Boletim dos Obreiros

José no fundo do poço

“Quando José chegou a seus irmãos, tiraram-lhe a túnica de várias cores,
e o lançaram em um poço seco”

Gênesis 37:23-24

José, o primeiro filho de Jacó com Raquel, foi o filho que ele mais amava. Os seus dez irmãos mais velhos o odiavam, por este motivo. O ódio aumentou quando Jacó deu-lhe a túnica de várias cores e aumentou ainda mais quando José contou-lhes os seus dois sonhos proféticos, implicando que eles se prostrariam diante dele.

Jacó enviou José para Siquém para ver como os seus irmãos estavam. José encontrou-os mais adiante em Dotã. Eles conspiraram para matá-lo. Tiraram-lhe a bela túnica e o lançaram em um poço seco. Quando os comerciantes ismaelitas estavam passando no seu caminho para o Egito, eles o venderam como escravo por 20 moedas de prata. Eles mancharam a bela túnica de José com o sangue de um cabrito e a mostraram a Jacó. Jacó achou que uma fera o matou. O Senhor também desceu ao Egito, cerca de 1.500 anos mais tarde com a sua mãe e José, quando Herodes estava procurando matá-Lo. 

Potifar, oficial de Faraó, capitão da guarda, comprou José no Egito (Gênesis 39). José foi um servo fiel; o Senhor estava com ele e o fez prosperar. Potifar o pôs sobre a sua casa e entregou na sua mão tudo o que possuía. A mulher de Potifar acusou José de algo que ele não fez e Potifar o lançou na prisão. O Senhor estava com José na prisão e o carcereiro-mor o colocou em comando da casa do cárcere. O copeiro-chefe e o padeiro-mor de Faraó foram presos e colocados sob os cuidados de José. Eles tiveram sonhos e José os interpretou. Faraó matou o padeiro como José havia previsto, mas restabeleceu ao cargo o copeiro conforme a interpretação do sonho tinha indicado.

O copeiro se esqueceu de mencionar José a Faraó. Dois anos depois, Faraó teve dois sonhos estranhos, nenhum de seus adivinhadores ou sábios os podia interpretar. O copeiro finalmente se lembrou de José e disse a Faraó sobre ele. Faraó chamou a José e Deus revelou a ele o significado dos sonhos de Faraó. Viriam sete anos de abundância seguidos por sete anos de fome extrema. 

Faraó deu a José o cargo de governador na terra do Egito. José armazenou uma imensa tonelagem de mantimento durante os sete anos de fartura para estarem prontos para enfrentar os sete anos de fome. Jacó mandou seus dez filhos mais velhos para comprarem mantimento no Egito. José falou com seus irmãos, mas eles não o reconheceram, pois falou por intérprete. Ele os colocou na prisão por três dias e, em seguida, enviou nove deles para casa com o seu dinheiro na boca de seus sacos que estavam cheios de mantimento. Ele manteve Simeão na prisão até que voltassem com Benjamim, seu irmão mais novo e o único outro filho de Raquel. 

Quando os irmãos voltaram trazendo Benjamin, José liberou a Simeão. Ele mandou todos para casa com os seus sacos cheios de mantimento e com o dinheiro que pagaram pelo mesmo, mas o servo de José colocou o copo de prata do seu mestre no saco de Benjamim. Isto foi para fazer um teste e ver se os irmãos iriam apoiar Benjamim ou deixá-lo tornar-se um escravo como haviam feito a José 22 anos antes. Todos eles retornaram para o Egito. José revelou-se a eles e disse-lhes para trazer Jacó e toda a família ao Egito. A vida de José teve tanto sofrimento, angústia e tristeza. Que lições podemos aprender da vida de José? 

