Boletim dos Obreiros

As bênçãos que resultam da Graça Redentora

Salmo 65:1-4

Mais rapidamente do que podemos perceber deparamo-nos com os dias da chamada “semana santa”. Não há como se ficar fora do bulício acentuado que a recordação e a celebração da paixão e da ressurreição de Cristo causam no contexto do mundo religioso chamado cristão. Uma das expressões que sintetiza, com muita propriedade, o significado e a própria razão dos fatos notáveis que envolveram o Senhor Jesus Cristo no Calvário e no túmulo em que foi colocado, tornado gloriosamente vazio, é a “Graça Redentora”.

O propósito de Deus de restaurar o homem dEle afastado e perdido por causa do pecado, consumado através daqueles históricos e marcantes fatos, define-se por essa sublime expressão: “Graça Redentora”.

“Graça” porque reflete a “graciosidade” da ação divina, por nós não merecida, fielmente cumprida pelo Filho de Deus, em total obediência ao plano eterno do Pai (João 3:16; Efésios 2:8; Filipenses 2:6-11). “Redentora”, porque foi eficaz para a:

  • Restauração do pecador, pela Graça, à condição de filho de Deus, condição perdida pelo pecado dos nossos primeiros pais, afetando toda a raça humana (Romanos 5:12);
  • Plena capacitação do redimido à realização do propósito eterno de Deus, razão pela qual foi criado (João 1:12; Efésios 2:10; Tito 2:14);
  • Posse da vida eterna, perdida pelo pecado, mas concedida graciosamente e garantida pelo Redentor (João 10:10, 28; Efésios 2:1).

Davi, homem de extraordinária convivência e intimidade com Deus, deixou-nos inúmeras passagens, em suas inspiradoras palavras poéticas, reportando-se às bênçãos que resultam da “Graça Redentora”, na qual descansava totalmente, de alcance terreno e de dimensões eternas.

O Salmo 65 é um lindo hino de ações de graças que ele compôs, louvando a Deus por Sua “Graça Redentora” (vs. 1-4), por Sua grandeza (vs. 5-8) e por Sua generosidade expressa na boa colheita (vs. 9-13). Destarte, Deus é exaltado como Redentor, como Criador e como Sustentador.

Meditemos sobre algumas das bênçãos que estão garantidas por Deus Redentor ao “redimido”, resultantes da “Graça Redentora”, registradas na primeira parte desse lindo Salmo (1:1-4):

1. O REDENTOR ESCUTA A ORAÇÃO DO REDIMIDO – “Ó tu que escutas a oração” (v.2). O pecado rompeu todas as possibilidades de o homem falar e Deus ouvi-lo, pois faz separação entre nós e Deus e Ele encobre o Seu rosto de nós, para que não nos ouça (Isaías 59:2). A “Redenção” restabelece nossa comunhão com Deus e a possibilidade de nossa ampla interação com Ele, pois Ele se dispõe sempre a nos ouvir e a nos falar. Pela oração exercemos esse indizível privilégio de alto nível espiritual. Referindo-se às Suas ovelhas, o Senhor Jesus, o bom Pastor, afirmou: “elas ouvirão a minha voz” e “as minhas ovelhas ouvem a minha voz”. Que privilégio o dos “redimidos”! O de poder contar com permanente e livre canal de comunicação com o “Redentor”, através da oração! Há três aspectos a considerar neste passo:

  •  Deus aprecia a oração penitente e sincera – Davi diz que Deus escuta a oração dos que a Ele virão “por causa de suas iniquidades” (v. 3). Provérbios 28:13 nos ensina que, quando encobrimos as nossas transgressões, jamais prosperaremos, mas se as confessamos (oração penitente) e as deixamos, alcançaremos misericórdia.
  • Deus está acessível a todos os que O buscam – Afirma Davi (v. 2): “a ti virão todos os homens”. Deus não lança fora os que O buscam. Jesus Cristo disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados...”.
  • Deus nem sempre responde da maneira que desejamos – Ensina Isaías 55:8... “os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos”. Muitas vezes exercitamos mal o privilégio da oração buscando a face do Senhor para pedir-Lhe o que está fora da Sua vontade, pois queremos satisfazer os nossos interesses e não os do Senhor, como afirma Tiago 4:3... “pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres”.

Se o “Redentor” escuta a oração do “redimido”, devemos nos aplicar no seu exercício.

2. O REDENTOR PERDOA O NOSSO PECADO – “Se prevalecem as nossas transgressões, tu no-las perdoas” (v. 3). O problema do homem é o pecado. O nosso pecado é contra Deus e só Deus pode perdoar. Uma das bênçãos da “Redenção” é a segurança do perdão, garantido pelo “Redentor” ao liquidar a nossa dívida no Calvário, onde satisfez a justiça de Deus que sobre nós pesava (Isaías 53:5). Sobre o Calvário rogou Jesus Cristo ao Pai em relação aos seus algozes: “Pai, perdoa-lhes”. No Salmo 32:1-6, Davi proclama a “bem-aventurança” (felicidade plena) daqueles “cuja iniquidade é perdoada e cujo pecado é coberto”. Diz mais: “Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui iniquidade... confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei... e Tu perdoaste a iniquidade do meu pecado”. Há três princípios fundamentais que podemos inferir dessa linda poesia davídica sobre o perdão divino:

  • Não há felicidade plena (bem-aventurança) sem o perdão;
  • Não há perdão sem confissão do pecado (1 João 1:9);
  • Não há confissão válida sem arrependimento sincero (Atos 2:38).

