destaque” entre as denominações e por isso já estão inventando coisas estranhas, como “encontro mundial”, “comunhão nacional, ou “conferência das casas de oração”, e vários outros que tendem a mostrar grandeza e poder a fim de que muitos saibam que nós também “somos”.

Em Gênesis 4:16 lemos: “E saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Node, do lado oriental do Éden. E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu, e deu à luz a Enoque; e ele edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade conforme o nome de seu filho Enoque”. Diz a Bíblia que Caim “saiu de diante do Senhor” e edificou uma cidade e deu a ela o nome de seu filho. Quando o homem ou uma igreja local saem da presença do Senhor, buscam alternativas para sua satisfação pessoal a fim de ocupar o lugar de Deus, como Caim, que afastado de Deus queria mostrar aos homens poder, grandeza e glória. Para isso até edificou uma cidade e deu a ela o nome de seu filho, deixando para as gerações futuras um legado que tivesse em quem se gloriar.

Em Gênesis 11:4 achamos outro exemplo “E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra”. Lamentamos que hoje muitas igrejas locais estão à procura de um nome para ostentarem e figurarem entre os demais já existentes.

Ao lermos em Atos dos Apóstolos, e nos três primeiros capítulos de Apocalipse, nas cartas dirigidas às igrejas, percebemos que havia plena comunhão e cooperação entre as igrejas locais, mas uma coisa que caracterizava cada uma delas era sua autonomia.

Hoje, devemos preservar este exemplo, que na verdade é um princípio bíblico, independentemente do seu número de membros, ou freqüentadores, ou se reúnem-se em casas de irmãos ou em locais próprios, a igreja local tem que ser caracterizada por sua autonomia, pois desde que uma igreja está filiada a outra, ela não é autônoma e entra em conflito direto com o princípio da Igreja de Cristo, passando a ser uma organização religiosa com sede e filial, e esta filial (podendo ser até mais que uma), chamada “entre nós” de “congregações da igreja” e o presbitério da “sede” é quem dita o que deve ou não ser feito. Procurando no Novo Testamento, nunca encontraremos uma igreja subordinada a outra, nem mesmo como “congregação”.

Quando um grupo de irmãos se reúne regularmente numa localidade e unicamente em nome do Senhor Jesus, ainda que sejam dois ou três numa sala de casa, o Senhor garante a Sua presença ali (Mt.18:20), logo é uma igreja local que deve ter respeitada sua autonomia e ser considerada por todos.


Os pastores 

Primeiramente devemos entender sobre o termo pastor. O sentido primário deste termo está ligado a alguém que cuida de rebanhos, em especial os ovinos, como é conhecido desde o primeiro livro da Bíblia, tendo seu primeiro registro em Gênesis 4:2, onde cita Abel como sendo pastor de ovelhas. Neste mesmo livro, há diversos outros personagens que foram pastores de rebanhos, por exemplo Jacó. O termo no feminino só aparece uma única vez em toda a Bíblia, em Gênesis 29:9, fazendo referência à Raquel que pastoreava os rebanhos de seu pai.

Através da Bíblia vemos este termo sendo usado de outras formas. O Salmo 80:1 faz referência a Deus da seguinte forma: “Tu que és Pastor”, e logo nos vem à mente o tão conhecido Salmo 23, onde Davi se coloca na condição de ovelha do Senhor e expressa Seu cuidado para com ele dizendo: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará”. Em Isaias 40:11, nosso Senhor Jesus é profeticamente apresentado como Pastor do povo de Israel.

 Deus mesmo levantou homens como pastores para conduzir o Seu povo terreno sobre a face da terra, como se acha escrito: “Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, visto que as minhas ovelhas foram entregues à rapina e se tornaram pasto para todas as feras do campo, por não haver pastor, e que os meus pastores não procuram as minhas ovelhas, pois se apascentam a si mesmos e não apascentam as minhas ovelhas” (Ez. 34:8). Como este versículo, há dezenas de outros em que Deus Se mostra descontente e promete derramar Sua ira sobre tais pastores em Israel, que na verdade não eram pastores, pois ostentavam para si a honra (título) de guias do povo de Israel, sem contudo se identificarem com o rebanho, mas pastoreavam por interesses escusos. 

Na igreja primitiva não havia nenhuma prática formal, não havia homens ostentando títulos, dividindo o povo de Deus entre clero e leigo, mas, a exemplo da igreja em Éfeso (At. 20), havia em cada igreja local um grupo de irmãos que pastoreavam a igreja, chamados de anciãos, presbíteros ou bispos, constituídos não por homens, mas pelo Espírito Santo (At. 20.28), e reconhecidos pela igreja, sem formalidade, através das qualificações prescritas na Palavra de Deus (1Tm. 3:1-7; Tt. 1:5-9) e pelo serviço que como servos prestavam à igreja (1Ts. 5:2). 

É importante que notemos a pluralidade neste texto, pois nunca há qualquer indicação de um único homem assumindo a liderança de uma igreja local. Mas, durante o decorrer dos séculos, os homens deixaram o ensino e os exemplos genuinamente bíblicos, e passaram a algo formal, cerimonial e complicado, sem terem nenhuma autorização divina. 

