Boletim dos Obreiros

A participação dos obreiros no serviço de Deus

1 Timóteo 2.15; 1 Coríntios 14.40

Transcrito por Hacy Senghi Soares

Este estudo não tem em vista a parte técnica propriamente dita da homilética, isto é, a arte de preparar e apresentar sermões. O que temos em mira nesta série de estudos é apresentar ao leitor algumas sugestões práticas que poderão ajudá-lo a participar publicamente com maior acerto nas várias reuniões da igreja, para maior proveito de todos. Quem toma parte pública nas reuniões precisa saber qual é a reunião de que está participando, a fim de que as suas expressões sejam apropriadas a cada ocasião.

O leitor não encontrará aqui um comentário das lições, mas um simples esboço, cuja finalidade é ajudá-lo a lembrar-se da matéria apresentada.

1. Os vários tipos de reunião e suas finalidades 

1 - A Ceia do Senhor

  • É a reunião dos filhos de Deus, como um sacerdócio, a fim de prestar culto a Deus.
  • Deve ser exclusivamente reunião de adoração.
  • É ato de obediência, porque é realizada em atenção ao pedido do Senhor que temos prazer em obedecer – 1 Coríntios 11.24-25 com João 15.14.
  • É ato de recordação porque é feito “em memória” do Senhor.
  • É ato de comunhão porque todos participam juntos, demonstrando o seu interesse comum na Sua obra e na Sua Pessoa – 1 Coríntios 10.16-17.
  • É ato de testemunho porque anuncia ao mundo a morte expiatória do Senhor – 1 Coríntios 11.26.
  • É ato de esperança porque os participantes realizam-no “até que Ele venha” – 1 Coríntios 11.26.

2 - A reunião de Oração

  • É a reunião dos filhos de Deus como um sacerdócio a fim de levarem a Ele as necessidades de Sua obra e de Seu povo, bem como apresentar a Deus gratidão, louvor e ações de graça – 1 Timóteo 2.1.
  • É preciso que os participantes conheçam os vários elementos da oração, para assim orarem com mais inteligência e objetividade.

3 - A reunião de Ministério para os crentes

  • Estudo bíblico: vista geral dos livros da Bíblia (síntese ou súmula); estudo de cada livro, capítulo por capítulo.
  • Estudo das várias doutrinas bíblicas, como: de Deus, do homem, de Cristo, do Espírito Santo, da justificação, do pecado, das últimas coisas (escatologia), etc.
  • Mensagens devocionais de inspiração ou de exortação, tudo visando à edificação do povo de Deus na sua fé.

4 - A reunião de Evangelismo para descrentes

  • A reunião de evangelização na casa de oração.
  • A reunião ao ar livre.
  • Reuniões em casas familiares; mesmo quando sejam de ações de graça, devem ter em mira a evangelização dos vizinhos.
  • Outras oportunidades para reuniões: nos presídios, em abrigos de idosos ou menores, hospitais, etc.
  • O objetivo de todas essas reuniões é ministrar o Evangelho de Cristo aos perdidos, a fim de que sejam salvos.

5 - A reunião mista (crentes e descrentes)

  • A Escola Dominical: há pessoas de várias idades, e diferentes condições espirituais. Há crianças, jovens e pessoas idosas; há pessoas salvas e não salvas, há pessoas maduras e inexperientes na fé. É preciso que se façam as coisas de modo que todos possam alcançar proveito.
  • A Reunião da Mocidade. Entre nós, o objetivo é treinar os jovens a servir ao Senhor e estimular os jovens não crentes à sua conversão ao Senhor. O trabalho deve ser feito pelos jovens, porém sob a supervisão dos anciãos da igreja local..

2. Sugestões práticas para os que falam na igreja 

1 - Apresentação

  • Limpeza do corpo. Os sinais da falta de higiene não são uma boa recomendação para quem ministra na casa de Deus.
  • Limpeza e decência nos trajes. Roupas sujas, mal compostas ou exageradas, também não recomendam ninguém no serviço do Senhor. Não se trata de vestir-se com apuro ou luxo, mas com dignidade e decência. É possível vestir-se pobremente, mas digna e decentemente.
  • Evitar os gestos nervosos (movimentos estranhos com as mãos, o corpo ou a cabeça).
  • Evitar as mãos nos bolsos.
  • Evitar todo relaxamento.

