Boletim dos Obreiros

Calvário, a glória divina manifesta

 “Queremos ver Jesus"
“É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem"
Se morrer, produz muito fruto
"
João 12:21, 23, 24

Ver Jesus tornou-se um ardente desejo das multidões ao tempo do Seu curto ministério na terra. Todos queriam vê-Lo! O Seu poder nas curas e nos milagres operados, a Sua palavra cheia de sabedoria e de autoridade incomparável, o Seu fascínio pessoal, o Seu amor profundo e cativante e tantas outras características pessoais nunca vistas tornaram-se uma incontrolável força de atração à Sua divina pessoa para contemplá-Lo.

Havia, também, aqueles que buscavam vê-Lo para criticá-Lo, por incontida inveja, buscando encontrar uma maneira propícia para acabarem com Ele e com a Sua Maravilhosa Obra de Redenção. Na verdade Ele acabou sendo levado à cruenta morte sobre o Calvário.

Não se tornou, porém, o Calvário o Seu fim e a anulação da Sua Obra Redentora. Ao contrário, tornou-se a incontestável afirmação da fascinante perspectiva da sua glória divina, que se reflete fulgurante no muito fruto que produziu, o qual é a Sua gloriosa e amada Igreja!   

No meio da acentuada curiosidade do povo em geral, surgiram alguns gregos que queriam vê-Lo. E é esse desejo manifesto, relatado em João 12, que acaba por nos conduzir à fascinante perspectiva da glória do calvário.

O comovente relato do episódio feito por João leva-nos a três reflexões bem oportunas nas celebrações religiosas deste mês sobre a paixão, a morte e a ressurreição do Senhor Jesus:

1. O DESEJO DE VER JESUS – v. 21: “queremos ver Jesus”

A primeira reflexão é sobre o desejo dos gregos de verem Jesus. A popularidade do Senhor Jesus chegou ao mundo grego. Os gregos eram profundamente religiosos (Atos 17:22). Mas o seu porte religioso era marcado por acentuada idolatria (Atos 17:16). Eram devotos de muitos “deuses”, realmente inexistentes, pois resultavam de sua fértil imaginação, tremendamente mística. As divindades se multiplicavam. Tinham seus santuários e altares, eram representadas por imagens e ídolos de toda a sorte, feitos pelas mãos humanas, de conteúdo material, inanimados; “deuses” com os quais não se podia falar nem se podia ouvir, aos quais não se podia ver e que não podiam agir, pois não passavam de “nada”.

Alguns gregos desse porte religioso estavam entre os judeus participando da adoração durante a festa destes. Parece que o assunto mais mencionado no ajuntamento religioso dos judeus, dos quais os gregos participavam, era a pessoa notável de Jesus. Místicos, curiosos e desejosos de conhecer “novas divindades” não perderam tempo. Todo o seu interesse voltou-se no sentido da satisfação da intensa curiosidade de ver essa figura estranha de que tanto se falava como se fosse um “deus”. E logo manifestaram esse desejo a Filipe, que na sua ingente busca descobriam ser um dos discípulos do tal Jesus. Afinal, em todo o seu longo envolvimento místico, era a primeira vez que tinham a oportunidade de pessoalmente ver uma “divindade” e de falar com ela!

Não podemos avaliar o sentimento que os moveu a buscarem ardentemente ver Jesus. Se mera curiosidade, se a vaidade de acrescentarem à sua experiência mística a de terem mantido contacto pessoal com uma “divindade” que fugia totalmente do modelo das que formavam o rol das que veneravam, ou se a sentida necessidade das suas almas vazias e a total insegurança quanto aos valores eternos e aos seus destinos eternos, apesar de todo o seu conhecimento “religioso” e de divindades múltiplas.

Mas, sem dúvida, o desejo de verem Jesus, foi o melhor que fizeram em sua experiência de vida, para terem a fascinante perspectiva da glória do calvário. O que mais necessitamos em nossa experiência de vida cristã é o permanente e correto desejo de ver o Senhor Jesus.  Não por mera curiosidade! Mas como o meio mais adequado de cumprir a nossa vocação celestial, vivendo n’Ele, por meio d’Ele e para Ele, com a indispensável e fascinante perspectiva da glória do calvário.  O ensino em Hebreus 12:1-2 é oportuno: “desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo casa da ignomínia”. Sem o desejo sincero de ver a Jesus, jamais teremos o privilégio de participar da fascinante perspectiva da glória do calvário.