Se o “Redentor” perdoa o nosso pecado devemos “confessá-lo”, para o usufruto da bênção da bem-aventurança concedida pelo Senhor.

3. O REDENTOR NOS ACOLHE COMO FILHOS AMADOS – “Bem-aventurado aquele a quem escolhes e aproximas de Ti” (v. 4). Está aí uma bênção de prazer indizível concedida pelo “Redentor” ao “redimido”. Seus braços acolhedores se estenderam no Calvário e continuam estendidos para nos manter juntos a Ele no usufruto da mais profunda e gostosa intimidade. O “Redentor” sempre foi acolhedor, não importando a condição do homem que Ele veio buscar e salvar por estar perdido (Lucas 19:10; Mateus 11:28-30; 19:14). Em João 10:28, Jesus Cristo afirmou que as ovelhas que o Pai Lhe der ninguém arrebatará da Sua mão. Abençoado acolhimento concede o “Redentor” ao “redimido”, tornando-o um bem-aventurado! Mas lembremos que a “intimidade” do Senhor é para os que O temem, aos quais Ele dará a conhecer a Sua aliança (Salmo 25:14). Há três aspectos a considerar que decorrem dessa indizível bênção de acolhimento pelo Senhor:

  • O usufruto da “comunhão” constante com o Senhor (1 João 1:3);
  • O usufruto da “instrução” eficiente do Senhor (Lucas 10:39,42; Mateus 11:29);
  • O usufruto do “aconselhamento” permanente do Senhor (Salmo 16:7).

Se o “Redentor” acolhe os “redimidos” como filhos amados devemos buscá-Lo em todas as circunstâncias da nossa vida.

4. O REDENTOR CONCEDE AO REDIMIDO O PRIVILÉGIO DE SERVI-LO – “para que assista nos teus átrios” (v. 4). Deus não quer salvos inativos. Deus nos salva para servi-Lo (Romanos 14:9). E isso se constitui num grande privilégio do “redimido”. Servir o Senhor é bênção resultante da “Graça Redentora”. Há três características que devem se manifestar no nosso serviço para o “Redentor”:

  • Nosso serviço deve ser espontâneo. Não devemos servir por obrigação, mas motivados pelo nosso amor espontâneo (1 Coríntios 16:14);
  • Nosso serviço deve ser prestado para honra e glória do Senhor e não para nossa pessoal exaltação. Realizado no Espírito e não na carne (Colossenses 3:23-24)
  • Nosso serviço deve ser prestado com absoluta fidelidade, feito na soberana vontade de Deus, sempre no tempo de Deus e somente no modo de Deus (Apocalipse 2:10)

Se o “Redentor” nos dá o privilégio de servi-Lo, devemos nos aplicar diligentemente ao serviço que Ele nos permite prestar-Lhe.

5. O REDENTOR NOS AQUINHOA COM A EXPERIÊNCIA DA SUA BONDADE – “ficaremos satisfeitos com a bondade de tua casa – o teu santo templo” (v. 4). Somente Deus é Bom (Lucas 18:19). “Bondade” é qualificação de nível espiritual que o Espírito Santo manifesta, como um dos aspectos do Seu fruto, na correta atitude cristã da nova criatura. É bênção que a “Graça Redentora” nos concede. Há que se notar, neste passo, três distintas e notáveis experiências da Sua bondade, com que nos aquinhoa através da “Graça Redentora”, consoante o precioso texto do hino de Davi no Salmo 16:11:

  • Perspectiva de correta direção no rumo da vida – Afirma Davi: “Tu me farás ver os caminhos da vida”. O pecado nos fez perder o rumo (Provérbios 16:25). O Senhor nos dá novamente a perspectiva correta no rumo da vida (João 14:6). Faz-nos ultrapassar as naturais dificuldades da vida (Provérbios 3:5-6). Leva-nos aos Seus alvos (Filipenses 3:13-14);
  • Plenitude da alegria autêntica – Afirma Davi: “na tua presença há plenitude da alegria”. A alegria é ingrediente indispensável para o viver feliz. Mas a alegria que realiza a felicidade plena e autêntica não é a produzida pelo cenário externo. Esta acaba quando o espetáculo termina e o pano fecha. É, sim, a que se estabelece no nosso interior, instalada pela presença do Senhor em nós. É a que só Ele pode dar (João 16:20). Ninguém e nada a tira de nós, nem as circunstâncias adversas (v. 22). Será sempre completa (v. 24);
  • Perpétuas delícias (satisfação) – Afirma Davi: “na tua destra (há) delícias perpetuamente”. No Salmo 34:8, Davi proclama: “Oh! Provai e vede que o Senhor é bom, bem-aventurado o homem que nele se refugia”. A experiência de perene satisfação é a deliciosa porção dos que se refugiam na “Graça Redentora”.

Se o “Redentor” nos aquinhoa com a experiência da Sua bondade, cumpre-nos a Ele sempre nos mantermos aconchegados, nEle refugiando-nos e procurando em tudo agradá-Lo.

Conclusão: Hinos & Cânticos 262: “Redentor”. Oh que beleza / Nesse Nome teu se vê! / Só Jesus, na Sua glória, / De levá-lo digno é. / Redentor meu! Redentor meu! / Que alegria seres meu! / Mergulhado na miséria, / Triste escravo de Satã, / Envolvido em suas malhas, / Preso na esperança vã. / Redentor meu! Redentor meu! / Que alegria seres meu! / Quando ali na Tua glória / Ante o trono me prostrar / E com harpa de vitória / Teus louvores entoar, / Redentor meu! Redentor meu! / Que alegria seres meu!