Lição 1: Recompensas podem demorar anos – Ser fiel nem sempre resulta em uma recompensa imediata. José obedeceu fielmente a seu pai por 17 anos. Foi ver se seus irmãos estavam bem. Eles o venderam como escravo. Potifar o comprou. Ele serviu Potifar fielmente por 11 anos. Potifar o lançou na prisão devido à falsa acusação de sua esposa. Ele ficou na prisão por mais de 2 anos. Quando ele tinha 30 anos de idade, Faraó chamou-o para o palácio. Deus lhe revelou a interpretação dos sonhos de Faraó. As recompensas finalmente chegaram. Em um dia, ele deixou o calabouço para viver em um palácio e o jovem escravo tornou-se primeiro-ministro do Egito. Embora nossa caminhada cristã seja difícil, é certo que vai valer a pena devido a abundante futura recompensa que nos aguarda. Por isso devemos manter a fé, Deus nos apoiará e nos dará vitória.

Lição 2: Deus está sempre no controle – Deus faz todas as coisas para o bem. Quando Faraó chamou a José, sem dúvida ele considerou a sua oportunidade de se tornar um homem livre outra vez. Permaneceu forte ao longo dos anos de sua estadia no Egito. Não importa o que aconteça em nossa vida, podemos sempre ter a confiança que Deus está no controle. "Todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus" (Romanos 8:28). 

Lição 3: Não há desculpas para o pecado – Não há desculpas para quebrar os mandamentos de Deus. José, ainda muito jovem, perdeu tudo. Ele poderia ter motivos para esquecer o caminho divino de sua vida. Poderia ter uma vida cheia de aventuras passageiras no Egito em uma terra estranha e longe de seus pais. No entanto, José permaneceu fiel e não usou suas imensas dificuldades e tristezas como desculpas. Portanto, livrando-nos de todas as desculpas, "deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta" (Hebreus 12:1).

Lição 4: O servo fiel é paciente – O servo fiel é paciente e confia plenamente nas promessas de Deus. Neste mundo, existem muitas oportunidades de gratificação instantânea. Este mundo tem uma pobreza de paciência. José foi muito paciente esperando pelas promessas que Deus tinha lhe revelado nos sonhos. Ele não tinha a menor noção de quando ou como isso iria acontecer, o que ele sabia é que Deus nunca mente (Tito 1:2) e o que Ele promete é capaz de realizar (Isaías 46:10).

Lição 5: A obediência traz bênçãos – A obediência a Deus traz bênçãos tanto nesta vida como na futura. Em última análise, iremos colher aquilo que semeamos. Quando a vida de um cristão é cheia de dificuldades, Deus promete que sempre estará presente para apoiá-lo, pois "toda boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto" (Tiago 1:17). A obediência a Deus é uma prova de fé, a desobediência é prova de descrença. Contínuos atos de fé de José são evidências da veracidade de sua fé verdadeira. A fé se não tiver obras é morta (Tiago 2:17). 

Lição 6: José viveu pela fé – Ele nunca duvidou das promessas de Deus. Ele creu que Deus iria tirar Israel do Egito e os levaria para a Terra Prometida. Apesar da glória imperial que teve, José era desapegado das coisas terrenas e esperava com ansiedade as promessas de Deus. Um livramento, uma terra melhor, valores invisíveis e eternos. Deus preparou José para trazer a família de Israel para o Egito. José trouxe 70 pessoas para o Egito. 200 anos mais tarde, Deus preparou Seu servo Moisés para tirá-los do Egito e ele levou mais de 2 milhões de israelitas a caminho da Terra Prometida. Como os patriarcas devemos ser apenas peregrinos aqui na Terra e com ansiedade “esperarmos a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hebreus 11:10). "O justo viverá pela fé" (Habacuque 2:4).

Conclusão

A história de José nos dá uma ideia de como Deus trabalha. Ele sabe cada detalhe de nossas vidas. Ele é nosso Pai e "não retirará bem algum dos que andam na retidão" (Salmo 84:11). As lições da vida de José são poderosas, mas serão inúteis se não as colocamos em prática. No final da história de José, ele disse, "Agora, pois, não vos entristeçais... por me haverdes vendido para cá; porque para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós… Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus" (Gênesis 45:5-8).