Boletim dos Obreiros

Jesus anda sobre o mar

É nas tempestades que o Senhor nos capacita
Mateus 14:22-33

Vivemos um momento sobremodo tormentoso. Todos estão sob um estado de tremenda apreensão, diante dos acontecimentos catastróficos que ocorrem por todas as partes, em todas as áreas da vida humana, tais como social, familiar, política, religiosa e outras, tanto no âmbito nacional como no internacional. Violências urbanas, terrorismo, iminentes perspectivas de confusões, prejuízos e carências insuperáveis criam uma situação generalizada de grande angústia e de total insegurança e medo.

Por outro lado, grande é a apreensão da humanidade diante dos acontecimentos incontroláveis provocados pela natureza, como terremotos, vulcões fortemente ativos, tornados, ciclones, tempestades, enchentes, incêndios, desastres de grandes dimensões, tsunami e cataclismos de toda a sorte, que se repetem por todos os cantos da terra, apavorando as pessoas e demonstrando a fragilidade dos recursos humanos para superá-los. Que tragédia! Muitos querem fugir para lugares mais seguros, mas não sabem para onde!

Toda essa ordem de pensamentos levou-me a meditar na extraordinária experiência dos discípulos do Senhor Jesus, quando, no meio da tormenta incontrolável que, a todos, punha em perigo, na escuridão da noite, no meio do mar, viram JESUS ANDANDO SOBRE O MAR! Parecia incrível! Mas o Senhor Jesus era a única solução!

Mergulhado nesses pensamentos, fui levado a um papel amassado e envelhecido, perdido nos meus “perdidos e achados”, onde, há mais de quarenta anos, ainda jovem, registrei, de forma singelamente poética, esse singular relato dos Evangelhos. Foi escrito durante uma madrugada, quando, a sós com o Senhor, vivia um momento de profunda angústia de alma.

Foi a contemplação de tal cenário noturno, quando Jesus andou sobre as águas tormentosas do mar, registrada naquele papel, que se perdeu no tempo, que me fez superar um dos momentos mais aflitivos da minha experiência de vida, que não esqueço, apesar do tempo.

Por isso, neste quadro tão tormentoso do contexto atual, julguei adequada a contemplação do episódio vivido pelos discípulos: Jesus andando sobre as águas, que lhes trouxe bonança, paz, segurança e esperança de uma vitoriosa experiência de vida. Devemos lembrar que o “mar” é uma figura do mundo, com todos os seus contratempos e circunstâncias aflitivas, opressivas e destruidoras da felicidade humana.

Mas quando JESUS ANDA SOBRE O MAR, ainda que tormentoso e ameaçador, e vem ao nosso encalço, tudo muda! Desaparecem os fatores da desgraça e da inquietação, para dar lugar à bonança, à paz e à esperança de uma vitoriosa e feliz experiência de vida. Perdoem-me a ousadia de reproduzir o singelo conteúdo desse amarelecido papel, mas ele me fez muito bem e espero que possa, também, amenizar as preocupações aflitivas de muitos nos dias que correm. Vamos a ele:

Despedida a multidão,
por Cristo bem saciada,
p'ra ficar em solidão,
aos seus a ordem é dada:
Ao barco ide, entrai!
Ao largo, logo remai!
No barco eles entram,
ao mando que o Mestre faz.
Com ímpeto firme remam,
a praia deixando p'ra trás.
Enquanto isso, no monte,
Cristo, só, orava ao Pai,
mirando, lá no horizonte,
sol que aos poucos se esvai.
Vagas sobem,
barcos movem.
Bem distante,
balouçante.
Faz-se escuro!
E eles sós!
O barco em meio do mar,
o vento contrário a soprar,
faz a onda se encapelar,
que ao barco passa açoitar!
Era escuro!
E eles sós.
Sós no barco,
que apuro!
Da noite, vigília é a quarta.
Caminha Jesus sobre o mar.
Do barco pouco se aparta
Para lá poder chegar.
No barco afoitos se batem
homens fortes a remar,
mas vendo o vulto se abatem,
nas ondas, não pode Ele andar!
Era escuro!
E eles sós!
Sós no barco,
que apuro!
No barco todos se apuram.
Embora afeitos ao mar,
razão que buscam e procuram
não chegam, sequer, encontrar.
Espantados! Assustados!
Passam todos a gritar:
Fantasma! Fantasma! Fantasma!
O grito se faz ecoar!
E o vulto mais se aproxima,
calmo, sereno a abordar,
o barco convulso, onde, em cima,
os seus estão a clamar.
Era escuro!
E eles sós!
O vulto passa a falar,
com voz firme, bem pausada.
Mais forte que as ondas do mar,
Faz-se ouvir em hora azada.
Olham todos espantados!
Ouvem todos apurados!
Quem é Ele?
Que diz Ele?
É o Mestre que, sem mais,
Diz: "Sou eu, nada temais".
E se era muito escuro,
eles não mais estavam sós!
Apesar de todo apuro,
do Mestre ouvem a voz!
E então, de boa mente,
no barco o receberam.
e logo, alegremente,
o seu feito enalteceram.
Eles não mais estavam sós!
Agora ouviam a sua voz.
Sobre ondas que descansam,
o barco, eles e o Mestre,
rumo certo, logo alcançam
a outra margem terrestre.
Em meio ao mar desta vida
e escuridão que nos cerca,
a Cristo demos guarida,
para que nada se perca.
Com Ele, temos certeza,
de atravessarmos o mar
e chegarmos, com firmeza,
no gozo pleno em Seu Lar!