Nos dias atuais, os termos bíblicos, como bispo, presbítero, ancião ou pastor, têm, infelizmente, sido colocados como títulos profissionais de elevada e destacada autoridade eclesiástica, porém quando a Bíblia faz referência a estes, é para nos apresentar o caráter deles e serviço que prestam à igreja, em nenhum caso se refere a título dignitário, status ou profissão. 

Há um paradoxo na cristandade atual, pois quem é “pastor de uma igreja” está em posição superior aos presbíteros, entretanto não são assim os exemplos bíblicos: (1) Em Atos 20:28, os bispos (anciãos) foram exortados a pastorearem o rebanho de Deus; (2) Em João 21:15-17, o Senhor Jesus mandou Pedro pastorear, mais tarde descobrimos que ele era presbítero da igreja (1Pe. 5:1); (3) Em 1 Pedro 5:1, Pedro declara ser um presbítero entre outros, em seguida falando aos presbíteros, ele os exorta a pastorear o rebanho de Deus. 

 

Temos ou não pastor? 

É muito comum ouvir que “entre nós” não temos pastor. Isto é por faltar entendimento da parte de quem fala e muitas vezes de quem ouve, pois concorda com ele. Outros, porém, chegam até achar que um servo de Deus que dá tempo integral à obra é o pastor daquela igreja local, ou ocupa tal posição. Tirando da mente as idéias erradas, cada igreja local deve ter um grupo de irmãos, variando de acordo com o tamanho numérico de cada uma, constituído pelo Espírito Santo (presbitério) para pastorear. 

Uma igreja local não poderá funcionar bem se não houver nela homens com dom de pastor, com profunda e estreita ligação com o rebanho. No tempo dos profetas, Deus lamenta que os pastores de Israel estavam, na busca de seus próprios interesses, descuidando do rebanho fazendo que este ficasse disperso como ovelhas que não tem pastor. 

Vivemos dias semelhantes aos dos profetas, onde os presbíteros não vivem a vida diária com o rebanho compartilhando seus problemas e ajudando na solução, em outras palavras, não estão pastoreando devidamente o rebanho do Senhor, estão somente na busca de seus interesses pessoais. Imaginem uma igreja local com um só presbítero, o que é um erro gravíssimo, e este comparece somente nas reuniões do domingo de manhã; não pensem que estou delirando, mas tenho me deparado com esta situação algumas vezes. 

Desvio 

Nosso Senhor, sabedor de que os homens de todos os tempos gostam de projeções pessoais e títulos, advertiu Seus discípulos nestes termos: “Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens. Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos. A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo. Mas o maior dentre vós será vosso servo” (Mt. 23:6-11).  No versículo 7, o Senhor diz que os homens gostam de ser chamados por títulos que os distinguem dos demais, mas o servo de Deus não deve querer para si uma identificação que faça diferença entre os demais irmãos (vv. 8,10), nunca deverá chamar alguém por um título eclesiástico fazendo uma diferenciação entre o povo de Deus. Tais títulos somente servem para engrandecer os homens e dividir o povo de Deus fazendo do clero uma classe superior em relação aos demais na igreja. É lamentável ver homens ostentando seus títulos eclesiásticos, como: papa, padre, bispo, pastor, reverendo etc, diferenciando-se dos demais crentes, quando o ensino do Senhor Jesus foi claro “vós todos sois irmãos” (Mt. 23:8).   

Não obstante a estes ensinos do Senhor, a cristandade generalizada está porfiando na conquista de tais títulos e posições. Tristemente temos de admitir que está havendo “entre nós” uma forte tendência de um “desvio” neste sentido, pois alguns irmãos, “obreiros”, já estão sendo chamados e considerados pelos membros de “sua igreja local”, como o pastor, mas o pior, é que alguns parecem que estão apreciando este título que lhes está sendo atribuído, abrindo uma enorme brecha para que em breve muitas outras igrejas locais abandonem a simplicidade dos ensinos bíblicos para seguirem estes maus exemplos. 

Vejam que não faz muito tempo, um de nossos irmãos de Paranavaí, em uma de suas viagens a serviço secular, esteve numa cidade onde há uma igreja que se “identifica” com os princípios neo-testamentários e que normalmente é reconhecida como sendo uma das “nossas”. Em seu desejo de comunhão ele a procurou e voltou decepcionado, concluindo que não havia nela nenhuma diferença com qualquer grupo denominacional tradicional. Começou com as irmãs não usando o véu e tendo uma participação ativa e pública na reunião; em seguida houve um verdadeiro show artístico com músicas e coreografias; para piorar um pouco mais o quadro, o “obreiro” foi naturalmente chamado de pastor, cujo título parece lhe fazer muito bem! 

Ao ter conhecimento disso, perguntei-me: Desse jeito, onde vamos parar? Amados, continuo indagando: Do jeito que as coisas vão indo, onde vamos parar? O desvio dos princípios genuinamente bíblicos, “entre nós”, está aumentando assustadoramente, as verdades estão sendo esquecidas e abandonadas com rapidez inacreditável, e o formalismo está ocupando o lugar da simplicidade. Hoje, se quisermos ver um real avivamento nas igrejas locais, precisamos de uma volta aos genuínos princípios bíblicos, do contrário, muito em breve, nas próximas gerações, seremos como qualquer denominação tradicional.