2 - Falar para ser ouvido

  • Nunca gritar; nunca falar baixo demais. Todos não são surdos, e, às vezes, todos não são dotados de uma perfeita audição. O volume de voz deve ser suficientemente alto para que os ouvidos menos favorecidos possam entender, e suficientemente baixo para não ferir os ouvidos de ninguém. Deve-se falar de conformidade com o local; numa sala pequena o volume da voz tem de ser mais baixo; numa sala grande o volume de voz precisa alcançar as pessoas sentadas nos últimos bancos.

3 - Falar para ser entendido

  • Abrir bem a boca. É muito difícil para a congregação entender quando se fala com os dentes ou os lábios cerrados. Os sons emitidos não são inteligíveis quando se procede dessa maneira.
  • Pronunciar as sílabas com bastante clareza. Cortar as sílabas ao meio dificulta a compreensão.
  • Usar linguagem ao alcance de todos.

4 - Falar de modo a prender a atenção dos ouvintes

  • Não depressa demais, nem devagar demais; um traz dificuldade para entender, o outro cansa os ouvidos.
  • Não falar no mesmo tom de voz durante todo o tempo; tanto o ritmo quanto a entonação devem variar para evitar a monotonia que desvia a atenção do auditório.
  • Falar mais alto ou mais baixo, mais devagar ou mais depressa, de acordo com a natureza do fato que se está narrando. Isto enriquece a narração e ajuda os ouvintes a acompanhá-la gravando-a na mente com mais facilidade.
  • Fazer gestos adequados. Falar sobre o céu apontando para a terra não é um gesto apropriado.
  • Olhar para o povo. Nada distrai mais a atenção dos ouvintes do que falar olhando para baixo ou para o alto, ou apenas para um lado. O olhar de quem fala deve estar voltado para todo o auditório; deve-se voltar a cabeça ora para lá, ora para cá, a fim de que todos entendam que é com eles que se está falando.

5 - A leitura deve ser interpretativa

  • Dando valor exato à pontuação, que é o que, na linguagem escrita, pode indicar: intensidade, entonação ou pausa. Não sendo observados devidamente a leitura fica prejudicada.
  • Dando a expressão correspondente à natureza da leitura: narração, diálogo, monólogo, e à natureza do assunto: alegre ou triste, jocoso ou sério. Para isso, deve-se procurar fazer ligeiras variações de voz, representando diferentes personagens na leitura.
  • Quando alguém não tem facilidade para ler, é aconselhável treinar em casa, lendo o trecho bíblico várias vezes antes de sair para a reunião, procurando entender perfeitamente o sentido da leitura para que, ao apresentá-la, os que ouvem possam entender bem.
  • Cuidado para ler exatamente como está escrito, e não conservando a pronúncia errada comum em algumas palavras. Exemplo: “pobrema” em lugar de “problema”; “supertição” em lugar de “superstição”; “seje” em lugar de “seja”. Não acrescentar nem diminuir letras na leitura.

6 - Quem dirige a reunião deve tomar o cuidado de animar o ambiente sem cometer excessos

  • Anunciar claramente os hinos, se possível lendo uma estrofe e repetindo o número.
  • Tomar o cuidado de não fazer pregações antes ou depois de cada hino.
  • Cuidado para não fazer uma pregação antes do pregador, nem emendar a mensagem do mesmo. Às vezes uma pequena palavra de aprovação ou de estímulo aos ouvintes pode caber, mas não deve ser algo muito prolongado.

3. A participação na Ceia do Senhor 

1 Coríntios 11.23-26

1 - Qual é a “ordem do Culto” na Ceia?

A Bíblia não estabelece normas fixas para a celebração da Ceia (embora os homens o façam). A ordem deve ser ditada pelo Espírito Santo – 1 Coríntios 12.11.

Não deve haver ritualismo. O cristianismo não é baseado em ritos como o judaísmo. Os hinos, as pessoas que participam, o momento da distribuição dos elementos, as várias “secções” da Ceia, degeneram-se em mero ritualismo quando apresentados mecanicamente sempre do mesmo modo.