2. O TEMPO DE DEUS – v. 23: “É chegada a hora”

A segunda reflexão que o texto nos sugere é a de que Deus tem o tempo certo para a realização dos Seus soberanos desígnios. O eterno projeto de Redenção do homem estava definido nos anais eternos para ter lugar no tempo de Graça, executado pelo Seu Filho, na forma humana, voluntariamente assumida (João 1:1, 14).  Os gregos chegaram exatamente no tempo de Deus para terem a fascinante perspectiva da glória do calvário.

O histórico momento do Calvário estava para acontecer. O Senhor Jesus, ao saber do interesse dos gregos em vê-Lo, fez logo a notável declaração: “é chegada a hora”. Referiu-se o Senhor à notável hora da manifestação da Sua Glória no Calvário. Não era hora de expor ao mundo grego, tão curioso, o Seu saber intelectual, a Sua exponencial personalidade, a Sua importância pessoal para a solução de problemas humanos até então insolúveis pelos mais notáveis de todos os tempos.  Mas era, sim, o tempo de Deus para a solução do mais crucial problema do ser humano, longe de Deus, destinado à perdição eterna, por causa da sua voluntária pecaminosidade.

Era chegada a hora do Calvário. Não como instrumento de satisfação da justiça humana, sempre falha e precária. Mas da satisfação da Justiça divina, redimindo definitiva e eternamente o pecador, pela expiação dos nossos pecados, através do sacrifício voluntário e eficaz do Senhor Jesus.  Como declaram as Escrituras, “tudo fez Deus formoso no seu devido tempo” (Eclesiastes 8:11). Nada mais formoso no tempo de Deus do que a Glória do Calvário! A convicção do tempo de Deus na Obra da Redenção torna fascinante a perspectiva da glória do calvário.

3. O CALVÁRIO – vs. 23, 24: “É chegada a hora de ser glorificado o Filho do homem”

A terceira reflexão que se infere do texto decorre da extraordinária afirmação que Cristo faz a respeito da Sua própria morte no Calvário e do seu resultado. Dizendo que era chegada a hora de “ser glorificado” (v. 23), falava a respeito da Sua própria morte na cruz e da Sua subsequente ressurreição e exaltação (veja João 13:31). Aceitando morrer no Calvário, por amor a nós, submisso à soberana vontade de Deus, de forma tão humilhante e ignóbil, e recebendo o castigo divino dos nossos pecados, foi, no mesmo ato, glorificado pelo Pai. Que magnífica e fascinante perspectiva da sua glória nos oferece o Calvário!

No versículo 24 utilizou-se da propícia metáfora sobre a produção de trigo: “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, produz muito fruto”. O princípio da vida mediante a morte acha-se no mundo vegetal. O grão precisa perecer como grão para que possa haver uma planta. Vê-se, no texto, declarada a Glória do resultado eficiente da Sua morte, chamado de “muito fruto”, que é a notável realidade da Sua amada Igreja. A mesma ideia nos é exposta, profeticamente, em Isaías 53:11... “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito”. O Corpo de Cristo, como fruto do penoso e abundante trabalho da Sua alma, deve ser, perante o mundo, a fascinante perspectiva da glória do calvário.

A Igreja de Cristo é gloriosa e deve refletir sempre a Glória do Calvário! Que privilégio é o nosso: o de sermos membros do Corpo de Cristo! Mas que tremenda responsabilidade esse nobre privilégio nos traz! Mais do que tudo a Igreja deve ser por nós valorizada, como a gloriosa instituição divina, para realizar no mundo o soberano propósito do Senhor.

CONCLUSÃO

O mundo religioso cristão se envolve, neste mês, em acentuada atuação litúrgica, arrastando as multidões para comovidas manifestações que celebram os acontecimentos dantescos do Calvário. Tudo será de nenhum valor espiritual se não tivermos e não manifestarmos, como o Corpo de Cristo, a fascinante perspectiva da glória do calvário, a que foram levados os gregos que queriam ver a Jesus.