O dom de pastor

 Na cristandade generalizada, é normal os homens serem chamados pelo título profissional de pastor. O homem aprecia um título eclesiástico que o faça parecer mais do que os outros irmãos, sendo que o mais comum entre os evangélicos é o de “pastor”, que o coloca como o “líder” máximo na igreja, e é muito comum ouvirmos frases como “eu sou o pastor da igreja local”, ou “esse é o nosso pastor”. 

Em Efésios 4:7-14, aparece uma lista com cinco dons: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. O que se destaca nesta lista são os dons pessoais, dados à igreja, como bênção para o desempenho do ministério e aperfeiçoamento da mesma. Encontramos um exemplo disto em Números 18.6, quando os levitas foram dados como dádivas (dons) a Israel para o ministério. Portanto, pastor é um dom dado pelo Senhor Jesus à igreja, não se trata de algo que se aprende nos seminários (oficinas teológicas). Ninguém poderá fabricar um homem com sincero sentimento de pastor, isso é algo impossível aos homens. É nosso Senhor Jesus que concede à igreja “uns para pastores” com os seguintes propósitos (v. 12): (1) “para o aperfeiçoamento dos santos” (a igreja). Deus quer crentes aperfeiçoados na fé; (2) “para o desempenho de seu serviço”. Ele deseja a expansão de Sua Obra na terra; (3) “para a edificação do corpo de Cristo” (a igreja). Deus quer Seu povo arraigado, fundamentado na verdade, conforme o versículo 14 “para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro”. 

Homem nenhum deve ser chamado pelo título de pastor e nem devemos assim chamá-los, cabendo esta singularidade somente ao Senhor Jesus, Ele sim é o Pastor e Bispo por excelência, incomparável, e singular: (1) O bom Pastor  (Jo. 10:11,14); (2) O grande Pastor (Hb. 13:20); (3) O Pastor e Bispo (1 Pe. 2:25); (4) O Supremo Pastor (1 Pe. 5:4). Nosso Senhor Jesus é assim descrito, pelo fato dEle cuidar da Sua Igreja (Jo. 10:11-14). Com segurança podemos dizer “o Senhor é o meu Pastor e nada me faltará” (Sl. 23:1). 

Há um contraste existente entre a prática atual, no oficialismo religioso reconhecido no mundo, com o que o Senhor Jesus tem ensinado (Mt. 20:24-28; 23.8; Mc.10:42-45; Lc. 22:24-26). Devemos notar que o maior não é reconhecido por um título, ou uma posição de destaque, que exerce entre os demais irmãos, fazendo o serviço em troca de altos salários, figuradamente comendo a carne do rebanho, mas sim quando ele se coloca na posição de escravo, e nesta posição humilde, serve engrandecendo a pessoa do Senhor Jesus como aconteceu com João Batista. 

Quando os discípulos de João estavam achando que ele estava em desvantagem em relação ao Senhor Jesus, ele lhes disse: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo. 3.30). Temos em nosso Senhor Jesus Cristo o supremo exemplo de servo (literalmente escravo), “que não veio para ser servido, mas para servir”. 

Não é assim entre os profissionais eclesiásticos, como a poucos dias atrás, um irmão que pertence a uma denominação me confidenciou que na “sua igreja” o “pastor” ganha vinte e um salários mínimos livre de tudo, inclusive, segundo ele, seu pastor não quis morar na casa “pastoral” e exigiu uma casa cujo aluguel ultrapassa algumas centenas de reais mensais e a cada início de ano ele recebe de presente um carro novo da sua escolha. 

Este não se trata de um caso isolado, mas conheço um outro que foi para Loanda (PR). No mesmo tempo em que estávamos iniciando a igreja ali esse “pastor” mudou-se para lá para dar início à sua “igreja”, e nos foi contado que o presidente da denominação a que ele pertence garantiu-lhe três meses de sustento total, incluindo o aluguel da sala para as reuniões. Segundo ele, dentro deste prazo, ele deveria conseguir arrebanhar pessoas suficientes para sustentá-lo, pagar todas as despesas da igreja e enviar para a sede 20% do total bruto dos dízimos e ofertas que mensalmente arrecadam. 

É claro que estes exemplos, com algumas variações, são o retrato do mundo “evangélico” neste tempo, pois, como no tempo dos profetas Jeremias e Ezequiel, homens ostentam seus títulos profissionais e estão vivendo em seus deleites às custas da ignorância alheia, sem ao menos se importarem com a salvação destes. 

Finalizando, que Deus em Sua graça nos livre de cairmos nesta cilada, e adotarmos os costumes e idéias das denominações, antes, pelo contrário, ouçamos a voz do Espírito Santo dizendo-nos: “retirai-vos delas, povo meu, para não ser cúmplices em seus pecados, e para não participados de seus flagelos” (Ap. 18:4).