Quando damos lugar à ordem ditada pelo Espírito há variedade e proveito geral:
■O Espírito não Se utiliza sempre das mesmas pessoas para as mesmas coisas.
■Nem dos mesmos hinos e dos mesmos textos bíblicos que, muitas vezes, são usados em momentos já determinados pelos participantes.
■O Espírito promove harmonia na adoração, de modo que os que são espirituais podem acompanhar a verdadeira ordem do culto. Ele é o Grande Maestro. Se o Espírito está dirigindo, a mínima participação de cada um (e às vezes, mesmo o silêncio) é “para edificação”. Qualquer ministério antes da distribuição dos elementos levará os participantes a ocuparem-se com o Senhor e com a Sua obra; qualquer adoração será dirigida no mesmo sentido. O Espírito só pode nos dirigir no objetivo da reunião que é “EM MEMÓRIA” DO SENHOR.
■Todos os irmãos podem tomar parte, embora não tenham necessariamente de fazê-lo. A liberdade é do Espírito e não de cada um para fazer o que bem entende.

A única ordem para a nossa participação no culto é:
■Nossa presença – Quando vos ajuntais. O Senhor espera que nos ajuntemos na mais importante atividade da Igreja, quando se reúnem os adoradores aos quais Deus procura – João 4.23-24. É a mais expressiva manifestação de comunhão, e nada, a não ser o pecado ou impedimento imperioso, deve nos afastar da Ceia do Senhor. A ordem é eliminar os obstáculos e reunir – 1 Coríntios 11.28.
■Nossa pontualidade – Chegada a hora. O Senhor não nos espera depois da hora, Ele é pontual – Lucas 22.14.
■Nossa reverência – Ali estou no meio – Mateus 18.20. Ele é o motivo da reunião e não deve ficar esquecido.
■Nosso discernimento – Em memória de Mim é o objetivo da reunião. Há muita importância em andar no Espírito” – Gálatas 5.25, para poder observar rigorosamente a Sua ordem para a nossa participação no culto.

2 - Sugestões sobre a Pessoa do Senhor que podemos recordar na Ceia

O Seu Nome incomparável – Filipenses 2.9.
■Ele é Jesus, que é Jeová-Salvador – Mateus 1.21.
■Ele é o Cristo (Messias), que é o Ungido de Deus, escolhido e santificado para Ele e cumprindo fielmente a vontade do Pai em tudo – Isaías 61.1-2, Atos 2.36; 10.37-38.
■Ele é o Senhor, o Deus da Glória, um Nome exaltado – João 13.13; Atos 10.36; 1 Coríntios 2.8.

As Suas obras – Salmo 92.4.
■A Criação – Salmo 33.6-9; Provérbios 8.22-31; João 1.3; Colossenses 1.16-17; Hebreus 1.2.
■Suas obras de beneficência – João 21.25; Atos 10.38.
■Sua obra suprema – a Redenção – João 4.34; 19.30; Hebreus 10. 10, 14; Efésios 1.7.

O Seu amor infinito – João 13.1; 15.13; Efésios 3.19.
■Esvaziou-Se para Se manifestar - Filipenses 2.6-7.
■Empobrece para enriquecer a outros – 2 Coríntios 8.9.
■Perdoa para restaurar – João 8.10-11.
■Morre para salvar - João 15.13; Efésios 5.2.

Sua humilhação, sofrimentos e morte.
■Dor moral por ter de enfrentar o pecado – Mateus 26.37-42; João 12.27.
■Pela rejeição, escárnio e ingratidão dos homens – Hebreus 12.2-3; Mateus 27.27-31, 40-44.
■Pelo desamparo de Deus – Salmo 22.1; Mateus 27.46.
■Dor física pelos açoites – Mateus 27. 26, pelos espinhos – Mateus 27.29 e pelos cravos que O traspassaram Salmo 22.16; Zacarias 12.10; João 19.37; Apocalipse 1.7.

Sua exaltação – Atos 2.32-33.
■Ressuscitado e assunto ao céu – Lucas 24.5-7, 51; 1 Coríntios 15.3-4; Marcos 16.19.
■Glorificado – Efésios 1.20-23; Filipenses 2.8-10; Hebreus 2.9.

3 - Quais as condições para participar da Ceia?

Ser discípulo do Senhor. Na Bíblia só os tais participam do “Partir do Pão” – Mateus 26.26; Atos 20.7.

Estar preparado espiritualmente pela comunhão com o Senhor e a separação do mundo e do pecado – 1 Coríntios 10.20-21.
■Todo pecado conhecido deve ser confessado e abandonado – 1 João 1.9; 2.2.
■A falta nesse sentido sujeita o crente à disciplina do Senhor – 1 Coríntios 11.27-32.
■Feito isto, a ordem é “comer o pão e beber do cálice”.